• Sonuç bulunamadı

Diş Protez Teknolojisialanının gerektirdiği konularda yeterli alt yapıya sahip olma; bu alandaki kuramsal ve uygulamalı bilgileri kullanabilmek Kamu ve özel

No contexto do mundo atual, ao se falar de teologia do corpo e ética da corporeidade, torna obrigatório tocar o assunto economia. Não que esses temas sejam próximos em termos teóricos, contudo, em nível de práxis, eles se aproximam. O liame entre um e outro se dá, pelo motivo da economia, ao longo de toda História Universal influenciar de forma direta na di- mensão da corporeidade e pelo fato dela estar presente no homem.

Desde os tempos antigos a economia determina os espaços para o corpo. Quanto maior é o desenvolvimento econômico, em todos os sistemas sejam quais forem, o corpo aca- ba por ser uma espécie de palco onde são apresentados os espetáculos das contradições de setores extremos.

Partindo dessa ordem, ao se falar de uma aplicação da ética do corpo com relação à economia, alguns fatores devem ser considerados. O primeiro deles reside no fato da realida- de do corpo como algo inerente ao homem e sua dignidade, em outras palavras, pode ser apli- cado aqui a voz do Magistério no qual afirma: “o homem é o autor, o centro de toda atividade econômico-social”266. Portanto, um sistema econômico que não o contemple como um todo, por sua própria natureza, constitui-se em impróprio e sem razão de ser. Aliás, isso não se aplica somente à economia, mas a todas as instituições, ou seja, todas elas devem ter como causa e fim o homem.

Evidentemente, para isso se deve levar o homem em consideração a partir não só do contemplado pela visão física, mas olhando-o como alguém portador de uma realidade que vai além dos fatos e dados numéricos e científicos. E uma vez que “a economia tem em meta o próprio homem”267 para ele deveria estar orientada. No entanto, a realidade apresenta dife- rença. Evidenciam-se as marcas dos desfavorecimentos expressas por meios dos resultados do sistema capitalista incentivador do consumo. E o corpo virou o maior meio consumidor onde se vê inúmeras exclusões:

266 GS 63.

De corpos de mulheres e homens que trabalham incessantemente na espe- rança de comprar a felicidade sem alcançar o que desejam. De corpos de negras e negros aos quais a mídia oferece inclusão, poder e glória, através de consumo de ar- tigos específicos para seus corpos. De jovens sensíveis ao estímulo dos desejos promovidos pela propaganda, tornando-se os mais fortes consumidores da atualida- de. De corpos de pessoas idosas, às quais são oferecidos empréstimos ilícitos para que possam consumir e que, quando caem na armadilha, tornam-se mais infelizes que antes. De corpos de indígenas, cujas culturas ancestrais cheias de sabedoria não têm nenhum valor, nem são reconhecidas pela sociedade de consumo. De pessoas que vivem na rua, sem teto e sem condição de entrar na sociedade de consumo, tor- nando-se lixo humano do sistema de mercado global. De corpos de crianças: apro- ximadamente seis milhões de menores em todo mundo são vítimas do trabalho es- cravo, sofrem ataques, exploração ou são violentadas regularmente. De corpos es- tigmatizados por doenças incuráveis e contagiosas; por preconceitos étnicos e mo- rais; por situações sociais de marginalidade. De corpos confinados em cárceres de condições infra-humanas, violentados e marcados para sempre em sua dignidade mais profunda268.

Mas se, por um lado, a economia despreza ou usa do corpo em detrimento da pessoa como fora descrito, por outro, ela usa muito bem do corpo e aproveitando de seus atributos e sutilmente manipula a consciência das pessoas dominando-as. Em muitos âmbitos, de forma bem contraditória, o corpo torna-se manequins das situações econômicas ditadas pela moda do consumismo.

A sociedade dominada pela cultura da mídia “coisificou” o corpo, dando- lhe visibilidade através de um padrão de beleza criado em vista da propaganda e do lucro. Este padrão tem como consequência a alienação do próprio corpo. A beleza que provem das características pessoais, de tudo aquilo que é original em cada cultu- ra, já não é mais valorizada. O que a mídia exalta é beleza que corresponde ao pa- drão do mercado global e que gera dinheiro269.

Olhando toda essa situação não se exagera afirmar a existência de verdadeira tensão entre o pensado sobre a economia e a realidade corporal. A mesma economia, conforme fora visto, usa do corpo, no entanto, pouco faz em favor do corpo. A o crescimento econômico e a degradação do humano.

268 CRB. Corpos Solidários em tempos de travessia. Rio de Janeiro: Letra Capital Editora, 2008. p. 10. 269 Ib. p. 11.

Do ponto de vista das tensões relacionais, defrontamo-nos, hoje, com as maiores concentrações de bens que a história da humanidade conhece; e, natural- mente, com as maiores privações que lhe são correspondentes. Exclusão, fome, po- breza atinge mais da metade da humanidade, o que está expresso nos corpos e, em grande parte, também nos espaços geográficos que as pessoas ocupam270.

A partir do descrito pode ser afirmado que para uma ordem ética a respeito do corpo com relação à economia “compete propor o critério da necessidade humana como sendo a razão e o objetivo de toda economia que pretende ser justa”271. E para isso pode se pensar em equidade, ou seja, justa distribuição de bens, pois os corpos acabam por denunciar a miséria física e espiritual da falta de ética na economia e, consequentemente, a negação de princípios evangélicos.

Isso pode ser apresentado com dados numéricos em nível científico como um relató- rio feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2002 ao elencar o baixo peso infantil e a obesidade dos adultos como um dos principais fatores de risco à saúde272.

Conforme o relatório, em torno de 170 milhões de crianças em países po- bres têm baixo peso, principalmente por falta de comida. De outro lado, mais de um bilhão de adultos no mundo, em países de renda média e alta, tem excesso de peso ou são obesos. Em torno de meio milhão de pessoas, na América do Norte e na Eu- ropa Ocidental, morrem, anualmente, por causa de doenças relacionadas com exces- so de peso e obesidade273.

Embora não sejam dados recentes tais números podem oferecer referenciais signifi- cativos dos efeitos econômicos sobre o corpo. Se por um lado corpos sofrem na miséria, por outro, os próprios corpos denunciam em si, pelo acumulo e egoísmo, o quanto são ameaçados pelas doenças da obesidade. São corpos afligidos pela não partilha, recebem a seu modo a condenação sintomática da negação da dignidade de outros corpos.

O pior de tudo, dentro da ética do corpo, pode ser visto a partir de todo aparato do sistema econômico criado. Este amortiza as consciências, diminuem o homem em favor da

270 ANJOS, Marcio Fabri. O corpo no espelho da dignidade e da vulnerabilidade. In. SOTER. . p. 282. 271 VIDAL. Para conhecer a ética cristã. p. 360.

272 Cf. ANJOS, Marcio Fabri. O corpo no espelho da dignidade e da vulnerabilidade. In. SOTER. p. 282. 273 ANJOS, Marcio Fabri; PESSINI, Léo. Saúde mundial e bioética. Bioética (Conselho Federal de Medicina,

Brasília) v 11, n. 1, p. 146-152, 2003 Apud. ANJOS, Marcio Fabri. O corpo no espelho da dignidade e vulnera- bilidade. In. SOTER... p. 282.

economia criando assim situação de falta de responsabilidade com os excluídos. Nas ruas das cidades, ver corpos destruídos pela fome, doenças, drogas, prostituição e muitos outros fatores não causam mais impacto nas pessoas. Nesse sentido, bem lembrou, o papa Francisco ao de- nunciar o sistema econômico na exortação apostólica Evangelii Gaudium. Segundo o sumo pontífice, atentando para amortização da consciência, expressou o seguinte:

Não é possível que a morte por congelamento de um idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o fato de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitivi- dade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco274.

Recuperar a dignidade humana na corporeidade com relação à economia requer con- siderar esse e demais fatores sociais. A recuperação seria o sucedâneo de estabelecer nova- mente o homem no local certo, isto é, no centro das instâncias e instituições. Infelizmente “o ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e de- pois jogar fora”275. Daí os descasos referentes ao corpo feito pelos planos econômicos.