104 empreendimentos, foi realizado o planejamento amostral de forma que resultados amostrais fossem representativos da situação que pode ser encontrada nos empreendimentos de extração de areia localizados nas três SUPRAMs. Assim, a Tabela 7 apresenta as proporções observadas em relação à execução de ações para cada ação ambiental bem como os respectivos intervalos de 90% de confiança, sob a suposição de distribuição de probabilidade Normal, conforme apresentado no item 4.4.
Dentre as ações ambientais verificadas, as piores estimativas corresponderam à existência de viveiro de mudas, ao monitoramento da qualidade das águas e à aspersão de água nas vias de acesso; para esses itens, estima-se, com 90% de confiança de que, no máximo, 10% dos empreendimentos de extração de areia de categoria AAFs pertencentes as três SUPRAMs pesquisadas possuem esses viveiros, fazem o monitoramento das águas e que, no máximo 13%, executam ações de aspersão de água nas vias de acesso.
A questão do monitoramento ambiental é um ponto de fragilidade no sistema de gestão ambiental preconizado pela legislação federal e estadual, pois Brasil (1994 e 1995a, apud Prado Filho, 2001) já havia detectado que “praticamente nenhum órgão de meio ambiente realiza regularmente o monitoramento ambiental nos empreendimentos por ele licenciados. Muitas vezes ele nem se faz presente no local onde ocorrem os impactos ambientais, em função de suas deficiências infraestruturais”. Tem-se, ainda, que a baixa execução do monitoramento das águas na amostra, demonstra que a situação encontrada está consoante com os resultados encontrados por Florêncio (2010), quando avaliou o automonitoramento na bacia hidrográfica do Rio Itabirito em Minas Gerais. Segundo esse autor, o elevado número de processos de licenciamento ambiental em relação ao reduzido número de servidores faz com que não sejam feitas uma análise regular e eficaz do cumprimento das condicionantes do licenciamento, incluindo o automonitoramento. A situação descrita por Brasil (1995), e por Florêncio, quinze anos depois, encontra respaldo nas informações disponíveis no Relatório de Sustentabilidade 2010/2011 do SISEMA, quando apresenta a título de exemplo que, do total de 10 unidades regionais do COPAM, uma única Unidade Regional Colegiada do COPAM estabeleceu 1.080 condicionantes, em 2010, e 1.286 condicionantes, em 2011, nos processos avaliados (MINAS
105 GERAIS/SEMAD, 2012, p.138), mas em relação ao total de fiscalizações realizadas em 2010/2011, apenas 20% referem-se às atividades licenciadas (MINAS GERAIS/SEMAD, 2012, p. 149).
Tabela 7 - Ações ambientais (com intervalo de 90% de confiança) que são executadas pelos empreendimentos de extração de areia em atividade para Minas Gerais no período 2004 a 2008
Ação/intervençãoambiental Tamanho da amostra Proporção inferior Limite superior Limite
Proteção das bordas laterais na balsa 35 0,46 0,33 0,59
Racionalização do número e espaçamento
entre dragas 35 0,74 0,63 0,85
Estocagem do solo 44 0,55 0,44 0,66
Existência de viveiro de mudas 44 0,05 0,00 0,10
Manutenção periódica dos motores 44 0,32 0,21 0,43
Acondicionamento e manuseio adequados
de óleos e graxas 44 0,27 0,17 0,37
Sistema de separação de óleos e graxas 44 0,16 0,08 0,24
Utilização de abafador de ruídos e protetores auriculares
44 0,18 0,09 0,27
Estabilização dos taludes 44 0,34 0,23 0,45
Tratamento de efluentes líquidos 44 0,14 0,06 0,22
Monitoramento da qualidade da água 44 0,05 0,00 0,10
Disposição adequada dos resíduos sólidos 44 0,27 0,17 0,37
Implantação de sistema de drenagem 44 0,30 0,20 0,40
Revegetação das áreas mineradas 44 0,39 0,28 0,50
Aspersão de água nas vias de acesso 44 0,07 0,01 0,13
Sinalização de segurança na área 44 0,20 0,11 0,29
Caçambas com lonas nos caminhões 44 0,36 0,25 0,47
Apresentação de projeto de reabilitação e
uso futuro da área minerada 44 0,27 0,17 0,37
Fonte dos dados básicos: Pesquisa realizada em campo em 2010.
Nota: O tamanho da amostra foi definido pelo número de empreendimentos em atividade, sendo que as duas primeiras ações refere-se a extração por dragagem com balsa. Foi realizado um cálculo aproximado para o intervalo de 90% de confiança, pois não se conhece o número de empreendimentos que usam dragas nas três Superintendências pesquisadas, visto não haver solicitação dessa informação quando do preenchimento do FCE.
Em relação à execução das ações de proteção nas bordas laterais da balsa e racionalização do número e espaçamento entre dragas, para os 228 empreendimentos localizados na área das três SUPRAMs, o banco de dados do Sistema Integrado de Informação Ambiental do SISEMA não informa qual o tipo de lavra está em operação,
106 assim pode-se afirmar que não se conhece efetivamente o número de empreendimentos nas três Superintendências que são do tipo aluvião em curso d’água ou em cava aluvionar, sendo que essa identificação somente é possível quando da verificação em campo. Portanto, para essas duas ações o intervalo de 90% de confiança foi calculado de forma aproximada. Esse cálculo aproximado indica um intervalo de 0,33 a 0,59 de empreendimentos que adotam ações para proteção nas bordas laterais da balsa e de 0,63 a 0,85 para a racionalização do número e espaçamento entre dragas.
Para a estocagem do solo com a finalidade de recomposição da área degradada, dentre os 228 empreendimentos de extração de areia detentores de AAF das três Superintendências, estima-se, que a proporção deles que fazem a estocagem de solo esteja entre 0,44 e 0,66.
A proporção de empreendimentos que fazem a manutenção periódica dos motores, estabilização dos taludes, implantação de sistemas de drenagem, revegetação das áreas mineradas e uso de lonas nas caçambas dos caminhões é de, pelo menos, 0,20 e, no máximo, 0,50; ao passo que, a proporção de empreendimentos que apresentam projeto de reabilitação e uso futuro da área minerada provavelmente, está entre 0,17 e 0,37.
A proporção de empreendimentos das três Superintendências que fazem aspersão de água nas vias de acesso, deve se situar entre 0,01 e 0,13. Pode-se concluir também que a proporção de empreendimentos detentores de AAF que fazem tratamento dos efluentes líquidos não é superior a 0,22 em toda a região.
Para avaliar o desempenho geral dos empreendimentos nas três Superintendências, foi criado o índice ambiental, conforme apresentado no item 4.5, que corresponde à soma da pontuação obtida por cada empreendimento, dividido pelo número de ações ambientais (dezoito); atribui-se o valor um para cada variável ambiental, caso o empreendimento exerça a ação de proteção do meio ambiente e zero, caso ele não exerça.
O índice ambiental varia de zero a um, de forma que, tanto para as lavras de aluvião em curso d’água e cava aluvionar, quanto para as lavras em cava, em encosta ou
107 em flanco o valor 1 corresponde a 100% de atendimento das ações ambientais executadas pelo empreendimento. O valor zero indica que o empreendimento não atende a nenhuma das ações ambientais e o valor 0,5 indica que o empreendimento atende metade das ações ambientais. Esse índice, calculado para os 44 empreendimentos das três SUPRAMs, corresponde a 0,28, com desvio-padrão de 0,19. Observa-se, assim, que a proporção de ações ambientais em conformidade pelos empreendimentos amostrados situa-se abaixo do meio da escala que corresponde a 0,5. Ao calcular o intervalo de 90% de confiança referente aos 228 empreendimentos das três Superintendências, é possível afirmar que a proporção de ações ambientais em conformidade para todos os empreendimentos pertencentes as três Superintendências seja, de pelo menos, 0,17 e, no máximo, 0,38.
Em média, os empreendimentos de extração de areia localizados nas três Superintendências: Central Metropolitana, Sul de Minas e Zona da Mata apresentaram índices de atendimento próximos: 0,28; 0,29 e 0,25, respectivamente; ou seja, em média, um pouco mais de 25% das ações ambientais são atendidas pelos empreendimentos de cada SUPRAM. Um agravante desses valores é a dispersão em torno de cada média obtida; pois o desvio-padrão é bastante alto e correspondeu a: 0,22; 0,16 e 0,18, respectivamente. Se dividirmos cada desvio-padrão pela respectiva média, observamos que os empreendimentos da Supram Central são os que apresentam maior variabilidade em torno da média.
O gráfico de caixas é útil para a descrição de dados, visualização da variabilidade dos mesmos e comparação entre diferentes grupos e em inglês, é denominado de Box-plot (Soares & Siqueira, 1999). O Box-plot é construído com base nas estatísticas: primeiro quartil (Q1), mediana (Q2), terceiro quartil (Q3) e a distância interquartílica, que corresponde ao terceiro quartil menos o primeiro quartil. A linha inferior de cada retângulo corresponde ao Q1; ao passo que a linha superior de cada retângulo corresponde ao Q3, assim, dentro de cada retângulo há metade do conjunto de dados. Dentro de cada retângulo, é traçada a linha correspondente à mediana, ou seja, segundo quartil.
108 do qual é possível observar que para a Supram Central, a dispersão dos índices obtidos pelos 17 empreendimentos em atividade dessa Supram é maior do que para as demais Superintendências.
Figura 13 - Distribuição dos valores dos índices ambientais obtidos pelos empreendimentos amostrados da SUPRAM Central Metropolitana, Sul de Minas e Zona da Mata, Minas Gerais, 2004 a 2008
A linha escura dentro de cada caixa representa a mediana dos índices ambientais para cada SUPRAM. As medianas dos índices ambientais para a SUPRAM Central Metropolitana e Sul de Minas estão próximos de 0,30; ao passo que, para a SUPRAM Zona da Mata, a mediana do índice corresponde a 0,22. Dessa forma é possível observar que, enquanto para a SUPRAM Central Metropolitana, metade dos empreendimentos apresenta índices ambientais que variam de zero a 0,33; para a SUPRAM Zona da Mata, metade dos empreendimentos apresenta índice entre zero e 0,22. Para a SUPRAM Sul de Minas, metade dos empreendimentos apresenta índices ambientais que variam de zero a 0,30.
109 Para nenhuma SUPRAM, há empreendimento com índice igual a um, ou seja, que atenda a todos os itens ambientais; e pertencente ao Grupo A, pois o maior índice foi obtido por um empreendimento da SUPRAM Central Metropolitana que corresponde a 0,72.
Conforme descrito, a avaliação das ações/intervenções ambientais demonstrou que nenhum dos 44 empreendimentos amostrados atende as 18 ações definidas para verificação da conformidade ambiental e operacional e consequente não há efetividade do instrumento AAF.
Aplicando a classificação proposta de agrupamento dos empreendimentos pelo número de atendimento de ações ambientais que corresponde ao índice ambiental (item 4.8), foi constatada a situação apresentada a seguir. Dos 68 empreendimentos amostrados, não foram computados cinco empreendimentos com as atividades encerradas68, 19 empreendimentos com atividade paralisada. Dos 68, apenas 44 empreendimentos estavam em atividade e tiveram as ações/intervenções ambientais. O índice ambiental assumiu valores entre 0,5 a 0,9 para 7 empreendimentos que foram classificados como Grupo B, e assumiu valor menor que 0,5 tem-se 37 empreendimentos classificados como Grupo C.
Da análise da situação de conformidade ambiental para a metodologia proposta não existe empreendimento enquadrado no Grupo A, estando grande parte dos 44 empreendimentos enquadrados no Grupo C, o que demonstra que os empreendimentos detentores de AAF não desenvolvem ações com a efetividade ambiental esperada pelo legislador quando da alteração da legislação ambiental (DN 74/04, ratificada pelo Decreto 44.844/2008), que instituiu este instrumento de regularização ambiental simplificado para empreendimentos considerados de impacto ambiental pouco significativo.
Como a amostra objeto desse estudo pode ser considerada representativa do universo de empreendimentos para a atividade de extração de areia para uso na construção civil, ao
110 extrapolar os resultados para todas as SUPRAMs, pode-se inferir que essa situação tende a se reproduzir com as mesmas características nos demais empreendimentos detentores de AAF para atividade estudada no território mineiro.
Os resultados demonstram que o instrumento de regularização ambiental AAF não se aplica para a atividade de extração mineral, conforme destacado por Oliveira (2012). Segundo essa autora, a AAF não se encaixa no procedimento integrado estabelecido entre o DNPM e o órgão ambiental para o licenciamento, pois devido à escassez de informações, o órgão licenciador acaba por autorizar empreendimentos de porte, potencial poluidor e/ou localização inadequada.
Por fim, os resultados corroboram a preocupação da sociedade civil em relação à implantação da AAF, quando do Seminário Estadual sobre Licenciamento Ambiental promovido pela SEMAD e Associação Mineira de Defesa do Ambiente - AMDA, em 2006 (RIBEIRO; LEITE; ALMEIDA, 2007), e pelo Ministério Publico Estadual e Federal (HOJE EM DIA69, 2010), que motivou este estudo, em relação a esse processo de regularização ambiental. Os resultados respaldam também a sensação que os empreendedores têm de que a probabilidade de serem fiscalizados pelo Estado é tão baixa que eles acabam negligenciando a adoção de boas práticas operacionais, como é o que se constatou nas atividades da extração de areia para uso na construção civil.
69 Disponível em <http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/economia-e-negocios/decreto-estadual-favorece-
111
6. CONCLUSÕES
O objetivo principal do presente trabalho foi avaliar uma amostra de empreendimentos de extração de areia para uso na construção civil para se verificar a efetividade das AAFs, em relação ao atendimento dos requisitos exigíveis para a formalização do processo de regularização ambiental e ao cumprimento das premissas do termo de compromisso, em que os empreendedores ou responsáveis declaram documentalmente que operam de acordo com a normas legais e técnicas de controle ambiental no exercício da atividade. Para atingir tal objetivo, efetuou-se coleta de dados documentais nos processos de AAF e, verificação em campo para obter os dados sobre as condições operacionais e ambientais declaradas. Para a pesquisa de campo foi utilizado um formulário, desenvolvido para este estudo, contendo dezoito ações/intervenções ambientais, consideradas aplicáveis ao bom desempenho ambiental de um empreendimento em operação. O formulário foi aplicado aos empreendimentos selecionados por meio da técnica de amostragem aleatória simples sem reposição.
Complementarmente, para subsidiar o estudo, buscou-se conhecer, na Deliberação Normativa nº 74/04, as atividades passíveis de AAF e o correspondente número de AAFs concedidas pelo órgão ambiental de Minas Gerais, identificando os setores produtivos que mais obtiveram essas autorizações, no período de 2004 a 2008. No conjunto de 164 atividades, três delas foram responsáveis por 54% do total de 6.789 concessões de AAF. São elas: postos de combustíveis (29%), mineração (18%), transporte de produtos perigosos (7%).
Da avaliação da distribuição regional por Superintendências Regionais, constatou- se menor concentração de concessões de AAF nas SUPRAMs Norte, Noroeste e Nordeste, e uma maior concentração de AAFs concedidas nas SUPRAMs Central Metropolitana e Sul de Minas, e logo em seguida na SUPRAM Zona da Mata.
Do universo de 228 empreendimentos de extração de areia, uma amostra constituída por 68 empreendimentos da atividade objeto de estudo apresentou um
112 resultado que demonstra um cumprimento ineficiente e precário das exigências e obrigações ambientais por parte do empreendedor, tanto do ponto de vista legal quanto operacional em relação ao que ficou registrado na declaração de conformidade ambiental constante do termo de responsabilidade associado à Anotação de Responsabilidade Técnica – ART que subsidiou a concessão da AAF para o empreendimento.
Tem-se inicialmente que a falta ou fragilidade do gerenciamento ambiental dos empreendimentos estudados pode estar relacionada à ART de atividades de controle ambiental em empreendimentos minerários que são assinados por profissionais sem o devido conhecimento e habilidades para as atividades em questão. Verificou-se empreendimentos de extração de areia tendo como responsáveis por medidas de controle ambiental biólogo, tecnólogo em saneamento ambiental, engenheiro mecânico, engenheiro agrícola, engenheiro agrônomo, engenheiro civil e engenheiro florestal. Do apurado, pode- se inferir que existe, também, uma falha no sistema de controle do órgão fiscalizador do exercício da profissão.
Em relação à adoção de medidas de conservação e proteção da área afetada pela atividade, a avaliação dos resultados mostrou que nenhum dos 68 empreendimentos amostrados na região das SUPRAMs (Central Metropolitana, Sul de Minas, Zona da Mata) apresenta o índice ambiental que demonstra conformidade ambiental esperada, tendo em vista o estabelecido nas normas aplicáveis à atividade. Citam-se, por exemplo, ausência de ações de estabilização dos taludes, manutenção de equipamentos, uso da draga de forma racional, estocagem de solo para fins de revegetação, implantação do sistema de drenagem, monitoramento da qualidade da água, tratamento dos efluentes, viveiro de mudas e revegetação de áreas mineradas.
De posse dos resultados amostrais, foi possível utilizar de técnicas estatísticas para inferir quais seriam os resultados se todos os empreendimentos da área de interesse tivessem sido visitados, assim, pode-se afirmar que uma pequena parcela dos empreendimentos desenvolve ações para conservação e proteção da área afetada, visto que o índice ambiental correspondeu a 0,28.
113 Estima-se com 90% de confiança, que se todos os 228 empreendimentos de extração de areia e cascalho para uso na construção civil localizados nas três Superintendências tivessem sido visitados, o índice ambiental não seria inferior a 0,17, mas também não seria superior a 0,38. Isto quer dizer que em média menos da metade (0,50) das ações ambientais estariam sendo executadas pelos empreendimentos dessa região para atividade estudada.
Os resultados aqui obtidos, portanto demonstram que não há uma efetividade ambiental do instrumento AAF quando se analisa as ações de gerenciamento ambiental a ser efetuado pelos empreendimentos de extração de areia para uso na construção civil.
114
7. CONSIDERAÇÕES, SUGESTÕES E RECOMENDAÇÕES
Do que foi proposto, a primeira dificuldade encontrada foi definir “o que avaliar”, tendo em vista que, para a formalização do processo de concessão de AAF, não é fornecido dados anteriores relativos ao processo operacional e sistemas de controle ambiental ou um diagnostico da área do entorno do empreendimento para comparar os resultados obtidos em campo quanto à minimização de impactos ou mesmo se foram implementadas melhorias nos sistemas de controle ambiental ou no processo produtivo. Não existe, no processo administrativo de concessão da AAF, a descrição do empreendimento, sua forma de operação e as ações de mitigação de impactos, isto é, há uma ausência de uma “fotografia prévia completa” do empreendimento, ou um diagnóstico das condições sócio econômica e ambiental dos locais onde pretende operar, ainda que de forma simplificada, que possa subsidiar os diversos órgãos que atuam na fiscalização, controle e monitoramento ambiental.
Assim, para o processo de concessão da autorização é possível observar a fragilidade do sistema de gestão desenvolvido pelo órgão ambiental, bem como a ausência de gerenciamento pelos empreendedores que desenvolvem atividades consideradas de impacto ambiental não significativo, tendo como principal componente o agravante de não se poder contabilizar ganhos ou prejuízos uma vez que não se documenta suficientemente a situação anterior.
A ausência de registro de comunicado do empreendedor ou solicitação de cancelamento da AAF em relação à paralisação e ao encerramento da atividade quer nos processos ou no banco de dados, é também um fator dificultador para o gerenciamento da qualidade ambiental na área onde está inserido o empreendimento em relação a possíveis passivos ambientais, conforme foi constatado na atividade de campo.
A institucionalização da AAF, por meio das modificações introduzidas pela DN 74/04 e ratificadas pelo Decreto 44.844/2008, com as facilidades resultantes dessa modalidade de regularização ambiental, provocou uma inversão na proporção de
115 empreendimento regularizados via licenciamento ambiental em relação àqueles empreendimentos legalizados via AAF, pois o número de concessões de licença de operação decresceu proporcionalmente em relação às concessões de AAF.
O aumento de atividades cujas exigências para regularização ambiental foram simplificadas, deve merecer uma discussão, observando a complexidade de determinadas atividades no contexto de expansão econômica em relação às áreas de prioridade de preservação e de conservação, como é o caso da extração mineral, consoante com a Diretiva do COPAM nº 02, de 25 de maio de 2009, que estabelece diretrizes para revisão das normas regulamentares do COPAM por meio da incorporação do critério locacional, especialmente as normas referentes aos mecanismos e critérios para a classificação de atividades ou empreendimentos modificadores do meio ambiente sujeitos a regularização ambiental.
Questiona-se, inclusive, se a concessão de AAF para a atividade minerária estaria de acordo com os preceitos da legislação estabelecida em âmbito nacional, entre elas o Código de Mineração em vigor desde 1967, Decreto-Lei 227/1967 e a Portaria nº 237, de 18 de outubro de 2001, do Departamento Nacional da Produção Mineral – DNPM.
Específico para a atividade de mineração, as Resoluções CONAMA 001/86, 369/06, 09/90 e 10/90, definem a necessidade do licenciamento ambiental com a apresentação de Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA). Assim é cristalino afirmar que a necessidade da apresentação de informações e estudos com essa finalidade está associada ao fato de que este tipo de atividade não possui alternativa locacional para exploração do bem mineral, devendo então apresentar aos órgãos de controle da atividade a forma como irá efetuar a intervenção ambiental e como será a mitigação dos impactos gerados nas fases de implantação e operação do empreendimento.
A situação encontrada para a atividade objeto do estudo apresenta uma baixa efetividade do instrumento de regularização ambiental AAF em relação ao gerenciamento