3.5. Teknolojik Reklam Tutumu ve Demografik Değişkenler
3.5.7. Teknolojik Reklam Tutumu ve Katılımcıların Bağlı Bulundukları Ana
Na segunda metade do século XX Gadamer (1964, p. 934-935) havia sublinhado que existem três problemas metafísicos para os quais Nicolau de Cusa busca uma resposta: o problema do panteísmo, a semelhança do espírito humano com o divino e o ser enquanto palavra. Entre essas três questões que ainda tocam muito de perto a filosofia contemporânea, assegura Gadamer, a terceira é uma tarefa não totalmente resolvida pelos intérpretes da filosofia cusana. Assim, tendo em vista que com a “metafísica do inominável” também pretendemos pensar que os nomes, enquanto enigmas do princípio fundante, não podem deixar de indicar a trindade desse princípio como ele mesmo se mostra trino no mundo e no próprio homem, retomaremos algumas discussões sobre o problema da nomeação e a sua vinculação na especulação cusana com as constantes tentativas de se nomear a Deus. Não pretendemos com isso afirmar que o problema da linguagem na especulação cusana se resuma ao problema da denominação nem pretendemos afirmar que existe uma filosofia da linguagem
no seu pensamento42. Mas, parece que podemos assumir como ponto de partida a perspectiva
adotada por González Ríos (2010: 15-16) de que seria “[...] lícito recompor através de certos
elementos [do sistema cusano] uma teoria cusana da linguagem na qual se evidencie a função sistemática que adiquire a linguagem em sua teologia especulativa [...]”. Essa problemática se insere como uma discussão prévia em nossa própria pesquisa tendo em vista que buscaremos mostrar, em um segundo momento, a partir, principalmente, do De possest como os nomes enigmáticos também manifestam a unitrinidade do princípio primeiro.
Como à especulação da incompreensibilidade e da incognoscibilidade de Deus se segue um exame das dimensões cognoscitivas da mente humana, da mesma forma à especulação sobre a inominabilidade de Deus se acompanhada uma reflexão sobre os limites e possibilidades da linguagem humana. As teses que proporemos em seguinda mostram que em
42 González Ríos (Op. cit., p. 13) reconhece que existe um consenso estabelecido entre os diversos especialistas do pensamento cusano que se debruçaram sobre o problema da linguagem. Segundo ele, Donald Duclow, Hans- Georg Senger, João Maria André y Jan Bernd Elpert, entre outros, afirmam, que “[…] en la teología especulativa de Nicolás de Cusa no se encuentra una filosofía del lenguaje en sentido sistemático.” João Maria André (1997: 585) afirma que “aquilo que encontramos nos seus textos são referências relativamente marginais, ora articuladas com o desenvolvimento da Teologia do Verbo, ora integradas numa reflexão sobre a criação, ora dependentes de uma reflexão sobre o conhecimento e seus limites. É, todavia, incontestável a importância que a linguagem assume no contexto de todo o seu pensamento, nomeadamente na metafísica da mente sobredeterminada por uma metafísica do sentido”. E, embora reconheça a dificuldade para justificar tal ausência, entretanto apresenta três motivos: por a linguagem ser concebida a partir da inefabilidade do Verbo; pelo carácter simbólico da linguagem e, por último, não seria fácil articular os traços gerais da sua concepção de linguagem com as teorias linguísticas mais desenvolvidas no seu tempo, por exemplo, o nominalismo (Ibid., p. 586).
Nicolau de Cusa a sua especulação sobre a linguagem se vincula e se funda na Teologia do Logos: Deus se revela como criando pela Palavra. Entretanto, apesar da trindade do princípio fundante está sempre pressuposta nessas discussões, tendo em vista que a Palavra é a segunda dimensão trinitária, não se dá atenção à terceira dimensão trinitária, isto é, o nexus que se entendido como nexo do inteligente com o inteligível e do amor amante com o amor amável funda a possibilidade de que o intelecto humano possa compreender e nomear, ainda que inadequadamente, o inominável. Ou seja, embora se pressuponha o movimento intratrinitário de autorreflexão, a atenção não se volta para o movimento pelo qual o Verbum não é somente
de Deus, mas é já sempre Deus.
Tomemos como ponto de partida a avaliação estabelecida por González Ríos (2010) sobre os autores, que dentro ou fora dos estudos cusanos, reconheceram ou analisaram os problemas da linguagem no pensamento de Nicolau de Cusa. Segundo González Ríos (2010, p. 265), Gadamer está entre os autores que souberam reconhecer “[...] a centralidade da doutrina do Logos ou Verbum no desenvolvimento da metafísica ocidental”. No caso de Gadamer, apesar de ter reconhecido “[...] a centralidade da doutrina do Verbo divino na história filosófica da linguagem, [...]” e de aqui reconhecer a importância de Nicolau de Cusa falta-lhe, contudo, “[...] um exame exaustivo do problema da linguagem no pensamento cusano”. De modo especial, falta a Gadamer uma discussão sobre “[...] os nomes enigmáticos, tão decisivos para a compreensão da função sistemática da palavra no pensamento de Nicolau de Cusa” (2010, p. 266). Por outro lado, no campo dos estudos cusanos, González Ríos recorda que em muitas interpretações, por carecerem de uma visão de conjunto, o problema da linguagem em Nicolau de Cusa é reduzido a uma teoria do nome ou da denominação. Entretanto, reconhece que a análise desse problema é feita “[...] a partir do estudo de suas obras e das fontes das diversas tradições que convergem ou concorrem em seu pensamento, [...]” (2010, p. 266).
Considerando a centralidade da analogia entre o Verbum divino, princípio criador e produtivo, e a mens humana se compreende que, como adverte González Ríos (2010, p. 63), a concepção cusana da linguagem “[...] não pode ser separada dos princípios da sua teologia especulativa”. Daí o autor chamar a atenção para a doutrina do Verbo divino e afirmar que a teoria da linguagem de Nicolau de Cusa não apenas exige uma “remissão ineludível” a essa
doutrina, mas que deve ser compreendida à sua luz43. De modo especial, o que se evidencia é
a concepção dinâmica tanto do Verbo divino quanto da mente humana fundada na “[...]
concepção do princípio primeiro como princípio intelectual e como Palavra” (2010, p. 63). Enquanto, o princípio primeiro se conhece a si e a todas as coisas na sua Palavra criando tudo por meio dela, mostra-se também como “origem última” das palavras temporais de todas as linguagens. Por outro lado, também para González Ríos (2010, p. 99) essa concepção de linguagem pensada como “[...] o fruto do dinamismo produtivo da mente por meio do qual ela se explica e se expressa [...]” não só se deduz da doutrina do Verbo, princípio fundamental da teologia especulativa do Cusano, mas também a “ilumina”. Isso significa que o alcançado por meio da especulação teológica, ilumina também essa mesma especulação. Porém, esse dinamismo divino só pode ser compreendido como “um movimento intratrinitário” por meio do qual o princípio se conhece e se concebe a si mesmo no seu Verbo, na sua palavra ou imagem. É nesse sentido que justamente González Ríos (2010) pode falar, levando em consideração os primeiros sermões de Nicolau de Cusa, de uma potência da Palavra divina que cria tudo, mas também da palavra humana que busca expressar, mesmo que limitadamente aquela Palavra que é imagem e igualdade de Deus.
Quanto ao problema dos nomes divinos González Ríos (2010, p. 146) considera que todas as potências cognoscitivas da mente humana e todas as linguagens por meio das quais ela se manifesta, comunica-se e revela-se são postas em movimento na busca pelo “[...] nome e pela natureza de um objeto em si mesmo inalcançável, incognoscível e inefável”. Assim, o autor (2010, p. 149) considerará em sua tese que Nicolau, mesmo tendo preferência pelos termos intelectuais que ele considera enigmáticos, também utiliza termos que operam na região racional. Por isso, dispondo os nomes divinos de acordo com as unidades mentais apresentadas no De coniecturis ele divide os seis capítulos da segunda parte da sua tese do seguinte modo: em primeiro lugar, partindo da análise de alguns sermões, ele pretende mostrar que embora tenha “uma clara e manifesta preferência pela via negationes” Nicolau de Cusa “oferece formulações nominais e discursos teológicos que operam no âmbito da oposição dos opostos”, ou seja, na região da razão. Em segundo lugar, partindo do De docta
ignorantia, primeira grande obra do Cardeal alemão, será apresentado o nome enigmático “maximum et minimum absolutum” tendo como chave interpretativa a compreensão do divino como “coincidentia oppositorum”. Aqui, já não estamos mais no nível da razão, mas na região
do intelecto. Em terceiro lugar, serão apresentados alguns “termos intelectuais”44 como nomes
enigmáticos do divino, mas agora seguindo a indicação do De coniecturis “[...] de pensar
44 Cf. Ibid., p. 89: “Claros ejemplos de estos términos intelectuales constituyen los nombres divinos enigmáticos propuestos por el Cusano: “idem absolutum”, “possest”, “non aliud” y “posse ipsum”, entre otros.
além da coincidência dos opostos”45. Aos nomes que são compreendidos de modo intelectual, acrescenta González Ríos (2010, p. 147), Nicolau os denomina enigmáticos. O próprio desses termos é dirigir o olhar do que especula para a compreensão incompreensível do princípio eterno e simples que em si mesmo é incompreensível. Mas, tendo em vista o postulado no De
coniecturis o olhar especulante é lançado não somente para lá da oposição dos opostos (rationaliter), mas também para lá da coincidência dos opostos (intellectualiter).
A centralidade da teologia do Logos é também reconhecida por Casarella (1992)46
que busca em sua tese mostrar a relação entre a expressão da Palavra divina na ordem criada e o fenômeno natural da linguagem. Porém, segundo ele, uma compreensão histórica e sistemática da doutrina cristã do Logos está subordinada a uma compreensão que enfatize a
theologia sermocinalis cusana ou a teologia da palavra falada - the theology of the spoken
word (1992, p. 6). Quanto ao desenvolvimento global do pensamento de Nicolau de Cusa
sobre a linguagem o autor aponta como ponto crucial os anos 1450 quando Nicolau escreve os textos do Idiota (De sapientia, De mente e De staticis sperimentis). Neste sentido, ele (1992, p. 17-18) afirma que começa a surgir uma “distinct turn to language” nas obras especulativas de Nicolau de Cusa. Assim, antes de 1445 a discussão sobre a linguagem se centrava nas palavras como meros nomes que são incapazes de representar a inefabilidade e a transcendência divina. Em 1450, começando com o Idiota. De mente, o Cardeal de Cusa daria uma nova legitimidade à linguagem, pois aí ele consideraria a imposição de nomes como um ofício ou uma ars. Quando, nas obras tardias, Nicolau retoma os problemas dos nomes divinos, ele o faz somente depois de ter discutido sobre a convergência e a divergência entre a visão não discursiva, fornecida pela teologia especulativa, e o conhecimento discursivo, que pode ser significado em palavras, faladas ou escritas.
45 Cf. Ibid., p. 79: “Pero aun cuando el principio de la docta ignorantia, según el cual se busca abrazar lo incomprensible, esto es, la máxima y mínima igualdad o Verbo divino, de modo incomprensible, es decir, de modo intelectual [intellectualiter] a la luz de la coincidentia oppositorum, es sostenido y expresado de modo variado e incesante por el Cusano en las obras y sermones ulteriores, no puede dejar de señalarse, en este punto, el decisivo aporte y el desafío que ofrece a la doctrina cusana el De coniecturis. Pues allí, en el contexto de la exposición de la metafísica del conocimiento humano a través de la mente, presenta la tentativa de concebir al Verbo divino más allá de la coincidencia de los opuestos, i.e. como el principio de la relación de los opuestos en lo absoluto”. Posteriormente ele retoma essa posição: “[…] los distintos nombres divinos o enigmáticos ofrecidos por el Cusano en sus varias obras posteriores a De coniecturis para significar de modo conjectural aquella primera negación pura proceden de la unidad del intelecto y se despliegan, explicitan, en el ámbito de la tercera unidad, es decir, en la razón, pues todo nombre, como tantas veces lo ha repetido el Cusano procede de un movimiento de la razón. Pero los nombres enigmáticos, en los que toda oposición busca ser suprimida, tienden a abrazar inalcanzablemente lo inalcanzable, esto es, aquel inexpresable lenguaje divinal en el que se alcanzaría no sólo el principio de la oposición de los opuestos sino también el principio simple de la coincidencia de los opuestos” (Ibid., 189).
46 CASARELLA, Peter J. Nicholas of Cusa’s Theology of the Word. 465 p.; Tese (Doutorado em Filosofia) – Faculty of the Graduate School of Yale University, 1992.
A passagem da productio Verbi para uma speculatio Verbi representa para Casarella (1992, p. 208-214) uma virada linguística no pensamento cusano. Por exemplo, nos sermões que vão de 1430 até 1440 a reflexão cusana sobre a linguagem serviria principalmente para fundar uma especulação analógica e trinitária do Verbum. Outro aspecto desses textos escritos antes de 1440 é que a concepção de linguagem está dominada pela teologia da inefabilidade divina. Assim, por exemplo, os capítulos 24-26 do Livro I do De
docta ignorantia que tratam sobre os nomes divinos teriam, segundo ele, um importante precedente nos sermões. Em ambos os casos, Nicolau daria uma relativa prioridade à teologia negativa em relação àquela afirmativa. Segundo Casarella (1992), essa posição entraria em conflito com a teologia sermocinalis.
Dando continuidade à análise dos principais textos cusanos sobre a linguagem ele afirma que a primeira menção a “linguagem” como tema só ocorrerá no De coniecturis, texto escrito entre 1440 e 1444. Aqui Nicolau explicaria as bases filosóficas para a teologia da inefabilidade divina, pois, quando o Cardeal de Cusa discute sobre a segunda unidade, a unidade intelectual, ele sustentaria que a ascensão da ratio, terceira unidade, para o
intellectus, ou seja, da razão discursiva para a intuição intelectual, transcenderia também a linguagem. Desse modo, segundo o autor, uma analogia poderia ser estabelecida entre a
inefável transcendência divina e a origem apofática da intelligentia humana (CASARELLA,p.
1992: 209).
O ano de 1445 seria um ano de mudança no pensamento cusano sobre a linguagem. No De filiatione, texto desse mesmo ano, Casarella (1992) identifica uma oposição em relação aos primeiros sermões, pois a origem apofática do intelecto humano assumiria uma forma explicitamente cristológica. Dessa forma, em oposição à reflexão intratrinitária dos sermões, a imagem humanamente visível de Cristo torna-se o espelho da linguagem, ou seja, em Cristo vemos de modo perfeito o que pode ser expresso por meio da linguagem. Cristo torna-se, então, a condição de possibilidade de usar a linguagem afirmativamente para mediar o que só conhecemos através da palavra interna da mente.
Para ele a virada de 1445 é apenas uma preparação para o segundo capítulo do
Idiota. De mente, o primeiro texto no qual Nicolau de Cusa discute sistematicamente sobre a linguagem. Casarella identifica neste capítulo do Idiota. De mente uma mudança de ênfase em relação aos textos anteriores. Casarella (1992) explica que a metáfora do artesão de colheres é aqui aplicada como uma analogia para se compreender a formação de conceitos, ou seja, a ars com a qual o artesão de colheres imagina o modelo mental da colher é uma analogia para se pensar a criação da linguagem a partir das palavras interiores. As palavras, portanto, seriam
formações mentais, arbitrariamente impostas e mesmo assim refletiriam as formas inefáveis cuja absoluta precisão lhes falta. Partindo dessas considerações ele afirma que a identificação cusana da linguagem com uma arte ou ofício (craft) implicaria, por parte do Cusano, reconsiderar a origem apofática da unidade intelectual. A sua conclusão, portanto, é de que levando em consideração que as obras anteriores a 1450 enfatizariam que a compreensão do infinito, a Palavra inominável, ultrapassa a fragilidade perceptível do discurso humano, assim o Idiota. De mente inverteria a direção do nosso olhar partindo da explicação universal da
Palavra infinita em diversos idiomas e palavras (CASARELLA,1992p. 210).
Nas obras do último período a discussão sobre a linguagem assumirá um lugar privilegiado. Neste sentido, por exemplo, no De li non aliud e no De venatione sapientiae a linguagem é colocada pela primeira vez no contexto de um permanente diálogo com os antigos, de modo especial, Aristóteles e Platão. Outro aspecto que a Casarella não passa despercebido é o uso enigmático e até mesmo “lúdico” da linguagem nas obras do último período. Ele recorda, por exemplo, a criação do termo possest pela junção dos termos latinos
posse e est para significar que Deus é anterior à diferenciação da possibilidade e da atualidade. Para ele também se pode encontrar no De li non aliud de 1462 traços do uso enigmático e “lúdico”. Por exemplo, no uso reduplicativo do termo non aliud na frase “non
aliud est non aliud quam non aliud” (1992, p. 211). Outro aspecto importante para qual Casarella (1992, p. 212-213) chama a atenção é que, segundo ele, a virada linguística (linguistic turn) de 1450 se revelaria como uma volta transcendental (transcendental turn) nas obras depois de 1450. A esse respeito, segundo ele, também Duclow teria escrito em relação ao significado do termo non aliud. Por fim, Casarella (1992) acrescenta que para se falar de um giro transcendental no pensamento de Nicolau de Cusa deve-se admitir tanto a livre criatividade humana quanto um giro especulativo para a transcendência divina, que é constitutiva dessa mesma criatividade. Assim, a virada linguística do non aliud coincide com um giro transcendental do sujeito do conhecimento, mas não sem colocar entre parênteses a fonte transcendente que fundamente essa mesma subjetividade. Da mesma forma, pode-se dizer que a teologia sermocinalis cusana é reflexiva e hermenêutica no sentido de que “Toda
pergunta sobre Deus pressupõe o questionado”47.
47 Casarella (Op. cit., p. 213, nota 5) refere-se aqui a Idiota. De sapientia. h. V. Liber secudus, n. 29, p. 60, linha 18: IDIOTA:“Omnis quaestio de deo praesupponit quaesitum” (para o texto latino cf.: NICOLAI DE CUSA. Idiota.
De sapientia. In: Opera omnia. Iussu et auctoritate Academiae Litterarum Heidelbergensis ad codicum fidem edita. Vol. V. Hamburg: Felix Meiner, 1983, p. 2-80). O Compendium, obra escrita em 1464, é o último texto visitado por Casarella. A controvérsia que inspira os comentadores dessa obra gira em torno da relação de Nicolau de Cusa com o nominalismo. A posição de Casarella (1992) é de que com a sua teoria dos signos, Nicolau de Cusa se move não somente para além do realismo, mas também do nominalismo e da coincidência de
A centralidade do Idiota. De mente no pensamento cusano é também reconhecida por André48. Segundo ele (1997, p. 122), a história da interpretação do pensamento cusano
apresenta uma alternativa entre uma “metafísica do ser” e uma “metafísica da unidade”49 que
posteriormente seria superada, acentuando-se a importância do problema do conhecimento, por uma metafísica da mente. Esse último estágio começa com a redescoberta de Nicolau pelos neokantianos e na sequência com Volkmann-Schluck. Na sequência desse filão aberto, ou seja, na possibilidade de se superar a alternativa entre metafísica do ser e metafísica da unidade por uma metafísica da mente, ele cita autores como G. Schneider e K. Flasch. Mas, é Stallmach que apresenta a metafísica da mente como uma chave de leitura para se interpretar a metafísica cusana. Apesar de André (1997, p. 124) reconhecer que parece haver entre a sua própria interpretação e a interpretação de Stallmach “[...] uma grande coincidência [...]” ele afirma “[...] que ela se reduz à forma de perspectivar a teoria cusana do conhecimento e a sua
ambos. Segundo ele o Compendium não oferece bases para se afirmar nem um nominalismo estrito nem também um realismo que Heymericus, adversário Tomista, defendia em Colônia. Entretanto, ele também reconhece que quando comparamos o Compendium com os primeiros sermões, Nicolau de Cusa parece impregnado de nominalismo. Ele cita uma máxima aristotélica que teria sido anotada pelo Cusano quando preparava o Sermão XX em 1439 ou 1440: “As palavras são sinais das coisas que existem na alma”. Já no Compendium a relação natural entre as palavras e os signos parece, pelo menos, provisoriamente rompida. Casarella chama a atenção para os signa signorum, ou seja, os signos que residiriam na imaginação e que seriam signos dos signos sensíveis. Assim, introduzindo um reino intermediário de signos o Compendium romperia aquela unidade hilemórfica entre nome e coisa exposta no Idiota. De mente.
48 Além dos diversos aspectos sobre a filosofia da linguagem no pensamento cusano retomados por João Maria André em seu Sentido, simbolismo e interpretação no discurso filosófico de Nicolau de Cusa (1997) ele dedica dois artigos ao problema específico da linguagem em Nicolau de Cusa: o já citado “O problema da linguagem no pensamento filosófico-teológico de Nicolau de Cusa” (1993) e “Nicolau de Cusa e a força da palavra” (In: Revista Filosófica de Coimbra – nº 29 (2006a); p. 3-32). Neste último artigo o autor esclarece que “o que está em causa [neste artigo] é efectivamente o problema da linguagem no pensamento de Nicolau de Cusa