2.1.5. Fen ve Teknoloji Dersi Öğretim Programı’nın Organizasyon Yapısı…
2.1.5.1. Fen Teknoloji Toplum ve Çevre
Essa definição vale tanto para a leitura de um romance quanto para o indivíduo que hoje vai a um parque de diversões, à exibição de uma peça de teatro ou a um jogo de futebol: busca-se, em última instância, um tempo imaginário, diferente do tempo real, perseguidor, que estará à espera desse mesmo indivíduo do lado de fora do parque, na calçada em frente à sala do teatro ou na praça do estádio de futebol, tão logo acabem os espetáculos (MARQUES, 2002):
O consumo do tempo cíclico das sociedades antigas estava de acordo com o trabalho real dessas sociedades, mas o consumo pseudocíclico da economia desenvolvida encontra-se em contradição com o tempo irreversível abstrato da sua produção. O tempo cíclico era o tempo da ilusão imóvel, realmente vivido, ao passo que o tempo espetacular é o tempo da realidade que e transforma, vivido ilusoriamente (DEBORD, 2002, p. 105).
A constante busca em solucionar as inquietações resultantes do trabalho alienado, que dita um ritmo e tempo próprio na vida cotidiana dentro e fora do “trabalho”, substituindo o tempo real por um tempo espetacular, místico e liberador, capaz de retirar o homem da realidade que o oprime, nada mais é que a reprodução do universo mítico dos primórdios. Essa é pontualmente a posição em queo esporte espetáculo assume nesta análise. O espectador, num dia de domingo, em frente ao seu aparelho de televisão, em sua poltrona, sentado confortavelmente, busca assistir a uma partida, ou presente num estádio, junto a outros tantos na torcida, acompanhando visualmente e ouvindo pelo radinho de pilha o movimento dos jogadores e das partidas. Procura, antes de qualquer coisa, aliviar a pressão da vida do cotidiano e do mundo do trabalho. No momento do jogo, num gestual de habilidade, na comemoração dos pontos, a percepção e sensações estéticas são outras, muito diferentes, do ritmo temporal e corporal sentidas por esse mesmo espectador no decorrer dos demais dias da semana.
109 Os pseudo acontecimentos que se amontoam na dramatização espetacular não foram vividos pelos que deles são informados e, além disso, perdem-se na inflação da sua substituição precipitada a cada pulsão da maquinaria espetacular. Por outro lado, o que foi realmente vivido está sem relação com o tempo irreversível oficial da sociedade e em oposição direta ao ritmo pseudocíclico do subproduto consumível desse tempo. Esta vivencia individual da vida cotidiana separada permanece sem linguagem, sem conceito, sem acesso crítico ao seu passado, que não está consignado em nenhum lado. Não se comunica. Está incompreendida e esquecida em proveito da falsa memória espetacular do não memorável (DEBORD, 2002, p.106). A tríade Mídias, Esporte e Espetáculo cria uma cultura pouco interessada em transformar seus consumidores em praticantes de esporte, mas, ao contrário, permanecer e aumentar o número de torcedores ávidos em seus estádios, hoje arenas esportivas. Na medida em que essa cultura massificada na espetacularização do esporte avança, ela reflete um modo de ser e de viver fora desse enredo espetacular, uma vida alimentada pela competição desenfreada e opressão. No esporte espetacularizado, a pessoa entroniza esse culto como se fosse a própria vida e perde de vista a diferença entre o tempo livre e o entretenimento, sendo que essa diferença é um dos sentidos emancipadores que o esporte pode permitir num sistema de relações humanas opressoras. O esporte, quando tenciona o domingo no maracanã e a diferença da semana miserável de trabalho, é emancipador. Entretanto, da prática esportiva transformada pelo consumo do espetáculo não se pode esperar nada mais que o caráter tenebroso do tempo livre como disciplinador, da continuidade da lógica do trabalho alienado, da repetição: o entretenimento aqui mercadorizado, justificando o sofrimento da maneira de ser no dia a dia.
A fábula e o encanto esportivo no mundo contemporâneo industrial urbano são dirigidos à espetacularização dos eventos esportivos em massa. Desse modo, acompanhar uma partida ao vivo, no estádio, aparentava e ainda hoje evidencia um espetáculo análogo ao visto nas apresentações de dança, balé, ópera e encenações teatrais. Em favor do esporte moderno, ainda, apesar de representar uma narrativa ritualizada, fetichizada, encarna a particularidade da imprevisibilidade em sua prática. Uma peça teatral pode variar, e geralmente varia, de uma apresentação a outra, pois depende da execução dos atores, da disposição e do tipo dos equipamentos cenográficos, dos diretores de arte, de luz, etc., embora o roteiro seja sempre o mesmo. No esporte moderno, por conseguinte, apesar de suas regras rígidas e
110 universais, tem sua concretização na imprevisibilidade. Como exemplo, é impossível não citar o futebol como um dos protagonistas nas modalidades esportivas no quesito imprevisibilidade. Isso devido a uma série de determinações próprias, talvez pelo fato de ser jogado com os pés e de se fazer uso do corpo como uma totalidade.
Dias Gomes, escritor, diretor e dramaturgo, apresentou entendimento muito parecido, dizendo que no futebol não existe uma narrativa estruturada previamente. Expressa o seguinte comentário a respeito da atuação da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 1982:
Como dramaturgo, vejo no futebol não apenas uma disputa esportiva, mas sobretudo um espetáculo teatral. Para mim, o campo é um palco e os jogadores 22 atores que vão interpretar uma peça cujos papéis foram apenas delineados, mas não escritos. Daí o grande mistério do futebol: uma peça da qual não se sabe o final. Um espetáculo vivente, como o teatro, que acontece naquele momento mesmo e que, ainda que a peça seja a mesma, os atores os mesmos, é sempre diferente.15