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Belgede Kurulum kılavuzu Terra AC (sayfa 61-76)

Chegamos ao final deste trabalho com o sentimento de missão cumprida, não apenas por acreditar ter alcançado todos os objetivos propostos ou por ter respondido às questões problema desta pesquisa. Mas por acreditar que essa pesquisa pode servir como fonte de pesquisa para melhorar as condições de permanência dos alunos com deficiência na UFPB.

Contudo, não podemos deixar de fazer as últimas considerações a respeito de tudo o que fora percebido, observado e evidenciado ao longo de todo o percurso da pesquisa.

Inicialmente, acerca da metodologia escolhida, notoriamente fora a mais apropriada e de suma importância para conseguir atender os objetivos propostos. Percebeu-se que a pesquisa qualitativa demonstra sua relevância para ciência que ainda é feita de forma muito quantitativa, em especial, em investigações que envolvam avaliações ou observações sobre o serviço público, sem levar em consideração os aspectos qualitativos.

Sobre a utilização das técnicas escolhidas para a coleta de dados, consideramos que o método de história oral teve uma rica contribuição para o alcance dos objetivos, pois através desse método pôde-se capturar os pequenos detalhes que somente a experiência vivida pode revelar. Dessa forma, além do objetivo proposto, as narrativas também nos fez lançar o olhar para outros aspectos, como por exemplo, as memórias de experiência em sala de aula, suas lembranças, etc. A técnica de shadowing (acompanhamento) também foi de extrema relevância nesse processo, pois nos permitiu entender melhor as dificuldades, desafios que se colocam a frente dos alunos com deficiência no seu dia a dia. Percebemos ainda, que as pessoas cujoo acompanhamento se deu por um maior espaço de tempo, sentiu-se que o entrevistado ficou mais à vontade frente a entrevista, criando inclusive um clima mais cordial e amigável entre entrevistadora e entrevistado, configurando-se o processo de entrevista, por vezes, com ares de bate-papo.

Percebeu-se ainda que a técnica de shadowing permitiu criar novas perguntas, de forma personalizada para cada entrevistado, baseando-se na observação feita.

Constatou-se que a presença de pessoas com deficiência no âmbito da UFPB já se constitui uma demanda significativa que precisa ter seus anseios atendidos pela Instituição. Essa presença pode ser observada em quase todos os cursos da UFPB, Campus I em João Pessoa, contudo, acredita-se que pela atual demanda, a presença de PcD seja real em todos os campus.

A partir da exploração e do aprofundamento teórico, foi possível observar que as pessoas com deficiência foram, historicamente, tratadas de uma forma marginalizada e, por muitas vezes, suprimida do convívio social, quando em alguns momentos foram tidas como alienados, retardados, deixando evidente uma total exclusão e negação de direitos elementares para um ser humano. Foram tempos de extremo preconceito e discriminação.

Mas, será que esse preconceito ou essa discriminação teve fim? Arrisco a dizer que não, mas que em muitos aspectos tem melhorado, sendo ainda possível observar e se encontrar situações onde a PcD é discriminada. Na verdade, a sociedade na qual vivemos, é caracterizada por ser cheia de estereótipos de pessoas e vidas perfeitas.

Todavia, percebe-se que já estamos conseguindo evoluir, mesmo que pouco, mas ao compararmos com dados históricos, podemos perceber que a PcD vem conseguindo se envolver e garantir seu espaço de direito na sociedade em que vive, mesmo ainda com muitos desafios, percebendo esse sujeito como o principal protagonista de sua própria história.

Atualmente, pode-se observar as pessoas com deficiência envolvidas na política, na luta pela efetivação de seus direitos, na educação, na saúde, nos lugares que para chegarem e terem acesso, há alguns anos, seria quase impossível ou que apresentavam uma carga de empecilhos e desafios extremos.

A cada dia que passa, a PcD tem conseguido não ser inserido, mas inserir-se no meio em que vive, pois se depender das pessoas ou das autoridades competentes, poderia ser que eles não tivessem conseguido chegar onde estão.

Outrossim, percebe-se que essa inclusão tem que partir também do sujeito, ele precisa sentir-se incluído. Não basta apenas serem oferecidos recursos tecnológicos,

ou disponibilizados meios para que eles possam participar da sociedade, a inclusão precisa ser de dentro pra fora e de fora pra dentro.

Um ponto que auxiliou de forma salutar na consolidação das conquistas das pessoas envolvidas, seja ela a PcD ou os organismos regulamentadores, foi a adequação da nomenclatura utilizada para referir-se à essas pessoas, quando vimos que para passar da condição de “inválidos” para o termo que utilizamos hoje “Pessoa com deficiência” não foi um processo tão simples, nem de um dia para outro, esse processo durou pelo menos 100 anos. Lembramos ainda que o motivo de mudar esses termos não é apenas pela questão do politicamente correto, mas quebrar os paradigmas estabelecidos por determinada época, em busca da valorização da PcD.

Contudo, vale lembrar que ainda existem aquelas pessoas que mesmo sabendo a nomenclatura correta, ainda utilizam os termos desatualizados e isso não acontece apenas com a nomenclatura da PcD, mas principalmente na designação do PcD por sua deficiência, mas ainda podemos presenciar pessoas proferindo os seguintes termos: “ceguinho”, “surdo-mudo”, “retardado”, “mongoloide”, entre outros.

Esses termos foram proferidos por muito tempo e foram flutuando de década em década, criando um vínculo cultural e permanecendo na memória coletiva da sociedade.

Outrossim, esse comportamento só pode mudar, a partir da mudança da postura das pessoas, como ainda o próprio poder público incentivar a utilização dos termos completos. Logo, observa-se que a concepção sobre deficiência variou muito no decorrer da história que passou da determinação física para orgânica, depois para educacional, ampliando para os aspectos sociais.

Além da luta para adequação da nomenclatura, nota-se ainda a luta da PcD primeiro por direitos e depois pela efetivação desses. Uma observação que se faz, é que, os direitos dos quais a PcD desfruta hoje foram todos conquistados, nada foi dado de “mão beijada” às essas pessoas. E mesmo tendo conquistado direitos iguais perante a lei, ainda sofrem com as dificuldades e barreiras no dia a dia. Uma inquietude que surge, é o fato de se precisar lutar tanto, mesmo até quando se já devia ser de direito.

Observou-se, então, uma vasta quantidade de instrumentos legais e normativos que devem garantir os direitos dessa parcela da sociedade, já que muitas vezes esses direitos ficam apenas no papel.

Vale ressaltar a importância de um instrumento legal que foi aprovado em julho do ano 2015, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com deficiência, sendo necessária a devida fiscalização sobre o seu cumprimento.

Percebeu-se ainda que o processo de educação inclusiva tem avançado em questão de acesso à educação no Brasil, tanto no âmbito de ensino de base como no ensino superior. Acredita-se que isso seja resultado dos instrumentos legais que vem sendo criados para assegurar o direito de acesso à educação em qualquer que sejam os níveis, como ainda o ímpeto na busca por estas informações pelas famílias e pelas próprias PcD.

Partindo para o âmbito da UFPB, observou-se que a política de reservas de vagas para alunos com deficiência tem garantido meios para que pessoas com limitações possam ter deu direito de acesso ao ensino superior garantido.

Identificamos na UFPB setores, serviços, políticas e outros recursos que auxiliam a permanência desse aluno na Universidade, sendo de extrema necessidade e importância. Contudo, percebeu-se que nem todos apresentam níveis de satisfação ou de usabilidade junto aos seus usuários, como é o caso do setor Braile da Biblioteca Central. A partir das memórias individuais e coletivas foi possível observar a eficiência, satisfação e relevância de cada um na prestação do serviço, auxiliando ou não na permanência e conclusão do curso.

Com as narrativas, tornou-se visível que a situação do estudante com deficiência na UFPB fora em um passado não muito distante, uma situação de verdadeira lástima e abandono, todavia vê-se que ações de promoção à inclusão, permanência e oferta de recursos que permitam a conclusão do curso vem sendo adotadas muito recentemente, em especial, se considerarmos o tempo de existência da UFPB. Com o auxílio do mapa conceitual (Capítulo 9), compreende-se que mesmo com as ações inclusivas adotadas, ainda é consideravelmente maior a quantidade de deficiências por parte da Universidade, em comparação às ações desenvolvidas.

No tocante à acessibilidade, o Comitê de Inclusão e Acessibilidade da UFPB tem cumprido seu papel em oferecer assistência e promover a possibilidade desses alunos concluírem seu curso.

Constatou-se também que apesar da UFPB ter avançado muito com relação a acessibilidade, principalmente se compararmos com resultados de pesquisas realizadas nos últimos 04 anos, ainda existem várias dificuldades que são enfrentados diariamente por esses alunos, se fazendo necessário a solução desses problemas.

Com relação ao acesso às informações técnico-científicas, ou seja, aquelas que são necessárias a realização de pesquisas, estudos ou qualquer outra que diga respeito a formação do aluno, percebe-se que esse acesso costumeiramente é suprido pelos próprios professores que encaminham ou facilitam o acesso para o aluno com deficiência. Vale citar que esta postura não é padrão para todos os professores.

Um outro fator observado é que a Internet é o meio mais utilizado pelos alunos deficientes na busca de materiais e textos para estudo, os quais em sua grande maioria acusaram não utilizar as bibliotecas do Sistema de bibliotecas da UFPB com grande frequência, particularmente, os que possuem necessidades especiais no aspecto comunicacional. Constatou-se ainda a dificuldade de se ter acesso às informações contidas no site da UFPB.

Faz-se necessário ressaltar a importância que o NEDESP e o papel que o núcleo desempenha na facilitação no acesso às informações técnico-científicas, principalmente na vida dos alunos com deficiência visual. Esses alunos muitas vezes só podem ter acesso ao conteúdo dos materiais após a conversão do texto para formatos acessíveis.

Percebeu-se que esse acesso à informação é de suma importância para que os alunos possam tornar-se sujeitos críticos e exigentes quanto á efetivação dos seus direitos, como ainda para ter acesso ao conhecimento que lhe dá subsídios para galgar a tão sonhada formação. Logo, é evidente que a informação possui tanto o papel de facilitador na geração do conhecimento como o de transformador, já que por meio de seu acesso pleno, pode transformar as possibilidades de condições de vida, de perspectiva de um futuro melhor, como ainda de exercício de cidadania, Da

mesma forma, pode-se inferir que a falta desse acesso pode acarretar motivos para auto exclusão e, consequentemente, evasão da PcD da universidade.

Com relação à inclusão na UFPB, a partir das narrativas coletadas por meio da entrevista, os alunos consideram que a UFPB não é inclusiva e que é preciso trabalhar formas de promover essa inclusão de fato e que é de direito. Ao longo da análise das memórias individuais e coletivas, presenciam-se várias passagens e situações em que o direito desses alunos, de alguma forma, foram esquecidos, negligenciados ou feridos.

Com base nas memórias individuais e coletivas dos alunos com deficiência, as sugestões apontadas para melhorar tanto a questão da acessibilidade quanto de inclusão na UFPB, são as seguintes:

 continuar com o programa de aluno apoiador, mas que a seleção desse seja preferencialmente feita antes do início de cada semestre;

 concessão de uma bolsa para auxiliar no transporte para os alunos que possuem dificuldades de mobilidade, a exemplo de outras instituições da mesma esfera mantenedora, por exemplo o IFPB;

 elaboração e aplicação de um projeto de acessibilidade arquitetônica e urbanística, levando em consideração principalmente o que fala a portaria 3.284/2003, o decreto 5.296/2004 e a lei nº 13.146/2015, para que melhorem as vias, as salas, as rampas, as calçadas, portas mais largas, elevadores, piso tátil, etc;

 estabelecer o Comitê de Inclusão e Acessibilidade como uma Secretaria ou Pró-Reitoria e que todos os setores relacionados à acessibilidade e inclusão sejam ligados a eles;

 aumentar o número de vagas reservadas à pessoa com deficiência no processo de ingresso discente;

 capacitação dos professores e servidores com vista à utilização de práticas e metodologias pedagógicas mais inclusivas;

 tornar acessível todas as informações referentes aos serviços, setores, políticas da UFPB, através de formatos acessíveis, por exemplo: panfleto impresso em Braille, etc;

 melhorar a acessibilidade no site da UFPB, preferencialmente atendendo os padrões estabelecidos pela W3C;

 vincular o NEDESP diretamente ao Comitê de Inclusão e Acessibilidade;  aumentar a quantidade de funcionários e equipamentos do NEDESP.

Fica ainda a sugestão de criação de uma rede de comunicação específica para os alunos com deficiência para que estes possam ter acesso às informações a respeito de serviços, setores, seus direitos, etc... de forma acessível, proporcionando ainda um canal mais fácil e rápido para entrar em contato direto entre o CIA e estes.

Um ponto que gerou preocupação é a real usabilidade e efetividade das ações desenvolvidas pelo setor Braile da Biblioteca Central, visto que junto as narrativas ele é citado como de conhecimento, porém, de pouco ou nenhum uso. Propõe-se que seja feito um diagnóstico acerca das atividades atualmente desenvolvidas como ainda uma integração maior deste setor junto ao CIA e ao NEDESP em um serviço cooperativo. Dessa forma, envolvendo o Sistema de Bibliotecas da UFPB no processo de disseminação da informação para a PcD, garantido autonomia e o direito à informação por parte deles, não deixando este papel apenas sob responsabilidade dos professores ou dos alunos apoiadores, como vem sendo atualmente.

Outrossim, percebeu-se que no tocante aos investimentos financeiros e tecnológicos, recursos estão sendo nitidamente destinados às suas aquisições. Equipamentos e investimentos são operacionalizados por seres humanos, os quais devem estar envolvidos com o processo de inclusão não apenas de forma administrativa mas também de forma pessoal, visto que a acessibilidade atitudinal, apontada como maior deficiência por parte da UFPB, depende única e exclusivamente das posturas individuais. Este envolvimento é notório por parte da equipe do NEDESP, porém é perceptível a falta de treinamento e aperfeiçoamento dos servidores para com os equipamentos. Nesse sentido, sugere-se ainda um maior investimento no treinamento e capacitação das pessoas envolvidas.

Espera-se que essa pesquisa possa colaborar com a melhoria das condições de acessibilidade, de acesso à informação bem como contribuir para a efetivação e aprimoramento dos direitos dessas pessoas e da inclusão na UFPB com vistas à promoção dos direitos de cidadão da PcD, como ainda no seu processo de inclusão e valorização social.

REFERÊNCIAS

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