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Teknik Açıdan Ders İçeriği

KURAMININ ÇALGI ÖĞRENME SÜRECİNE OLABİLECEK ETKİLERİ

4. BÖLÜM: KONSERVATUVAR ORTAOKUL DEVRESİ DERS İÇERİKLERİ

4.2. Teknik Açıdan Ders İçeriği

Para aprofundar a análise sobre as relações de trabalho entre as empresas e seus trabalhadores no contexto da sociedade atual, é de fundamental importância entender como se distribuem as forças e as relações de poder dentro das organizações e da sociedade vigente. Entender qual o papel desempenhado pelo Estado, empresas e trabalhadores facilitará o entendimento do por que as relações de trabalho estarem enfraquecidas, como comentado no item anterior.

De acordo com Freitas (2000), as sociedades modernas são caracterizadas de forma marcante pela ênfase na racionalidade ilimitada, onde o progresso, o sucesso e a realização pessoal, o dinheiro e o resultado positivo, a competição e a busca constante por mais e mais produtividade são apenas algumas expressões desta racionalidade extrema. O que se vê nesta sociedade retratada por Enriquez é a preocupação exclusiva de todos, empresas e pessoas, em buscar um resultado numérico, maior expressão da racionalidade humana. A vida passa a ser condicionada pela “financeirização” da sociedade, termo este proposto por Aktouf (2004) e que busca definir a busca constante por uma meta numérica definida como padrão de sucesso. Para se ter reconhecimento e sucesso é preciso alcançar a meta de resultado pré-estabelecida.

Nesse contexto, as empresas comerciais acabam por assumir um papel significativo, já que são os maiores expoentes desta busca ilimitada por resultados.

Com isso, o papel das empresas na sociedade moderna acaba por ir além do papel comercial, assumindo novas funções. Segundo Freitas (2000), a sociedade moderna promove um movimento de revalorização do papel das empresas, onde os aspectos comercial e econômico assumem papel predominante nesta sociedade, fazendo com que todas as demais esferas da sociedade acabem por se subordinar a estes. “As empresas modernas constroem para si e de si uma imagem grandiosa, que se enraíza num imaginário próprio, repassado não só aos seus membros, mas à sociedade como um todo” (FREITAS, 2000, p. 55). Na visão de Freitas (2000), as organizações são sistemas que, ao mesmo tempo em que têm um caráter econômico e comercial, têm um caráter cultural, simbólico e imaginário. Elas buscam traduzir a realidade da vida como se a vida social fosse definida exclusivamente por seus fundadores ou por aquilo que ocorre dentro dos seus limites. “Qual fundador de empresa, de associação, de cooperativa, de grupo de trabalho instituído, não percebe um dia que fala dessa instituição como de uma realidade viva, estranha, que lhe dita suas leis e seus deveres?” (FREITAS, 2000, p. 52).

As empresas passam então a desempenhar não apenas um papel operacional, mas também um papel de fomentadora da sociedade moderna, em todos os seus aspectos. Segundo Freitas (2000), as organizações deixam de responder apenas de maneira operacional e funcional e passam a trabalhar de maneira simbólica, especialmente por meio da sua cultura organizacional e da veiculação de todo um imaginário por detrás do seu discurso. Ainda segundo Freitas (2000, p. 53), “toda instituição, qualquer que seja sua natureza, se apropria de uma parte do divino, ou tenta dele se apropriar inteiramente, para se tornar, dessa forma, a única instituição divina. É assim o estado totalitário ou a empresa moderna para seus adoradores”. As empresas, por meio de instrumentos como a sua cultura organizacional, suas práticas de gestão de pessoas, entre outras, passa a exercer uma influência muito além das questões operacionais por sobre seus funcionários. Ela passa a ter um papel de divindade, passando a ser o “senhor” da vida das pessoas, a entidade máxima a ser venerada e idolatrada. Mesmo que suas ações sejam negativas, as pessoas irão enxergá-las como “necessárias para o bem da empresa”, assim como as calamidades são encaradas como castigos dos deuses para a correção de algum mal existente. “As organizações modernas se apresentam como guardiãs dos mais altos valores sociais e da moralidade pública” (FREITAS, 2000, p. 11).

Ao consolidarem esta imagem divina, as organizações passam a ser encaradas como o vale fértil, o local de realização de desejos, sonhos e projetos (FREITAS, 2000). Segundo Le Goff (1995, p. 43 apud SIQUEIRA, 2006, p. 54), “a empresa não é mais o local onde se ganha a vida, onde se forja uma identidade social, ela é antes de tudo o local onde o indivíduo pode se realizar plenamente”. De acordo com Freitas (2000), as organizações deixam de ser consideradas apenas reguladoras das condições econômicas e passal a desempenhar um papel de fornecedoras de significações, qualificações e identidade para os indivíduos. É dentro das organizações que os indivíduos irão encontrar a sua identidade pessoal, e não mais no trabalho puramente. O trabalho fora das organizações não traz mais a identidade que o indivíduo necessita.

Com isso, as organizações acabam também por consolidarem em si toda as questões sociais da sociedade moderna. Todas as necessidades de bem estar que antes eram geridas de forma pública pelo Estado, passam a ser consideradas e geridas por critérios de eficiência empresarial, privatizando-se o comum, desaparecendo o cidadão e surgindo a figura do consumidor (FREITAS, 2000). É assim para com a saúde, por meio dos planos de assistência médica e previdência privada, é assim com a educação, através de universidades corporativas, é assim com o lazer, através das associações empresariais, entre outros.

Desta forma, as empresas assumem uma nova vestimenta, tornando-se mais atraentes, mais verdadeira, mais humana (FREITAS, 2000). Passam a ser vistas com outros olhos pelos indivíduos, surgem como um “reino das possibilidades para a realização da fantasia da conquista, do reconhecimento e do poder. Mas elas também são o espelho que denuncia o fracasso, a vulnerabilidade, a frustração e a rejeição (FREITAS, 2000, p. 43). Os indivíduos acabam por enxergar as empresas com olhos diferentes, o local onde poderão realizar todos os seus sonhos e desejos, mas, por outro lado, também a enxergam como o grande abismo do medo do fracasso e do insucesso. Se de um lado, de acordo com Enriquez (1997 apud SIQUEIRA, 2006, p. 54), “a empresa é uma realidade viva onde os sujeitos humanos vivem seus desejos de afiliação, visam realizar um certo número de seus projetos e se apegam a seus trabalhos de maneira exclusiva”, do outro, ela poderá vir a ser a grande vilã que levará o homem à “morte”.

A identidade, o reconhecimento e o senso de pertencer, todos estes fatores sociais antes considerados pela sociedade de maneira mais abrangente, passam a ser preenchidos pelas organizações e empresas, onde a carreira e o status profissional tornam-se referências

para os indivíduos (FREITAS, 2000). Observa-se um enfraquecimento do laço entre trabalho e sociedade, em contraposição a um fortalecimento do laço empresa e emprego. Com isso, “a realidade do indivíduo passa a ser cada dia mais a realidade vivenciada pela empresa, em sua relação com atores externos, com clientes e concorrentes” (SIQUEIRA, 2006, p. 56).

Para gerir estas novas funções que se fazem presentes no dia a dia organizacional, em especial no que diz respeito à relação empresa-funcionário, as organizações acabam por utilizar instrumentos de controle e poder, buscando levar o indivíduo “a desenvolver uma atitude de super-herói, de uma pessoa bem acima da média, um trabalhador polivalente, atualizado e imbuído do “espírito” da organização” (SIQUEIRA, 2006, p. 57). As organizações modernas têm a necessidade de utilizar métodos de persuasão, de liderança e organização para tornar seus funcionários mais propensos a aderir aos seus objetivos e a demonstrarem um “espírito de equipe” (FREITAS, 2000).

Estes instrumentos de poder e controle fazem-se cada vez mais necessários frente à realidade das organizações modernas. Enquanto elas buscam uma maior produtividade e melhores resultados a qualquer custo, e para isso acabam por demitir e estabelecer formas de precarização das relações de trabalho, ao mesmo tempo precisam de um maior comprometimento e envolvimento de todos aqueles que lá trabalham, seja por um melhor desempenho, pela busca de um maior desenvolvimento pessoal ou simplesmente por estarem mais disponíveis para a empresa. Fazem-se necessários também para o estabelecimento de limites, normas e padrões de conduta, dotando a organização de meios e mecanismos para buscar a uniformidade e previsibilidade (SIQUEIRA, 2006). “A sutileza do controle se reflete também na disseminação da crença de que todos podem ser heróis” (FREITAS, 2000, p. 24).

Observa-se então, por conclusão, que a sociedade moderna acaba por imprimir uma nova configuração à relação empresa-funcionário. Na era agrícola e no início da era industrial, viviam-se relações de escravidão e servidão físicas, onde o indivíduo era obrigado por meios de tortura a obedecer literalmente às ordens dadas pelo que detinham o poder. Na sociedade moderna, guardando-se as devidas proporções, as empresas passam a exercer o papel de quem detêm o poder, tornado-se proprietárias das vidas humanas, por meio de controles cada vez mais sutis, mas que acabam por exercer uma manipulação tão forte quanto a tortura física (SIQUEIRA, 2006). De acordo com Freitas (2000) e Codo e Sampaio (1995), os indivíduos cada vez mais lutam pelo seu reconhecimento, que pode ser manifesto em diversas formas, contudo, este mesmo indivíduo sempre estará em déficit com a sua organização, que sempre

exigirá mais em troca do reconhecimento, determinando assim uma relação de falta por parte do trabalhador. O trabalhador “está excêntrico ao seu desejo – que não lhe pertence – e o seu desejo se torna a própria organização” (CODO e SAMPAIO, 1995, p. 63).

Benzer Belgeler