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O direito ao meio ambiente, enquanto faculdade e atribuição que a uma pessoa é conferido, em um dado momento histórico, vinculado ao direito à vida e à dignidade da pessoa humana, bem como aos direitos de liberdade e igualdade, e demais aspectos necessários ao pleno desenvolvimento humano, haja vista tratar-se de seu meio e habitat de vida, pode e deve ser compreendido como um direito humano.

Como o direito a um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado, além de princípio geral, reconhecido por tratados internacionais, é um direito previsto e tutelado dentro do ordenamento jurídico interno, com força cogente e vinculante, pode, também, ser determinado como um direito fundamental.

Assim, por todo o estudo e análise das características e particularidades para se caracterizar um direito como humano ou fundamental, bem como pelas doutrinas e legislações, nacionais e internacionais, coletadas, podemos, com conforto, afirmar que as normas de proteção ambiental, ou que o direito ao meio ambiente saudável é direito humano

fundamental.

Inegável sendo sua qualificação como direito humano, os tratados internacionais de proteção ao meio ambiente podem e devem ser encarados como tratados internacionais de direitos humanos, possibilitando, desta forma, serem recebidos no ordenamento jurídico interno dos países como tal, lhes sendo garantido o status de norma jusfundamental (no Brasil, pela força do art. 5°, §3°, Constituição Federal de 1988). Ainda, com base na sua já assentada jusfundamentalidade material, ao estabilizar sua jusfundamentalidade formal, a proteção do meio ambiente poderá ser melhor garantida e efetivada dentro do direito nacional.

Em consonância, alcançando formalmente o status de direitos humanos, a proteção ambiental poderá ser assistida pelos sistemas internacionais de direitos humanos, com suas organizações e instrumentos, sendo de fato tutelada dentro do ordenamento jurídico internacional.

Na Conferência de Estocolmo, de 1972, vários debates foram realizados sobre os caminhos que a sociedade mundial vinha trilhando e o modelo de desenvolvimento que imperava, até então. A partir das conclusões extraídas das discussões, diante dos prejuízos que o homem vinha causando ao planeta e da insustentabilidade da continuidade deste tipo de exploração sobre a Terra, fez-se a Declaração sobre o Meio Ambiente.

A partir de então, abriu-se espaço para que as Constituições supervenientes reconhecessem o meio ambiente equilibrado como um direito fundamental. Um novo modelo deveria ser implantado, construído sob a tese do desenvolvimento sustentável, partindo do princípio de que todo se humano tem o direito a um ambiente sadio onde possa ter uma vida digna, gerando um direito-dever de todos, Estados e indivíduos, na proteção do meio ambiente. Observamos, portanto, um movimento de constitucionalização da proteção ambiental.

Concomitantemente, o direito ambiental também continuou a se desenvolver em nível internacional, com convenções e tratados cada vez mais específicos (abordando diferentes matérias) e mais abrangentes (com maior adesão dos Estados). A formação de um direito internacional ambiental.

Desta forma, o mais importante que podemos extrair do longo caminho já percorrido, bem como do material que se produziu até agora, seja nos pensamentos e ensinamentos dos doutrinadores especializados no assunto, seja nas convenções e documentos internacionais, é que hoje temos a formação global de uma consciência ambiental. A conscientização de que o direito à vida (matriz de todos os direitos fundamentais do homem), digna e saudável, também implica no direito ao meio ambiente.

A interdependência do ser com a natureza é inegável; e a realização da defesa do meio ambiente dentro do Direito (Internacional e Nacional) é um passo significativo para o alcance da tão pretendida qualidade de vida.

A necessidade de um aprofundamento e de uma maior valorização da proteção ambiental é evidente. A sociedade e, consequentemente, o Direito devem deixar de lado as concepções antropocentristas e adotar uma compreensão mais holística da situação. Observar que a qualidade do meio ambiente está diretamente relacionada à saúde e qualidade de vida de uma população, e, portanto, indubitavelmente relevante para a defesa e manutenção dos

Direitos Humanos. Pela interdependência com o direito à vida, direito à saúde, desenvolvimento humano e dignidade da pessoa humana, a proteção ambiental não pode ser desconsiderada quando em se tratando dos direitos humanos.

O ser humano luta e trabalha, arduamente, para alcançar uma melhor qualidade de vida. O desenvolvimento econômico, tecnológico e, até mesmo, social de nada vale se o povo não tem um meio ambiente saudável para viver.

Certamente, a proteção ambiental tem sido, crescentemente, reconhecida como matéria interdependente aos direitos humanos, tanto em cenário nacional quanto internacional. Entretanto, ainda é patente que a legislação e organismos de direitos humanos se preocupam com o bem-estar individual e coletivo (em maioria stricto sensu – de coletividades determinadas, como grupos de risco) e, de outro lado, as legislações e grupos ambientais se preocupam com o bem-estar coletivo (latu sensu – condições de vida na Terra e o equilíbrio ambiental geral). Cada área ainda tem uma delimitação de atuação e seus regimes jurídicos próprios.

O Direito Ambiental (proteção do meio ambiente) não é alheio aos Direitos Humanos, são estes, na verdade, intrínsecos um ao outro. Não haverá qualquer outro direito humano a ser tutelado se o meio ambiente não for defendido com a importância que lhe cabe, haja vista que, esgotando-se os recursos naturais, esgotar-se-á a fonte da própria vida na Terra.

Nesta perspectiva, que a proteção do meio ambiente (Direito Ambiental) tem de fato natureza jurídica de Direitos Humanos. Possui uma jusfundamentalidade material intrínseca ao seu objeto. Entretanto, é importante que busquemos garantir sua jusfundamentalidade formal, posto que apenas estabilizando e determinando a proteção ambiental como direito humano fundamental é que poderemos partir para uma tutela mais efetiva, seja em nível interno (no direito nacional) ou a um nível internacional, podendo se valer de todo o ordenamento e sistemas jurídicos internacionais, dispondo das organizações e cortes que já atuam na defesa dos direitos humanos.

A vitória da concretização do meio ambiente como direito humano fundamental deve, sim, ser comemorada. Porém, o objetivo está mais além, com a vinculação da problemática ambiental ao direito à vida, como conditio sine qua non a própria existência humana, posto que

não há vida sem um meio ou habitat em que esta possa se desenvolver, alcança-se uma maior tutelabilidade e força para a defesa das questões ambientais. Como direito humano fundamental, poderemos dispor dos instrumentos e acionar os sistemas jurídicos de direitos humanos para a proteção ambiental.

Entretanto, até que o meio ambiente seja respeitado com a importância que merece, dado a sua imprescindibilidade, ainda há um longo caminho a ser percorrido. As leis precisam se tornar mais coercivas, adotando-se sanções mais severas compatíveis com a gravidade de um crime ambiental; os povos de todas as nações precisam coordenar esforços para reverter e reparar os danos causados, preservar o que ainda há e inibir futuras agressões à natureza, pela garantia de nossa existência; precisamos avaliar a estruturação ou reestruturação dos sistemas e organizações internacionais para a implementação das normas de direito internacional ambiental. Os danos internacionais ou transnacionais não podem permanecer descobertos pela ausência de um sistema internacional de proteção ambiental estruturado.

O meio ambiente é o maior bem da humanidade. Não apenas é patrimônio comum como também fonte de vida. A contenção das atividades antrópicas e a prevalência de diretrizes protetivas do meio ambiente nada mais são do que medidas que se revertem em benefícios ao próprio homem. Assim, o Direito deve orientar-se para a construção de uma consciência ambiental global, defendendo o meio ambiente como direito humano fundamental, uma extensão do direito à vida.

Em alguns casos, como observamos nos últimos capítulos, para a própria tutela dos direitos humanos é necessário que se cuide das questões ambientais; na defesa dos direitos humanos é possível encontrar situações de atuação reflexa no direito ambiental. Destarte, racional é que a proteção do meio ambiente seja material e formalmente reconhecida como direito humano fundamental.

Neste trabalho, buscamos, justamente, esclarecer e fundamentar a proteção do meio ambiente com o status de direito humano fundamental, garantindo-lhe a força de defesa como tal dentro do Direito Interno (conquistando a estabilidade dentro dos ordenamentos jurídicos nacionais), bem como possibilitando a salvaguarda e amparo pelos Organismos e Cortes Internacionais de Direitos Humanos, sanando o vácuo existente na defesa e proteção do meio ambiente em nível Internacional.

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