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Tek Nokta Rozetli Skyhoslar

2.3. ROZETLİ SKYPHOSLAR

2.3.2. Tek Nokta Rozetli Skyhoslar

A resignificação da identidade e dos bens patrimoniais não ocorreu somente no território paranaense. Tal mudança de perspectiva possuiu implicações mais amplas e envolveu problemas políticos, sociais e de cidadania em todo o território nacional. Atualmente, o discurso em prol da preservação tem caracterizado a memória como um espaço dinâmico e aberto às pluralidades sociais. Dessa maneira, os edifícios e os monumentos cederam lugar aos cheiros, aos sabores, aos sons, as danças, as poesias e aos pequenos objetos feitos manualmente, reconhecidos pelas políticas públicas e até mesmo tombados como memória de um povo.

Como exemplos desses sabores, sons, danças e demais bens culturais considerados como imateriais (IPHAN, 2000) estão registrados como patrimônio cultural do Brasil, o ofício das paneleiras de goiabeiras em Vitória no Espírito Santo; a arte Kusiwa e a arte gráfica Wajãpi em Manaus, Amazonas; a festa do Círio de Nazaré em Belém, Pará; o samba de roda no Recôncavo Baiano; o modo de fazer a viola-de-cocho na região Centro- Oeste MT/MS; o ofício das baianas de Acarajé, Bahia; o jongo da região Sudeste; a cachoeira de Iauaretê, lugar sagrado dos povos indígenas nos rios Uaupés e Papuri; a feira de Caruaru; e o frevo em Pernambuco. Há ainda, alguns bens em processo de registro como o sanduíche bauru em São Paulo; a capoeira da Bahia e do Rio de Janeiro; o queijo artesanal em Minas Gerais e a festa de Parintins no Pará. Através destes bens imateriais, a noção de patrimônio vem se expandindo em um projeto mais amplo de construção da identidade nacional, ao reconhecer a diversidade existente relativa à memória do povo.

Um dos fatores de mudança apontados como conseqüência do processo de inclusão dos bens da cultura popular no conjunto de bens formadores do patrimônio cultural do Brasil, foi a nova composição dos acervos museológicos, especialmente nas pequenas

cidades, onde era privilegiada a memória de uma minoria, prevalecendo objetos que pertenciam a políticos locais, as famílias tradicionais formadoras do primeiro núcleo habitacional ou relacionados aos acontecimentos locais como guerras ou visitas de pessoas consideradas importantes. Iniciada no final da década de 1950, a renovação quanto à estrutura de composição de acervos criou um novo conceito de museu. Caracterizado como instituição com papel na comunidade, o museu passou a ser considerado como agente de desenvolvimento que, aliado a comunidade, desenvolve ações de preservação do patrimônio cultural. Neste sentido, o museu passa a ser uma extensão da escola onde segundo Maria de Lourdes Horta (1999:6), o patrimônio funcionaria como educação primária e instrumento de alfabetização cultural, sendo um exercício do ser humano de respeito ao outro através dos bens culturais.

Desde o século XVIII já ocorria na Europa uma abertura das coleções privadas onde os objetos relacionados ao Renascimento começaram a ser expostos em um espaço coletivo separado da ala caseira, para a apreciação do que foi produzido como cultura no passado. Antes mesmo da criação de um lugar reservado aos objetos, já havia a preocupação com a preservação dos bens que refletiam uma determinada memória. No século seguinte, os acervos que formavam as coleções existentes nos museus privilegiavam os ideais nacionalistas com a finalidade de exaltar objetos que faziam parte da formação da nação. O que ocorria anteriormente na produção dos acervos museológicos era a exposição dos famosos gabinetes de curiosidades, onde toda e qualquer peça considerada curiosa e diferente, era colocada em exposição.

A partir da metade do século XX, começou a ser incentivada a visita das pessoas aos museus para que pudessem aprender e reconhecer o material existente como seu patrimônio. No entanto, após o surgimento da nova concepção de museu a partir de 1990, foi disseminada a idéia de que as pessoas visitam o museu não mais com o propósito de aprender, mas para conferir o acervo que nele existe.

Hoje, não há mais a providência exclusiva do estado para a preservação e manutenção dos bens culturais. Essa atitude depende do trabalho em conjunto da comunidade e dos gestores municipais, estaduais e federais, além de contribuições de ordem econômica e social. A responsabilidade pela preservação passou ao interesse público, fazendo com que a comunidade trabalhe em prol do patrimônio impedindo que seus bens sejam destruídos, mutilados ou espoliados.

É fundamental discorrer a partir da mudança de olhares da formação dos acervos museológicos, sobre a responsabilidade e o papel do historiador – e também do arqueólogo – como um (re) construtor de memórias. Kern (2001) ao traçar o perfil dos historiadores do século XXI aponta que ao expandir seus olhares, os historiadores não se limitam a utilizar a memória da sociedade como fonte de suas atividades, mas contribuem de maneira extraordinária para a construir e reconstruir continuamente essas memórias.

Após os Analles, as reflexões e os resultados apresentados pelos historiadores em seus estudos refletiram além de orientações teóricas e metodológicas, uma história de diversas memórias em um processo de longa duração, relacionando o homem com o contexto em que se encontra. Deixando a história tradicional de lado que, aliás, também foi influenciada tanto no século XIX como no século XX por ideais nacionalistas, o historiador voltou seu olhar para a reconstrução de novas memórias, privilegiando atores, chamados por Ronaldo Vainfas (2002) de protagonistas anônimos da história. Tal concepção apoiada na história cultural, oferece uma visão alternativa do passado procurando novos subsídios de análise nas massas anônimas, analisando doenças, hábitos alimentares, vestuários e manifestações culturais, temas referentes ao cotidiano, desconhecidos nos estudos tradicionais.

Ao dirigir sua atenção para o cotidiano, foi necessário ao historiador utilizar diversas ciências como fonte de estudos, pois como afirmava Braudel (1978), o historiador narra uma história que também insere outras ciências, uma história sem fronteiras que não é uma história imóvel.

Benzer Belgeler