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4. BULGULAR VE TARTIġMA

4.3 Tek Katmanlı Nem Ġçeriğinin Belirlenmesi

Para melhor compreender o sistema de produção e de controle de normas de direito internacional de trabalho no âmbito da OIT, é pertinente compreender, ainda que de forma breve, a estrutura dessa organização.

Característica marcante atribuída ao fato de a OIT ser fruto de uma composição de forças que incluíam os três principais atores de produção – Estados, trabalhadores e empregadores –, o tripartismo é a marca distintiva por excelência da Organização. Assim, apesar de ser organização governamental internacional371, a OIT tem a peculiaridade de ser composta por integrantes não Estatais, incluindo assim representantes de trabalhadores e empregadores dos Estados-membros. Apesar dessa composição mista, empregadores e

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Art. IV - A Conferência – convencida de que uma utilização mais ampla e completa dos recursos da terra é necessária para a realização dos objetivos enumerados na presente Declaração, e pode ser assegurada por uma ação eficaz nos domínios internacional e nacional, em particular mediante medidas tendentes a promover a expansão da produção e do consumo, a evitar flutuações econômicas graves, a realizar o progresso econômico e social das regiões menos desenvolvidas, a obter maior estabilidade nos preços mundiais de matérias-primas e de produtos, e a favorecer um comércio internacional de volume elevado e constante – promete a inteira colaboração da Organização Internacional do Trabalho a todos os organismos internacionais aos quais possa ser atribuída uma parcela de responsabilidade nesta grande missão, como na melhoria da saúde, no aperfeiçoamento da educação e do bem-estar de todos os povos.

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A tradução é um tanto quanto imprópria. O termo é mais comum em língua inglesa, sendo frequentemente referenciado pelo acrônimo IGO, de International Governmental Organization. A vantagem dessa denominação está em poder diferenciar organizações internacionais compostas apenas por Estados (comumente referidos como “governos” em língua inglesa) e organizações de novo tipo que incluem grupos privados, mas que tem atuação global.

trabalhadores apenas se fazem representar se o país do qual provém for um Estado-membro da OIT.

Ressalta-se o caráter inovador do tripartismo no contexto do direito internacional, haja vista que, sob o paradigma vestfaliano, há grande resistência em se reconhecer atores internacionais que não sejam os Estados – sujeitos internacionais primários, no entendimento de Canal-Forgues e Rambaud – ou organizações internacionais – consideradas sujeitos secundários do direito internacional, na classificação desses autores372. Por essa orientação, as organizações internacionais têm personalidade jurídica de direito internacional público, alcançando legitimidade na soberania dos Estados que as criam e que delegam funções a esses organismos. Assim, a inclusão de representantes de trabalhadores e de empregadores na OIT, inclusive com poder de voto nos processos decisórios da organização se reveste de singularidade.

Dessa forma, fazem parte da organização os Estados que já pertenciam à OIT em 1º de novembro de 1945; qualquer Estado, membro da ONU, que comunique ao Diretor Geral do Escritório Internacional do Trabalho a aceitação formal das obrigações que emanam da Constituição; e qualquer Estado que, ainda que não pertencente à ONU, comunique a aceitação das obrigações da Constituição e tenha sua admissão aprovada por 2/3 dos delegados presentes à Conferência Internacional do Trabalho e, também, 2/3 dos votos dos respectivos delegados governamentais373. Atualmente, 185 Estados fazem parte da OIT na qualidade de membros374.

O tripartismo da OIT consiste na participação de representantes não estatais na discussão e aprovação Convenções ou Recomendações que obrigarão Estados, constituindo uma característica ímpar no sistema ONU.

A adoção de uma composição tripartite é vista por muitos autores como um grande avanço por incluir nas discussões atores que estão diretamente ligados aos problemas que se pretende enfrentar. Rodgers et alli reforçam essa importância, dizendo que muitos países passaram a adotar estruturas tripartites internamente, visando à resolução de conflitos entre capital e trabalho, com base no modelo adotado pela OIT375.

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CANAL-FORGUES, Éric; RAMBAUD, Patrick. Droit international public. 2.ed. Paris: Flmmarion, 2001, p. 153.

373

As regras de admissão como Estado-membro da OIT estão contidas no art. 1º da Constituição, revista em 1946, nos §§ 2º, 3º e 4º.

374

A lista de Estados membros pode ser conferida no sítio oficial da OIT. Disponível em: < http://www.ilo.org/public/english/standards/relm/country.htm>. Acesso em 03 fev. 2014.

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O tripartismo da OIT se vale de um instrumento que tem sido paulatinamente reforçado pela organização, o diálogo social. Através do diálogo social, a OIT busca resolver conflitos pela via da negociação, ao invés da confrontação. O conceito de diálogo social no âmbito da OIT compreende negociação, consulta ou simplesmente troca de experiências entre representantes de empregadores, trabalhadores e governos.

Assim, além de ser uma fonte formal de direito internacional, a OIT provê suporte técnico para que as partes integrantes da organização consigam estabelecer saudáveis relações entre si, visando a melhorar as condições de trabalho no mundo. Para tanto, a OIT auxilia no fortalecimento de organizações de empregadores e trabalhadores e busca criar condições favoráveis a um efetivo diálogo.

O tripartismo objetiva prover maior concretude às deliberações dos representantes das partes integrantes, vez que a participação de delegações de diferentes origens tende a aproximar as questões abordadas à realidade socioeconômica, o que não seria possível caso a composição fosse apenas por representantes estatais. Destarte, o tripartismo é também uma balança no conflito de interesses das diferentes partes.

Além disso, Rodgers et alli visualizam uma relevância do tripartismo para além das discussões acerca de temas concernentes ao mundo do trabalho. Para os autores, essa forma de organização repercute para promover democracia civil e política a nível local376. Portanto, desenvolver o diálogo social pressupõe respeitar a liberdade de associação entre empregadores e, sobretudo, entre trabalhadores.

Do ponto de vista organizacional, o tripartismo se faz presente nos órgãos que compõem a estrutura da OIT. Essa composição se fundamenta no art. 3 da Constituição da OIT que assim estatui:

A Conferência geral dos representantes dos Estados-Membros […] será composta de quatro representantes de cada um dos Membros, dos quais dois serão Delegados do Governo e os outros dois representarão, respectivamente, os empregados e empregadores.377

Observa-se que a representatividade na Conferência geral não é igual para Estados-membros e representantes de trabalhadores e empregadores. Aqueles se fazem representar por dois delegados, enquanto estes se fazem representar por um delegado cada (proporção de 2-1-1). Além da Conferência geral, órgão supremo da OIT que se encontra uma vez por ano, a administração da Organização, realizada por meio do Conselho Administrativo

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Idem, p. 17. 377

tem também representatividade tripartite, respeitando a mesma proporção de 2-1-1. Como veremos, também órgãos do seu sistema de controle têm sua composição orientada pelo tripartismo.

A OIT se estrutura em três órgãos, sendo eles: a) a Conferência Internacional do Trabalho; b) o Conselho de Administração; c) o Escritório Internacional do Trabalho378. A atribuição de cada um desses órgãos é prevista pela Constituição da OIT, sobre a qual podemos assim sucintamente descrever:

A Conferência Internacional do Trabalho é o principal órgão deliberativo da Organização. Esse órgão é a assembleia geral de todos os 185 Estados-membros e se reúne pelo menos uma vez ao ano (art. 3º da Constituição)379. As sessões são compostas por quatro representantes de cada Estado-membro, sendo dois Delegados do Governo e os outros dois representarão, respectivamente, os empregados e empregadores. É a Conferência quem delibera e aprova normas internacionais do trabalho e avalia relatórios concernentes a queixas e reclamações elaboradas pela Comissão de Peritos, conforme veremos em tópico a seguir.

O Conselho de Administra ção é o braço executivo da OIT. Ele estabelece programas e administra o orçamento da Organização. Nem todos os Estados-membros participam do Conselho de Administração, mas sua composição respeita a mesma proporção tripartite de 2-1-1. O Conselho é composto por membros titulares – dentre os quais dez são permanentes e escolhidos dentre os países mais industrializados380– e membros adjuntos381.

O Conselho de Administração se reúne três vezes ao ano, em Genebra. Dentre as competências desse órgão executivo podemos citar a adoção de decisões sobre a política da Organização; eleger o Diretor Geral do Escritório Internacional do Trabalho e supervisionar as atividades deste órgão; elaborar o projeto de programa de orçamento da Organização; instituir comissões permanentes; fixar a data, o local e a ordem do dia das reuniões da

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A tradução oficial da Constituição da OIT refere-se não a “Escritório Internacional do Trabalho”, mas a “Repartição Internacional do Trabalho”. O termo deriva respectivamente, nas três línguas oficialmente adotadas pela Organização (inglês, francês e espanhol), de office, bureau e oficina. Assim, pensamos ser mais moderno e preciso traduzir o termo para “escritório”. OIT, ILSE, op. cit.

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Normalmente, as sessões ocorrem no mês de junho, em Genebra. 380

Os dez países que, atualmente, tem assento permanente no Conselho de Administração são Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, França, Índia, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia.

381

A composição numérica do Conselho de Administração é de 56 membros titulares, respeitada a regra do tripartismo cuja proporção é de 2-1-1 (28 representantes de Estados-membros, 14 representantes de trabalhadores e 14 representantes de empregadores). Os membros adjuntos são em número de 66, sendo 28 representantes de Estados-membros, 19 representantes de trabalhadores e 19 representantes de empregadores. Os outros 18 membros titulares (não permanentes) são escolhidos pelos Estados-membros designados para esse fim pelos delegados governamentais da Conferência, excluídos os delegados dos dez Estados-membros considerados de maior importância industrial. A composição dos membros titulares, excluídos os dez mais industrializados, deve ser renovada a cada três anos, levando-se em conta sua representatividade geográfica.

Conferência Internacional do Trabalho, das conferências regionais e das conferências técnicas; deliberar sobre os relatórios e conclusões das suas comissões internas; adotar as medidas previstas nos arts. 24 e 34 da Constituição em caso de reclamação ou de queixa contra um Estado-membro por inobservância de convenção que haja ratificado.

Por fim, o Escritório Internacional do Trabalho é o secretariado técnico- administrativo da OIT, tendo à sua frente o Diretor Geral382, a quem cabe executar as decisões da Conferência e do Conselho. O Escritório Internacional do Trabalho tem sede em Genebra, onde atuam o Diretor-Geral; o setor técnico, constituído por diversos departamentos; e o setor administrativo. Além desses departamentos, o Escritório é também responsável pela publicação de todo o material produzido pela OIT (técnico, normativo, informativo e educativo).

Benzer Belgeler