2. GENEL BİLGİLER
2.1. Sepsis
2.1.8. Tedavi
16 Tradução de Paula Fatur-Santos do texto original “Some sources of variability in the regulation of talk” publicado por Susan Philips no periódico Language in Society em 1976.
Dentro de um mesmo cenário social, os participantes podem mudar o sentido de suas interações comunicativas e essa mudança pode ser sinalizada por pistas linguísticas ou pistas de contextualização (GUMPERZ, 1982). Susan Philips (2002) afirma que a seleção de pistas verbais, não-verbais e prosódicas ocorre através dos indicadores da interação cotidiana e essas interações têm influências de fatores socioculturais, como intimidade, polidez, trato, solidariedade e diferença de poder, entre outros aspectos. No contato intercultural da sala de aula de PLE, professor e aluno podem vivenciar conflitos implícitos ou explícitos em situações de comunicação entre culturas distintas, permitindo, dessarte, a existência de diferentes ações comunicativas em conformidade com os respectivos padrões culturais.
Dentro desse sistema interacional e intercultural, ocorrem mudanças de contextos que enfatizam a competência sociocomunicativa do participante, podendo ser conduzida por mudanças de voz, alteração do código linguístico, do tópico, mudança de enquadre, da expressão facial que podem identificar a transformação na estrutura interacional. Mediante tais pistas de contextualização (GUMPERZ, 1982), observa-se a negociação de categorizações de co-pertencimento do professor e do aluno na interação em sala de aula de PLE, na qual os falantes transformam suas experiências pessoais, adequando-as a um novo contexto cultural através de expressões linguísticas no nível semântico, bem como pistas no nível pragmático que demonstram sua percepção da nova concepção de língua e cultura.
Nota-se que os eventos de interação ocorridos na sala de aula de PLE são delimitados pela atuação dos participantes como uma contribuição em uma determinada atividade proposta, sinalizadas por intenções comunicativas ou pistas de contextualização. Tais pistas são traços presentes na estrutura interacional, utilizados para sinalizar intenções, permitindo que os interlocutores interpretem o conteúdo semântico que deve ser entendido.
O conceito teórico de Gumperz sobre as pistas de contextualização baseia-se em evidências empíricas de cooperação social que mostram que uma fala ou um gesto podem apresentar diversas pistas como uma palavra falada em voz alta, já que os participantes se interpretam a partir de convenções socioculturais que se refletem na interação face a face. Ressalta-se que o aluno estrangeiro, ao ingressar no Brasil e iniciar seu contato com os novos aspectos linguísticos e culturais, provavelmente, não compreenderá os contextos interacionais por não ter vivência cultural suficiente, assim como bagagem linguística que o permita interpretar todos os contextos comunicativos a partir de pistas convencionalizadas na cultura brasileira.
Nesse sentido, os participantes da interação expressam os significados comunicativos em diversas modalidades no meio visual, vocal e verbal, criando significados próprios entendidos pelo grupo interacional. Para Gumperz (1982), é por meio de inferências que os participantes conseguem interpretar o que é dito e ter expectativa em relação ao que ainda pode acontecer em um processo contextualizado socioculturalmente, e isso acontece mediante informações que recebem do ambiente físico, dos interagentes, do conhecimento de mundo e de situações vivenciadas ou não.
As pistas de contextualização são classificadas por Gumperz como: pistas prosódicas, sinais paralinguísticos, mudanças de código ou estilo e escolha lexical ou expressões formulaicas. Muitas vezes, as pistas prosódicas referem-se à entonação e à acentuação enfatizada nos enunciados, aspectos de grande relevância na comunicação intercultural, como afirma Almeida Filho, pois “o conhecimento cultural não está restrito a ser expresso em linguagem verbalizada, mas pode também ser realizada com gestos, expressões e ruídos específicos, aproximação física, tom e altura de voz, contornos entoacionais dos enunciados orais, uso do riso ou sorriso” (ALMEIDA FILHO, 2011, p. 107). Os sinais paralinguísticos relacionam-se ao tempo, à pausa, à hesitação que dão sincronia à conversa de acordo com o contexto. A escolha pela mudança de código ou estilo de fala está relacionada ao code- switching (GUMPERZ, 1982), que demostra a habilidade comunicativa dos participantes para alterar o código interacional.
Um código consiste em um agrupamento de sinais linguísticos compreendido por partes frasais ou palavras e partes significativas que se combinam formando uma determinada mensagem. Logo, o code-switching configura-se na junção entre dois ou mais códigos em uma interação. É uma estratégia de participação em uma conversa interacional, a partir de elementos motivacionais discursivos ou sócio-pragmáticos. Considerar-se-á o code-switching como um fenômeno de alternância de códigos, ocorrido nos aspectos estruturais da língua, mas que se apresenta socialmente motivada.
O code-switching pode ser entendido como o uso alternado de dois ou mais códigos linguísticos por indivíduos numa interação. Os alunos de PLE podem alternar entre códigos ou mesmo misturá-los na interação. Gumperz define code-switching como “a justaposição dentro de uma mesma troca de fala de passagens de fala pertencentes a dois sistemas ou subsistemas gramaticais diferentes” (GUMPERZ, 1982, p. 59).17
17 “the juxtaposition within a same speech exchange of passages of speech belonging to two different grammatical systems or subsystems” (GUMPERZ, 1982, p. 59)
Na sequência abaixo, percebe-se uma ocorrência desse code-switching entre a língua portuguesa e a língua inglesa em uma fala de uma aluna norte-americana em uma interação com um professor de PLE e um aluno colombiano, em contato com a língua portuguesa há apenas dois meses. O motivo para o code-switching deve ser provavelmente a falta do lexema correto em português e, sendo assim, o code-switiching pode ser visto como pista de contextualização para esta lacuna lexical que concomitantemente indica que a falante não vê esta falta de conhecimento lexical como motivo para interromper seu turno:
Sequência 3: 2015VINa07((18:45-19:00))
01 Na: muita gente que esTÁ (.) in relAtionship,