2. GENEL BİLGİLER
2.3. Üriner Sistem Taş Hastalığı
2.3.6. Tedavi
Cada gênero tem uma escrita própria? Se a linguagem não tem um gênero específico, é esperado que a escrita também não o tenha. Mas uma coisa parece certa: as condições em que as mulheres escreviam, e em muitos casos ainda escrevem, eram bem diferentes das dos homens. Entende-se que dividir a escrita em feminina e masculina seja uma forma de enquadrar os gêneros em um lugar social do discurso65 ou um lugar de fala66 de mulheres e homens submetidos a regras que podem e são quebradas por eles e elas a todo instante.
A história, até poucas décadas atrás, mostra que o contexto social político e cultural marcado pela divisão sexual dos papéis era tal que as mulheres tinham uma necessidade, seguida de um interesse, menor de escrever. A escrita ainda é frequentemente ligada a posições de saber, práticas públicas e profissionais, realidades das quais as mulheres estavam distantes.
Quando aprendeu a ler sob a fiscalização da lei e da religião, a mulher ocidental o fez muitas vezes de forma silenciosa, principalmente quando não havia homens por perto. No silêncio era possível refletir sobre cada palavra, concordar com elas ou não. Da leitura só com os olhos e a mente, a mulher passou também à escrita só com o papel e a pena, textos carregados de expressão de sentimentos que ela preferia guardar em algum canto, dentro de um livro de receitas, numa
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Discutiu-se o conceito de lugar social do discurso, segundo Emediato (2008), no capítulo 3.
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caixinha de lembranças longe dos olhos e da censura dos outros. Ao ler, ela enxergava o mundo, ao escrever colocava a si mesma.
Não há mais perigo aparente, ninguém mais as aconselha a fazer filhos ao invés de fazer livros. Esse estatuto secular da mulher como objeto, satélite e inferior, foi-se alterando nas últimas décadas, pelo menos no mundo ocidental. “Ela é sujeito de pleno direito, tem autonomia, usufrui de uma ampla igualdade de direitos. E não são poucos os homens para quem isso continua sendo um problema”, diz Heidenreich (2005, p. 11).
É fato que os homens também não se sentem muito confortáveis em relação à escrita, principalmente quando se trata da escrita de si. Bollmann (2007, p. 14) diz ainda que, como ele, muitos autores conhecem bem de perto o horror da solidão, as dúvidas, a pressão excessiva, a exploração de si próprios, mas as condições para eles e elas, em certo sentido, permanecem diversas. “Todas as mulheres cujo trabalho, como o meu, as expõe publicamente tem uma história para contar. É preciso ter uma força enorme, uma grande confiança em si. Daí, por exemplo, as coisas se afigurem pior para o lado das mulheres do que para o dos homens”.
Perrot (2005, p. 9-10) diz que, apesar de todos os avanços, as mulheres têm uma relação restrita com a escrita, pois isso “convém à sua posição secundária e subordinada, [...] imposto pela ordem simbólica”. Afirma, em outra publicação, que a ideia de que a natureza das mulheres as destine ao silêncio e à obscuridade está profundamente arraigada em nossas culturas. Lembra que elas permanecem durante muito tempo excluídas da palavra pública, ficaram restritas ao espaço do privado ou, quando muito, frequentavam “salões mundanos”.
A opinião revela-se, no entanto, cada vez mais decisiva na constituição e no funcionamento da democracia. Sem o poder, como as mulheres ganharam influência nas redes durante tanto tempo dominadas pelos homens? Primeiro pela correspondência depois pela literatura e, por fim, pela imprensa. Ainda que permaneçam restritas a tarefas subalternas, elas se inseriram em todas as formas do escrito (PERROT, 1998, p. 59).
Na Europa, os homens foram alfabetizados mais precocemente e em maior número do que as mulheres e, até o fim do século XIX, a educação religiosa da maioria das meninas era interrompida uma vez terminado o aprendizado da leitura. Segundo Bollmann (2007, p. 27), durante esse período histórico, vigorou a regra
segundo a qual quem quisesse ler e escrever – embora, na maioria dos casos, se tratasse tão-só de copiar – teria que ir para o convento, pois era ali que se encontravam os escritos. “Esse era o lugar”, diz. A crescente alfabetização delas passou a ser o argumento preferido para justificar porque elas começaram a escrever, desconsiderando completamente que esse poderia ser um ato prazeroso. A questão era que a escrita contrariaria a natureza feminina: aut liberi aut libri, ou seja, ou filhos ou livros. Ter que escolher entre um e outro encurralava a mulher, já que ao optar pelos livros ela estaria contrariando sua natureza física e social.
No século XX compatibilizar a profissão de escritora com as tarefas de mãe torna-se mais fácil, graças às condições mais favoráveis resultantes das condições técnicas e previdenciais, bem como da profissionalização da atividade de autor, a qual, por seu turno, está relacionada com a adequação da atividade editorial ao mundo dos negócios (BOLLMANN, 2007, p. 29).
As cartas e a correspondência epistolar constituíam uma ponte para a escrita feminina e foram as formas de escrita preferida das mulheres, segundo Bollmann (2007, p. 20). “Neste campo, em especial no que concerne a representação dos sentimentos, elas superaram, com frequência, os congêneres masculinos, cultivando um modo de comunicação de cunho predominantemente feminino”. O autor lembra que o fato de os heróis dos romances epistolares serem mulheres, regra geral, e dos romances sociais quase sempre serem homens, é precisamente o espelho da divisão existente entre ambos os sexos: a mulher compensava a falta de experiência da vida e do mundo com a riqueza das suas emoções.
Daí viria, segundo Fabre (1997), esse gosto essencialmente feminino pelas cartas, observada principalmente entre as mulheres de gerações passadas. Elas funcionavam como um verdadeiro exercício de representação e de controle da imaginação dos diferentes papéis sociais que elas ocupavam no curso de suas vidas. A coincidência dos momentos da efervescência da escrita comum feminina e das passagens aos diferentes estados de mulher – moça, jovem mãe, viúva, avó – justificariam a importância da relação das mulheres com a escrita de cartas, a princípio endereçadas às pessoas que lhes eram mais íntimas.
Isso justifica porque, durante muito tempo, os arquivos femininos cotidianos continham basicamente pensamentos e estados de alma anotados em diários...
[...] que perdiam o sentido depois do casamento, pois, a partir daí, não mais se podia pensar em segredo – que se sabe, em se tratando de mulher casada, só podia ser bandalheira. Ficavam sim com o caderno do dia a dia onde, em meio a receitas e gastos domésticos, ousavam escrever uma lembrança ou ideia (TELLES, 2004, p. 409).
Lamentavelmente, muitas de suas histórias, mesmo aquelas que dividiam com farelos de farinha de pão espaços entre as páginas dos cadernos de receitas, viraram cinzas. Isso porque suas produções domésticas acabaram consumidas, destruídas por elas mesmas. Elas as julgavam (e muitas ainda as julgam) sem interesse. “Afinal, são mulheres, cuja vida não conta muito. Existe até um pudor feminino que se estende à memória. Uma desvalorização das mulheres por si mesmas. Um silêncio consubstancial à noção de honra” (PERROT, 2007, p. 17). Perrot (2007) lembra que, ainda hoje, queimar papéis na intimidade do quarto é um gesto clássico da mulher idosa.
A historiadora percebeu também que há poucas autobiografias de mulheres, ao analisar o acervo de mais de dois mil documentos da Association pour
L`Autobiographie et le Patrimoine Autobiographiques, criada em 1993, na França. “O
olhar voltado para si, numa fase de mudança ou ao final de uma vida, mais frequente em pessoas públicas que querem fazer o balanço de sua existência e marcar sua trajetória, é uma atitude pouco feminina” (PERROT, 2007, p. 28).
No cotidiano doméstico feminino, a maioria das entrevistadas por pesquisadores franceses67 realiza basicamente a escrita de listas, a contabilidade mínima, a memória dos acontecimentos da família. Algumas vezes a mulher também escreve algum diário68 ou se encarrega da correspondência. Para Teberosky (1998, p. 86-87), “trata-se de uma escrita para refrescar a memória, que eventualmente pode produzir um efeito de instalação da ordem. Trata-se de uma escrita que não
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ALBERT, J. P. Façons d’ecrire. Approches anthropologiques de l’écriture ordinaire. In: POULIN, M. (Org.). Lire en France aujourd’hui. Paris: Éditions du Cercle de la Librairie, 1993 e LAHIRE, B. Pratiques d’écriture et sens pratique. In: CHANDRON, M.; DE SINGLY, F. (Orgs). Identité, lecture, écriture. Paris: Centre Georges Pompidou, 1993. Ambos foram citados por Teberosky (1998).
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Segundo Albert (1993), parece que o diário, para as meninas, se inscreve num contexto da educação devotada a si mesma, ao desenvolvimento de uma vida interior, primeiramente marcada pela cultura do sentimento, por isso era visto como o universo da menina. Escreve-se um diário principalmente quando se tem namorado ou se está apaixonada. Em suas pesquisas realizadas na França na década de 1990, o autor detectou que 16% dos homens e 32% das mulheres mantinham um diário; 82% das meninas e 27% dos meninos estudantes do segundo grau tinham ou já tiveram um. Entre os adultos, 5% das mulheres continuavam seus diários ao longo da vida e um número quase insignificante de homens também o fazia. Mais de 2/3 das mulheres que abandonaram seus diários, o fizeram antes de completar 20 anos. No caso dos homens, os momentos de abandono são mais difusos. Muitos e muitas começavam seus diários para acompanhar a turma de amigos e amigas e depois largaram.
incorpora a leitura no processo”. Na visão da autora, a escrita feminina tem as seguintes funções, na prática cotidiana: registrar a memória, ordenar e arquivar dados, se comunicar com os outros e exprimir a perspectiva pessoal em direção ao mundo, para atuar sobre ele.
A capacidade de escrever não tem os mesmos compromissos sociais que o acesso à leitura. [...] As tipologias dos escritos cotidianos propostas por alguns pesquisadores enumeram basicamente correspondência epistolar, crônicas familiares, diários íntimos, receitas de cozinha, listas domésticas, escritos burocráticos, muitos deles realizados fundamentalmente por mulheres (TEBEROSKY, 1998, p. 86).
Em relação à escrita cotidiana dos homens, a pesquisa de Teberosky (1998) detectou que ela se ocupa, principalmente, dos registros administrativos. São os homens, por exemplo, que normalmente preenchem os formulários de impostos e atualizam os arquivos administrativos.
Ao contrário dos escritos domésticos da mulher, trata-se de uma escrita com uma forte dimensão de desempenho: alcança-se ou não um resultado por meio da escrita. [...] Em ambos os casos (masculino e feminino), trata-se de uma escrita ligada a situações práticas da vida, que assume funções mnemotécnicas, de arquivo ou de desempenho. Essas funções são realizadas no contexto temporal do não-habitual; trata-se de escrever para memorizar ou arquivar algo extraordinário, pouco habitual ou excepcional, com ações complexas que devem ser planejadas, ações distantes no tempo, oficiais e obrigatórias (TEBEROSKY, 1998, p. 87).
Fabre (1997) concorda que eram os homens que produziam a escrita no espaço público, que se lançavam à conquista deste savoir faire. Eram eles também que afrontavam o mundo do trabalho, da administração e mesmo o da escola. Essa situação não tem nada de novo, pois, desde as primeiras gerações da alfabetização, as mulheres eram menos letradas e o novo saber era exibido pelos homens que, por exemplo, se carregavam ostensivamente da correspondência da casa. No universo burguês, o pequeno escritório provido de móveis e objetos de escrita era o domínio reservado do mestre da casa.
Em suas pesquisas, Albert (1993) detectou que, no início da década de 1990, apenas 5% dos casais franceses mantinham a escrita administrativa dividida entre eles. Em relação à redação da declaração de impostos, ele afirma que eram os
maridos que a assumiam, quase 80% contra 20% das esposas, enquanto as mulheres se encarregavam das folhas de doenças ou formalidades ligadas à escolaridade das crianças.
Segundo Fabre (1997), o domínio da escrita doméstica se inverteu após avanços na alfabetização feminina a ponto de esposas e filhas terem passado a escrever muito mais que os homens; se estes últimos não eram solicitados a escrever em seu trabalho ou a fazer a administração da escrita administrativa do lar, terminavam por perder completamente o hábito de fazê-lo. A dominação masculina da escrita pertenceu majoritariamente aos homens enquanto estava reservada às relações com o espaço público, administrativo, nacional. Foi necessário que a escrita se banalizasse a ponto de entrar no cotidiano das casas, para que as mulheres a herdassem. E, na visão de Fabre (1997), essa banalização veio exatamente através das revistas e romances, coisa de mulher, enquanto os meninos passaram a preferir exercitar a linguagem oral e a se distanciar da escrita, já que ela identificava mulheres, como era o caso de suas mães, irmãs e professoras.
Para Lahire (1997), a quase ausência da escrita masculina no lar se observa, com algumas variações, em todos os meios sociais, porém não se pode dar a mesma interpretação de um meio social ao outro. Se nas classes média e superior a escrita masculina é profissional, nas classes populares ela pode ser quase inexistente. O autor acredita também que a noção de escrita doméstica e profissional como desvalorizada e valorizada, respectivamente, tem início no seio da família. Em suas pesquisas, observou que as meninas se apresentam mais interessadas que os meninos pela escrita de cartas endereçadas primeiramente à família, com a ajuda de suas mães, e depois às suas amigas pessoais. E, nesse ponto, elas encontram em suas mães uma referência para construir sua identidade indissociavelmente sexual e escriturária. Muitas das filhas, entrevistadas pelo pesquisador, mostraram ter na mãe um modelo de identificação prático no que se refere ao gosto pela escrita. Foram suas mães que as incitaram desde a infância a entrar progressivamente na cultura familiar da carta.
Para Perrot (2007), durante muito tempo a carta constituiu uma forma de sociabilidade e de expressão feminina, autorizada, recomendada e tolerada, enquanto manter um diário íntimo foi recomendado principalmente pela Igreja, que o considerava instrumento de direção de consciência e de controle pessoal. A autora classifica esses diversos tipos de escritos como muito preciosos porque autorizam a
afirmação de um eu. É graças a eles que se ouvia o eu, a voz das mulheres, mas de mulheres cultas ou, pelo menos, que tinham acesso à escrita.
Ainda hoje, em matéria de mediação com relação à redação de textos escolares ou cartas, as mães representam um papel central, ensinando seus filhos a construir o corpo do texto, dando-lhes ideias, aconselhando um rascunho. Lahire (1997) constatou que quando a família envia uma carta ou um cartão de papel em nome de todos os seus membros, de uma maneira geral, os homens simplesmente acrescentam uma palavra ou apenas o assinam. Alguns nem isso. E esse comportamento é copiado pelos filhos, quando estes se reúnem para escrever algo em conjunto. Os filhos nada mais fazem que a reprodução de uma situação clássica de colaboração entre seus pais. A mãe escreve, o pai acrescenta um bilhete e assina; a irmã escreve, o irmão assina. Para o autor, ao agir assim o menino constrói um sistema de preferência que exclui a escrita de textos e de cartas enquanto prazer. Ele se contenta em ajudar, completar e seguir aquela que toma a iniciativa. Essa atitude pode parecer pouco gloriosa, mas conserva práticas sexualmente marcadas.
Lahire (1997) observa que o sentido dos lugares ocupados, por uns e por outros, depende do domínio de atividade em questão. Se os meninos não se envergonham de apenas assinar ou, quando muito, sugerir alguma palavra, é porque redigir esse tipo de carta nada mais é que um domínio anexo, um campo secundário e desvalorizado. O menino se contentará então, frequentemente como seu pai, em assinar as cartas sem tê-las escrito.
Uma das conclusões do autor é que, se de um lado a assinatura masculina nas cartas redigidas pelas mulheres parece funcionar como a marca do chefe de família com um proveito simbólico final, por outro lado, uma divisão de tarefas entre homens e mulheres se opera, às vezes, a partir da oposição entre cartas simples e cartas complexas. Ou seja, quando a carta é julgada comum, habitual, simples, as mulheres se encarregam dela. Quando a carta ou os papéis a preencher, são percebidos como mais complexos, são de responsabilidade dos homens.
É com frequência que as cartas escritas pelos maridos no universo doméstico são feitas através de um ditado. Ele as dita à sua mulher como ele dita profissionalmente à sua secretária. Segundo Lahire (1997), a escrita sob ditado revela claramente a relação de dominação sendo que ela se encontra em todos os
meios sociais, mas de maneira mais explícita e mais nítida nas classes superiores69. Essa distribuição dos papéis em torno da escrita de cartas no seio da família se encontra às vezes entre irmãos e irmãs, colocando sempre os meninos na situação daqueles que ditam, que dão as ideias, enquanto que as irmãs tomam o encargo da redação efetiva, material. O autor esclarece que o fato de o homem apenas ditar não tira dele a sensação de que está redigindo. Ele redige sem escrever, no sentido de que é ele quem dita o que está sendo escrito, é quem ordena as ideias sem quase nunca escrever ele mesmo, como acontece no caso do acréscimo de assinaturas a um texto redigido por uma mulher.
Para Lahire (1997), imitar o comportamento dos pais em relação à escrita revela uma identificação sexuada. As crianças anotam recados ao atender ao telefone como mamãe ou papai, sem que ninguém as tenha pedido explicitamente, entre outras práticas. As imitações e as identificações podem ser também lúdicas. Em suas brincadeiras, representam a professora no quadro, o garçom com uma comanda, o médico com seu bloco de receitas. Mas essas identificações, sérias ou lúdicas, com relação ao que são os adultos da família, podem se transformar, em alguns casos, segundo o autor, em identificações negativas: “não vou fazer como minha mãe ou minha irmã visto que sou um menino ou não vou fazer como meu pai e meu irmão porque sou uma menina”.
Na verdade, a cultura escrita e sua divisão sexual se transmitem, então, indiretamente de forma quase subliminar, invisível, já que os contatos que meninos e meninas podem ter com a escrita passam sempre por personagens femininos. É preciso lembrar, inclusive, que, nas primeiras séries do ensino fundamental, quando a criança é alfabetizada, no Brasil, assim como na França, a maioria dos professores é formada de mulheres. As colaborações cotidianas, os encorajamentos, as incitações, as solicitações, as ajudas provêm, mais frequentemente, das mães e, em segundo lugar, das irmãs mais velhas.
Lahire (1997) acredita que isso pode levar alguns meninos a um processo de identificação negativa. Tudo acontece como se os exemplos femininos ou as solicitações femininas, notadamente maternais, não pudessem atingir seu pleno efeito de socialização junto a meninos que tentam responder às demandas
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O Dictata era originalmente o texto ditado por um mestre aos seus estudantes. Da mesma forma, o
dictator – primeiro magistrado de algumas cidades italianas – é também aquele que dita. Dicto, em
latim, é tanto ditar um discurso a uma secretária, por exemplo, quanto ditar no sentido de prescrever ou ordenar, recomendar, aconselhar (LAHIRE, 1997).
parentais, ao mesmo tempo em que têm que construir sua identidade masculina. A criança não aprende ou não incorpora saberes, o savoir faire, se não quando seu interesse em aprender é maior que seu interesse em não aprender. Na ordem sociológica como na ordem cronológica, o desinteresse ou a indiferença precede e termina por acarretar a incapacidade ou a incompetência efetiva.
Compreende-se, assim, que quando a escrita está ligada ao feminino, os meninos podem resistir e mesmo construir sua personalidade através da resistência, mais ou menos marcada, à escrita. Não é raro encontrar um irmão ou uma irmã submetidos às mesmas solicitações maternas, mas reagindo a elas de maneira diferente. O filho escreve sob a obrigação e a filha por prazer. Muitos meninos, mesmo tendo sido muito motivados e encorajados pelas mães, não deixam de julgar por simples dedução prática que a escrita é uma coisa de menos importância para eles. Tantos sinais que dizem respeito ao sexo das correspondências não podem ser desconsiderados como efeitos de socialização. Como não compreender então que os homens jovens depois adultos, mesmo quando vivem da escrita, possam fazer