• Sonuç bulunamadı

lugar onde a gente pudesse fazer esta instituição. E na época eles iam entregar este bairro, o PMCMV ia ser entregue logo em seguida. E ai a gente foi no prefeito, na época era o prefeito Barba, do PT, e ai eles acharam ótimo que a gente estava com essa ideia e fizeram a concessão desta área. Mas nossa ideia não era uma coisa tão grande assim. A gente tinha pensado num outro bairro antes disso, que era no São Carlos VIII, que a gente achava que era um bairro pequeno, que era um bairro também que precisava, mas ai a prefeitura achou que como a gente ia começar junto, iria ser melhor. E realmente foi melhor, por que hoje a gente faz parte do bairro, né, a gente não chegou, a gente está junto com eles desde quando foram entregue as casas. As casas já estavam sendo construídas e a gente estava construindo aqui também. E ai a gente, a ideia era trabalhar três horas de manhã, no contra turno, e três horas de tarde, mas pela necessidade do bairro, a gente... Nem era para ser tanta criança assim, era para ser uma coisa pequena, uma coisa que talvez a gente ate conseguisse manter sozinho. Não era para ser dessa forma. Mas ai o bairro foi pedindo e tinha criança que precisava ficar aqui entre a manhã e a tarde, no horário de almoço para poder ir para a escola, por que não tinha ninguém na casa delas, então eles acabavam ficando aqui com os professores. Na época, quando a gente começou atender realmente as crianças já era o Altomani. Eu fui lá falar na prefeitura a respeito da necessidade daqui e eles concordaram com a parceria e a gente fez a parceria com a prefeitura para poder atender nesta condição, igual de hoje. Que hoje a gente atende das 7 da manhã a 6 da tarde, direto. (...) Por que a necessidade do bairro aqui é muito grande, por que não tem nada aqui, não tem posto, não tem creche, não tem escola, então é bem necessário que a gente esteja aqui e que esteja dessa forma, trabalhando dessa forma. Ainda assim, a gente tem uma quantidade enorme de criança na fila de espera que a gente não consegue

atender, apesar de a gente ter adaptado aqui a estrutura, ter aumentado, foi aumentado98 (...).

Thalles: Hoje você acredita que a ONG assumiu algumas funções que o

poder público deveria estar fazendo no bairro? Você falou que a ONG está crescendo de acordo com a demanda. Cláudia: É, isso é normal, né. Acho

que é o papel, até, de fazer aquilo em parceria com a prefeitura àquilo que a prefeitura não consegue fazer com todos, por toda a burocracia, pela dificuldade. Então, acho que isso já é normal que seja desta forma. Apesar de que nem sempre a prefeitura vê desta forma. Algumas pessoas dentro não veem muito assim, acaba que a gente tendo que batalhar mais até. Como se a gente que estivesse vendendo um serviço, como se fosse um comércio. E não é! Não é essa a intenção. Acaba muito sendo isso dessa forma.

Observa-se como a ONG foi tomando proporções maiores na medida em que a prefeitura não forneceu outros instrumentos de uso coletivo e social no bairro e estabelece uma parceria com a ONG. Em um primeiro momento, a prefeitura indica o lugar para a ONG se estabelecer e, posteriormente, com o Altomani, ela se consolida no atendimento às crianças perante um convênio realizado com a prefeitura para a mesma arcar com a folha de pagamento. A ONG, por fim, muda seus planos iniciais de atendimento e se transforma em um importante equipamento coletivo e social no bairro. Como consequência há uma redefinição das ações do Estado naquele território e a prefeitura novamente faz o papel de gestora, apontando terrenos e repassando verbas. Outro fator importante que aparece na fala da presidente e dialoga diretamente com a segunda consideração – a gestão e planejamento social privado – é a missão que a presidenta acredita estar cumprindo junto ao bairro e as crianças, a demanda que ela atende.

Essa missão que a presidenta busca constantemente realizar pode ser lida pelo conceito de Becker (2008, p.153), de empreendedor moral. Segundo o autor, a missão ou as regras “são produto da iniciativa de alguém e podemos pensar nas pessoas que exibem essa iniciativa como empreendedores morais. Duas espécies relacionadas – criadores de regras e impostores de regras – ocuparão nossa atenção.”.

Assim, na medida em que uma instituição privada assume funções socioeducativas do Estado, via o Projeto de Trabalho Social ou mesmo subsídio para o pagamento da folha de funcionários, as ações desenvolvidas naquele espaço ganham caráter moral. Podemos compreender a presidenta como uma criadora de regra, uma vez que o criador de regras está preocupado em “reformar o cruzado”, operando com ética, julgando que há algo de errado

que precisa ser corrigido, acreditando que sua missão é sagrada, acreditando que o que fizer será bom para os outros e não para o próprio criador de regras. Comumente aparece um conteúdo humanitário, a necessidade de “salvar” as classes menos favorecidas que, por fim, legitimará a própria posição dos empreendedores morais consolidando sua posição moral e de poder superior na sociedade (BECKER, 2008). Estas características ficarão mais claras na medida em que formos explorando as funções da ONG, seus fundadores, financiadores, plano pedagógico (ver capítulo 6).

É valido apontar também que ocorre um processo semelhante em estudo realizado por Georges e Ceballos (2014) a partir do Programa Bolsa Família, em São Paulo. O autores apontam que cria-se um “mercado assistencial” por meio do financiamento público captados pela terceirização da gestão social. Os agentes terceirizados apontam também para o processo de “empreendedores morais”. Deste modo, observamos que a composição do PMCMV e as formas de planejamento e gestão privada do social compõem um quadro maior, a gestão do social na era petista e lulista e suas ressignificações no contexto local. Observamos as diferentes escalas e engenharias organizacionais que apontam para lógicas semelhantes. Por fim, os contextos de cursos apresentados marcam uma espécie de “viração da cidadania” (ABÍLIO, 2011), onde o cidadão não acessa políticas contínuas e universais, de transformação social. Um trecho extraído de uma entrevista realizada com moradores do Jd. Zaváglia ilustra muito bem esta condição.

Sra. Abigail: É, por que, não tem nem um centro comunitário, né. Por que, a

gente que recebe a Bolsa Família, se fosse com o Centro Comunitário, não precisaria comprar material. Por que o Centro Comunitário te fornece material pra qualquer curso que você for fazer. O Centro Comunitário é lá no Antenor Garcia. Se for pra eu mesmo ir a pé, eu não vou. Por que não é todo dia que a gente tem dinheiro./ Paula: Que nem minha avó. Ela vai para

o Centro Comunitário. Lá ela já aprendeu muita coisa (...) ela já aprendeu bastante coisa com reciclagem, com essas coisas, bordado. (...) Ela aprendeu bastante coisa, entendeu? Se tivesse um aqui, seria bem legal./

Sra. Abigail: Centro Comunitário é só no Antenor./ Thalles: E lá oferece

essas coisas?/ Sra. Abigail: Oferece. Lá tem curso. Engraçado, achei que ia

te chamar pro Projovem99 esse ano, mas não chamaram, né?! Ou será que

99 “O que é o ProJovem – É um novo programa unificado de juventude que visa ampliar o atendimento aos jovens excluídos da escola e da formação profissional e foi criado a partir da integração de seis programas já existentes - Agente Jovem, Saberes da Terra, ProJovem, Consórcio Social da Juventude, Juventude Cidadã e Escola de Fábrica. Hoje, esses programas atendem a 467 mil jovens. Com a unificação, serão ofertadas vagas para atender a 4,2 milhões de jovens até 2010. Público-alvo – Jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social (fora da escola e dos cursos de formação e qualificação profissional). Objetivos do ProJovem – Reintegrar esses jovens ao processo educacional, promover sua qualificação profissional e assegurar o acesso a ações de cidadania, esporte, cultura e lazer. Faixa Etária – Antes era de 15 a 24 anos, agora foi ampliada para os jovens de

acabou também?/ Paula: Será que vai ter Projovem esse ano?/ Sra. Abigail:

Agora não chama mais, você vai fazer 18, já não chama mais./ Paula: Dai

você escolhe o que você quer fazer. Sra. Abigail: Não é pelo Projovem

também que eles já estavam arrumando essas bolsas de curso? /Paula: Sim.

/Sra. Abigail: Aí, a pessoa não paga o curso, por que, tipo, é beneficiário do

Bolsa Família, então ele ganha uma bolsa, ele não vai pagar pra fazer o curso. /Thalles: O curso aonde, no caso? /Paula: É, o Senac tem bastante

coisa, né. Por que o Senai é mais indústria, essas coisas. O Senac que tem bastante coisa. /Thalles: E esse Projovem você fez aonde? /Paula: Eu fiz no

centro comunitário lá na Santa Felícia. (...)/ Sra. Abigal: Pronatec100 não

tem mais, seria uma boa./ Paula: Eu queria tanto fazer o Pronatec. Esperei

fazer 16 anos... acabou. (...) Eu não fiz Projovem, Pronatec. Faço nada da vida. (...) Não é por que não quero, está vendo, né. (...) Que nem, meu amigo falou que ia me ensinar a andar de skate, ai ele mudou de escola. Aí, falaram que aqui na ONG estava tendo curso de Skate. Falei, “humm!!”, já me interessei, e aí, “ Não, é ate 14 anos”. /Sra. Abigail: Mas, Paula, aqueles cursos que a Cláudia fazia lá de noite, não tem mais nada? /Paula:

Tem, isso dai tem! (...) Tem zumba, tem capoeira. Eu não lembro o resto.

Nesta passagem a mãe e filha lembram parte dos cursos que todos os membros da família já fizeram, desde a avó até o irmão mais novo. Observa-se como há uma procura por cursos e de como vai mudando de um para o outro, causando até uma confusão sobre eles. É exatamente sobre esta prática que Abílio (2011) pontuou como “viração da cidadania”, a oferta de cursos rápidos e profissionalizantes que buscam retirar as pessoas da condição de pobreza por meio da tecnificação e inserção no mercado de trabalho. Desta maneira, elas vão se agarrando em cursos e oportunidades que vão surgindo e desaparecendo. A localização da casa e do Centro Comunitário, assim com de outros equipamentos, faz diferença no acesso a estes cursos. No caso do Jd. Zaváglia, quem faz a vez do equipamento público coletivo de formação é a ONG, tanto por meio do seu próprio plano pedagógico quanto por disponibilizar o seu espaço para que outras iniciativas possam utilizar (ver capítulo 6). Neste contexto, além da viração da cidadania, as práticas e cursos ficam sob oferta da iniciativa da ONG e seus interesses, configurando uma gestão privada do social.

Buscamos demonstrar como os diferentes agentes públicos envolvidos no Trabalho Social, desde a prefeitura, a PROHAB, a Caixa, se relacionaram com o setor privado e colaboraram 15 a 29 anos.” Disponível em: http://www.secretariadegoverno.gov.br/noticias/2007/09/not02_05092007. Acesso em: 18 Jul.2017.

100 “O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) foi criado pelo Governo Federal, em 2011, por meio da Lei 12.513/2011, com o objetivo de expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos de educação profissional e tecnológica no país. O Pronatec busca ampliar as oportunidades educacionais e de formação profissional qualificada aos jovens, trabalhadores e beneficiários de programas de transferência de renda. De 2011 a 2014, por meio do Pronatec, foram realizadas mais de 8,1 milhões de matrículas, entre cursos técnicos e de qualificação profissional, em mais de 4.300 municípios. Em 2015, foram 1,3 milhão de matrículas”. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/pronatec. Acesso em 18 Jul.2017.

para uma forma de expropriação de recursos públicos para fins privados, onde recursos (inclui-se equipamentos, aparelhos eletrônicos, material didático, etc.) destinados ao Projeto Social tinham como beneficiário final a própria ONG Céu Azul, que ficaria responsável por aplicar parte das propostas do Projeto. É válido apontar que tudo isto ocorreu dentro da legalidade, de acordo com a documentação analisada. Como consequência, foi apontada a privatização do financiamento público e uma forma de gestão mista do social, mesclando diretrizes federais, municipais e privadas, o que nos leva à moralização na aplicação das diretrizes da política social em questão, por meio do que Becker (2008) chamou de

empreendedores morais e criadores de regras.

A ONG Céus Azul, portanto, estabeleceu fortes vínculos com o PMCMV-1 e o poder público: primeiro, por instalar-se em um bairro indicado pela Prefeitura e inteiramente financiado pelo poder público; segundo, por localizar-se em um terreno cedido pelo poder público; terceiro, por captar recursos do poder público via Trabalho Social e Convênio com a prefeitura, resultando em uma remodelação das ações do Estado e uma gestão privada do social. Resgatando o sentido apresentado por Das e Poole (2008), observamos como o Estado se mostra presente nas margens simbólicas e materiais da cidade. No contexto neoliberal, como pontuou Hibou (2015), o Estado não necessariamente “reduziu”, mas é parcelado e disputado política e economicamente pela iniciativa privada que visa a expropriação de seus recursos, caracterizando a própria produção da “mercadoria política” (MISSE, 2002).

Por outro lado, no âmbito privado, parte das instalações e equipamentos foi financiada pela iniciativa privada, destaque para a Imobiliária Cardinali e a Proposta Engenharia, duas grandes empresas do ramo imobiliário; soma-se a isso o fato da RPS Engenharia constar como parceira da ONG, como observamos no site da própria instituição social. Assim, na medida em que a ONG Céu Azul torna-se um lugar de investimento do capital imobiliário,

quais os interesses do capital imobiliário investir na ONG e em um bairro cujas casas não podem ser comercializadas? É preciso pontuar que a RPS Engenharia aparentemente não dialoga diretamente com a Imobiliária Cardinali e a Proposta Engenharia, não compondo um mesmo grupo de investimento.

Também é interessante pontuar como as demandas sociais trabalhadas até este momento são fruto direto de organizações institucionais “de cima”: a produção dos indicadores sociais; produção material do bairro; a fundação e organização da ONG. Embora exista a demanda social, a priori, parece que os grupos privados buscam gerenciá-las, reivindicando o seu lugar

no ordenamento social. Não houve uma demanda social organizada e reivindicativa, em São Carlos, tanto a respeito da questão habitacional101 quanto da fundação da ONG. Foram demandas articuladas nos altos níveis burocráticos e institucionais, entre órgãos públicos, empresas e empresários.

A seguir, vamos observar como a ONG Céu Azul, constituída nesta trama entre o público e o privado, tem papel fundamental também na produção do bairro vizinho, o Eduardo Abdelnur. Vamos explorar os documentos produzidos pelo poder público no processo de viabilização do Conjunto Eduardo Abdelnur e de que maneira a ONG se relaciona com a produção do espaço urbano. Ainda, tentar responder a pergunta posta anteriormente, quais os interesses do

investimento do capital imobiliário da construção e manutenção da ONG?

Eduardo Abdelnur: articulações entre a ONG Céu Azul e o PMCMV

O conjunto Eduardo Abdelnur, inaugurado em 2016, foi o terceiro e último empreendimento aprovado pelo Faixa 1, em São Carlos, e se localiza paralelamente ao Jd. Zaváglia. Entre eles há uma gleba de terra com largura de aproximadamente 500 metros, separando-os. Como mencionado, também construído sobre terras da família Abdelnur e empreendido pela RPS Engenharia. O empreendimento conta com cerca de mil unidades habitacionais e nenhum equipamento coletivo público/privado no bairro, apenas a presença de pequenos comércios informais estabelecidos nas próprias casas, como foi observado nas incursões etnográficas (2016/2017). O bairro mais próximo a ele é o Jd. Zaváglia. Ambos os bairros são limitados pelo cerrado e vegetação, não compondo limite direto com nenhum bairro.

A primeira articulação que apareceu entre o Eduardo Abdelnur e a ONG Céu Azul foi o fato de a mesma atender, na medida do possível, a demanda de creche do bairro. A ONG Céu Azul atende majoritariamente o Jd. Zaváglia e, em menor escala, o Eduardo Abdelnur. A segunda articulação entre eles se revelou na análise dos documentos exigidos pelas Portarias que regulam o PMCMV-1. Uma diferença fundamental entre o Jd. Zaváglia e os dois outros empreendimentos Faixa 1, em São Carlos, é a data de assinatura dos contratos e, respectivamente, as Portarias vigentes em cada data. Com o decorrer do tempo, as Portarias foram ficando mais extensas e detalhadas. Desta maneira, o Jd. Zaváglia foi feito sob as diretrizes da Portaria nº 479/2010 e o Planalto Verde e o Eduardo Abdelnur responderam à Portaria nº 465/2011.

101 Em entrevista com o ex-presidente da PROHAB, João Muller, ele afirma que não havia um movimento organizado por moradia em São Carlos.

A Portaria nº 465/2011 tem algumas diferenças fundamentais em relação à nº479/2010, dentre elas. Vale destacar que se tornou obrigatório para o município firmar o Termo de Adesão assumindo, no mínimo, as seguintes atribuições: Executar o Projeto de Trabalho Social de acordo com as diretrizes em seu anexo; apresentar o Relatório de Diagnóstico por Equipamentos e Serviços Públicos e Urbanos (Diagnóstico por Equipamento), expresso na Matriz de Responsabilidade; Apresentar o cronograma de Implementação da Matriz de Responsabilidade102. Assim, o Anexo IV da mesma Portaria definiu as orientações para a realização do Diagnóstico por Equipamento para empreendimento com mais de 500 unidades. Estabeleceu-se a obrigatoriedade da criação de um Grupo de Análise de Empreendimento para realizar o Diagnóstico.

Neste Diagnóstico deve-se constar a avaliação da demanda habitacional; mapa do entorno do empreendimento; avaliação da demanda a ser gerada pelo empreendimento por educação; saúde, assistência, transporte, comércio e infraestrutura. Em um raio de até 2,5 quilômetros, o diagnóstico deve apontar os equipamentos comunitários e serviços, existentes ou previstos, e as respectivas capacidades de atendimento, tais como creches, escolas, Unidades Básicas de Saúde (UBS); Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou hospitais; Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS); equipamentos de lazer, linhas regulares de transporte público coletivo, comércio de serviços de caráter local, entre outras coisas.

No relatório da Matriz de Responsabilidade devem compor um estudo sobre como se vai atender a demanda gerada pelo novo bairro e quais equipamentos serão necessários construir para suprir as insuficiências apontadas no Diagnóstico, acompanhando um cronograma de sua implementação, considerando também um raio de 2,5 quilômetros. Caso não houver equipamentos públicos na área mapeada, o poder municipal dever fornecer os endereços das instituições mais próximas e o meio de transporte para o deslocamento. A apresentação do Diagnóstico tornou-se obrigatória a partir de julho de 2012. Ainda é preciso mencionar que o projeto ganha prioridade na aprovação uma vez que se constate “a existência prévia de equipamentos sociais, compatíveis com a demanda do projeto103.”, dentre outros critérios.

102 Documentos estes requeridos para análise por solicitação realizada ao Portal e-SIC (Sistema Eletrônico do Serviço de Informação ao Cidadão), em novembro de 2017. Protocolos 16853007720201751; 99902003299201712; 99902003362201711. Disponível em: https://esic.cgu.gov.br/sistema/principal.aspx. Ver lista de documentos analisados na bibliografia.

Ao observar estes documentos notamos, novamente, uma relação entre a ONG Céu Azul e o PMCMV. Apresentam-se a seguir, de maneira resumida, os documentos produzidos pelo poder público municipal e apresentados à Caixa Econômica Federal para aprovação do empreendimento, visando demonstrar a relação entre a ONG e o PMCMV.

O Instrumento de Compromisso do Conjunto Eduardo Abdelnur foi firmado em 03 de dezembro de 2012. No Relatório de Diagnóstico realizado pelo Grupo de Análise de Empreendimento104, o item “1. Avaliação da Demanda Habitacional” não cita nenhum número específico sobre déficit/demanda, mas aponta que tem o “objetivo de diminuir o déficit habitacional”; aponta-se ainda para o benefício de São Carlos ser um dos únicos municípios “que tem uma empresa de economia mista, denominado Progresso e Habitação de São Carlos S/A – PROHAB, que tem entre suas atribuições estatuárias o levantamento do déficit habitacional da cidade e seleção dos beneficiários, de acordo com os programas habitacionais (...)”. Estabelece também alguns critérios locais: 7% das unidades destinadas à pessoas portadoras de deficiência; 7% das unidades destinados aos idosos (60 anos ou mais); 3% das unidades habitacionais destinados às pessoas solteiras, acima de 35 anos.

No item “2. Situação do Entorno do Empreendimento”, se apresenta uma lista extensa de equipamentos localizados até 2,5 quilômetros, situados majoritariamente no Antenor Garcia, Cidade Aracy I e II e Botafogo. Estes equipamentos se encontram mais que dois quilômetros de distância do bairro. A escola Municipal Renato Jensen, do Jd. Zaváglia citado no relatório não existe105, e seria o equipamento mais perto – menos de um quilômetro.

Dentre os equipamentos comunitários em construção que são citados, encontram-se a Unidade de Saúde Família, no Jd. Zaváglia, previsto pra entrega em 2013, embora construído, nunca

Benzer Belgeler