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4.3 DAMA Modeli (Demand Activated Manufacturing Architecture)

4.3.2 Tedarik Zinciri İşbirliği için DAMA Modeli

4.3.2.4 Tedarik Zinciri Oluşumunu Kurmak

A pesquisa aqui desenvolvida mostra que o Visconde do Uruguai, conforme aventado na Introdução, não se retirou da política depois que saiu dos ministérios. Importante frisar que não podemos deixar de considerar que a própria escrita de suas obras foi uma forma bastante eficaz de atuação política. Sua presença no Conselho de Estado e no Senado fez parte de uma opção por uma determinada modalidade de atuação, apesar da afirmação recorrente de que havia se afastado da política. Conforme já mencionado na Introdução, Uruguai, nos Estudos Práticos, afirma que ―é o Conselho de Estado quem, na obscuridade, tem trabalhado mais para montar o país e firmar as boas doutrinas, sem que daí infelizmente tenham sido colhidos notáveis resultados‖481. Ora, isso deixa muito claro que sua opção foi a de se dedicar a uma tarefa a seu ver mais nobre (ou importante), ou seja, construir o país em nome do bem público que deveria estar acima das paixões políticas.

Apesar de não mais voltar a ocupar pasta ministerial alguma e de recusar por duas vezes a Presidência do Conselho de Ministros, o Visconde manteve-se fiel ao Partido Conservador. Isso inevitavelmente levanta a questão dos motivos que o levaram a recusar a chefia do gabinete. Quando ascendeu o ministério da Conciliação, em 1853, Uruguai, juntamente com Euzébio de Queiroz e Rodrigues Torres, passou a integrar a

ala dos ―emperrados‖ do Partido Conservador. No Capítulo 1, vimos como a crescente

interferência do Imperador nos negócios dos gabinetes desagradara a chamada trindade saquarema, ao ponto de o ministério de 29 de setembro de 1848 ter pedido exoneração coletiva em 1851. Ao longo do referido Capítulo, mostramos que, mesmo no Ensaio, Uruguai defendia uma divisão clara entre o Poder Moderador, privativo do monarca, e o Poder Executivo, chefiado pelo Imperador, mas exercido pelos ministros. Na Conciliação, predominou o pensamento das Idéias Gerais, que consagrava a preeminência de Pedro II sobre os gabinetes. Defensor do Poder Executivo sem intervenção direta do monarca na política ministerial, Uruguai provavelmente não iria

481

URUGUAI, V., Estudos Práticos Sobre a Administração de Províncias do Brasil, Rio de Janeiro: Typografia Nacional, 1865, p.p. XLVI-XLVII

querer ser um Presidente do Conselho de Ministros sem a liberdade de aplicar a política de seu partido.

Quanto ao desafio proposto no início desta tarefa – o de elucidar um projeto de organização do Estado Nacional defendido pelo Visconde – podemos apontar alguns resultados. A partir da leitura das Bases, vimos que Uruguai possuía uma proposta clara e bem definida de organização do contencioso administrativo, na qual o poder central se valeria dos Presidentes de Província com seus Conselhos e dos os comissários nas localidades para fazer sentir sua ação com maior facilidade. Ademais, segundo a proposta de Uruguai, um agente do Poder Administrativo poderia, conforme discutido no Capítulo 2, impor embaraços à ação dos juízes de paz, principalmente no que dizia

respeito às Mesas Eleitorais, pois poderiam os agentes alegar alguma ―Razão de Estado‖ e violação do interesse coletivo para contestar-lhes a legitimidade, ainda que

isso não anulasse o poder dos juízes de paz.

Os contornos desse projeto levantam também a questão de por que defender o estabelecimento de agentes administrativos que pudessem crias tais tipos de embaraços se a Lei de 3 de dezembro de 1841 havia municiado o governo central com uma série de cargos que ele poderia ofertar em troca de apoio. Quanto a essa questão, poderíamos a princípio responder que, conforme Uruguai expressa nos Estudos Práticos, sempre havia muita dívida eleitoral a se pagar e mais pessoas para acomodar do que cargos disponíveis. A criação desses agentes, cumpria um importante papel político. Contestar a legitimidade das mesas, mesmo que o resultado dessa contestação não fosse julgado procedente, faria com que questões outrora resolvidas sumariamente pela respectiva mesa se arrastassem por diversos ritos processuais até um julgamento definitivo. É preciso ressalvar que a criação dos agentes não tinha como objetivo necessário fazer essas questões se arrastarem, pois, a depender da situação, também poderia ser interessante ao governo resolvê-las com a maior brevidade. A questão era o poder de pressão que os agentes poderiam dar ao governo, no sentido de municiá-lo quando tivesse de negociar com seus aliados.

Quanto à centralização política, vimos, no Capítulo 3, que, apesar de ser entusiasta da centralização, Uruguai não deixava de reconhecer a importância da esfera provincial de poder, conforme se pode notar da defesa que faz do direito de elas

legislarem sobre corpos policiais e, inclusive, de criarem jurisdições de primeira e segunda instância para julgar os soldados. O que Uruguai criticava era o excesso de poder das Assembléias provinciais, e daí a defesa de uma maior autonomia das municipalidades. Autonomia tutelada pelo governo central, mas que concorreria com o poder dos legislativos provinciais. Com o mesmo propósito, Uruguai também defendia que o governo central pudesse revogar as leis aprovadas pelas Assembléias Provinciais, ainda que sancionadas pelo Presidente, cabendo a decisão final à Assembléia Geral Legislativa. Com isso, passaria a haver um meio de o governo central impor sua própria vontade ante o poder das Assembléias provinciais.

No que diz respeito à escravidão, ficou claro que foi somente na interpretação de algumas obras da historiografia que Uruguai silenciou sobre o tema. A leitura de seus pareceres na Seção de Justiça e Negócios Estrangeiros e suas falas no Senado mostram não só que não silenciou sobre o tema, mas que possuía um posicionamento claro. Era entusiasta da instituição do cativeiro, estando inclusive envolvido na defesa do contrabando ilegal, o que não o impedia de defender que mesmo os escravos possuíam direitos processuais perante os tribunais.

Ante o exposto nos capítulos desta dissertação, fica claro que a intenção de Uruguai era primordialmente a de fazer o Estado, especialmente a ação do governo central, chegar às mais diversas localidades, ainda que com o auxílio de outras esferas de poder.

Ademais, o estabelecimento e a consolidação da justiça administrativa garantiriam ao governo a possibilidade de ser seu próprio julgador, objetivo para o qual usava a retórica do self-government. Todavia, caso consideremos que não se tratava de mera retórica, fica difícil vislumbrar exatamente como Uruguai pensava o self-

government para o Brasil. Em todo caso, esse resultado jamais poderia ser atingido simplesmente pela adoção de princípios estrangeiros, pois ―não vale a lei sem costume, vale o costume sem a lei‖. Para Uruguai, criar o costume em um país como o Brasil,

que, do ponto de vista institucional, era um Estado em construção, só poderia ser feito uma vez consolidado um Estado forte, capaz de se impor por todo o vasto território da antiga América Portuguesa. Por sua vez, esse Estado somente poderia atingir seu fim último de educar o povo para o autogoverno por meio de um partido forte, que se

impusesse sobre as demais forças políticas. Porém, a dificuldade residia no fato de que, ao ser montado, o sistema pelo qual os saquaremas poderiam se impor tornava-os dependentes de apoios que só poderiam ser obtidos a partir da troca por cargos. Para

tomar de empréstimo os termos de Ilmar Rohloff de Mattos, para ―governar o Estado‖, os saquaremas dependiam do ―governo da Casa‖, que se pretendia cooptar para sua

órbita, o que em muitos casos significava conflito com esse mesmo governo da Casa. A crescente intervenção de Pedro II na política dos gabinetes foi um golpe para os saquaremas, pois, uma vez que o monarca se mostrava disposto a acabar com o patronato executivo, isso limitava a capacidade de o gabinete angariar apoio e assim, no longo prazo, domesticar o governo da Casa.

Uruguai faleceu a 15 de julho de 1866. No dia seguinte à sua morte, o Senado e a Câmara dos Deputados suspenderam suas sessões após breves pronunciamentos em homenagem ao Visconde. Ele morreu em um contexto político bastante diferente daquele em que fora aprovada a Lei de 3 de dezembro ou mesmo das discussões, na Câmara dos Deputados, acerca do fim do tráfico negreiro intercontinental. Uma nova geração de políticos começava a despontar, e a Liga Progressista, transformada em Partido Progressista por Zacarias de Góis e Vasconcelos, estava em seu apogeu. Apenas dezoito dias após a morte de Uruguai, Zacarias ascendeu à Presidência do Conselho pela última vez, e sua queda, em 1868, teve diversas conseqüências políticas para a configuração partidária do Império. Pouco depois, em 1870, já se iniciaria a campanha pelo Ventre Livre, e o Manifesto Republicano se tornaria assunto do dia. Com Uruguai, mais do que um político imperial, morria o antigo tempo saquarema.

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