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2.2. Etkin Bir TZY Sisteminin Hazırlanması için Gereken Önkoşullar

2.2.1 Örgütsel Faktörler

2.2.2.1. Tedarikçi Bilgi Düzeyi

Na entrevista de 1982, intitulada como ―O Poder da Ciência‖,270 a

credibilidade de Crodowaldo Pavan foi constituída fundamentalmente sobre o seu currículo como cientista e professor universitário, com trânsito destacado em instituições nacionais e estrangeiras. Além da ênfase à sua competência técnica, foi destacada a penetração de Pavan também na política acadêmica referente à ocupação de cargos administrativos de destaque em instituições de pesquisa e fomento, conforme destacado no quadro referente a esta entrevista:

O geneticista Crodowaldo Pavan, 63 anos, é um raro exemplo do cientista brasileiro que, por vocação, talento e qualificação, pode escolher a universidade em que deseja lecionar. Filho de um industrial paulista do ramo da cerâmica, fez toda a sua formação escolar básica pensando num diploma que lhe permitisse tomar conta dos negócios do pai. Estava na universidade, cursando Mineralogia, quando assistiu um filme sobre Pasteur e mudou de ideia. Foi estudar História Natural e dedicou sua tese de doutoramento aos peixes cegos das cavernas de Iporanga, no sul de

São Paulo. Interessado no trabalho do jovem que despontava, Theodosius Dobzhansky, a grande estrela da Genética americana, levou-o para a Universidade de Colúmbia, em Nova York, onde trabalhou quinze meses. Seguiram-se 113 teses, que vão de pesquisas sobre as drosophilas (as moscas da banana) a um estudo considerado revolucionário sobre a fisiologia cromossômica e a diferenciação celular do inseto conhecido popularmente por ―joão-e- maria‖. Tais estudos levaram-no a passar dez de seus 41 anos de carreira na Europa e nos Estados Unidos, onde chegou a ser professor titular vitalício da Universidade do Texas. Em 1977, decidiu voltar ao Brasil. E escolheu, para trabalhar, a respeitada Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). [...] Desde julho do ano passado, quando assumiu quase simultaneamente a presidência da SBPC e o cargo de diretor-presidente da FAPESP, sua vida tornou-se ainda mais atribulada.

As críticas do entrevistado incorreram, sobretudo, em relação às políticas implementadas no nível da estrutura estatal que, segundo ele, teriam inviabilizado o desenvolvimento da Ciência e Tecnologia no país. Nessa direção foi destacada a política de expulsão de grande contingente de cientistas e intelectuais do país no período pós-1964. No entanto, essa crítica foi feita de forma absolutamente respeitosa na medida em que o Golpe de 1964 era referido como ―Revolução‖, e o entrevistado dizia ser uma injustiça com grande parte desses exilados, já que em sua grande maioria, estes não teriam o envolvimento político que o governo alegou que possuíssem. Observe:

No Brasil, os grupos da Física Nuclear foram desativados por questões políticas, de uma forma que eu considero inconcebível. Há quinze ou vinte anos, nossa pesquisa nuclear estava muito mais estruturada do que hoje. Entre seus integrantes, como é sabido, havia muitos abertamente hostis à solução política encontrada em 1964. mesmo assim, a SBPC sempre conseguiu reunir-se e manifestar-se. Durante muitos anos, aliás, foi o único fórum aberto para a oposição. A atitude do governo, ao permitir essa liberdade, foi sem dúvida alguma uma atitude inteligente e positiva. Esse afastamento de cientistas foi um dos erros mais graves já registrados pela história do desenvolvimento científico no Brasil. Por ter dado ouvidos a intrigas e boatos – já que a imensa maioria dos cientistas não tinha envolvimento político direto –, os responsáveis pela Revolução cometeram um erro imperdoável. Não expulsaram apenas cientistas isolados; expulsaram líderes científicos formadores de escolas, homens que só aparecem uma vez a cada centena de milhares de casos. Não cito nomes para evitar suscetibilidades, mas o fato é que vários entre eles mostraram no exterior do que eram

capazes. E mostraram como poderiam ser ainda mais úteis num país subdesenvolvido como o Brasil‖.271

Como sugestão de caráter prescritivo, o entrevistado defendia que o avanço da ciência seria um elemento que beneficiaria o país. Na sua defesa, Pavan sugeria que o governo incentive a produção de Ciência e Tecnologia no país, ao invés de comprá-la pronta de outros países. Neste sentido, voltava a criticar as ações do governo, apontando para o desperdício de recursos públicos em projetos que não trouxeram nenhum benefício ao país:

O geneticista que preside a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência explica como o avanço da pesquisa beneficia o país. O governo poderia reservar um décimo do que foi pago à Alemanha pelo programa nuclear ao financiamento dos próprios físicos brasileiros. Os nove décimos restantes seriam empregados em educação, alimentação e saúde da população carente. Mais bem educado e alimentado, nosso povo acabaria produzindo naturalmente e, em poucos anos, uma ciência muito mais respeitável que a que gera atualmente. Senão tivéssemos nos enganado tantas vezes nas prioridades, se não tivéssemos jogado tanto dinheiro fora com projetos gigantescos do tipo da Transamazônica, o Brasil teria hoje, talvez, condições de atender 7 milhões de crianças sem escolas.272

Na entrevista de 1988, intitulada ―A pesquisa nos salvará‖,273

Crodowaldo Pavan foi apresentado e novamente sustentado pela sua competência intelectual e profissional com ênfase à sua presidência da SBPC no início da década de 1980, que foi referida na revista como ―o braço da resistência dos cientistas brasileiros ao descaso dos governos militares com a pesquisa‖:

Nos anos 70, o geneticista Crodowaldo Pavan conquistou na Universidade do Texas uma posição de fazer inveja a qualquer pesquisador brasileiro. Instalado num gigantesco laboratório, que ocupava todo um andar na universidade americana, Pavan tornou-se um professor vitalício. A tranqüilidade acadêmica texana e a perspectiva de fazer carreira internacional, contudo, não seduziram o geneticista. Em 1977, ele retornou ao Brasil como professor da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, e no início dos anos 80 era alçado à presidência da Sociedade Brasileira para o

271 Ibidem. 272 Ibidem.

Progresso da Ciência, a SBPC, o braço da resistência dos cientistas brasileiros ao descaso dos governos militares com a pesquisa.274

A partir dessa referência feita acerca do órgão presidido pelo entrevistado, Pavan ganhava o status de intelectual de oposição nas páginas de Veja. No entanto, no contexto desta segunda entrevista, Pavan aparecia como oposição aos governos militares, mas não ao governo Sarney. Pelo contrário, ele aparecia como defensor de José Sarney que, segundo ele fora ―o presidente que mais investiu em ciência e tecnologia nos últimos tempos‖, e que lhe havia confiado a partir de 1986 o cargo de presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico:

A gestão de Pavan está tendo o mérito de revitalizar o órgão. Mais de 5 000 pesquisadores brasileiros deixarão o país neste ano rumo às melhores universidades americanas e européias, graças às bolsas que, como nunca, o CNPq está oferecendo. Ao mesmo tempo escudo da comunidade científica num estratégico cargo no governo e defensor de Sarney – ―o presidente que mais investiu em ciência e tecnologia nos últimos tempos‖ –, Crodowaldo Pavan, hoje com 68 anos, nem de longe experimenta a unanimidade dos tempos da SBPC. Ele próprio admite desentendimentos episódicos com o Conselho Deliberativo do órgão, instância que tem participação ativa de cientistas, e os pesquisadores brasileiros continuam se queixando da crônica falta de verbas. Crodowaldo Pavan recebeu VEJA para a entrevista a seguir, em que falou sobre os avanços tecnológicos do país, a reserva de mercado na informática e a crise da universidade. Pesquisador com uma bagagem de mais de uma centena de teses publicadas, Pavan foi escolhido em Abril de 1986 pelo presidente Sarney para dirigir o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq, instituição de quase quatro décadas que desempenhou poucas funções durante o regime militar.275

Nessa direção, era destacada positivamente a gestão de Crodowaldo Pavan no CNPq, como aquele que estaria revitalizando a ciência e tecnologia no país através da viabilização de bolsas ao exterior para os pesquisadores brasileiros. Assim, como proposta, o entrevistado continuava defendendo o desenvolvimento da pesquisa, ciência e tecnologia como modo de fortalecer o país, mediante incentivos de fomento pelo governo:

O presidente do CNPq diz que a tecnologia brasileira avança como nunca e que os países ricos ajudarão os subdesenvolvidos. A

274 Ibidem. 275 Ibidem.

universidade em si não está cumprindo o seu papel. Existe um partidarismo político dentro da instituição que faz com que ela não desenvolva o que poderia. Com a ciência e tecnologia existentes, o homem já em mecanismos para resolver todos os seus problemas básicos. Os problemas sociais, porém, são muito mais complicados que os tecnológicos. Eles não dependem da ciência e certamente não serão resolvidos por ela. Nós insistimos em desenvolver a ciência e a tecnologia do país não com esse sentido – não temos essa ilusão. É que o conhecimento científico vai continuar crescendo e nós precisamos acompanhá-lo.276

No entanto, ao ser questionado sobre os benefícios sociais de um possível avanço nessa área, Pavan recaiu no velho discurso de que os problemas sociais não dependem da ciência. E que os incentivos nessa área não estariam sendo feitos com o intuito de saná-los, mas sim de acompanhar o crescimento científico.

Nesse sentido, continua predominando a idéia de que seriam necessárias pré-condições políticas para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, e que a nação, no sentido universalista, sairia fortalecida com o desenvolvimento nesta área. Entretanto, no tocante aos problemas sociais, esse conhecimento formal, erudito e especializado, não seria considerado útil.

Outro ponto presente na posição atribuída a Crodowaldo Pavan, e a de que a ciência e a universidade deveriam manter-se afastadas de partidarismos políticos. Nessa direção, ele criticava a postura geral adotada nas universidades na época.

Mediante os fatores destacados, considero Crodowaldo Pavan como um sujeito representativo da face iluminista do projeto representado em Veja, onde havia um destaque bastante amplo para o saber formal, erudito e especializado. A partir disso eram construídos os ―grandes nomes‖ da ciência, com autoridade para avaliar, discutir e pautar uma ampla gama de assuntos relativos à realidade brasileira e a temáticas específicas da sua área, como líderes de correntes de pensamento ou administradores de instituições pertencentes à área. Entendo, portanto que, a partir desse fator,

foi construída a credibilidade do entrevistado e as suas opiniões foram direcionadas para uma questão político-ideológica, baseada na valorização positiva dos movimentos e demais políticas relacionadas à abertura. Configurando, dessa forma, um dos elementos recorrentemente contidos nas críticas da oposição constituída em Veja.

Outro ponto que converge para as posturas defendidas em Veja é mais uma vez a referência ao atraso versus a modernidade, associando essa questão a um modelo de Estado.

Benzer Belgeler