Para este estudo foram selecionadas quatro empresas cotadas no mercado NYSE Euronext Lisbon, pertencentes à classificação da indústria de produtos industriais com o código 2000, inseridas no super setor da construção e materiais com o código 2300 e também do super setor bens e serviços industriais com o código 2700, referentes ao setor de construção e materiais com o código 2350 e produtos industriais gerais com o código 2720, inseridas no subsetor da construção pesada com o código 2357, materiais de construção e instalações fixas com o código 2353 e industrias diversificadas com o código 2727, de acordo informação da tabela 1.
Tabela 1 – Classificação da Indústria Benchmark (ICB) Classificação da Industria Benchmark
(ICB)
Nome Empresa ISIN Símbolo Mercado Cod. Industry Cod. SuperSetor Cod. Setor Cod. SubSetor MOTA ENGIL PTMEN0
AE0005 EGL 2357 Construção Pesada SDC PTSCO0 AE0004 SDCAE 2357 Construção Pesada TEIXEIRA DUARTE PTTD10 AM0000 TDSA 2357 Construção Pesada MARTIFER PTMFR0 AM0003 MAR 2700 Bens e Se rv iç os In du stri ai s 2720 Pro du to s In du stri ai s G era is 2727 Indústrias diversificadas
Fonte:Adaptado de Euronext (2014) 123456
Panorama do setor
É necessário para a análise fundamental observar algumas informações de um setor uma vez que essa informação pode determinar um investimento.
O Industry Classification Benchmark7 (ICB) é um sistema de classificação das atividades
industriais, criado pelo Dow Jones e pelo FTSE, utilizado para segmentar os mercados em setores, no contexto macroeconómico. O ICB utiliza um sistema de 10 indústrias, dividido em 19 supersetores, que por sua vez se dividem em 41 setores e 114 subsetores.
1https://www.euronext.com/pt-pt/icb
2 Industry Classification Benchmark, Disponível em: 15, Junho, 2014, em: http://www.icbenchmark.com/ 3https://www.euronext.com/pt-pt/products/equities/PTMEN0AE0005-XLIS/market-information (Mota Engil) 4https://www.euronext.com/pt-pt/products/equities/PTSCO0AE0004-XLIS/market-information (SDC)
5https://www.euronext.com/pt-pt/products/equities/PTTD10AM0000-XLIS/market-information (Teixeira Duarte) 6https://www.euronext.com/pt-pt/products/equities/PTMFR0AM0003-XLIS/market-information (Martifer) 7 Industry Classification Benchmark, Disponível em: 15, Junho, 2014, em:http://www.icbenchmark.com/
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O setor em que se integram as empresas da amostra é o setor da construção. Este setor possui os seguintes pontos positivos e negativos:Negativos:
O imobiliário teve uma enorme influência no setor da construção e os grandes investimentos em infraestruturas levaram o setor, entre os anos de 1999 e 2001, ao maior pico de produção em toda a sua história.
A partir de 2002, a crise financeira e a saturação do mercado imobiliário por outro, têm vindo a provocar uma diminuição constante da produção na indústria da construção. Em 2002 a indústria da construção entrou em crise, arrastando com ela vários setores industriais bem como alguns setores dos serviços ligadas à comercialização e assistência a equipamentos para a construção.
Todos os elementos anteriormente apresentados demonstram que a indústria da construção atravessa uma fase de correção decorrente de, num determinado período, terem coincidido dois ciclos simultâneos de forte crescimento no setor das infraestruturas e no setor da construção habitacional.
Positivos:
De acordo com os dados atualmente disponíveis e disponibilizados pelo setor, a indústria da construção está a iniciar um novo ciclo de crescimento.
Face à crise no setor da construção, iniciada em 2002, as principais empresas portuguesas optaram pela diversificação e internacionalização da atividade. A presença nos mercados globais conferiu condições para atingir maior capacidade técnica, maior produtividade, maior capacidade de expansão internacional e maior capacidade financeira, verificando-se a inversão da tendência negativa registada nos últimos anos. Os grandes projetos de infraestruturas previstos para a próxima década fazem antever que o setor entrará brevemente num novo ciclo de crescimento sustentado.
Panorama Conjuntural
É importante considerar o panorama conjuntural pois, como verificaram Dubravka e Petra (2010, citados por Aroni, 2011), na sua investigação sobre a relação entre as mudanças nos fatores macroeconómicos e o retorno das ações utilizando a inflação, as taxas de juro, o índice de mercado e as variáveis de preços do petróleo, o índice de mercado teve o impacto mais significativo, enquanto a inflação teve uma influência negativa nos retornos das ações.
Quanto ao panorama conjuntural europeu, o crescimento do produto interno bruto (PIB) na zona euro entre 2010-2013 decresceu dos 2.3 pontos percentuais em 2010 para 0.5%, estimando- se um crescimento para 0.9% em 2014 e 1.6% em 20158.
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No que se refere ao índice harmonizado de preços no consumidor, assiste-se a um decréscimo de 2.2% em 2010 para 0.8 % em 2013, estimando-se um decréscimo para 0.6% em 2014 e um aumento para 1.1% em 20159.O Banco Central Europeu (BCE) é o banco central para o território europeu (os países que utilizam o Euro). Uma das tarefas fundamentais do BCE é a determinação e fixação da política monetária europeia. Para tal é utilizado entre outros a taxa de juros como instrumento. No que se refere à taxa de juros o BCE oferece aos bancos a possibilidade de concessão de empréstimos. Os bancos recorrem a esta concessão a partir do momento em que são confrontados com um défice de liquidez. Sobre estes empréstimos os bancos pagam juros, os chamados juros referenciais ou juros de refinanciamento. Quando se fala de taxa de juros europeia, referimo-nos aos juros referenciais do BCE. O valor desta taxa é afinal o preço que os bancos pagam pelos empréstimos contraídos junto do Banco Central Europeu. Este “preço de compra” constitui um fator importante para os bancos na definição das taxas de juros a aplicar no momento em que estes concedem empréstimos. Baixando ou aumentando a taxa de juros, o BCE influencia indirectamente o nível das taxas aplicadas pelos bancos em, entre outras, transacções interbancárias, empréstimos a empresas, empréstimos para consumo, hipotecas e contas de poupança (Tabela 2).
Tabela 2 – Taxa diretora Eurosistema Data de Alteração Percentagem
04 Setembro 2014 0.050 % 05 Junho 2014 0.150 % 07 Novembro 2013 0.250 % 02 Maio 2013 0.500 % 05 Julho 2012 0.750 % 08 Dezembro 2011 1.000 % 03 Novembro 2011 1.250 % 07 Julho 2011 1.500 % 07 Abril 2011 1.250 %
Fonte: Banco de Portugal10 - Taxas de Juro diretoras do BCE (B.7.0)
Verifica-se, assim, que o Banco Central Europeu (BCE) tem vindo a cortar a taxa diretora (aplicável às operações principais de refinanciamento do Eurosistema) para novos mínimos históricos. Em setembro de 2014 cortou dez pontos base à taxa definida em 5 de junho de 2014, que estava em 0.150%, em virtude da confluência de uma inflação muito baixa (e em trajetória descendente) e da apreciação do euro face a outras divisas com a revisão em baixa pelo Eurostat das previsões de crescimento para 2014 e 2015 na zona euro, visando esta medida expandir a
9 Dados dos preços no consumidor retirados do site do Banco Portugal http://www.bportugal.pt/pt-PT/Paginas/inicio.aspx 10 Disponível em: http://www.cmvm.pt/CMVM/Publicacoes/Guia/Documents/
595769d59821496397f63e31ba17b068brochura_cmvm1.pdf ou http://www.bportugal.pt/pt- PT/Estatisticas/PublicacoesEstatisticas/BolEstatistico/Publicacoes/B70.pdf