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O conceito de auditório, ao qual já fizemos menção várias vezes, merece atenção especial, principalmente em decorrência das críticas que o conceito de auditório universal, postulado pelos autores da Nova Retórica, vem recebendo. À primeira vista, a compreensão de que há um auditório universal invalidaria o entendimento de um construto linguístico produzido em razão de interlocutores sócio-historicamente situados. Van Eemeren e Grootendorst (2004, p.48, nota de rodapé número 20), proponentes da perspectiva pragmática- dialética da argumentação, comentam que a concepção de auditório universal é problemática, pois, como cada falante ou escritor pode ter sua própria concepção de auditório universal; em teoria, haveria tantos auditórios universais quantos fossem os falantes e escritores.10 Recorramos, primeiramente, ao próprio Tratado, a fim de refletirmos sobre a concepção de auditório universal tal como é posta na obra.

Em capítulo intitulado O acordo (PERELMAN; TYTECA, [1958] 1996, p.73- 129), os proponentes da Nova Retórica dedicam-se à análise do que é aceito como ponto de partida de raciocínios, ou seja, consideram as premissas da argumentação. Ao investigarem quais os tipos de acordo que desempenham papel no processo argumentativo, os autores procedem, para fins didáticos, a um agrupamento desses objetos dos acordos em duas categorias: uma relativa ao real, que comportaria os fatos, as verdades e as presunções; outra relativa ao preferível, que conteria os valores, as hierarquias e os lugares do

preferível. Esses grupos separam-se pela pretensão de validade para o auditório universal; enquanto os acordos pertencentes ao real são conformes a uma realidade preexistente, ou seja, caracterizam-se por uma pretensão de validade para o auditório universal, os acordos pertencentes ao preferível não são conformes a uma realidade preexistente, ou seja, estão ligados a um ponto de vista determinado, que só podemos identificar como o de um auditório particular, por mais amplo que seja.

Postulam os estudiosos que o fato de os objetos entendidos como relativos ao real caracterizarem-se por uma pretensão de validade para o auditório universal os torna mais fortes. Para entendermos o motivo desta superioridade argumentativa dos objetos relativos ao

10―The concept of a universal audience is problematic. As every speaker or writer can have his or her own

conception of the universal audience, in theory there may be as many universal audiences as there are speakers

real, precisamos compreender os conceitos: real e auditório universal. Acerca do real, os autores assim se expressam:

A concepção que as pessoas têm do real pode, em largos limites, variar conforme as opiniões filosóficas professadas. Entretanto, na argumentação, tudo o que se presume versar sobre o real se caracteriza por uma pretensão de validade para o auditório universal. (PERELMAN; TYTECA, [1958] 1996, p.74)

O que se presume, portanto, versar sobre o real se caracteriza como uma pretensão de validade para o chamado auditório universal. Observamos, claramente, que não há uma classificação peremptória, a priori de uma análise sócio-historicamente situada, do que seria o real. Por sua vez, acerca do auditório universal, os autores assim se expressam:

Encontramos três espécies de auditórios, considerados privilegiados a esse respeito, tanto na prática corrente como no pensamento filosófico. O primeiro, constituído pela humanidade inteira, ou pelo menos todos os homens adultos e normais, que chamaremos de auditório universal; o segundo formado no diálogo, unicamente pelo interlocutor a quem se dirige; o terceiro, enfim, constituído pelo próprio sujeito, quando ele delibera ou figura as razões de seus atos. [...] Em vez de crer na existência de um auditório universal, análogo ao espírito divino que tem de dar seu

consentimento à ―verdade‖, poder-se-ia, com mais razão, caracterizar cada orador

pela imagem que ele próprio forma do auditório universal que busca conquistar para suas opiniões. O auditório universal é constituído por cada qual a partir do que sabe de seus semelhantes, de modo a transcender as poucas oposições de que tem consciência. Assim, cada cultura, cada indivíduo tem sua própria concepção do auditório universal, e o estudo dessas variações seria muito instrutivo, pois nos faria conhecer o que os homens consideram, no decorrer da história, real, verdadeiro e

objetivamente válido. (PERELMAN; TYTECA, [1958] 1996, p.35-34, 37 – grifo do

autor)

Do excerto acima, concluímos que o conceito de auditório universal e a idéia do que seja real para essa concepção de auditório são historicamente delimitados. O auditório universal é uma imagem criada pelo orador a partir ―do que sabe de seus semelhantes‖, ou seja, do conhecimento que ele dispõe de seus interlocutores, os quais, como ele, são sócio- historicamente situados; o que implica um saber nos limites de uma realidade sócio-histórica. Observamos que, antes de asseverar que ―cada indivíduo tem sua própria concepção do auditório universal‖, os autores delimitam a quantidade de concepções possíveis deste auditório por situar esse indivíduo numa dada cultura; assim, ―cada cultura, cada indivíduo tem sua própria concepção do auditório universal‖. Essa delimitação é reforçada pela

possibilidade suscitada por Perelman e Tyteca de um estudo que contemple as variações do que é real, verdadeiro, objetivamente válido (que se caracterizam pela pretensão de validade para o auditório universal) no decorrer da história. Se houvesse tantos auditórios universais quantos fossem os falantes e escritores, semelhante estudo seria absolutamente inviável e cogitar sua realização seria em si absurdo!

Assim, a crítica à concepção de auditório universal empreendida por Van Eemeren e Grootendorst, a nosso ver, é fruto de uma leitura descontextualizada do que os proponentes da Nova Retórica afirmaram acerca deste conceito. Do mesmo modo, a crítica que se faz ao trabalho de Perelman e Tyteca, segundo a qual a análise que estes empreendem do modo argumentativo de discurso busca aproximar a ―argumentação‖ e a técnica da demonstração, em decorrência da ênfase que estes concedem à argumentação que se volta para o auditório universal, atesta a mesma descontextualização comentada. Essa crítica só teria respaldo se o auditório universal fosse exatamente o que Perelman e Tyteca afirmam, textualmente, que ele não é: ―análogo ao espírito divino que tem de dar seu consentimento à ―verdade‖.

Compreendidos os conceitos de real e de auditório universal, observemos o porquê de os estudiosos defenderem os argumentos direcionados ao auditório universal como mais fortes do que os voltados a auditórios particulares. Em Perelman e Tyteca ([1958] 1996, p. 34-35), lemos:

Toda argumentação que visa somente a um auditório particular oferece um inconveniente, o de que o orador, precisamente na medida em que se adapta ao modo de ver de seus ouvintes, arrisca-se a apoiar-se em teses que são estranhas, ou mesmo francamente opostas, ao que admitem outras pessoas que não aquelas a que, naquele momento, ele se dirige. [...] Daí a fraqueza relativa dos argumentos que só são aceitos por auditórios particulares e o valor conferido às opiniões que desfrutam uma aprovação unânime, especialmente da parte de pessoas ou de grupos que se entendem em muito poucas coisas. É óbvio que o valor dessa unanimidade depende do número e da qualidade dos que a manifestam, sendo o limite atingido, nessa área, pelo acordo do auditório universal. Trata-se evidentemente, nesse caso, não de um fato experimentalmente provado, mas de uma universalidade e de uma unanimidade que o orador imagina, do acordo de um auditório que deveria ser universal, pois aqueles que não participam dele podem, por razões legítimas, não ser levados em consideração.

No caso específico deste trabalho, analisamos a categoria modalidade na construção argumentativa em discursos proferidos por autoridades legislativas a outras autoridades legislativas. Oradores e componentes do auditório são representantes dos

membros da nação brasileira, sócio-historicamente situada no século XXI. Cada representante procura induzir os demais a tomar determinadas deliberações, aconselhando-desaconselhando em referência ao futuro.11 Trata-se de um auditório marcado pela heterogeneidade, tendo em vista a heterogeneidade da nação brasileira, o que exige do orador a elaboração de uma imagem do todo ou das partes de seu auditório muito bem fundamentada no conhecimento sócio-histórico-cultural das realidades constitutivas do Brasil, a fim de que ele possa defender opiniões com alguma margem de êxito.

Como arremate deste subtópico, destacamos dois pontos que não nos passam despercebidos. O primeiro concerne a paralelos existentes entre a Nova Retórica, conforme proposta por Chaïm Perelman e Lucie Olbrechts-Tyteca, e a Velha Retórica. O segundo diz respeito às (im)possibilidades de compreensão do fenômeno argumentativo sob o prisma da Nova Retórica.

No subtópico 2.1, concedemos destaque às inovações da Nova Retórica em relação à Antiga Retórica (a Retórica Clássica), quando, então, destacamos aspectos tais quais: a ampliação do objeto de estudo da retórica antiga, a opção por estudar apenas a técnica que utiliza a linguagem verbal como meio de comunicação para persuadir e para convencer, a recusa em estudar as estruturas e as figuras de estilo independentemente da meta que devem cumprir na argumentação, e correlacionamos essas inovações aos nossos interesses nesta pesquisa.

É preciso salientar que não desconhecemos os paralelos entre a Nova Retórica e a Antiga. A classificação das premissas na Nova Retórica, por exemplo, é a mesma encontrada na retórica de Aristóteles. Ambas as classificações estão diretamente ligadas ao grau de aceitabilidade delas por parte do auditório. Outro paralelo concerne à concepção dos esquemas argumentativos12. Na Nova Retórica, os esquemas caracterizam a ligação entre as premissas e o ponto de vista que é defendido. De modo que há a concepção de dois grandes

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Em termos dos três gêneros diferentes de retórica (deliberativo, judiciário e epidíctico), lidamos, neste trabalho, com o gênero deliberativo. Esse, segundo Reale (2007, p. 169-171), apresenta as seguintes

características: quanto aos ouvintes – é dirigido aos membros das assembléias políticas; quanto aos atos com os

quais se envolve – visa aconselhar-desaconselhar; quanto ao tempo – delibera-se sobre coisas relativas ao

futuro; quanto ao caráter axiológico – tem como fim o valor do útil. Assim, enquanto a retórica deliberativa

tem como fim o útil, a judiciária tem como fim o valor do justo e a retórica celebrativa (gênero epidíctico) tem

como fim o valor do belo-bom. Destaca Reale (2007, p. 171), citando Aristóteles, que ―O aconselhar tem como

fim o útil e o nocivo: quem, de fato, aconselha algo, recomenda-o como melhor, quem desaconselha considera- o pior, e, somando-se a esse fim, ele acrescenta depois, como apoio, outros, tais como o justo ou o injusto, o

belo ou o feio [em sentido ético]‖.

12 No subtópico 2.3, intitulado ―Tratado da Argumentação: A Nova Retórica ([1958]1996) – técnicas

argumentativas‖, realizamos resenha dos esquemas de argumentos conforme delineados no Tratado. Neste

subtópico, os conceitos de argumentação por associação e argumentação por dissociação, aqui apenas citados, são definidos e ilustrados.

esquemas: a argumentação por associação, subdividida em argumentação quase-lógica, argumentação baseada na estrutura do real e argumentação que constrói a estrutura do real, e a por dissociação. A maioria dos esquemas argumentativos baseados na estrutura do real pode ser encontrada no Livro III dos Tópicos de Aristóteles. A distinção entre os esquemas argumentativos baseados na estrutura do real e os esquemas que constroem a estrutura do real é paralela à distinção aristotélica entre os silogismos retóricos (entimemas)13 e a indução retórica (exemplos)14. Em decorrência desses paralelos, Eemeren e Grootendorst (2004) chegam a assinalar com aspas o determinante nova, em Nova Retórica, a fim de salientar que a proposta não rompe com a tradição.

A aplicação do ―antigo‖ a um objeto de estudo que não é mais o texto oral, mas o escrito e, especificamente, às características deste texto escrito que se prestam a propósitos argumentativos, a nosso ver, abona, sem aspas, o uso do adjetivo nova, em Nova Retórica, uso esse que não se dá em contraposição ao determinante Antiga, em Antiga Retórica, mas como indicador de ampliação das possibilidades de aplicação do raciocínio dialético. E aqui

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No Tratado, os esquemas argumentativos baseados na estrutura do real dizem respeito aos modos de

raciocínio por meio dos quais as opiniões quanto ao que se considera real são apresentadas. Há o estabelecimento de solidariedade entre juízos admitidos e outros que se procura promover. Um dos esquemas argumentativos fundados na estrutura do real é o que estabelece solidariedade entre uma pessoa e seus atos; assim, por exemplo, muitas vezes a pessoa serve de contexto para a interpretação de um ato; de modo que se

enceta raciocínio do tipo ―Se Maria agiu de tal modo, não o fez por mal; mas se Marina agiu de tal modo, o fez por mal‖; tendo em vista o que sabe acerca de ambas. Os esquemas argumentativos fundados na estrutura

do real são paralelos aos entimemas aristotélicos. O entimema é um silogismo feito a partir de premissas prováveis gerais, das quais se extrai uma conclusão particular, sendo, portanto, uma forma lógica dedutiva. O entimema, no entanto, não é um silogismo canônico (constituído por três proposições: as duas primeiras denominam-se premissas e a terceira conclusão), pois apresenta algumas especificidades no contexto do discurso retórico podendo assumir formas alternativas. Assim, uma ou mais proposições podem não ser dadas

e apenas subentendidas. Consideremos o seguinte exemplo: ―Todos os pássaros cantam, logo o rouxinol

canta‖. No exemplo supracitado, subentende-se que o rouxinol é um pássaro: Todos os pássaros cantam / O rouxinol é um pássaro /O rouxinol canta. O entimema constitui-se, então, como um silogismo no qual as suas premissas são tão óbvias que é inútil a sua repetição, sob pena de o discurso se tornar repetitivo. As premissas subentendidas são, na maioria das vezes, de origem quotidiana, de modo que facilmente são apreendidas pelo auditório. Quanto à plausibilidade do entimema, Aristóteles diz, na Retórica (1998), que a retórica comporta um conhecimento teórico sobre o que é plausível de modo singular, pois esta não conclui silogismos a partir de premissas tomadas arbitrariamente, mas antes daquelas premissas que é plausível a sua razoabilidade. Assim, como os entimemas aristotélicos, os argumentos baseados na estrutura do real embasam-se em premissas cuja plausibilidade é razoável, ou seja, é conforme ao que se considera real.

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No Tratado, os esquemas argumentativos que constroem a estrutura do real dizem respeito aos modos de

raciocínio caracterizados pela presença de argumentos que se valem ou do caso particular (exemplos, ilustrações) ou da analogia. Os esquemas argumentativos que constroem a estrutura do real são paralelos à indução retórica aristotélica (exemplos). Os principais argumentos, desenvolvidos por Aristóteles nos Tópicos, são o exemplo, ou indução, privilegiado no discurso deliberativo, o entimema, privilegiado no

discurso forense, e a amplificação, privilegiado no discurso epidíctico. Em Reale (2007, p.169), lemos: ―A

demonstração de que uma coisa é de certo modo, partindo de muitos casos semelhantes, nos Tópicos, chama-

destacamos que o modificador ―nova‖ aplica-se à nossa proposta, à medida que objetivamos somar à compreensão dos usos linguísticos em função argumentativa a perspectiva de análise e descrição funcional da categoria modalidade.15

Quanto às (im)possibilidades de compreensão do fenômeno argumentativo sob o prisma da Nova Retórica, expomos a crítica de Van Eemeren e Grootendorst (2004, p. 50) para efeito de análise desta às nossas intenções neste trabalho. Segundo os autores, as percepções fornecidas pelas descrições presentes na Nova Retórica não constituem base suficiente para avaliar o modo pelo qual os vários esquemas argumentativos são usados como justificativa para a defesa de um dado ponto de vista. Destacam os autores que, se essas percepções fossem mais elaboradas, mais sistematizadas e mais submetidas a testes, ainda assim, não dariam conta da tarefa. Concluem que instrumentos teóricos como o trabalho de Perelman e Olbrechts-Tyteca e o de Toulmin carecem de uma dimensão normativa que faça jus às considerações dialéticas. Segundo os autores, uma diferença de opinião somente pode ser resolvida de acordo com uma filosofia crítica da razoabilidade. É preciso um instrumento teórico que contenha regras e procedimentos que indiquem quais ações são admissíveis em uma discussão crítica, tendo em vista que uma discussão sistemática ocorre entre duas partes que porão peso suficiente nos argumentos a favor e contra pontos de vistas específicos.16

15 Achamos bastante interessante o destaque que Mosca (2005, p.2) concede ao termo Nova, em Nova Retórica.

Nas palavras da estudiosa, lemos: ―Por que se denominaria Nova, quando se sabe muito bem que o núcleo

duro, ou seja, os pontos fundamentais, permanecem os mesmos propugnados em seu surgimento? Vale dizer, tem sua base em raciocínios dialéticos, na junção do intelectivo e do afetivo, no acordo como ponto de partida entre orador e auditório, no convencimento e na persuasão, válidos em todos os níveis, do cotidiano ao mais abstrato, enfim, na adesão pretendida. Esta é uma questão que deve ser colocada quando se trata de avaliar a situação atual dos estudos retóricos. Se há uma parte comum, como constante da própria natureza da Retórica, por outro lado acréscimos se vêm fazendo à medida que outras abordagens vão se formando no interior das Ciências da Linguagem, tais como a consideração pragmática, a teoria dos atos de fala, a perspectiva sociocognitivo-interacionista. Desta última, sobretudo, é significativo o aporte que tem trazido no

domínio da compreensão do mecanismo do pensamento e da produção de linguagem, tida como mediadora.‖

Enquanto, em nosso texto, justificamos o modificador nova, para caracterizar a retórica perelmaniana, observamos, em Mosca, que essa compreensão estende-se às diversas contribuições que a retórica perelmaniana vem recebendo de estudos retóricos contemporâneos no bojo das Ciências da Linguagem. Nosso trabalho representa nova contribuição, pois propõe diálogo entre a Nova Retórica e estudos linguísticos de base funcional.

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Nas palavras dos autores, lemos: ―The insights provided by Toulmin‘s model and the descriptions given in

Perelman and Olbrechts-Tyteca‘s New Rhetoric are not a suficient basis for giving a justified evaluation of

the way in which the various argument schemes are used as a warrant. This is not even the case if these insights were more elaborated, better systematized, and more thoroughly tested than they now are. What this set of theoretical instruments lacks is a normative dimension that does justice to dialectical considerations. A difference of opinion can only be resolved in accordance with a critical philosophy of reasonableness, in the way we explained, if a systematic discussion takes place between two parties who reasonably weigh up the arguments for and against the standpoints at issue. This means that the set of theoretical instruments that need has to contain rules and procedures that indicate which moves are admissible in a critical discussion. (VAN EEMEREN; GROOTENDORST, 2004, p. 48)

Compreendemos que Van Eemeren e Grootendorst buscam reconstruir o processo de resolução de diferenças de opinião em um discurso argumentativo a fim de saber o modo pelo qual os vários esquemas argumentativos são usados como justificativa para a defesa de um dado ponto de vista. Os estudiosos propõem um método de análise de reconstrução do discurso argumentativo que leva em conta todos os aspectos relevantes para uma avaliação crítica desta forma discursiva, daí a combinação da pragmática com a dialética no bojo da metodologia, a fim de que a perspectiva dê conta das trocas de atos de fala entre as partes envolvidas na argumentação. Os autores, que são considerados figuras exponenciais na Teoria da Argumentação do século XXI, formulam uma teoria que integra linguística, filosofia da linguagem, lógica, retórica, entre outros campos nos quais a argumentação é estudada.

Nosso intento na presente pesquisa não é dar conta de todos os aspectos relevantes para a compreensão do discurso argumentativo, nem reconstruir o processo de resolução de diferenças de opinião, mas compreender a categoria modalidade descrita à luz da perspectiva funcionalista em função argumentativa. Para tanto, valemo-nos de uma perspectiva que possibilita a descrição e análise de esquemas argumentativos, de modo que possamos

Benzer Belgeler