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Segundo Netto (2011a, p. 28), o Serviço Social, assim como a Sociologia, é uma “profissão geneticamente vinculada ao pensamento conservador”. Iamamoto (2008) foi uma das primeiras autoras, no campo do Serviço Social brasileiro, a escrever sobre os fundamentos dessa herança conservadora, por meio de uma teoria crítica. De acordo com a sua análise, as marcas de origem da profissão estão situadas no “bojo do reformismo conservador” no Brasil, estas renovam e preservam “seus compromissos sociopolíticos com o conservadorismo, no decorrer da evolução do Serviço Social” (IAMAMOTO, 2008, p. 17).

Se resgatarmos alguns fatos históricos do período de emergência da profissão no país, encontraremos elementos importantes desse contexto reformista conservador em que as bases do Serviço Social brasileiro foi se constituindo.

Apresentamos no que segue, em linhas gerais, uma retomada sobre como estava o Brasil no período de emergência da profissão de Serviço Social. Nos anos 1930, Getúlio Vargas assumiu o governo provisório do Brasil, conforme vimos anteriormente. Este processo ocorreu por meio de um golpe militar e o que decorreu a partir dele foi a continuidade de um processo lento de industrialização, dependente do capital estrangeiro e das antigas classes dominantes que se baseavam ainda em relações colonialistas, o que repercutiu nos rumos políticos desse novo governo. No plano da conjuntura internacional, para citar alguns poucos

69 exemplos, estendiam-se os impactos da crise financeira de 1929 por vários países, inclusive, no Brasil; o nazismo ascendia na Alemanha. Na conjuntura nacional, a situação também era de crise econômica e desemprego, de embate com o velho modelo político das oligarquias regionais, de desavenças no corpo das Forças Armadas. No primeiro ano do seu governo, Vargas colocou em prática a proposta de centralização nacional, o Congresso foi dissolvido e no lugar dos representantes municipais e estaduais foram nomeados interventores federais. A economia cafeeira também foi centralizada no governo federal, na tentativa de encontrar medidas para a falta de saída do café para o mercado estrangeiro, medida que foi tomada pela gestão Vargas com a queima de parte dos estoques brasileiros do produto.

Um dos marcos do governo Vargas foi a implantação de uma política trabalhista no país. No entanto, esta política se caracterizou pela concessão de direitos, por um lado, e, por outro lado, pela forte repressão aos movimentos organizados de trabalhadores e pela tentativa do Estado em controlá-los através de medidas governamentais. O Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio foi criado em 1930 e, neste momento, foram formuladas “leis de proteção ao trabalhador, de enquadramento dos sindicatos pelo Estado, e criavam-se órgãos para arbitrar conflitos entre patrões e operários- as Juntas de Conciliação e Julgamento” (FAUSTO, 1995, p. 335). Apesar das tentativas de resistência por parte das organizações operárias de esquerda, dos movimentos dos trabalhadores, estes, em sua maioria, acabaram aderindo ao sindicalismo corporativo16. A criação da legislação trabalhista foi uma forma de resposta do Estado brasileiro à questão social, o seu conteúdo se sustentava em princípios repressivos e paternalistas que se refletiam nas relações entre governo e população. Enquanto estratégia governamental e resposta às manifestações populares, a política trabalhista teve início ainda na República Velha, mas foi aprofundada durante o governo Vargas. Durante a sua gestão, Getúlio Vargas reviu e ampliou as leis trabalhistas, de modo a responder e apaziguar as manifestações operárias que se intensificavam no Brasil.

Na esfera política, o programa tenentista previa um modelo de desenvolvimento que abrangesse várias regiões do país, a instalação de indústrias, de meios de transporte, de

16 Para Lamounier (2005, p. 116), foi uma resposta política encontrada pelo Governo Vargas para estruturar o Estado. Segundo ele, o Corporativismo consistiu na “separação das políticas sindical e partidária, com a estrita regulamentação da primeira, tendo por base o sistema corporativista, cuja expressão sistemática viria a ser a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Pelo sistema corporativista, o Estado confere o monopólio da representação de uma dada categoria (trabalhista ou patronal), em determinada circunscrição geográfica, a um e apenas um sindicato- assim credenciado para ser o único interlocutor oficial da categoria junto a seus afiliados e ao governo. Em contrapartida, o governo, por meio do Ministério do Trabalho, delimita o âmbito legítimo da ação sindical, valendo-se para isso de uma complexa teia de controles legais e administrativos- a começar pela própria prerrogativa de reconhecer ou não a existência oficial da entidade”.

70 comunicação, entre outras propostas de reforma do Estado que pressupunham um Estado forte e centralizado para a sua execução. As ações tenentistas nos estados continuaram com o objetivo de diminuir o poder das antigas oligarquias regionais, objetivo que foi alcançado em parte, já que, em muitos casos, os interventores federais acabaram se aliando aos grupos dominantes locais. Dos conflitos entre os tenentes e as bases regionais, resultou a Revolução Constitucionalista de 193217, em São Paulo. Após a derrota da elite paulista e com a desagregação do movimento tenentista, ao longo do ano de 1933, o governo provisório que tinha à frente Getúlio Vargas, cedeu às pressões de alguns setores da sociedade brasileira pela constitucionalização do país e realizou eleições para a Assembléia Nacional Constituinte. Os eleitos eram, quase todos, pertencentes às elites regionais e a Constituição foi aprovada em 1934, inspirada na Constituição de Weimar (Constituição do Império alemão vigente durante a República de Weimar, entre 1919 e 1933, e durante o Terceiro Reich, entre 1933 e 1945). Pela primeira vez, o tema “segurança nacional” apareceu na Constituição brasileira, de modo que as questões referentes a ele estavam submetidas à análise do Conselho Superior de Segurança Nacional, que tinha como presidente Getúlio Vargas e faziam parte dele também ministros e chefes de Estado do Exército e Marinha nacionais. Nesse período, Vargas foi eleito, por voto indireto da Assembléia Nacional Constituinte, como presidente da República do Brasil (FAUSTO, 1995).

O autoritarismo é recorrente na história política brasileira. Quanto ao Estado Getulista, Fausto (1995) aponta que os governantes que estavam no poder eram adeptos de uma corrente autoritária que defendia um processo de modernização conservadora18 no Brasil e a organização de todos os estados da nação em prol do desenvolvimento econômico e social. Segundo ele: “A corrente autoritária não apostava no partido e sim no Estado; não acreditava na mobilização em grande escala da sociedade, mas na clarividência de alguns homens” (FAUSTO, 1995, p. 357). Por isso, todas as decisões estratégicas nas áreas da economia, política, cultura e assuntos sociais estavam centralizadas em órgãos do governo e vinham “de

17 Em 1932, militares e representantes da elite paulista enfrentaram o governo federal de Getúlio Vargas, com o apoio da classe média de São Paulo, numa luta pela constitucionalização do país. De acordo com Fausto (1995, p. 346), “os temas da autonomia e da superioridade de São Paulo diante dos demais Estados eletrizaram boa parte da população paulista. Uma imagem muito eficaz, na época, associava São Paulo a uma locomotiva que puxava vinte vagões vazios- os vinte demais Estados da federação”.

18 De acordo com Fausto (1995, p. 357): “A corrente autoritária assumiu com toda conseqüência a perspectiva do que se denomina modernização conservadora, ou seja, o ponto de vista de que em um país desarticulado como o Brasil, cabia ao Estado organizar a nação para promover dentro da ordem o desenvolvimento econômico e o bem-estar geral. O Estado autoritário poria fim aos conflitos sociais, às lutas partidárias, aos excessos da liberdade de expressão que só serviam para enfraquecer o país”.

71 cima para baixo” para a população. A Lei de Segurança Nacional (LSN) foi um instrumento autoritário e repressivo utilizado pelo governo nesse período que procurava responder não só às reivindicações operárias e da sociedade em geral por melhores condições de vida, mas também ao enfrentamento de grupos políticos opostos que ameaçavam a estabilidade nacional: os anti-fascistas e integralistas19, mas, sobretudo, os comunistas que eram os inimigos centrais do governo e que, posteriormente, em 1935, tentariam um golpe de Estado contra o governo de Getúlio Vargas. A partir dessa tentativa fracassada de golpe comunista, as medidas repressivas e autoritárias do Estado Novo20 aumentaram sobremaneira com a criação de órgãos específicos para investigação e punição de pessoas ligadas ao comunismo. Também nesse período da década de 1930 foi fundada, no Brasil, a Ação Integralista Brasileira (AIB), organização de caráter conservador e fascista, que vinha ganhando força no país desde a década de 1920.

Se, por um lado, como vimos, havia uma forte corrente autoritária que orientava as ações políticas do governo Vargas, por outro lado, a questão social que se tornava cada vez mais evidente, o que é comum em épocas de crise, como trata Ianni (1991), ganhava relevância nos debates políticos e planejamento do Estado. Uma das causas deste fenômeno foram os avanços do processo de industrialização no Brasil, as demandas de grupos industriais e comerciais que pressionavam o Estado para intervir de forma mais eficiente nos assuntos econômicos e sociais nacionais. Outra razão para a atenção dada à questão social, durante o governo Vargas, foram os impactos da crise internacional de 1929, que gerou altos índices de desemprego e piora nas condições de vida da população, tornando assim impossível fechar os olhos para essa questão, até porque os próprios trabalhadores passaram a pressionar o governo. Tratá-la somente como um “caso de polícia”, como ocorreu durante a República Velha, já não era mais possível. Gomes (1979, p. 202-203) aponta que:

19 Adeptos de um ideário fundado por Plínio Salgado, os integralistas defendiam um regime que respeitasse as características histórico-culturais do Brasil e que fosse nacionalista. Tal doutrina foi bastante difundida nos meios de comunicação e a Ação Integralista Brasileira (AIB) foi um movimento político que existiu no Brasil de 1932 a 1937. Cf. em Chasin (1978).

20 Em 1937, Getúlio Vargas instaurou, por meio de um golpe militar, o Estado Novo, em substituição ao governo provisório. O Congresso Nacional foi dissolvido e a Carta Constitucional de 1937 que dava amplos poderes ao presidente entrou em vigor: “O Estado Novo concentrou a maior soma de poderes até aquele momento da história do Brasil independente. A inclinação centralizadora, revelada desde os primeiros meses após a Revolução de 1930, realizou-se plenamente. Os Estados passaram a ser governados por interventores, eles próprios controlados, a partir de um decreto-lei de abril de 1939, por um departamento administrativo. Esse departamento era uma espécie de substituto das Assembléias estaduais, pois o orçamento e todos os decretos-leis dos interventores dependiam de sua aprovação para serem expedidos” (FAUSTO, 1995, p. 366).

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[...] a análise política que então se faz da questão social centra-se no reconhecimento do problema e da necessidade de resolvê-lo, sem entretanto considerá-lo um indicador de conteúdo negativo para o desenvolvimento do país. Ao contrário, a existência da questão social nada teria por si mesmo de grave, na medida em que deveria e poderia ser encarada como um fenômeno mundial, fruto do progresso e da industrialização. Acoplando-se a este diagnóstico estava, não só a crítica aos governos ‘situacionistas’ da República Velha, que a teriam ignorado, como também a proposta de uma verdadeira atualização do papel do Estado, assumindo suas funções arbitrais, através da efetiva criação de um direito social.

Políticas sociais foram elaboradas pelo Estado agradando aos industriais que viam o trabalho nas indústrias e comércio tomar uma nova dimensão face à produção agrícola, e aos trabalhadores que tinham os seus direitos reconhecidos, mesmo que sob a constante vigilância do Estado. O Estado também se beneficiava com a implantação de políticas sociais, na medida em que ganhava o apoio das camadas populares (GOMES, 1979).

É interessante notar ainda que os discursos políticos, de intelectuais e da burguesia industrial, acerca da problemática social no Brasil, foram gradualmente mudando. Gomes (1979, p. 204) evidencia que:

Assim, se a questão social não deveria mais ser encarada como um ‘caso de polícia’, a legislação social não poderia mais ser considerada como uma forma de ‘ferir’ ou de ‘castigar’ os interesses da burguesia comercial e industrial, em nome das camadas urbanas (classes médias, operariado e empregados do comércio) e também das oligarquias agrárias. A importância daqueles interesses e o golpe que ‘a vocação agrária do país’ acabava de sofrer interferiam na construção de um novo discurso sobre a questão social.

Neste sentido, também já não se tratava de pensar a legislação social como uma mera medida sanitária ou filantrópica. O próprio movimento operário e os interesses políticos governamentais se encarregavam de, cada um por vias e razões distintas, erigi-la na posição de um direito social e de uma questão política.

Portanto, todo o universo no qual a política social seria discutida e aplicada alterara- se, fundamentalmente, desde o tipo de líderes que a defenderia, aos motivos que a impulsionariam e aos setores que passariam a apoiá-la. A legislação trabalhista e previdenciária passaria a ser vista como um instrumento necessário não só à estabilidade política, como ao crescimento econômico e particularmente industrial do país.

A nível político e ideológico, a legislação social abandonava definitivamente o estatuto de arma de ataque à burguesia, para se constituir, cada vez mais, em arma de defesa e promoção de seus próprios interesses.

Tal transição pode ser observada tanto no discurso do próprio empresariado, quanto nas formulações de alguns importantes políticos e ideólogos do período.

Um desses ideólogos, já citado na segunda parte deste capítulo, foi Oliveira Vianna, intelectual conservador que participou de várias comissões sobre a questão trabalhista, durante o governo provisório de Getúlio Vargas, e tornou-se consultor jurídico do Ministério do Trabalho, em 1932. Neste contexto, um dos questionamentos era: como integrar a nação

73 brasileira, portadora de uma psicologia política tão defasada e sem qualquer forma de consciência coletiva, aos tempos modernos?

Segundo Vianna, uma política social capaz de oferecer amparo e proteção aos trabalhadores dos abusos da sociedade industrial moderna, tendo como principais recursos os sindicatos e corporações, seria a melhor solução para tal impasse. Sob o ponto de vista desse estudioso, a questão social devia ser resolvida através de medidas que pudessem manter o equilíbrio entre capital e trabalho, sem grandes transtornos (PRADES, 1991). Para ele,

Esse processo subentende a atualização da estrutura institucional, através da incorporação ao estado da problemática trabalhista e da adoção dos mecanismos de garantia do bem-estar social, tudo complementado por um processo de adequação

das leis, cujo respaldo teórico encontrar-se-ia na modernização do direito (PRADES, 1991, p. 168).

Os discursos a favor da “resolução” da questão social não significavam a pacífica aceitação do patronato das regulamentações trabalhistas via Estado, e sim a busca de uma necessária sintonia com as medidas governamentais de amparo aos trabalhadores visando à afirmação dos negócios no Brasil e um ambiente tranquilo e propício para tal finalidade. Nesse período, pensadores como Oliveira Vianna elaboraram propostas políticas baseadas numa terceira via entre o liberalismo e o comunismo. Tendo em vista que, para eles, o Brasil era um país “sem tradição de luta de classes”, a questão social então poderia ser resolvida de maneira eficaz por meio da criação de uma política social centralizada nas mãos do Estado e voltada para a regulação dos conflitos entre capital e trabalho (GOMES, 1979). Para Vianna (apud GOMES, 1979, p. 208):

[...] a intervenção necessária do Estado na questão social não teria mais o sentido da proteção física do trabalhador e sim o objetivo da organização de um sistema de instituições sociais que permitisse a harmonização dos interesses de patrões e operários. Portanto, se de um lado podemos apontar, na legislação do pós-trinta, uma alteração no que se refere ao alcance e extensão das leis, podemos igualmente situar esta mudança crucial do ‘sentido’ da referida legislação, orientada por uma proposta clara e globalizadora.

Sobre isso, a autora afirma ainda que escritores como Oliveira Vianna e Alceu Amoroso Lima acreditavam que, para a execução de políticas sociais no Brasil, a Igreja, além do Estado, tinha papel fundamental na harmonização das relações de classes, ao mesmo tempo em que o Estado deveria supervisionar tais relações.

Foi nesse contexto sócio-histórico que a profissão de Serviço Social teve origem. Ela nasceu fincada no pensamento conservador da Doutrina Social Católica, que preconizava

74 valores cristãos baseados na moralidade religiosa, tais como o caritativismo, a benemerência, a subserviência ao poder divino, entre outros, e que vinha sendo ameaçada por ideias republicanas no âmbito do pensamento social brasileiro, desde os tempos da Primeira República no Brasil (1889-1920). Ideias essas que reivindicavam um novo modelo institucional, a valorização dos indivíduos e suas potencialidades, a democratização dos espaços de poder. Durante o governo Vargas, a aliança entre a Igreja Católica e o Estado (que, “entre altos e baixos”, sempre existiu) tornou-se ainda mais estreita com um grande contingente da população católica apoiando o novo governo e este, por sua vez, cedendo às exigências da Igreja no que dizia respeito à presença da religião em instituições como, por exemplo, nas escolas e na vida cotidiana da sociedade em geral. Sendo assim, com o propósito de retomar cada vez mais o poder da Igreja junto à sociedade brasileira e de sua influência nas questões de ordem política e econômica que estavam em processo de transição no país, a hierarquia religiosa passou a preparar e organizar figuras da intelectualidade católica para combater idéias como o “anticlericalismo, o positivismo e o laicismo” (IAMAMOTO; CARVALHO, 2003, p. 144) e para formar a opinião pública laica acerca desses assuntos, segundo os princípios da doutrina cristã, esclarece a autora. A partir daí, estava configurado o Movimento de Reação Católica no Brasil, que culminou com o surgimento do Serviço Social brasileiro.

De acordo com Iamamoto; Carvalho (2003), um dos principais representantes dessa “aristocracia intelectual” religiosa, no Brasil, foi dom Sebastião Leme, que reivindicava junto à sociedade brasileira o cumprimento de princípios e práticas católicas condizentes com a realidade de um país composto por uma maioria de cidadãos católicos, característica que permanece nos dias de hoje (mesmo com a perda de um grande número de fiéis para as Congregações Evangélicas21). Ao expor, em sua obra, o trecho de uma Carta Pastoral redigida por dom Sebastião Leme, em 1916, Iamamoto; Carvalho (2003: 143) apontam que:

Nesse documento são lançadas as bases do que seria o programa de reivindicações a serem atingidas através da mobilização da opinião católica. Restabelecendo as bases da noção de Nação Católica, exige que através da Igreja seja respeitada a vontade dessa maioria: a legitimação jurídica do acesso da Igreja ao ensino público, a obras e entidades de caráter de interesse público- e, através destes, aos cofres públicos- a superioridade da Igreja sobre o Estado. Expõe também os mecanismos a serem ativados para obrigar o regime republicano a ceder à Igreja parte de sua soberania:

21 De acordo com o Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de evangélicos no Brasil aumentou 61,45% entre os anos de 2000 a 2010, mantendo uma maioria católica de 123,3 milhões de pessoas.

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universidade católica, jornais católicos, eleitorado católico organizado, ação social católica, etc.

Deste modo, nesse período denominado por Iamamoto; Carvalho (2003, p. 141) como “primeira fase da Reação Católica”, o foco da Igreja estava voltado para a reconquista de influência política na sociedade brasileira e à reação ao projeto de laicização proposto pelo Estado, desde os tempos da República. Um dos caminhos para a realização desse projeto eram as ações sociais voltadas para o atendimento das pessoas pobres. Enquanto o governo brasileiro se preocupava com a centralização do seu domínio, a Igreja Católica, instituição conservadora em sua essência, defendia a hierarquia, a ordem social vigente, portanto, reforçava a necessidade do respeito à autoridade por meio da figura do Estado. O Movimento de Reação Católica chegou a pleitear um “monopólio” das ações sociais junto ao Estado. Os parâmetros para o trabalho de enfrentamento da questão social, por parte do Movimento de

Benzer Belgeler