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2.3. sTREM-1

2.3.1 Teşhis Aracı Olarak sTREM-1

3.1 Adolescente ou jovem: de quem estamos falando?

Nesse trabalho, à adolescência será atribuída a faixa etária entre 10 e 19 anos e à juventude entre 20 e 24 anos, tendo como ponto de referência os estudos demográficos. Com isso, não se pretende excluir o fato de que a duração da adolescência e da juventude é estabelecida a partir da condição social.

No mundo contemporâneo, com a adoção de políticas econômicas de corte neoliberal, a inserção dos jovens no mercado de trabalho fica cada dia mais difícil, devido à necessidade crescente de se profissionalizar e de se aperfeiçoar. Dependendo da condição social do jovem, ele pode estar menos ou mais preparado para ingressar no mercado de trabalho. (Camarano et al., 2004; Pochmann, 2004; Abramo, 2005; Sposito, 2005).

Além da adoção do critério cronológico que “objetiva a identificação de requisitos que orientem a investigação epidemiológica, as estratégias de elaboração de políticas de desenvolvimento coletivo e as programações de serviços sociais e de saúde pública” (Ministério da Saúde; 2005, 7-8), deve-se esclarecer que doravante será adotado o termo juventude, tomando como referência Abramo (2005: 41), para quem a condição juvenil se dá em duas etapas:

A noção de condição juvenil remete, em primeiro lugar, a uma etapa do ciclo de vida, de ligação (transição, diz a noção clássica) entre a infância, tempo da primeira fase de desenvolvimento corporal (físico, emocional, intelectual) e da primeira socialização, de quase total dependência e necessidade de proteção, para a idade adulta, em tese a do ápice do desenvolvimento e de plena cidadania, que diz respeito, principalmente, a se tornar capaz de exercer as dimensões de produção (sustentar a si próprio e a outros), reprodução (gerar e cuidar dos filhos) e participação (nas decisões, deveres e direitos que regulam a sociedade).

Considerações teóricas 37

Porém, é importante considerar a “situação juvenil”, que “revela o modo como tal condição é vivida a partir dos diversos recortes referidos às diferenças sociais – classe, gênero, etnia etc.” (Abramo, 2005: 42).

Groppo (2000, 13-14), reitera que há diferentes conceitos reconhecidos pela sociedade: as ciências médicas “criaram a concepção de puberdade”, se referindo “à fase de transformações no corpo do indivíduo que era criança e que está se tornando maduro”; “a psicologia, a psicanálise e a pedagogia criaram a concepção de adolescência, relativa às mudanças na personalidade, na mente ou no comportamento do indivíduo que se torna adulto”; por fim, a sociologia que “costuma trabalhar com a concepção de juventude quando trata do período interstício entre as funções sociais da infância e as funções sociais do homem adulto”. Avaliando o uso cotidiano dos termos, Groppo faz notar que as ciências sociais acabam por colocar a adolescência e a juventude como fases sucessivas do mesmo processo - a transição para o mundo adulto.

Coerentemente com o campo da Saúde Coletiva, que se vale das Ciências Sociais para compreender o processo saúde-doença, neste trabalho optou-se pela utilização do termo juventude, uma vez que trata-se de uma categoria que provém das Ciências Sociais e reporta-se dessa forma a uma compreensão ampla do fenômeno de transição da infância para a vida adulta.

3.2 A adolescência para a saúde coletiva

A Saúde Coletiva faz restrições para compreender a adolescência como um processo que se define segundo um conjunto de mudanças biológicas, em uma determinada fase da vida, considerando necessário reconhecer as várias adolescências, determinadas pelas diferentes vivências das distintas classes sociais

em que os adolescentes e suas famílias se inserem (Soares, 1997; Soares; Ávila; Salvetti, 2000; Soares; Salvetti; Ávila, 2003).

Dessa forma, para a Saúde Coletiva não se deve tomar como pressuposto que os adolescentes constituem um grupo homogêneo, pois isso poderia

levar a uma cristalização de um modelo único de adolescente, como acontece com uma visão biologicista que universaliza ou tipifica as características da adolescência, a partir da noção da puberdade. (Soares, 1997: 37).

Soares (1997: 37) diz que os adolescentes “se diferenciam pela sua história de vida de acordo com sua inserção sócio-econômica e seu desenvolvimento psicológico particular num contexto histórico e cultural dado”. Também fala da “socialização do adolescente, processo que acontece por meio da interação social, dá as condições para a sua inserção na sociedade [e] [...] as condições dessa socialização são determinadas pela inserção econômica do indivíduo” (Soares, 1997: 52).

Recorrendo a conhecimentos da sociologia, Soares (1997) busca as origens da adolescência, que está referida à sociedade industrial, que gradativamente vai tornando a transição para a vida adulta muito mais complexa do que em formações sociais anteriores ao capitalismo.

O jovem passa a possuir uma autonomia maior do que a que tinha quando criança [...], ele passa da situação de criança tutelada [...] à situação de possuir uma autonomia relativa para desempenhar algumas funções, para decidir alguns caminhos e para resolver alguns problemas (Soares, 1997: 39).

A sociologia ajuda então a Saúde Coletiva a perceber que a transição diz respeito a vários fenômenos de ordem psicossocial que estão ocorrendo, com mudanças relacionadas a uma certa crise, ou a uma “série de crises” (Soares, 1997: 39).

Considerações teóricas 39

Além disso, não se pode separar o sujeito da cultura. “Por mais que os teóricos digam do adolescente como um ser em crise, teremos sempre de compreendê-lo, situando-o em seu tempo, em sua cultura” (Caridade, 1999: 206).

Soares (1997: 40), apoiada na contribuição de Mannheim (1972), releva que não somente a inserção de classe é importante para viver o período da juventude como também a questão geracional, pois “os indivíduos de uma dada geração estão predispostos a um modo de pensamento e experiência de acordo com o contexto histórico no qual estão inseridos”.

Assim, na leitura de Marialice Foracchi “a distância entre as gerações e o potencial conflito geracional passariam pela rejeição que os adolescentes experimentam em relação à condição adulta tal como a sociedade impõe” (Soares, 1997: 47).

Até os anos 1960, a juventude no Brasil ficou restrita a jovens escolarizados e a condição de classe média era determinante para essa escolarização. No final do século XX, a questão central foi a das crianças e adolescentes em situação de risco (Abramo, 2005).

Visto que os problemas de vulnerabilidade e risco não terminam aos 18 anos, mas podem se intensificar a partir daí, e com o aparecimento de novos atores juvenis, a percepção da juventude vem se modificando de uns dez anos pra cá (Abramo, 2005).

Abramo (2005) também alerta para o fato de que atualmente é necessário falar de juventudes, no plural, para não esquecer as diferenças e desigualdades dessa transição.

“Portanto, temos de falar não da adolescência, mas das adolescências, que são definidas por aquilo que está ao redor, pelos contextos socioculturais, pela sua realidade, situando-as em seu tempo, em sua cultura” (Ministério da Saúde; 2005: 9).

“A discussão sociológica da juventude [...] permite [...] mapear as diferentes juventudes, que só podem ser percebidas no plano sócio-cultural” (Montanari, 1999: 101). “Assim, mais que atributos físicos e/ou biológicos, são os aspectos sócio- econômicos e culturais que circunscrevem o que é juventude e o que é ser jovem” (Montanari, 1999: 98).

Ou como afirma Pirotta e Pirotta (2005: 77):

Tendo em vista a adolescência na sociedade ocidental moderna, observa- se que não se trata de um fenômeno homogêneo, o que leva a considerar diferentes adolescências pautadas por processos sociais distintos. A construção das diversas adolescências orienta-se em função de fatores econômicos, sociais e culturais e os próprios parâmetros etários são relativizados em função da inserção sociocultural.

Assim é que os limites etários da adolescência variam histórica e socialmente (Soares, 1997). Muuss (1976), que faz uma revisão das teorias sobre a adolescência, atento a essa variação, conclui que ela se estende dos doze aos vinte e dois anos. Já o ECA considera adolescente a pessoa em desenvolvimento, entre doze e dezoito anos de idade, tomando como parâmetros a maioridade legal. Para abordagem demográfica sobre juventude, o que está se tornando convenção no Brasil é o grupo de idade entre quinze e vinte e quatro anos, por corresponder ao arco de tempo relativo à transição para a vida adulta (Abramo, 2005).

Na interpretação do conceito, observa-se que não é possível formular com exatidão limites etários para a adolescência. Diversos marcos foram propostos, sendo que, atualmente, o mais aceito pela literatura no campo da saúde tem sido considerar a adolescência o período que se estende dos dez aos dezenove anos. (Pirotta; Pirotta, 2005: 77)

Considerações teóricas 41

No entanto, nos serviços de saúde em geral ainda há uma tendência a tomar como referência a definição da OMS, que adota a faixa de idade entre dez e dezenove anos de idade por razões estatísticas (Soares, 1997).

Para a Saúde Coletiva “[...] a abordagem das necessidades de saúde deve tomar como referência a saúde-doença como processo social [...] [que] estariam diretamente relacionadas à reprodução da vida social” (Soares; Ávila; Salvetti, 2000: 21).

Com os adolescentes não é diferente, pois eles têm necessidades de saúde que se referem à sua fase de vida e que também sofrem os desvios próprios do grupo social em que suas famílias estão inseridas (Soares, 1997).

Em estudo com jovens escolares no Distrito Administrativo Raposo Tavares, Soares, Ávila e Salvetti (2000) reconhecem as diferentes formas de reprodução social entre as famílias que vivem no mesmo espaço periférico.

A partir dessas considerações, uma das perguntas deste estudo é: as práticas de saúde da Supervisão Técnica de Saúde Butantã estão referidas ao conjunto de questões amplas colocadas pelas necessidades de saúde das diversas juventudes que trabalham, vivem e estudam na área?

JUSTIFICATIVA, PRESSUPOSTO, FINALIDADE E

OBJETIVOS

Justificativa, pressuposto, finalidade e objetivos 43

Benzer Belgeler