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TCMB ve Güçlü Bir Mali Sistemin Gerekliliği,

4. TÜRKİYE CUMHURİYET MERKEZ BANKASI (TCMB)

4.4. TCMB ve Güçlü Bir Mali Sistemin Gerekliliği,

Entre o poder de persuasão da mídia eletrônica em sociedades com pouco hábito de leitura como o Brasil, é relevante o papel do Estado protagonista que pode legitimar uma política de comunicação que democratize o acesso do espectador cidadão ao conteúdo midiático condizente com o seu papel social. No atual contexto, a sociedade civil brasileira abarca uma arena de interesses opostos em conflito, mas essas diferenças ainda não estão devidamente representadas ou legitimadas sob um regulamento que garanta a igualdade de expressão entre diferentes segmentos da sociedade.

Infelizmente, no cenário nacional, o mercado midiático é regido por uma elite tradicional composta por famílias (Marinho/Globo, Mesquita/Estadão, Frias/Folha, Bandeirantes/Saad e etc.) e os interesses econômicos de grandes grupos prevalecem em concordância com as diretrizes comunicacionais priorizadas por critérios econômicos.

Segundo o artigo Conglomerados: o que é grande pode ficar maior de Giancoli (2010) são as redes nacionais de televisão (Globo, SBT, Record, Band e Rede TV!) que historicamente estruturam o Sistema Central de Mídia. Isto é, no Brasil existem hoje 41 (quarenta e um) grupos de comunicação de alcance nacional que controlam 551(quinhentos e cinqüenta e um) veículos de comunicação. As Organizações Globo é aquela que concentra o maior número com 340 (trezentos e quarenta) veículos distribuídos por todo o País. Entre estes estão, além da Rede de TV e as 121 (cento e vinte e uma) afiliadas, o Sistema Globo de Rádio, a GLOBOSAT, as empresas de TV por assinatura Net Brasil, Sky Brasil, impressos (Jornal Globo e Editora Globo), Globo Filmes e a gravadora Som Livre.

Observa Giancoli que as Organizações Globo não são exceção no monopólio de diferentes plataformas (TV, rádio, jornal e portais), o mesmo acontece entre os outros grandes grupos como o Grupo Abril ou a Folha, estes originalmente dos impressos que apostam em diferentes plataformas.

Esta concentração de concessões para um único grupo exalta Giancoli (2010), contraria o que estabelece a Constituição Federal Brasileira de “que os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio (p.12)”. No entanto, observa a publicação, que os artigos referentes na Constituição ainda não foram regulamentados e esta prática que não é transparente e ilegal, viola os princípios fundamentais democráticos que devem resguardar o acesso à diversidade de fontes de informação.

Apesar da reivindicação pela democratização da comunicação tenha despontado ainda sob os anos de chumbo da ditadura militar, os primeiros sinais de mobilização da sociedade civil para questionar, propor e reverter o cenário confortável das comunicações dominadas por uma elite no País despontou na 1ª. Conferência Nacional de Comunicação em Brasília (CONFECOM), em dezembro de 2009. Esta conferência foi uma iniciativa do governo federal e coletou, na época, seis mil propostas de diferentes segmentos da sociedade que resultaram em um mil e quinhentas na etapa nacional.

No atual contexto latino-americano, o Brasil parece adotar uma política comunicacional convergente com os modelos propostos por países como a Argentina e Venezuela e Equador na primeira década deste século – todos com orientação políticas nacionalistas e antineoliberais -, em adotar uma política que não priorize o mercado defendido por uma elite dominante, mas sim, democratizar o acesso e uso aos meios de comunicação como direito adquirido do cidadão brasileiro.

No entanto, a demora na concretização das propostas apresentadas pelos movimentos sociais na CONFECON (2009) nos distancia destes países latino-americanos que – apesar de sofrerem pressões de poderosos empresários da comunicação em seus países -, conseguiram aprovar alguns regulamentos que determinam ações efetivas para a democratização da informação.

Na mesma revista, o artigo Lei de Meios, o atraso brasileiro assinado pelo Laurindo Lalo Leal Filho (2011, p.6), destaca o pioneirismo do governo venezuelano pela aprovação da Lei de Responsabilidade do Rádio e da TV (2004) que regulamenta os conteúdos midiáticos e seus respectivos horários de veiculação. Esta Lei considera Leal Filho, é uma das mais avançadas em vigor na América Latina porque utiliza critérios que minimizam qualquer tipo de subjetividade na análise e classificação dos programas.

Na Argentina, o Congresso deste país também dá um passo importante para regulamentar as políticas de comunicação em prol da democratização, limitando entre outras coisas, a área de alcance das transmissões para que ”nenhum operador terá permissão para fornecer serviços a mais de 35% da população do país”. No Equador, os eleitores aprovaram, votando sim no referendo36, a regulamentação dos meios de comunicação que deve proibir os proprietários dos meios de comunicação ao acesso de ações em negócios que não estejam vinculados diretamente com seus setores. O apoio popular aos dez tópicos indica a legitimação do governo que, desde a sua chegada no poder em 2007, trava uma batalha com a mídia privada local.

Para Leal Filho (2011), América Latina experiência um momento histórico determinante porque os processos de democratização da comunicação mobilizam a sociedade

36 (Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) equatoriano, no referendo do dia 08/05/2011), o

governo de Rafael Correa conseguiu o apoio popular às 10 perguntas feitas para os eleitores. Dentre estes, os mais polêmicos como os tópicos que regulamentam a Justiça e os Meios de Comunicação. Jardim, Claudia. Presidente do Equador tem vitória apertada em referendo.

www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/11058_equador_domingo_cj_rc.shtml. Consulta feita no dia 13/05/2011.

civil com o apoio de governos alinhados politicamente à esquerda (Venezuela, Argentina, Uruguai, Equador e Bolívia).

Salienta este pesquisador que, a Lei dos Meios que deve limitar a formação de oligopólios é antiga na Europa e nos Estados Unidos37 e este exemplo deve ser adotado pelo Brasil. Isto porque a realidade brasileira apresenta um cenário onde operam “verdadeiros latifúndios eletrônicos”, dominados por uma elite privilegiada que jamais cumpriu efetivamente uma Legislação ultrapassada, de quase 50 anos (que na época foi promulgada para regular a TV em preto e branco e hoje, o obsoleto videoteipe).

Segundo Leal Filho (2011), o Estado brasileiro deve – como adiantam os nossos países vizinhos -, investir urgente na modernização das Leis para os Meios para que a complexa rede de comunicação convergente e globalizada possa ser estruturada e operada segundo práticas democráticas. Também porque, completa o autor, a Lei vigente foi outorgada para um contexto histórico e social de um Brasil predominantemente rural, cujos traços culturais transformaram-se drasticamente nestes últimos 50 anos.

Enquanto o lobby empresarial existente no Brasil não quer perder os seus privilégios e posterga sob seus interesses o que é urgente para o interesse da sociedade em geral, por ora, são os canais públicos que tentam cumprir o papel social exigido dos veículos de comunicação: o de atender aos interesses públicos do cidadão e não apenas aos interesses privados de uma elite social.

Dentre os canais públicos, a TV Cultura é aquela que parece assumir esta responsabilidade social defendida na nossa Constituição e, ainda que, vulnerável às recorrentes dificuldades de administração econômica e política, veicula conteúdos didáticos e educativos produzidos localmente, ou programas importados de outros canais públicos estrangeiros.

Apesar do esforço, este canal educativo ainda não sustenta uma infraestrutura que possibilite uma produção de conteúdos que alimente adequadamente a sua programação e cative uma audiência competitiva como atingem as TVs públicas de outros países, tais como a britânica British Broadcasting Corporation (BBC) ou a nipônica Nippon Broadcasting Corporation (NHK). São duas emissoras com as respectivas audiências domésticas respeitáveis e que exportam seus conteúdos. Bons exemplos são os muitos documentários didáticos que são exibidos amplamente nos nossos canais educativos; títulos significativos

que exploram temáticas educacionais relacionadas com a atual crise ambiental são exibidos pelas TVs públicas brasileiras.

A BBC38 britânica influenciou outros países europeus que adotaram seu modelo de fazer televisão e também foi precursora dos canais comerciais no seu próprio país (AGGER (2010, p. 404). No cenário da comunicação latino-americana, onde as redes privadas dominam com uma programação sedutora dirigida para o grande público, os canais públicos, para o melhor desempenho de suas audiências, parecem adotar com cautela, as estratégias das TVs comerciais.

Outro exemplo positivo que merece ser citado é o sistema de comunicação francês quanto às políticas comunicacionais adotadas, especificamente, no campo da produção cinematográfica. Em um cenário mundial onde o mercado estadunidense predomina, a França regulamentou a entrada de cotas de importação de filmes estrangeiros para a exibição em suas salas. Uma medida de proteção eficiente adotada no período pós-guerra (1948) que incentivou a produção cinematográfica regional abalada pelos acordos anteriores com Washington.

Uma prática exemplar do Centro Nacional da Cinematografia (CNC) que reconheceu, em tempo, o potencial do cinema francês como catalisador e disseminador da expressão cultural de seu país. Esta política adotada pela França é um exemplo raro, inclusive na Europa, que preservou nas projeções de suas telas “certo pluralismo” (MATELLART, 2002, p. 106 – 107).

No Brasil, existem incentivos fiscais como a Lei do Audiovisual39 que facilitam a produção interna de filmes, mas ainda são ações tímidas se comparadas ao exemplo francês que regulamenta as cotas de importações para garantir as produções nacionais. Segundo Nagib (2002, p.13) esta Lei de incentivo às produções cinematográficas nacionais de 1993 dá

38 Leal Filho (2011, p.07) salienta que no caso britânico “a radiodifusão e as telecomunicações são

serviços públicos regulados pelo mesmo órgão, o OFCOM [Independent Regulator and Competition authority for the UK Communications Industries]”, exemplo que não foi seguido pelo Brasil, porque durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, os dois serviços foram separados para que fossem privatizados sem que os “latifúndios” midiáticos fossem desmantelados. No caso britânico, acrescenta o autor, o regulamento permite que as outorgas de concessões de rádio e TV opte pelo projeto de programação (para atender às necessidades do público) ao invés do lance financeiro mais atraente.

39 Oficialmente é a Lei Federal 8685/93 de 20/07/1993. Esta incentiva investimento na produção e co-

produção de obras cinematográficas e audiovisuais e infraestrutura de produção e exibição e concede incentivos fiscais às pessoas físicas e jurídicas que adquirem os Certificados de Investimento Audiovisual; o investimento é dedutível do Imposto de Renda. Acesso no dia 10/02/2011 no site da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, www.cultura.gov.br/site/2010/12/13/lei-do-audiovisual-2/.

continuidade às iniciativas anteriores do governo e começa a exibir resultados positivos a partir de 1995, acentuando o fenômeno da “Retomada do Cinema Brasileiro”. Explica Nagib que o cinema nacional viveu os seus piores anos de sua história nos dois primeiros anos da década de 1990 durante o governo Collor – período em que o País empossou e derrubou o primeiro presidente eleito democraticamente após a ditadura militar.

Neste período, observa Nagib, com a extinção da EMBRAFILME (Empresa Brasileira de Filmes S.A.) foram produzidos apenas dois títulos de filmes. No entanto, a retomada do cinema nacional já pode ser notada na produção cinematográfica durante o período 1994 – 2000, com a inclusão de 55 (cinqüenta e cinco) novos diretores no mercado e com produções que alcançam mais de um milhão de espectadores. Deste período, Nagib (2002) destaca os filmes Carlota Joaquina, Princesa do Brasil (Carla Camurati, 1995), A Terceira Margem do Rio (Nelson Pereira dos Santos, 1994), Alma Corsária (Carlos Reichenbach, 1994). Capitalismo Selvagem (André Klotzel, 1994), Veja Esta Canção (Cacá Diegues, 1994) e Terra Estrangeira (Walter Salles e Daniela Thomas, 1995), Central do Brasil (Walter Salles, 1998), Baile Perfumado (Paulo Caldas e Lírio Ferreira, 1997) entre outros.

Os títulos que compões esta Retomada do Cinema Brasileiro, produzidos sob os incentivos da Lei Audiovisual, guardam entre si uma identidade expressa em seus conteúdos fílmicos: exibem a imagem do Brasil esquecido, desconhecido e plural. A influência dos vanguardistas diretores do Cinema Novo está expressa na opção por estes temas que resgatam o povo brasileiro simples para as telas. Mas este brasileiro volta às telas sob o apuro técnico de um novo olhar que os aproxima do espectador, sem as marcas da mediação autoral e política de diretores cinemanovistas da década de 60 que defenderam a irreverente “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”

Tal [busca do grande público] preocupação definiu esse misto de militância política e vida profissional que marcou a prática do cinema novo. Quanto a Glauber [Rocha], seus filmes não deixam dúvidas quanto à sua forma de entender a questão quando ele se vê como um autor entre outros (aí vale mais a vanguarda, a invenção). Mas as outras dimensões de sua prática afirmam a sua outra face de intelectual que exerce liderança, que faz costuras políticas [...] atento às questões do mercado (XAVIER, 2004, p. 26).

Dentre os títulos que pertencem à retomada do cinema nacional, o filme Central do Brasil (1995) do diretor Walter Salles, indicado para o melhor filme estrangeiro no Oscar 1999 e ganhador do prêmio Urso de Ouro em Berlim em 1998, é exemplar desta busca de identidade de um País desconhecido e esquecido. O filme Baile Perfumado (1997) de Paulo Caldas e Lírio Ferreira - que conta a estória de Lampião e Maria Bonita -, ilustra muito bem o que caracteriza esta nova geração de diretores que exibem na tela a admiração pelo vanguardismo do Cinema Novo.

Outros diretores dialogam com o que representou o Cinema Marginal, Cinema da Boca ou até mesmo a chanchada. Estes são “filhos de pais brasileiros” salienta Nagib (2002), diferenciando-os do referencial europeu (nouvelle-vague, neo-realismo) ou do cinema americano dos anos 40 e 50 que influenciaram os mestres do cinema nacional como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Walter Hugo Khouri entre outros.