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Taziyenin Fenomenolojisi

O enunciado 1, no que diz respeito ao aspecto composicional, traz uma divisão em etapas da infância, adolescência e fase adulta e, por vezes, apresenta uma divisão pela fase da escolarização, tendo como título: “memórias de um leitor tardio”. Foi construído com um total de 14 páginas e 33 parágrafos, muitos destes são longos e apresentam uma sintaxe complexa. No topo das páginas, do lado direito, o autor colocou o seu sobrenome em caixa alta, seguido pelas iniciais do seu nome, sendo esse modelo característico de modelos de páginas de livros científicos, por exemplo. As numerações das páginas estão na base das páginas, do lado direito. Observamos que as “memórias de leitura” são constituídas por enunciados verbais. O autor apresenta em alguns momentos imagens de livros e revistas que afirma ter lido, dispostos no texto na proporção que são citados; outras imagens apresentadas são capas de discos de vinil da década de 1980, a cópia de uma página de um livro com dedicatória e um autógrafo do escritor Fernando Sabino. Por fim, conclui com a sua assinatura digital, cujo enunciado integral está no anexo 1 deste trabalho.

No enunciado 1, o autor, ao escrever sobre as suas leituras, utilizou a sequência narrativa como predominante, porém verificamos a presença de outras sequências, por exemplo, a dialogal, explicativa e descritiva.

Passemos agora a verificar as escolhas lexicais que entram na composição do enunciado. Para tal análise, selecionamos alguns trechos, nos quais grifamos alguns termos do enunciado 1:

1) Não sei se devo atribuir apenas à escola o fato de ter aprendido a ler. O que guardo na memória, já um tanto embotada, sobre o meu contato inicial com as primeiras

letras foi a interferência do meu pai, que me pedia para repetir algumas frases dos diálogos de livrescos de bangue-bangue. Puts! Eram livrinhos de bolso intitulados

Estefania, Chumbo Grosso e Colt 45.

2) [...] lembro que a descoberta da música, principalmente as letras de protesto do rock nacional dos anos 80, supriu, na medida do possível, a ausência de leituras regulares. Copiava as letras dos LPs dos colegas mais abastados da escola. Levava para casa aqueles discos emprestados e gravava fitas cassetes. Não havia esse papo de som apurado dos CDs como na atualidade. Ter uma fita BASF ou TDK para ouvir o som das bandas preferidas já era o máximo! Ainda me lembro, como se fosse hoje, do prazer em copiar as letras de bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, Plebe Rude, entre outras. Esse contato cultural com tais letras que escancaravam os problemas sociais de nosso país me ajudava a sair do marasmo cotidiano familiar, sem perspectivas plausíveis de ascensão social.

No que diz respeito ao léxico empregado no enunciado 1, observamos a recorrência, por exemplo, aos termos ler, memória, lembro, para construir a narrativa sobre as “memórias de leitura”, como podemos ver nos trechos 1e 2 acima. Quanto às formas verbais, percebemos que os tipos mais comuns de verbos nesse enunciado estão no pretérito: foi, pedia, eram, supriu, copiava, levava, ajudava, retirados dos trechos citados acima, que foram utilizados para contar fatos passados ocorridos no percurso de leitura do leitor. Outra questão importante que depreendemos do enunciado 1 é que ele foi escrito em primeira pessoa, podemos, portanto, recuperar essa informação por meio de pronomes e de verbos do enunciado: meu, sei, guardo, lembro, copiava, levava, ajudava.

O enunciado 2 foi construído por etapas, às vezes, pela fase da idade, outras vezes, pela fase da escolarização, não havendo título. Ele é composto por cinco páginas e onze parágrafos. No decorrer da narrativa, aparecem algumas imagens de livros que o leitor 2 diz ter lido e de um texto que ele fez quando era criança. No enunciado 2, o autor, ao escrever sobre as suas leituras, utilizou a sequência narrativa como predominante.

A seguir, verificaremos as formas linguísticas que entram na composição do enunciado 2. Para tal análise, selecionamos alguns trechos do enunciado 2 (grifados por nós):

1) A primeira recordação que tenho de leitura é de minha “cartilha” onde aprendi a ler. Chama-se “O sonho de Talita”, nome que durante muito tempo quis que fosse o meu. Ficava imaginando o quanto seria importante se tivesse um livro com meu nome. Lembro-me também que papai era um leitor assíduo, comprava jornais todos os dias e os lia, também gostava de ler revistas e uns livrinhos que carregava no bolso com histórias de bangue- bangue.

2) No meu ginásio li um único livro, Don Quixote e fiquei encantada. A professora pediu que fizéssemos uma representação de trechos da obra e foi um sucesso. Cada grupo fez sua peça teatral e eu participei como a dona de uma hospedaria onde Don Quixote e Sancho Pança ficaram hospedados.

No que diz respeito ao léxico empregado no enunciado 2, observamos a recorrência, por exemplo, aos termos ler, livro, lembro e leitor, para construir a narrativa sobre as “memórias de leitura”, como podemos ver nos trechos 1e 2 acima. Quanto às formas verbais, percebemos que os tipos mais comuns de verbos nesse enunciado estão no pretérito, assim como no enunciado 1: ficava, era, comprava, gostava, carregava, fiquei, pediu, foi, fez, participei, ficaram, retirados dos trechos citados acima, que foram utilizados para contar fatos passados que ocorreram no percurso de leitura do leitor 2. Outra questão importante que depreendemos do enunciado 2 é que ele foi escrito em primeira pessoa, podemos, portanto, recuperar essa informação por meio de pronomes e de verbos do enunciado: minha, eu, tenho, aprendi, li, fiquei.

Já o enunciado 3, assim como os enunciados 1 e 2, apresenta uma sequência da experiência leitora do leitor 3, conforme etapa das fases da idade e também etapa da escolarização. Não tem título e é composto por três páginas, nove parágrafos e, diferentemente dos enunciados 1 e 2, não apresenta imagens. No

enunciado 3, o autor, ao escrever sobre as suas leituras, utilizou a sequência narrativa como predominante, assim como ocorreu nos enunciados 1 e 2.

Por fim, verificaremos as formas linguísticas que entram na composição do enunciado 3. Para a análise, selecionamos alguns trechos do enunciado 3 (grifados por nós):

1) Nasci e vivi minha infância e início de adolescência numa cidade interiorana do RN onde não havia escola destinada a crianças antes dos sete anos. No interior, naquele tempo, não era fácil encontrar livros e o material didático da escola era precário, mas, na condição de estudante, sempre cumpria com as tarefas exigidas cotidianamente em sala de aula. Sempre gostei de estudar, mas a escola não me traz lembranças aprazíveis de leitura, pois os professores não a incorporavam ao universo do ensino. Algo que deveria fazer parte deste universo mantinha-se à parte. Tinha que aprender longe do lúdico e de forma descontextualizada, não havendo, assim, contribuição para estimular o gosto pela leitura.

2) Seduzida pela leitura resolvi estudar e enfrentei o meu primeiro vestibular para o curso de Letras e contrariando todas as expectativas passei. Os livros abriram-me as portas. Novas leituras, até então desconhecidas, surgiram, onde não apenas lia por prazer, mas com responsabilidade, com disciplina.

No que diz respeito ao léxico empregado no enunciado 3, observamos a recorrência, por exemplo, aos termos livros, escola e leitura, para construir a narrativa sobre as “memórias de leitura”, como podemos ver nos trechos 1e 2 acima. Quanto às formas verbais, percebemos que os tipos mais comuns de verbos nesse enunciado estão no pretérito, assim como no enunciado 1 e 2, por exemplo, nasci, vivi, era, cumpria, tinha, enfrentei, passei, surgiram, lia, gostei, retirados dos trechos citados acima, que foram utilizados para contar fatos passados que ocorreram no percurso de leitura do leitor 3. Outra questão importante que depreendemos do enunciado 3 é que ele foi escrito em primeira pessoa, podemos,

portanto, recuperar essa informação por meio de verbos do enunciado: nasci, vivi, cumpria, gostei, tinha, deveria, enfrentei e passei.

Entendemos, então, que todas as escolhas lexicais que os leitores 1, 2, e 3 fizeram para a construção das “memórias de leitura” foram adequadas para a narração de fatos que ocorreram no passado, ou seja, adequadas ao gênero “memórias de leitura”. Portanto, como o gênero é memória de leituras, então, o verbo utilizado fica no passado, pois os olhos dos leitores estão voltados para o passado.

6.2 AS VOZES SOCIAIS SOBRE LEITURA QUE EMERGIRAM DAS “MEMÓRIAS

Benzer Belgeler