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6. BÖLÜM: RAMÖZ MAKİNASINDA VERİM ARTTIRICI DEĞİŞİKLİKLER

6.2 Ramöz Makinasında Yapılabilecek Verim Arttırıcı Değişiklikler

6.2.3 Taze Hava Girişi

Podemos incluir ainda na estratégia do “dividir para dominar” a forma como Berrão se relaciona com as mulheres. O texto da obra indica que ele se relaciona com todas, mas o relacionamento com Maria-Vai é o mais comentado. Esta situação, além de alimentar a rivalidade entre elas, fomenta a divergência entre os homens. Aliás, as brigas e os desentendimentos entre Tião e Chicão têm sempre como foco central o relacionamento amoroso entre Berrão e as mulheres, principalmente Maria-Vai. Na maioria das vezes, eles iniciam uma interação que acaba sendo interrompida por causa de provocações alusivas à conduta da catadora. O primeiro exemplo retrata uma discussão entre Berrão, Maria-Vai e Tião. Este repreende Maria-Vai, sua mulher, por ter aceitado o convite de Berrão para ir com ele sozinha até a fábrica a fim de “conferir” o peso do papel. A discussão acontece logo após uma briga entre Chicão e Tião. Os dois se engalfinham e quase se matam porque Chicão diz que Maria-Vai está traindo Tião.

Nesse contexto, Noca (outra catadora de papel) entra em cena para questionar o comportamento de Berrão:

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Berrão – Anda gente. Vamos logo com essa zorra! (Noca aproxima-se e Pelado vai para junto dos outros.) Berrão – Dois sacos. (Pesa.) Cinco quilos.

Noca – Vai levar a perebenta pra conferir? Berrão – Tu vai amanhã.

Noca – Deus me livre! Tu quer passar doença dessa vaca pra mim? Berrão – Tá com ciúmes, biscatinha?

(Noca pega o dinheiro e vai para junto de Pelado.)

Cabe destacar, nos diálogos selecionados, aspectos relevantes para o entendimento do sentido do texto. Um deles está relacionado com a retoricidade da linguagem que tentaremos abordar, tomando por base as perguntas retóricas que constituem mecanismos geradores de persuasão. Na realidade, de acordo com Fontanier (1830: 368), apud Léon (2005: 1), “a pergunta retórica consiste na tomada do turno interrogatório não para apresentar uma dúvida ou provocar uma resposta, mas para indicar ao contrário maior persuasão e desafiar aqueles a quem se fala de poder negar ou mesmo responder... mas uma singularidade marcante é que com a negação ela afirma e que sem a negação ela nega”. Assim sendo, aquele que faz uso da pergunta retórica assim procede não imbuído do desejo de buscar um esclarecimento ou com a finalidade de ter acesso a alguma informação, mas com a intenção de reforçar sua opinião. Embora pareça contraditório, trata-se de uma pergunta que não exige uma resposta. Na verdade, o que se pretende ao se elaborar esse tipo de pergunta é conquistar a adesão do destinatário, fazer com que ele concorde com nosso ponto de vista.

Por não apresentar as características comuns às perguntas corriqueiras, a pergunta retórica é difícil de ser identificada no plano formal do texto. Segundo Léon, (1997: 38),“as perguntas retóricas são dificilmente identificadas formalmente. Todos os autores estão de acordo em dizer que não existe qualquer forma de identificação das perguntas retóricas. Na maior parte do tempo se fala de interpretação retórica ou de leitura retórica de uma pergunta.” Nesse sentido, por não satisfazerem certas condições inspiradas nas máximas de Grice, principalmente aquela que pressupõe para toda pergunta um pedido de informação, as perguntas retóricas não são consideradas questões verdadeiras. A esse respeito, convém considerar o que diz Léon (1997), apoiada em idéias de Sperber e Wilson (1986): “Em lugar de analisar as perguntas retóricas a partir dos atos de linguagem e notadamente como pedidos de informação, é preciso analisá-las do ponto de vista da pertinência”. Desse modo, levando em consideração a teoria da pertinência, as perguntas retóricas devem ser analisadas em conjunto com as interrogativas diretas e indiretas.

A pertinência, contudo, não pode estar desvinculada do contexto interacional. É nele que os efeitos de sentido se produzem e se tecem. Para essa tarefa colaboram muitos elementos: aspectos lingüísticos e extralingüísticos, o que está à vista, explícito no texto, o que se encontra oculto na forma de pressupostos. Compete, portanto, ao locutor a responsabilidade de interpretar as respostas dadas às perguntas como pertinentes à situação comunicativa e, conseqüentemente, como verdadeiras. Para tanto, é importante analisar a pergunta e a resposta unidas e inseridas na seqüência do diálogo. É na interação dialógica, portanto, que se define o papel do par pergunta- resposta na construção do sentido do texto conversacional.

Para Léon (1997), a divergência entre os estudiosos com relação à interpretação das interrogativas no par pergunta-resposta resulta do enfoque dado à questão. O enfoque semântico está mais centrado no estudo das condições de interpretação das perguntas e o enfoque pragmático se fixa nas condições de enunciação. Desta maneira, para uns o ato de perguntar corresponde a um pedido de informação; para outros significa um pedido de confirmação. Embora pareçam contraditórias, essas concepções se complementam. Alguns estudiosos, inclusive, reúnem em seus estudos sobre perguntas e respostas a semântica e a pragmática. Todos concordam, contudo, com o fato de que não se deve fazer economia de resposta e com a idéia de que a pergunta e a resposta fazem parte de dois turnos do par adjacente. (Cf. Léon,1997).

O diálogo entre Berrão e Noca revela muito mais do que dizem as palavras. A pergunta feita por ela parece retratar uma reprovação à atitude dele. Tudo leva a crer que existe por trás do questionamento a negação de um pressuposto: “Tu não vai levar a perebenta pra conferir” ou “Eu não vou levar a perebenta pra conferir”. A resposta dada por ele (“Tu vai amanhã”) parece mais uma satisfação ou até, se assim se pode dizer, uma prestação de contas. Melhor dizendo, tudo indica que ele quer que Noca fique tranqüila, pois “amanhã será a vez dela”. Sem dizer sim e sem dizer não, ele consegue escapar da pressão que a pergunta provoca. Assim, ele responde sem responder.

Nessas condições, podemos falar de uma interpretação retórica da pergunta, levando em consideração a resposta. A orientação dada pela pergunta está apoiada na seleção lexical. A escolha do adjetivo substantivado de função avaliativa (“perebenta”) constitui uma tentativa de denegrir a imagem de Maria-Vai e de direcionar de forma negativa a resposta de Berrão, cuja ação fomenta a discórdia. A referência depreciativa (“perebenta”) é um indicador do ciúme de Noca. O reforço do julgamento de teor depreciativo se intensifica no turno seguinte em que ela responde com outra pergunta: - Deus me livre! Tu quer passar doença dessa vaca pra mim? A reação da personagem parece confirmar a eficiência da estratégia de Berrão que tem o objetivo de alimentar ciúme nas mulheres para mantê-las desunidas.

Benzer Belgeler