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2. MATERYAL VE YÖNTEM

2.8. Tavlama Fırını

Ao concluir sua apresentação das diversas fórmulas do imperativo, Kant apresenta, nos próximos parágrafos, um resumo, buscando explicitar as relações entre elas bem como sua possível unidade. Inicia afirmando que

As três maneiras referidas de representar o princípio da moralidade são, porém, no fundo, apenas outras tantas fórmulas de exatamente a mesma lei, das quais cada uma por si mesma reúne em si as outras. No entanto, há nelas uma diferença que, na verdade, é mais subjetiva do que objetivamente prática, a saber, a fim de aproximar uma ideia da razão à intuição (segundo uma certa analogia) e, desse modo, ao sentimento (GMS 4: 436; p. 269-271).

Este parágrafo breve e crucial contém três afirmações, que demandam atenta consideração. Primeiramente, Kant afirma que as três maneiras mediante as quais representa o princípio supremo da moralidade são apenas fórmulas variantes de um único imperativo categórico, derivado a partir de seu conceito (FLU)42. Demonstra-se a exigência de haver um único princípio, muito embora este possa ser expresso por diferentes modos43. Allison (2011, p. 246) chama esta tese inicial de “tese da singularidade”.

Em segundo lugar, Kant afirma que cada uma das fórmulas reúne em si as demais. E, pouco adiante, dirá de modo mais preciso que uma das fórmulas, na verdade, reúne sob si as outras, a saber, FA, na sua variante FRF, que contém a determinação completa do imperativo e reúne sob si FLU/FLN e FH (GMS 4: 436; p. 271).

A primeira e a segunda afirmação acenam para uma questão disputada entre os comentadores, a saber, o problema da equivalência das fórmulas do imperativo categórico. Em rigor, a equivalência deve significar que, aplicadas a uma dada situação, as fórmulas devem apresentar o mesmo resultado (TIMMERMANN, 2007, p. 110). O problema, como ficou claro na análise realizada até aqui, é que elas nem sempre parecem apresentar o mesmo resultado. Já se afirmou, por exemplo, que algumas máximas passam nos testes de FLU e FLN, mas não necessariamente naqueles envolvendo FH e, sobretudo, FA/FRF. Esta questão será retomada no fim desta subseção.

Uma questão, porém, ainda ficou para trás: que razão explica, então, as diferenças de “expressão” do imperativo? Na terceira afirmação, apresenta-se o motivo: a diferença entre

42 Segue-se, aqui, a visão de Timmermann (2007, p. 109-110), que toma FLU como a forma canônica do

imperativo categórico e compreende FLN, FH e FA/FRF como suas variações.

43 O filósofo teria afirmado numa de suas preleções sobre ética: “Onde há muitos princípios na ética, há

elas é apenas subjetiva e visa aproximar uma ideia da razão da intuição e do sentimento, de acordo com “certa analogia”. A analogia, “semelhança perfeita de duas relações entre coisas inteiramente dessemelhantes” (Prol 4: 357; p. 152), oferece uma forma de pensar uma ideia, para a qual, por definição, não há objeto correspondente na experiência44. Esta é a função das variações do imperativo categórico, que empregam, nesta analogia, as noções de “sistema da natureza”, “seres humanos como fins em si mesmos” e autonomia no “reino dos fins” (TIMMERMANN, 2007, p. 111).

Ato contínuo, Kant relaciona as fórmulas do imperativo categórico com as qualidades que, segundo ele, todas as máximas possuem, a saber, forma, matéria e determinação completa. A forma consiste na universalidade e se relaciona com FLN. A matéria diz respeito ao fim e o imperativo apresenta o fim em si mesmo como condição restritiva dos fins subjetivos (FH). A determinação completa, por fim, surge da necessidade de que as máximas, frutos de uma autolegislação, concordem entre si num reino dos fins (FRF). Assim como nas categorias de quantidade (unidade, pluralidade, totalidade), das quais Kant agora faz uso, há uma progressão entre as fórmulas do imperativo e a última formulação pode ser compreendida como síntese das anteriores45. Muito embora se recomende, no ajuizamento moral, proceder segundo o “método rigoroso”, a saber, a fórmula universal do imperativo46, as variações

apresentadas são úteis para assegurar a acolhida à lei moral (GMS 4: 436-437; p. 271-273). Os quatro últimos parágrafos, por fim, procuram mostrar como cada uma das três variações (FLN, FH e FA) contém em si a fórmula fundamental do imperativo (FLU) (GMS 4: 437-440; p. 273-285).

44“Por meio de uma tal analogia, posso, pois, dar um conceito de relação entre coisas que me são totalmente

desconhecidas. Por exemplo, assim como a promoção da felicidade das crianças = a se refere ao amor dos pais =

b, assim a prosperidade do gênero humano = c se reporta ao que é desconhecido em Deus = x, que nós

chamamos amor; não é que este amor tenha a melhor semelhança com alguma inclinação humana, mas porque podemos pôr a sua relação ao mundo como semelhante àquela que as coisas do mundo têm entre si. O conceito de relação, porém, é aqui uma simples categoria, a saber, o conceito de causa, que nada tem a ver com a sensibilidade” (Prol: 4: 357; p. 153).

45Em todas as classes de categorias, observa Kant, “a terceira categoria resulta sempre da ligação da segunda

com a primeira de sua classe” (KrV B 110).

46 Para alguns, Kant parece introduzir, nesta passagem, uma “nova” fórmula, denominada, sem mais, de

“fórmula universal” (expressão utilizada pelo próprio filósofo, unicamente aqui): “age segundo a máxima que

possa sempre fazer de si mesma uma lei universal” (GMS 4: 436; p. 273 – grifos do autor). Esta seria a forma

canônica do imperativo. Timmermann, como já se disse, identifica-a com FLU. Wood (2008, p. 83-84), por seu turno, com FA, por três razões: a) a fórmula universal ocorre no mesmo parágrafo em que se faz referência a FRF, que é variação de FA; b) FA é a fórmula que combina as outras duas; c) as palavras “fazer de si mesma uma lei universal” podem ser interpretadas como equivalentes a “vontade autolegisladora” (FA). Allison (2011, p. 251-253), por fim, nota que FLU contém uma diferença importante em relação à fórmula universal, a saber, o elemento do “querer”. Acredita haver uma ambiguidade no tratamento de FLU (como exigindo coerência de uma máxima consigo mesma e também sua aceitabilidade entre todos os seres racionais) – de modo que, apenas se considerada em todo seu sentido, pode ser identificada com a fórmula canônica.

Diante das dificuldades apresentadas à tese da singularidade, é possível sustentar a equivalência entre fórmulas? De um lado, é exigência do próprio Kant que o princípio supremo da moralidade seja único. De outro, as inúmeras dificuldades encontradas na análise de cada uma das fórmulas parece apontar para a direção oposta. Wood (1999, p. 186) chega a afirmar que não há equivalência, posto ser impossível apresentar uma prova da mesma – a saber, que todas as fórmulas levem aos mesmos resultados numa mesma situação.

Uma possível saída é considerar, como já foi visto, que o objetivo de GMS II é apontar um caminho no qual se dá a completa construção do conceito do imperativo categórico. Dada a ambiguidade de FLU, que pode denotar tanto a necessidade de coerência da máxima consigo mesma quanto também sua aceitabilidade universal, é lícito supor que Kant identifique FLU com a fórmula universal (FU) do imperativo, desde que considerada na segunda acepção. Isso torna possível a equivalência, não primeiramente entre as fórmulas entre si, mas entre elas e a completa construção do imperativo (FLU = FU) (ALLISON, 2011, p. 256).

Para esclarecer este ponto, Allison faz uso de uma analogia entre as fórmulas do imperativo e o perspectivismo leibniziano. Com efeito, assim como diferentes visões de uma cidade, que parecem multiplicá-la, são, na verdade, apenas diferentes pontos de vista a partir dos quais se vê uma única cidade, assim também cada mônada em relação ao universo: não há vários universos, mas um único universo, percebido sob diferentes pontos de vista pelas várias mônadas (LEIBNIZ, 1983, p. 111, §57). Aplicando-se isso a Kant, “pode-se dizer que há apenas um único imperativo categórico (ou princípio supremo da moralidade), que cada uma das três fórmulas representa de um ponto de vista diferente (o da forma, da matéria e da determinação completa)”. E assim como as representações do universo são equivalentes sem serem idênticas, “assim, as expressões do único imperativo categórico, as três fórmulas são (extensionalmente) equivalentes sem serem idênticas” (ALLISON, 2011, p. 256).

Benzer Belgeler