A indúst ria t êxt il e de vest uário represent a a quart a at ividade econôm ica m ais im port ant e em nível m undial, at rás apenas da agricult ura, t urism o e inform ações, e à frent e de indúst rias com o aut om obilíst ica, arm as, bens de produção et c. ( GHERZI , 1998) .
At ualm ent e, o com ércio m undial de t oda a cadeia t êxt il, incluindo as m at érias- prim as, fios, fibras, filam ent os, t ecidos e vest uário, m ovim ent a anualm ent e cerca de US$ 200 bilhões, sendo a part icipação do Brasil ( com export ações na faixa de US$ 1,2 bilhão) inferior a 1% ( GORI NI & SI QUEI RA,1999) .
Ainda assim , esse segm ent o indust rial se configura com o um dois m ais im port ant es do país, não som ent e por t er sido hist oricam ent e pioneiro no processo de indust rialização nacional ( seu surgim ent o rem ont a à prim eira m et ade do século XI X) , m as sobret udo pelo fat uram ent o ( US$ 25 bilhões em 19982 8) e pela geração de em pregos( QUADRO 2) .
QUAD RO 2 – I ndica dor e s do se t or t ê x t il
I n d ica d o r 1 9 9 0 1 9 9 1 1 9 9 2 1 9 9 3 1 9 9 4 1 9 9 5 1 9 9 6 N . Em p r e sa s 4 . 9 3 8 4 . 8 5 3 4 . 5 4 8 4 . 4 3 6 4 . 4 7 0 4 . 1 0 3 3 . 8 1 7 N . Em p r e g os ( m il) 809 703 521 483 501 436 356 Pr o d . Fio s ( 1 0 0 0 t o n . ) 1 . 1 2 4 1 . 2 3 3 1 . 3 5 4 1 . 3 9 4 1 . 3 7 7 1 . 1 5 5 1 . 0 2 1 Pr od . Te cid os ( t on . ) 814 842 949 1 0 0 3 1 0 4 2 839 850 Pr od . M a lh a s ( t on .) 371 358 405 453 457 414 407 V a r . An u a l Pr o d u t . ( % ) - 1 , 4 1 , 0 4 , 7 5 , 2 5 , 4 17, 7 Ex p or t . ( U S$ m ilh ã o) - - 1 . 4 9 1 1 . 3 8 2 1 . 4 0 3 1 . 4 4 1 1 . 2 0 0 I m p o r t . ( U S$ m ilh ã o ) - - 535 1 . 1 7 5 1 . 3 2 3 2 . 2 8 6 2 . 3 0 0 FONTE - ABI T.
Result ado de invest im ent o de capit al em inent em ent e nacional, o Com plexo Têxt il brasileiro é m arcado pela het erogeneidade em relação ao port e das em presas que o com põem , incluindo desde grandes em presas int egradas ( da fiação ao acabam ent o) e m odernizadas at é pequenas em presas confeccionist as, caract erizadas pela ut ilização de processos art esanais ou sem i- art esanais de produção.
Com a abert ura da econom ia, que possibilit ou a ent rada de produt os est rangeiros, as deficiências ant es escondidas por um fort e prot ecionism o se evidenciaram , principalm ent e, em relação ao at raso t ecnológico e à gest ão pouca dinâm ica das em presas, o que redundava em cust os incom pat íveis com os padrões int ernacionais ( OLI VEI RA, 1997) .
O saldo da balança com ercial do set or vem caindo desde 1992, sendo que, em 1996, at ingiu seu m áxim o: um déficit de US$ 1.016.866 ( I NDI , 1997) .
GRÁFI CO 1 – Evolu çã o do com é r cio e x t e r ior do se t or t ê x t il 954.953 -1.015.864 206.949 80.552 -843.604 -580 -1.500.000 -1.000.000 -500.000 0 500.000 1.000.000 1.500.000 2.000.000 2.500.000 1992 1993 1994 1995 1996 1997*
EXPORTAÇÕES IMPORTAÇÕES SALDO
US$ mil
FONTE – Car t a Têx t il.
Num período m ais recent e observa- se um a t endência à redução desse déficit com ercial, em conseqüência da queda pronunciada das im port ações, apesar das export ações t am bém t erem se reduzido.
Em bora se possa credit ar part e desse acont ecim ent o à desvalorização do real no início de 1999, o que t ornou as im port ações m ais dispendiosas e reduziu a pressão sobre as indúst rias locais, não se podem desprezar as reações posit ivas do set or em presarial face aos desafios im post os pelo processo de abert ura com ercial, os quais est ariam baseados em esforços efet ivos de m odernização produt iva e organizacional, at ravés principalm ent e de t rês est rat égias:
1 . I nvest im ent o na subst it uição dos equipam ent os obsolet os por equipam ent os m odernos, que t êm possibilit ado o aum ent o da eficiência, at ravés da redução de t em pos ociosos na produção.
2 . I ncrem ent o da com pet it ividade dos produt ores, favorecendo a am pliação do m ix de produção e a adequação do rit m o de produção à evolução do m ercado.
3 . Adoção de novos m ét odos produt ivos e sist em as organizacionais m ais m odernos, dent re os quais se dest acam os sist em as j ust - in- t im e, células de produção, círculos de cont role de qualidade, t écnicas de cont role est at íst ico da qualidade et c ( BRI TTO, 1999) .
Segundo inform a a Associação Brasileira da I ndúst ria Têxt il – ABI T –, de 1992 a 2000, o set or invest iu US$ 7 bilhões em m odernização do parque de m áquinas, no desenvolvim ent o e na aquisição de t ecnologia e em capacit ação de seus t rabalhadores. At é 2008, são previst os m ais US$ 12,3 bilhões em novos invest im ent os, de acordo com m et as do Fórum de Com pet it ividade da Cadeia Produt iva Têxt il.
Mesm o que pesquisas2 9 indiquem que a m odernização ainda é m ais um a t endência que um a realidade para a m aioria das em presas t êxt eis brasileiras, esse fat o t em cont ribuído para um a m udança no perfil do set or, que cam inha no sent ido de se t ornar cada vez m ais indust rialm ent e concent rado.
De acordo com a ABI T, 26% das em presas fecharam suas port as no período com preendido ent re 1990 e 1997. Nos segm ent os relat ivos à fiação, t ecelagem e beneficiam ent o, essa redução foi m ais significat iva ainda, observando- se, no m esm o período, um a queda de 53% , 52% e 53% do núm ero de em presas, respect ivam ent e ( BRI TTO, 1999) .
Esse fat o cont ribuiu para um a sensível redução do núm ero de em pregados no set or ( 56% no período ent re 1990 e 1996) . Nesse m esm o período, a despeit o de um a dim inuição da produção de fios ( 17% ) , houve crescim ent o da produção de t ecidos ( 4,5% ) e de m alhas ( 9,7% ) , o que se explica por um expressivo aum ent o da produt ividade do t rabalho ( 17,7% em 1996) .
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Ver , por ex em plo, o est udo Moder nização, em pr ego e qualificação pr ofissional. Rio de Janeir o: SENAI - CNI , 1998.
Em Minas Gerais, onde o set or t êxt il t am bém ost ent a um a im port ância hist órica e econôm ica ( som ent e as 53 m aiores em presas t êxt eis em pregavam 26.560 pessoas e fat uraram cerca de R$ 1 bilhão em 19953 0) , as dificuldades não foram diferent es do rest ant e do país. A concorrência ext erna e a necessidade de aum ent ar a com pet it ividade foram igualm ent e apont adas com o os m aiores desafios enfrent ados pelas em presas após a abert ura com ercial ( I NDI ,1997) .
Segundo GORI NI & SI QUEI RA ( 1999) , para alcançar a com pet it ividade, é necessária a cont inuidade da reest rut uração do set or, o que vem envolvendo, inclusive, o deslocam ent o regional em busca de incent ivos fiscais e m ão- de- obra m ais barat a, com dest aque para os novos invest im ent os no Nordest e ( principalm ent e no Ceará) , Nort e de Minas ( região da SUDENE) e Sul de Minas ( especialm ent e nos segm ent os de jeans, m alhas e confecção) .
Além disso, som ent e m edidas com o m aior profissionalização do corpo gerencial das em presas ( a m aioria ainda t em um a adm inist ração fam iliar t radicional) , a busca de parcerias e a abert ura de seu capit al a invest idores, nacionais e est rangeiros, poderão fazer com que as em presas t êxt eis brasileiras enfrent em com sucesso o desafio da com pet it ividade em nível nacional e m undial ( I NDI , 1997) .
Com pet it ividade essa que, cada vez m ais, não se resum e a oferecer o m elhor preço e sim o m ix m ais vant aj oso, no qual se incluem , além do cust o, t am bém a qualidade, a flexibilidade e a diferenciação de produt os.
Por fim , segundo GORI NI ( 2000) , são posit ivas as perspect ivas para as em presas que conseguirem vencer o desafio da m odernização, m esm o para aquelas que pret enderem concent rar seu foco no m ercado nacional, pois, em bora o consum o per capit a de t êxt eis no Brasil t enha crescido de 8,3 kg/ habit ant e, em 1990, para 9,5 kg/ habit ant e, em 1999, ( crescim ent o acum ulado superior ao da população) ,
30 Dados do I NDI ( 1997) .
exist e ainda m uit o pot encial de crescim ent o, especialm ent e em virt ude da dem anda reprim ida.
Para aquelas que pret endem explorar t am bém o m ercado ext erno, GORI NI ( 2000: 42) diz ser fundam ent al o est abelecim ent o de
“ . . . alianças est r at égicas e ar r anj os pr odut iv os com er ciais ent r e as em pr esas ( por ex em plo, beneficiam ent o/ acabam ent o conj unt o, CAD/ CAM conj unt o, ent r epost os com uns no ex t er ior et c. , assim com o a at r ação de inv est im ent os ex t er nos” ,
principalm ent e via parceria com grandes cadeias que, caso efet ivam ent e planej em se expandir no país, t enderão a t razer alguns fornecedores ext ernos e a desenvolver fornecedores int ernos.
Ainda, segundo GORI NI ( 2000: 42) ,
“ a inser ção no m er cado ex t er no dev er á apoiar - se em pr odut os de algodão nos quais j á t em os com pet it iv idade – cam a, m esa e banho, denim e pr odut os confeccionados de m aior v alor agr egado – calças j eans por ex em plo, assim com o em nov os m er cados e pr odut os – m alhas de algodão e m oda pr aia, por ex em plo, em que os inv est im ent os em design e desenv olv im ent o de pr odut os são de ex t r em a im por t ância” .
A em presa escolhida para a realização da nossa invest igação t em convivido com esses desafios, com o verem os a seguir.