MUHALEFET ŞERHİ
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versacionais e sociais do uso da linguagem ..., bem como os tipos de coisas sobre as quais elas ‘falam’ ..., demonstraram, sem sombra de dúvida, que seu processo de aquisição se- gue a mesma trajetória de crianças ouvintes da mesma idade, em processo de aquisição da língua falada” (Petitto 2000)3.
Relatos similares que consideram a traje- tória geral da aquisição da linguagem similar para línguas sinalizadas e faladas podem ser encontrados em estudos de línguas de sinais além da ASL. Por exemplo, Língua de Sinais Italiana (Caselli & Volterra, 1990), Língua de Sinais Brasileira (Quadros, 1997) e Língua de Sinais Holandesa (Van den Bogaerde, 2000), entre outros.
Consideremos o caso do balbucio. A pes- quisa referente ao balbucio de crianças ouvin- tes revela que o balbucio vocal (sons repetitivos e silábicos como “baba”) emerge por volta dos 6 a 8 meses de idade e continua (com algumas mudanças) até a sua substituição por palavras. Do mesmo modo, Petitto & Marentette (1991) observaram que crianças surdas expostas à língua de sinais produzem ‘balbucios manu- ais’ durante o mesmo período. Descobriram a ocorrência de atividades de balbucio manu- al entre 32%-71% dos gestos produzidos por duas crianças surdas observadas aos 10, 12 e 14 meses de idade. Petitito & Marentette ar- gumentaram que o balbucio manual é similar ao balbucio vocal, ao satisfazer três condições. A primeira é que os balbucios utilizaram uni- dades fonéticas restritas àquelas usadas em si- nalização; em segundo lugar, os balbucios de-
monstraram organização silábica; em terceiro, foram utilizados de forma não-comunicativa. Petitto (2000) conclui, “A descoberta do bal- bucio em outra modalidade confirmou a hi- pótese que o balbucio representa um estágio distinto e crítico na ontogênese da linguagem humana”4.
As semelhanças de balbucio entre crian- ças aprendendo línguas de sinais e crianças aprendendo línguas faladas foram enfati- zadas e expandidas no estudo de Meier & Willerman (1995) e Cheek et al. (2001); en- tretanto, eles sugerem que o balbucio, nas duas modalidades, é uma conseqüência do desenvolvimento motor e não especifica- mente uma expressão da faculdade lingüísti- ca. Assim como Petitto & Marentette, Meier & Willerman e Cheek et al. observaram o balbucio manual em crianças expostas a lín- guas de sinais: observaram cinco crianças surdas na faixa etária entre 7, 10, e 13 meses e relataram o balbucio manual entre 25% e 93% de todos os gestos produzidos.
Contudo, ao contrário de Petitto & Marantette, que relataram que o balbucio manual era bem menos freqüente nos três sujeitos ouvintes analisados por eles (aproxi- madamente 20% dos gestos), Meier & Wil- lerman e Cheek et. al. relatam que as cinco crianças ouvintes não expostas a línguas de sinais que eles estudaram produzem balbu- cio manual muito semelhante ao das crianças surdas, em uma média entre 44% - 100% de todos os gestos.
Os dois estudos relatam fortes similari- dades entre crianças que estão desenvolvendo
3 “padrões sociais e interacionais do uso da língua… assim como os tipos de coisas que elas falam…, demonstraram
inequivocamente que suas aquisições de língua seguem trajetórias idênticas verificadas em crianças ouvintes adqui- rindo línguas faladas”.
4 “a descoberta do balbucio em uma outra modalidade confirmou a hipótese de que a balbucio representa uma etapa
Diane Lillo-Martin
Questões T
eóricas das P
esquisas em Línguas de Sinais
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a língua de sinais e crianças que estão desen- volvendo a língua falada. Ambos os estudos também relacionam seus resultados a expli- cações teóricas que ressaltam similaridades no desenvolvimento de línguas de sinais e de línguas faladas, embora suas teorias sejam diferentes. Os dois são, portanto, bons exem- plos de paralelos entre aquisição de línguas de sinais e aquisição de línguas faladas.
Por que é importante demonstrar que crianças surdas com input de sinalização na- tivo adquirem línguas de sinais num tempo ‘idêntico’ – ou até mesmo paralelo – ao de outras crianças que aprendem línguas fala- das? Para Petitto, a implicação desse resulta- do é que a propensão dos seres humanos para a aprendizagem de línguas não é dependente de modalidade. Ao contrário, os mecanismos que possibilitam o desenvolvimento lingüís- tico aplicam-se igualmente bem a uma língua visual-gestual, como a uma língua auditiva- vocal (auditory-vocal language). À medida que procuramos compreender como é pos- sível a aquisição da linguagem, nossas teorias talvez tenham que ser repensadas para aco- modar essa independência de modalidade.
Essas conclusões sobre a natureza dos mecanismos de aquisição da linguagem só seriam autorizadas se as línguas de sinais fos- sem consideradas como não sendo línguas humanas naturais completamente desenvol- vidas (full, natural human languages), com as mesmas fundações biológicas e com ambien- tes sociais similares. Atualmente, lingüistas e psicólogos bem informados não questionam o status das línguas de sinais. Entretanto, ain- da existem muitas pessoas que não são bem informadas sobre esse assunto e estão, muitas vezes, em posição que lhes permitem tomar decisões a respeito do bem estar de usuários (potenciais) de língua de sinais. Por esse mo- tivo, nunca é demais ressaltar essa questão.
2. Explicação das diferenças entre aquisição de línguas de sinais e de línguas faladas.
Esta categoria de pesquisa se concentra nos aspectos onde a aquisição de línguas orais e a aquisição de línguas de sinais podem ser di- ferentes e busca explicar essas possíveis dife- renças como, por exemplo, os efeitos da mo- dalidade. Tais efeitos de modalidade podem incluir iconicidade e desenvolvimento motor / articulatório, entre outros.
Um exemplo de pesquisa que considera o papel da modalidade na explicação das dife- renças entre o desenvolvimento da língua de sinais e da língua falada examina o surgimen- to dos primeiros sinais versus palavras faladas. Inúmeros autores afirmam que os primeiros sinais surgem, aproximadamente, 6 meses antes das primeiras palavras e o entusiasmo atual pela ‘sinalização do bebê’ na popula- ção ouvinte baseia-se nessa idéia. Meier & Newport (1990), em uma minuciosa revisão de literatura que documenta marcos impor- tantes na aquisição sinal versus fala, chegaram a importantes conclusões gerais acerca das si- milaridades e diferenças. Primeiro, a ‘vanta- gem’ dos sinais parece ser de 1,5 a 2,5 meses (idade aproximada de 8,5 meses para os pri- meiros sinais e 10-11 meses para as primeiras palavras), e essa diferença é vista apenas com os primeiro sinais ligados ao contexto e não com os sinais puramente simbólicos. Segun- do, os autores afirmam que a vantagem dos sinais existe apenas em relação às primeiras palavras e não às primeiras combinações de palavras (sintaxe inicial). Finalmente, Meier & Newport oferecem uma possível explica- ção para a vantagem dos sinais em termos de mecanismos ‘periféricos’ – aqueles utilizados na produção e/ou percepção de sinais versus palavras. Eles apresentam argumentos para
Estudos de aquisição de línguas de sinais: passado, presente e futuro
Questões T
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