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4 TARTIŞMAVE SONUÇ

O primeiro inventário de Ansiedade Estado-Traço foi criado por Spielberger, Gorsuch e Lushene (1970) com o objetivo de efetuar a avaliação da Ansiedade-Estado e Ansiedade- Traço em contextos clínicos e de investigação. Este instrumento foi amplamente utilizado a nível mundial, inclusive em Portugal, tendo sido traduzido, adaptado e aferido para a população portuguesa (Gonçalves et al., 2003).

O State-Trait Anxiety Inventory for Children é uma escala clínica útil para avaliação da ansiedade infantil, que permite a deteção e medição da Ansiedade-Estado e da Ansiedade- Traço. É um instrumento confiável e de fácil utilização, adequado para a triagem de sintomas ansiosos em geral, inclusive em contextos de doença e cirurgia (Moro & Módolo, 2004; Assumpção Jr. & Resch, 2006).

O State-Trait Anxiety Inventory for Children (de ora em diante designado por STAIC) foi desenvolvido por Spielberger, Edwards, Lushene, Montuori & Plastzek em 1973, a partir de uma versão do State-Trait Anxiety Inventory32 e, apesar de manter semelhante conceção e estrutura, serve para avaliar a Ansiedade-Estado e Ansiedade-Traço em crianças. O STAIC é

32 O State-Trait Anxiety Inventory original consiste num instrumento de autoaplicação, de

utilização individual ou em grupo, que utiliza uma escala de Likert de 4 pontos. As instruções para a sua aplicação são simples e em observância com os requisitos mais comuns, ressalvando-se apenas que a escala de Ansiedade-Estado deve ser preenchida primeiro, para não enviesar os resultados; as respostas à escala da Ansiedade-Estado devem reportar-se ao momento presente, enquanto para a escala da Ansiedade-Traço devem referir-se ao como o sujeito geralmente se sente. A cotação de cada item admite a atribuição de 1 a 4 pontos, sendo que o 1 corresponde ao grau mínimo de ansiedade e o 4 ao grau máximo de ansiedade. Por se verificar ansiedade ausente, existem 10 itens na escala da Ansiedade- Estado e 9 na escala de Ansiedade-Traço com cotação inversa. O score total obtém-se através da soma de todos os valores de cada escala, variando entre o mínimo de 20 pontos de ansiedade e um máximo de 80 pontos.

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composto por duas escalas, respetivamente a escala de Ansiedade-Estado e a escala de Ansiedade-Traço. Ambas as escalas foram concebidas para autoadministração, individual ou coletiva, e contêm 20 frases às quais o sujeito deverá responder, a partir do indicador “como se sente no momento”, no caso da escala de Ansiedade-Estado, ou “como se sente geralmente”, no caso da escala de Ansiedade-Traço. As respostas podem variar, segundo uma escala de Likert, entre “nunca” e “muitas vezes” (Dias & Gonçalves, 1999; Matias et al., 2006).

Reportando-se ao STAIC, Dias & Gonçalves (1999) referem que a escala de Ansiedade- Estado foi rapidamente adotada em Portugal para aplicação em contexto clinico, ao contrário da escala de Ansiedade-Traço. Por essa razão, os autores testaram a escala de Ansiedade-Traço através de um estudo normativo para a população portuguesa, tendo obtido resultados satisfatórios, fidedignos e válidos, e concluído que a escala é adequada para medir diferenças individuais relativamente estáveis na tendência para experimentar estados de ansiedade.

Em 2006 efetuou-se um novo estudo, mas desta vez alargado a várias regiões de Portugal, incluindo as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, para aferir da estrutura fatorial da versão portuguesa do State-Trait Anxiety Inventory for Children (STAIC). A exemplo dos resultados a nível nacional, na Região Autónoma dos Açores verificou-se a boa capacidade psicométrica deste instrumento, tendo deste estudo resultado a versão em português com 40 itens utilizada no presente estudo empírico. Para avaliar as propriedades psicométricas desta versão do STAIC procedeu-se ao estudo da consistência interna das escalas Estado e Traço, utilizando o Coeficiente Alfa de Cronbach, a correlação item-restante, e a correlação metade-metade (Medeiros et al., 2006).

Recorde-se que o Coeficiente Alfa de Cronbach mede a fidelidade ou consistência interna das respostas a um conjunto de variáveis correlacionadas entre si, pelo que, nas ciências humanas, valores de Coeficiente Alfa de Cronbach superiores a 0.80 são considerados bons, e entre 0,70 a 0.80 aceitáveis, indicando que as correlações inter-variáveis medem uma mesma dimensão, e não várias (Cronbach, 1951).

O Coeficiente Alfa de Cronbach da amostra dos Açores para a escala Ansiedade-Estado foi 0.89, sendo o valor alfa de 0.86 para o sexo masculino e de 0.90 para o sexo feminino, enquanto para a Ansiedade-Traço o valor de alfa foi de 0.76 para a amostra (com valores de alfa de 0.75 para o sexo masculino e 0,76 para o sexo feminino). Os valores de fidedignidade metade-metade para a escala de Ansiedade-Estado foram de 0.71 para o sexo masculino e de 0.73 para o sexo feminino, enquanto para a escala de Ansiedade-Traço foram respetivamente de 0.76 para o sexo masculino e de 0.78 para o feminino (Medeiros et al., 2006), o que foram considerados bons índices de fidedignidade (cf. Cronbach, 1951; Medeiros et al., 2006). Ainda

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na determinação da consistência interna do instrumento, as correlações item-restante confirmam a consistência interna das escalas do STAIC. A validade e análise fatorial confirmatória do instrumento foram também testadas, confirmando a sua boa capacidade psicométrica e boa estrutura fatorial, conceptualmente ajustada ao modelo de Spielberger (Medeiros et al., 2006).

A utilização deste teste foi autorizada, no contexto deste estudo, pelo Professor Doutor Emanuel Ponciano.

Procedimentos de aplicação do teste

Numa fase prévia à investigação, foram efetuados 5 pré-teste com o STAIC em 5 participantes que cumpriam integralmente os critérios de elegibilidade do estudo, tendo-se verificado que a aplicação do teste não levantava problemas de aplicação.

O teste de cada participante foi identificado com o respetivo número de caso e garantido o seu anonimato. Este instrumento demorou menos de 10 minutos a preencher, não se tendo verificado cansaço por parte dos inquiridos durante o seu preenchimento. Estes 5 casos foram excluídos da população do estudo.

Benzer Belgeler