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O Modelo Shingo é uma metodologia de gestão que se baseia nos princípios do Lean Enterprise originado na Toyota Motor Company com base no Sistema Toyota de Produção. Os princípios que compõem este modelo foi amplamente ensinado e divulgado pelo Dr. Shigeo Shingo ao longo de sua jornada profissional.

Shingo defendeu que a melhoria contínua de qualquer negócio se dá através de um sistêmico processo de transformação e não através de tentativas e erros. Nas palavras de Shingo (1996, p. 5) “A verdadeira inovação não é atingida através da imitação superficial ou do uso isolado e aleatório de ferramentas, técnicas e sistemas (o ‘saber como fazer’), mas ao invés disso exige o conhecimento dos propósitos (o ‘saber porquê fazer’)”.

Outra característica fundamental do Modelo Shingo é o fato de a mesma viabilizar o uso de outras ferramentas difundidas e usadas no mercado em conjunto com o próprio modelo. A abordagem do Modelo Shingo permite que estas ferramentas sejam integradas dentro de modo a fortalecer os princípios de excelência.

O Modelo Shingo é formado por dois elementos estruturais. São eles: a Casa e o Diamante. Segundo o próprio manual do The Shingo Prize for Operational Excellence (2010, p. 5) “A casa detalha os princípios de excelência operacional e o poder de equilibrar esforços através de todas as dimensões. O diamante representa o processo de transformação visando incorporar os princípios de excelência operacional dentro da cultura organizacional”.

Uma marcante característica do Modelo Shingo é a universalidade, ou seja, os princípios estabelecidos dentro deste modelo são aplicáveis a qualquer tipo de negócio. O Shingo Prize afirma que todos os tipos de indústrias, empresas do setor público e privado, empresas com ou sem fins lucrativos, plantas individuais, divisões de negócio ou toda a companhia podem aplicar em sua totalidade o Modelo Shingo.

–18 – Modelo Shingo

2.2.2.1 O Diamante

O Diamante é uma representação simbólica desenvolvida dentro do Modelo Shingo para facilitar a visualização de um dos pilares de sua metodologia: o Processo de Transformação Shingo (The Shingo Transformational Process).

O Processo de Transformação Shingo se dá através de duas abordagens. A primeira possui um foco individual que parte do comportamento das pessoas que integram a companhia. A segunda apresenta um foco organizacional onde a companhia necessariamente precisa da uma abordagem sistêmica para desenvolvimento da cultura.

A Abordagem individual do Processo de Transformação Shingo tem como objetivo principal responder a seguinte pergunta: “Como eu faço que todos sejam líderes baseado nos princípios Shingo?”. A resposta para essa pergunta, baseada no diamante, trás uma robustez e garante a criação de uma cultura de melhoria contínua (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, 7).

Segundo o próprio manual do Shingo Prize (2010, p.7):

O líder baseado em princípios é aquele que possui primeiro, princípios incorporados profundamente em sua própria vida e vive congruente com estes princípios. Fazendo dos princípios o centro de sua própria filosofia, um líder é então capaz de liderar os outros com integridade. Este compromisso em pessoalmente exemplificar os princípios antes de liderar os outros é chamado de abordagem individual. (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p.7)

A figura 2-19 apresenta o método sistemático proposto pelo Modelo Shingo para a abordagem individual:

Figura 2–19 – Abordagem individual do Modelo de Transformação Shingo

Fonte: adaptado de Fonte: THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE (2010. P.1)

A abordagem individual do Modelo de Transformação Shingo sugere que o Diamante seja percorrido no sentido horário tendo como ponto de partido os Princípios de Orientação (que serão detalhados posteriormente como o detalhamento da Casa do Modelo Shingo), passando pelos sistemas, em seguida pelas ferramentas, logo após os resultados e retornando para os Princípios de Orientação. O detalhamento de cada etapa deste ciclo completo é o seguinte:

1) Experimente os princípios: Todos os princípios de excelência operacional devem ser vivenciados por todos os funcionários da companhia. Os líderes devem fomentar o uso

destes princípios e permitir que suas equipes testem na prática todos estes princípios. Segundo o manual do modelo Shingo (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, 7): “Apenas quando as pessoas vêm por elas mesmas a relação de causa e efeito dos resultados com relação aos princípios, elas estarão entendendo profundamente os valores dos princípios para elas pessoalmente”. O amadurecimento nos princípios de excelência se dará com o uso de ciclos de aprendizados repetidamente. Dessa forma as pessoas desenvolverão discernimento sobre a melhor forma de por em prática todos os elementos.

2) Alinhe os sistemas: Os sistemas devem ser desenhados de forma a permitir um permanente uso dos princípios. Eles devem facilitar e viabilizar o comportamento direcionado para princípios. Por esta razão “Os princípios alinham o desenvolvimento dos sistemas e os sistemas guiam comportamentos que são congruentes com os princípios”.

3) Selecione ferramentas apropriadas: Há disponível no mercado uma grande quantidade de ferramentas gerenciais prontas para serem usada para diversas finalidades. Praticamente todas visam a melhoria contínua do no processo no qual ela está envolvida. Comumente usam–se tais métodos e ferramentas de forma não sistêmica o que representa uma falha gerencial grave. Assim, “Infelizmente, aprender “como” fazer alguma coisa sem saber “porquê” pode conduzir ao uso inadequado, abuso e possivelmente um comprometimento do conceito”. Todas as ferramentas e métodos usados devem dar suporte aos sistemas existentes na companhia.

4) Alcance resultados: Alcançar resultados é consequência do uso adequado dos princípios de excelência operacional, porém quanto mais resultados se atingem mais evidente e mais reforçado se torna o uso dos princípios. Com isso, alcançar resultado é o melhor caminho para fortalecer e alinhar todos os colaboradores com os princípios de excelência.

A Abordagem organizacional do Processo de Transformação Shingo tem como objetivo principal criar um ambiente que favoreça o desenvolvimento de uma cultura de melhoria contínua.

Também, segundo o manual do Shingo (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE , 2010, 7):

Uma organização que tem desenhado e alinhado os sistemas, estruturas, e ferramentas para a melhoria contínua ensinará, reforçará, e construirá compromisso com os princípios. Ao logo do tempo e com contínuo reforço, princípios tornam–se profundamente incorporados nas mentes e corações das pessoas e tornam–se a fundação para uma nova cultura.

A figura 2-20 apresenta o método sistemático proposto pelo Modelo Shingo para a abordagem Organizacional:

Figura 2–20 – Abordagem organizacional do Modelo de Transformação Shingo

Fonte: adaptado de Fonte: THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE (2010. P.1)

A abordagem organizacional do Modelo de Transformação Shingo sugere um percurso oposto à abordagem individual. Em termos de organização o Diamante deve ser percorrido no sentido horário tendo como ponto de partido os Princípios de Orientação, passar pelos resultados, em seguida ferramentas, então sistemas e finalizar novamente nos Princípios de Orientação, ou seja no ponto inicial. O detalhamento de cada etapa deste ciclo completo é o seguinte:

1) Estabeleça valores ancorados com os princípios: Os valores principais da que sustentam toda a companhia em termos de cultura dever ser compatíveis com os princípios de excelência do Modelo Shingo, de modo a favorecer o fortalecimento da cultura de melhoria na organização.

2) Oriente para resultados: O estabelecimento dos princípios deve direcionar a companhia para a obtenção de resultados consistentes. Uma vez que os resultados fortalecem o uso dos princípios, essa interação entre princípios e resultados deve ser fortemente fomentada.

3) Refine as ferramentas: Com base nos resultados alcançados deve–se buscar o melhor entendimento do uso das ferramentas de modo a adequá–las a real necessidade e correta abordagem.

4) Viabilize os sistemas: Deve–se identificar se as ferramentas utilizadas e a forma como as mesmas são usadas estão compatíveis com os sistemas que regem a companhia, pois é comum as ferramentas, quando erradamente utilizadas, tornar–se uma carga adicional de trabalho. Por esta razão, deve–se avaliar se as ferramentas estão viabilizando a eficácia dos sistemas.

O elemento central do diamante representa a real cultura da organização. Essa cultura baseia–se no conjunto de todos os comportamentos tradicionalmente assumidos pelas pessoas na companhia. O Modelo de Transformação Shingo visa atuar de forma a garantir que com as abordagens individual e organizacional dessa cultura se moldem para um formato de excelência operacional.

2.2.2.2 A Casa

Assim como o Diamante, a Casa é uma representação simbólica do segundo pilar que sustenta o Modelo Shingo. Ela favorece a visualização de todos os princípios de excelência operacional que fundamentam o modelo proposto pelo Shingo Prize.

A Casa é o grande diferencial do Modelo. Nela consta dos os pontos chaves que fazem uma relação direta com os ensinamentos do Dr. Shigeo Shingo e os elementos do sistema Lean Enterprise. Segundo o manual (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p.6): “O Modelo Shingo alcança os objetivos identificando e focando nos princípios que são universais, atemporais e evidentes”.

Figura 2–21 – A Casa do Modelo Shingo

Fonte: adaptado de THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE (2010. P.1)

A Casa é composta por uma série de subdivisões que se classificam em Dimensões, Princípios de Orientação e Princípios Suporte que descrevem e organizam de forma sistemática as práticas de excelência do Modelo Shingo.

As Dimensões são subdivisões que abordam, organizam e sistematizam as áreas gerenciais do modelo, ou seja, as Dimensões dividem o modelo em macro práticas gerenciais que estão alinhadas entre si. O Modelo Shingo está divido em quatro dimensões, são elas:

 Dimensão 1: Facilitadores culturais (Cultural Enablers) – Esta dimensão está vinculada com o gerenciamento das pessoas.

 Dimensão 2: Melhoria contínua do processo (Continuous Process Improvement) – Esta dimensão está vinculada com o gerenciamento das ferramentas de melhoria contínua dentro do processo.

 Dimensão 3: Alinhamento da empresa (Enterprise Alignment) – Esta dimensão está vinculada com o alinhamento da estratégia ao longo de todos os níveis da empresa.

 Dimensão 4: Resultados (Results) – Esta dimensão está vinculada com os resultados atingidos e o direcionamento dos mesmos.

Os Princípios de Orientação são uma segunda subdivisão dentro da Casa do Modelo Shingo. Eles estão representados no lado esquerdo da Casa (como cor preta) distribuídos ao longo das quatro Dimensões.

Segundo o manual (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, 6): “Os dez Princípios de Orientação foram compilados por algumas das melhores organizações no mundo como a fundação das suas filosofias de excelência operacional”. Todos os dez Princípios de Orientação serão detalhados nas próximas subseções do presente texto.

Outra subdivisão dos elementos do Modelo Shingo se dá através dos Princípios de Suporte. Estes princípios são representados dentro da Casa do modelo no lado direito (na cor cinza) e também estão distribuídos ao longo das quatro dimensões.

Segundo o manual do Modelo Shingo (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p.6), existe uma forte relação entre os Princípios de Orientação e os Princípios de Suporte que pode ser detalhada da seguinte forma:

No geral, os Princípios de Orientação são muito grandiosos e um tanto abstratos. Embora eles sejam conhecidos e entendidos entre líderes e praticantes de sucesso da excelência operacional. Eles tem sido aprendidos por anos de experiência e cuidadosa reflexão. Os Princípios de Suporte são um pouco mais práticos e podem ser aprendidos e entendidos mais rapidamente. Eles são blocos estruturais para os Princípios de Orientação.

O elemento circular em forma de torta no centro da Casa representa todos os constituintes do da estrutura organizacional da empresa. São eles: operações, cadeia de suprimentos, desenvolvimento de produtos/serviços, relacionamento com o cliente e outras estruturas gerenciais. A torta representa toda a abrangência onde o Modelo Shingo deve atuar com a implantação dos princípios e a transformação cultural.

2.2.2.3 A Dimensão 1 – Facilitadores Culturais

A Dimensão 1 da Casa do Modelo Shingo tem como fundamento base as pessoas da organização. O modelo acredita que as pessoas são a chave para a mudança cultural necessária para o desenvolvimento da cultura de melhoria contínua e excelência operacional.

O papel dos facilitadores culturais dentro da organização é fundamental para o fomento da cultura de excelência operacional. Para o manual (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p.6): “Facilitadores culturais tornam possível para as pessoas da organização o engajamento na jornada de transformação, o progresso no entendimento das pessoas, e primordialmente a construção da cultura de excelência operacional”. A figura 2-22 a seguir mostra em detalhes a Dimensão 1:

Figura 2–22 – Dimensão 1 na Casa do Modelo Shingo

Fonte: adaptado de The Shingo Prize For Operational Excellence (2010. P.1)

A Dimensão 1 é formada por dois Princípios de Orientação e 4 Princípios Suporte que serão descritos em detalhes a seguir.

Primeiramente serão detalhados os dois Princípios de Orientação:

 Respeite cada indivíduo (Respect every individual) – Conforme o manual (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010 ,p. 9), este princípio visa estabelecer uma relação de respeito entre todas as partes da organização. Esta abordagem

promove o desenvolvimento de um ambiente propício para a cultura de melhoria contínua e excelência operacional. Um aspecto relevante é que “este princípio é estabelecido num contexto de ‘cada indivíduo’ ao invés de ‘para as pessoas’ como um grupo” o que reforça a necessidade de individualidade na abordagem. O princípio não se limita apenas à organização em si própria mas abrange todas as partes interessadas do negócio, ou seja, envolve respeito aos clientes, aos fornecedores, a comunidade, e a sociedade em geral.  Lidere com humildade (Lead with humility) – “Humildade é um princípio que precede o

aprendizado e a melhoria” (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p. 10). Com base neste princípio, a liderança precisa internalizar uma postura de abertura para ouvir os liderados, de busca incansável por fontes de informações até mesmo não–verbais dos colaboradores e de contínuo aprendizado a fim de estabelecer um ambiente propício para desenvolvimento de todos. Este princípio prega que a informação deve fluir em todas as direções dentro de uma organização e que ideias venham de todos, a qualquer momento e de todos os lugares, não podendo as mesmas esbarrar em restrições hierárquicas.

Os quatro Princípios Suporte são:

 Cultive relacionamento de longo prazo (Nurture long–term relationship) – Este princípio busca estabelecer uma relação duradoura tanto com todos os colaboradores quanto com as partes interessadas do negócio. Em conjunto, os princípios de respeito e humildade fortalecem a relação entre liderança e liderados o que garantem uma saudável relação de longo prazo dentro da companhia. Segundo O Manual (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p. 10) “Sob esta ótica, longo prazo deve refletir em décadas e não em anos.

 Desenvolva pessoas (Develop people) – O desenvolvimento das pessoas é um dos elementos chave para o sucesso da implementação da cultura de melhoria contínua e da excelência operacional. O respeitar cada indivíduo inclui o fato de educá–los, treiná–los e acompanhar o desenvolvimento dos mesmos. A liderança precisa estar comprometida com o desenvolvimento das suas equipes e com a disseminação do conhecimento de forma consistente.

 Delegue e envolva todos (Empower and involve everyone) – As pessoas são a chave para o sucesso de toda a organização e as mesmas possuem em si próprias um potencial que

precisa ser explorado. Atribuir mais responsabilidades aos seus colaboradores é uma maneira de capitalizar os investimentos feitos em treinamento e desenvolvimento dos colaboradores. Os princípios de desenvolvimento têm o poder de gerar expectativas nos colaboradores de demonstrar o talento que os mesmos possuem, e, com isso, delegar responsabilidade para funcionários capacitados promove a melhoria contínua.

 Garanta um ambiente seguro (Assure a safe environment) – “Em resumo, segurança em primeiro lugar” (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p. 10). A base de todo a dimensão 1 que tem como foco cuidar das pessoas consiste em garantir um ambiente de trabalho seguro para que as mesmas possam criar o valor esperado pelos clientes da organização. Este é o maior sinal de respeito aos indivíduos que qualquer organização pode demonstrar. Ao se tratar de ambiente seguro devem–se englobar aspectos de saúde, segurança e também meio ambiente. Outro elemento que a organização precisa desenvolver é o cuidado não apenas com os limites internos, mas de todas as partes interessadas.

2.2.2.4 A Dimensão 2 – Melhoria contínua do processo (Continuous Process Improvement)

A Dimensão 2 se baseia fundamentalmente na melhoria contínua dos processos envolvidos na atividade fim da organização. A melhoria contínua é a base do Modelo Shingo pois segundo os ensinamentos de Shigeo Shingo a mesma é o principal elemento para a excelência operacional.

A melhoria contínua deve ser orientada segundo um marco de direcionamento: a definição de valor para o cliente. Segundo Drucker (1998, p.58) “O cliente é o alicerce da empresa, quem a mantém viva”. Em termos de processos o elemento cliente pode ser entendido com cliente interno e externo e aquilo que representa valor para o cliente de cada elemento do processo deve ser perseguido.

A Dimensão 2 está sobre a Dimensão 1 para atender uma necessidade estratégica de que a melhoria contínua requer: a cultura de excelência operacional implementada. As pessoas precisam estar treinadas e envolvidas para que o valor para o cliente seja gerado de forma eficaz e

rentável para a companhia. Segundo manual “Todos precisam saber ‘o que é bom’ e o que fazer se o processo não está criando bons produtos ou provendo bons serviços”.

A imagem 2-23 apresenta a estrutura da Dimensão 2 da Casa do Modelo Shingo: Figura 2–23 – Dimensão 2 da Casa do Modelo Shingo

Fonte: adaptado THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE (2010. P.1)

A Dimensão 2 é formada por cinco Princípios de Orientação e 8 Princípios Suporte que serão descritos em detalhes a seguir.

Primeiramente serão detalhados os Princípios de Orientação:

 Foque no processo (Focus on process) – Segundo Shingo (1996, p. 202), “Processo é a sequência de eventos através dos quais os materiais são transformados em produtos”. Este princípio reconhece que bons processos vão produzir os produtos e serviços esperados. A abordagem focada no processo busca identificar as causa que permitiram o processo a gerar as possíveis falhas ao invés da tradicional abordagem de focar nas pessoas que cometeram um possível erro. Um outro alinhamento entre os facilitadores culturais e o princípio de foco no processo seria “o foco no processo também suporta os facilitadores culturais, criando um ambiente onde o aprendizado proveniente do erros pode se tornar um poderoso elemento de melhoria contínua.

 Adotar o pensamento científico (Embrace scientific thinking) – Segundo Shingo (1996, p. 71) “O propósito do pensamento científico é fornecer um método sistemático e abrangente para o desenvolvimento de melhorias”. Segundo o manual (THE SHINGO

PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p. 12) “um método natural para aprendizado e a abordagem mais efetiva para melhorias”. O pensamento científico deve ser disseminado dentro de toda a companhia de modo a garantir que todos oso colaboradores estejam habilitados a usá–los durante a sua rotina de trabalho. Segundo Taylor (1911) a administração científica consiste em 4 etapas: o desenvolvimento da controle da execução da ciência desenvolvida pelo profissional selecionado e a divisão equitativa do trabalho entre todos. De acordo com Shingo (1996) melhorias significativas e realistas requerem o seguinte fluxo de pensamento: observação, formulação da idéia, julgamento, sugestão e execução. Uma série de outras técnicas se baseiam numa abordagem científica. O Modelo Shingo prega é que a abordagem empírica seja substituída pela científica e que aquela selecionada seja aplicada consistentemente.

 Faça fluir e puxe o valor (Flow e pull value) – O objetivo do princípio de fazer fluir é significativamente reduzir o tempo necessário para realizar todas as etapas de transformação da matéria prima em produtos acabados. Uma série de barreiras fazem com que esse fluxo seja lento o que representa uma aumento no tempo necessário para entregar o valor para o cliente. A busca por fluxo é o direcionador para fazer o processo mais rápido, fácil, barato e melhor (THE SHINGO PRIZE FOR OPERATIONAL EXCELLENCE, 2010, p. 12). Puxar o valor tem o objetivo de estar alinhado com a demanda do cliente de modo a garantir o atendimento de suas necessidades com o mínimo necessário em termos de estoques. Em conjunto o fluir e o puxar geram benefícios valiosos para qualquer empresa.

 Garanta a qualidade na fonte (Assure quality at the source) – Para Shingo (1996) a qualidade na fonte previne a ocorrência de defeitos, controlando as condições que influenciam a qualidade na sua origem. A principal fonte de instabilidade nos processos é a geração de defeitos o que além de perda de produtividade pode ainda causar insatisfação dos clientes caso haja alguma falha na detecção. O Modelo Shingo prega que a busca de processos mais robustos e capazes de identificar desvios o mais breve possível deve ser fortemente buscado.

Benzer Belgeler