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Este capítulo apresenta a descrição e justificativa da metodologia utilizada para a obtenção dos resultados, pautada no método de pesquisa bibliográfica, descrevendo tipologia, área de abrangência e análise dos resultados.

3.1 TIPOLOGIA

A metodologia utilizada no trabalho utiliza a pesquisa do tipo bibliográfica, cujos dados foram extraídos do Balanço Energético do Estado do Rio Grande do Norte (2006) e do Sistema de Informação Energética da Olade, versão 1992, apud Fundación Bariloche (1996).

A pesquisa bibliográfica contemplou a leitura exploratória de livros, teses, dissertações, artigos e periódicos nacionais e estrangeiros, ensaios e anais de congressos, legislações e normas vigentes verificando em que medida o material interessava a pesquisa, colaborando com a identificação/quantificação da poluição atmosférica gerada pelo consumo energético; a leitura seletiva, com aprofundamento nos assuntos de interesse, em áreas ambiental e energética, alinhados ao objetivo da pesquisa, cujos resultados visam servir instrumentos de análise para o desenvolvimento de políticas públicas apropriadas para o setor energético, a fim de reduzir os poluentes lançados na atmosfera com a queima dos combustíveis; leitura analítica, analisando integralmente os textos, identificando as idéias chaves, hierarquizando e sintetizando as idéias; e a leitura interpretativa, relacionando os assuntos abordados nos materiais pesquisados com o que se propõe analisar, que consiste na matriz de consumo energético e de emissões de poluentes.

3.2 ÁREA DE ABRANGÊNCIA

Definiu-se como abrangência geográfica para análise dos dados, o Estado do Rio Grande do Norte, conforme Figura 3, localizado no nordeste do Brasil.

Figura 3 - Mapa do Brasil Fonte: GUIAGEO (2008).

3.3 ANÁLISE DOS DADOS

O Balanço Energético do Estado do Rio Grande do Norte (2006) foi adotado como instrumento básico para as análises, uma vez que fornece uma retrospectiva da dinâmica e das transformações sofridas pela matriz energética, o que permite análises que favoreçam o desenvolvimento sustentável e técnico-econômico dessa unidade da federação, ao menor custo ambiental para a sociedade. O documento apresenta, segundo a metodologia desenvolvida pela OLADE (Organização Latino Americana de Desenvolvimento Energético), os principais dados e informações sobre a produção e a oferta de energia primária, suas transformações para as múltiplas formas de energia secundária e, finalmente, identifica o consumo final, tanto de energia primária quanto de secundária pelos setores da sociedade.

Na metodologia adotada pelo Balanço Energético do Estado do Rio Grande do Norte (2006), o consumo total de cada fonte de energia primária e de energia secundária é representado pela soma da energia transformada com a energia que foi para o consumo final. Este se divide em consumo não energético que é apresentado no Balanço de forma agregada devido à dificuldade de sua identificação setorial, e em consumo energético cujos setores da economia que ele abrange são o próprio setor energético, o residencial, o comercial, o público, o agropecuário, o de transportes e o industrial. Por sua vez, o setor de transporte é dividido em rodoviário, ferroviário, aéreo e hidroviário, e o setor industrial em indústrias de cimento, ferro-gusa e aço, ferro-liga, mineração/pelotização, não ferrosos, química, alimentos e bebidas, têxtil, papel e celulose, cerâmica e outras indústrias.

Assim, estão apresentados no Balanço Energético do Estado do Rio Grande do Norte o setor transformação – em que são discriminados os dados de entrada em energia primaria e secundária para os centros de transformação – e o setor de consumo final, que é o abordado neste trabalho, conforme anexo B. Os sub-setores de consumo final de energia serão expostos em seis grandes módulos homogêneos de demanda: residencial, transporte, comercial, industrial, público e agropecuário, visando simplificar e facilitar a análise dos usos finais.

Para efeito de contabilização das grandezas energéticas e os respectivos fluxos, constantes do balanço energético, foi escolhida a unidade internacionalmente conhecida como Toe (Tonelada Equivalente de petróleo) numericamente equivalente a dez milhões de Kcal. Sua escolha deve-se unicamente para tornar amigável o cotejamento dos resultados do

Balanço com os resultados do Balanço Energético Nacional (BEN) e com dados internacionais. Para a eletricidade foi adotado o critério de equivalência física da primeira lei da termodinâmica, ou seja, 860 kcal/kWh (RIO GRANDE DO NORTE, 2006).

O consumo final de energia abordado no trabalho consiste, de acordo com o Balanço Energético Estadual, na somatória do consumo final primário com o consumo final secundário, considerando apenas o consumo final energético, uma vez que este corresponde a 98,8% do consumo do Estado.

Os dados sobre os coeficientes de emissões poluentes, especificados por fontes energéticas nos distintos setores de consumo, foram extraídos do Sistema de Informação Energética da OLADE, versão março de 1992, citado pelo Instituto de Economia Energética associado à Fundação Bariloche (IDEE/FB), no XXVI Curso Latino Americano de Pós- Graduação em Economia e Planejamento Energético, conforme Anexo A. Sua metodologia de cálculo incorpora dados de consumo em milhões de Toe de cada fonte energética (petróleo, gás natural, carvão mineral, lenha, bagaço da cana, resíduos de biomassa, biogás, gás de gasogeno, gás liquefeito de petróleo, gasolina, álcool, querosene, óleo diesel, óleo combustível, carvão vegetal e coque), desconsiderando os consumos de eletricidade, de acordo com os setores de consumo (não aproveitado, carvoarias, destilarias, gasogenos, centrais elétricas, consumo próprio, indústria, doméstico, serviço, comercial, público, transporte e produção rural), calculando as emissões em toneladas de cada contaminante (CO2, CO, SO2, HC e NOX e particulados). A metodologia de cálculo utilizada para encontrar os coeficientes de emissão pelo Sistema de Informação Energética da Olade (SIEE) foi realizada estabelecendo uma estrutura porcentual de participação dos contaminantes sobre o total e a responsabilidade de cada fonte sobre o total emitido. Em seguida, calculou-se a participação percentual dos diversos setores de consumo sobre a emissão total, assim como a emissão específica do sistema energético analisado.

A seleção das emissões poluentes no trabalho baseou-se na relevância das mesmas para o avanço acelerado do aquecimento global, com conseqüência danosa para o efeito estufa, são os chamados gases estufa (CO2, CO, SO2, HC e NOX), assim como os materiais particulados.

A matriz de emissões de poluentes, resultante do trabalho em questão, elaborada pela autora, conforme apêndices, foi gerada multiplicando-se os coeficientes de emissões, extraídos do Sistema de Informação Energética (SIEE) da OLADE, versão março de 1992, ao

consumo final energético do Estado do Rio Grande do Norte obtido junto ao Balanço Energético do Rio Grande do Norte (2006). Ou seja, a quantificação do nível de emissões poluentes no Estado foi obtida do cruzamento de dados da matriz energética, cujos consumos energéticos em toneladas foram multiplicados pelos respectivos coeficientes de emissões, em quilogramas de poluentes por tonelada do energético utilizado, gerando a matriz de emissões poluentes, em toneladas de contaminantes, nos diversos setores da economia.

Utilizando a Matriz de Consumo Energético e de Emissões Poluentes, avaliou-se o comportamento das emissões por classe de energéticos (residencial, industrial, comercial, transporte, de serviços, dentre outras), identificando os setores e os energéticos mais críticos no que se refere à quantidade de poluentes emitidos na atmosfera. Estes resultados poderão orientar a substituição de energéticos mais poluidores pelos menos poluidores, pautada em políticas públicas bem estruturadas.

CAPÍTULO 4

Benzer Belgeler