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As definições de violência da OMS e da OIT procuram incluir as diversas formas de violência possíveis. Para sua transposição para prática torna-se útil classificar os tipos de manifestações específicas.

Inicialmente, podem-se diferenciar os episódios de violência no trabalho levando em consideração a forma da agressão e sua conseqüência. Primeiramente, distinguem-se

eventos fatais, tais como os homicídios e os latrocínios, dos eventos não fatais. Estas

últimas englobam tanto violências físicas como psicológicas.

Por violências físicas entende-se o evento no qual há o uso de força física contra o corpo da vítima, havendo ou não algum trauma observado. Outro fator a ser considerado consiste no uso efetivo ou em forma de ameaça de armas de fogo ou brancas.

Enquanto as violências físicas são mais facilmente reconhecidas como problema, as

47 nas quais não há uso de força física e cujo alvo não é o corpo. Incluem comportamentos voluntários tais como uso de poder, ameaças e agressões verbais que visam provocar danos psicológicos, morais e sociais.

Serão apresentadas a seguir algumas definições adaptadas do documento Framework

guidelines for addressing workplace violence in the health sector (OIT et al., 2002):

Agressão Física: Uso de força física contra outra pessoa ou grupo, que resulte em dano

físico, sexual ou psicológico.

Agressão verbal: uso de palavras em comportamentos ofensivos com características

vingativas, cruéis ou maliciosas visando humilhar, rebaixar, aviltar ou desestabilizar indivíduos ou grupos.

Ameaça: promessa ou insinuação de uso de força física ou poder, incluindo psicológico,

visando coagir, inibir ou constranger uma pessoa ou grupo e resultando em medo ou receio de dano físico, sexual ou psicológico ou outra conseqüência negativa.

Assédio: conduta não recíproca ou indesejada que afete a dignidade de um homem ou uma

mulher, baseada em idade, deficiência, sorologia para HIV, circunstâncias domésticas, sexo, orientação sexual, raça, cor, língua, orientação religiosa, política, sindical, ou outra, crença, origem social ou nacionalidade, associação com minorias, propriedade, nascimento ou outra característica pessoal.

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Bulling e Mobbing: comportamentos ofensivos repetidos ou recorrentes, com característica

vingativa, cruel ou maliciosa que visa humilhar ou desestabilizar um indivíduo ou grupo, realizado por alguém com maior poder (bulling) ou por um grupo (mobbing).

Embora não cite neste documento, a OIT (1998) tende a considerar uma outra forma de violência ocorrida nos ambientes de trabalho. Esta consiste na violência contra a propriedade, no dano ou furto de objetos pessoais ou da empresa. Para além dos prejuízos materiais, tais eventos podem causar efeitos psicológicos e morais constituindo formas de agressão aos trabalhadores.

De forma geral, a violência no trabalho pode estar articulada à criminalidade e às agressões nas relações entre indivíduos ou grupos. Considerando a relação entre a vítima e o perpetrador, Peek-Asa et al. (2001) adota a classificação proposta inicialmente pelo Occupational Safety and Health Administration da Califórnia (Cal/OSHA, 1995). Nela distinguem-se três tipos de incidente:

Relacionado ao Crime (Tipo I): o perpetrador não tem relação legítima com o processo de

trabalho ou com a vítima e está geralmente cometendo um crime (i.e. roubo ou furto) em conjunção com a violência. A maior parte dos homicídios relacionados ao trabalho está ligada a este tipo de evento.

Envolvendo clientes (Tipo II): o perpetrador tem relação legítima com o processo de

trabalho e torna-se violento ao ser atendido pelo serviço. Esta categoria inclui episódios evolvendo clientes, pacientes, estudantes, custodiados ou outro grupo de pessoas atendidas ou envolvidas no processo de trabalho. Tais eventos podem estar relacionados, entre outras

49 coisas, à natureza, à organização do trabalho, a precariedades em seu funcionamento ou ao descontentamento de clientes.

Envolvendo colega de trabalho (Tipo III): o agressor tem relação profissional com a

vítima, sendo subordinado, colega, superior ou ex-funcionário. Tais incidentes podem ser vistos como uma deterioração na qualidade das relações entre os trabalhadores que pode estar ligada, entre outros, a problemas na organização do trabalho e a um clima organizacional ruim ou a tratamento injusto. Tais eventos são responsáveis por um número relativamente pequeno de mortes.

Ligado a relacionamento pessoal (Tipo IV): o perpetrador não tem relação com o processo

de trabalho, mas um relacionamento pessoal com a vítima (cônjuge, familiar, amigo ou conhecido, etc). Inclui vítimas de violência domésticas agredidas ou ameaçadas no ambiente de trabalho ou realizando atividades relacionadas a este. A referência a esta categoria de violência no trabalho pode ser encontrada em alguns artigos, embora com menos freqüência devido à dificuldade da caracterização de sua relação com o trabalho.

Nesta última classificação, a violência se apresenta como uma disfunção ou um desvio mais ou menos freqüente no funcionamento normal do processo de trabalho. Contudo, em algumas atividades, violência e agressão constituem, pelo menos em parte, o próprio objeto de trabalho – quando não se pode dizer que seja também elemento do instrumento de trabalho. É, por exemplo, o caso de policiais, seguranças e vigias. Algumas atividades da enfermagem psiquiátrica também podem ser incluídas aqui.

50 Tomando como exemplo um assalto a uma agência bancária, pode-se observar que, ainda que o evento seja o mesmo, o que é esperado de um caixa e de um segurança, o que é prescrito para cada uma destas ocupações, determinam um envolvimento específico para cada um desses trabalhadores. Dessa forma, devem representar riscos diferenciados, demandando treinamento, competências e medidas de segurança particulares. Tal fato, justifica um quinto tipo de violência no trabalho: a violência intrínseca ao objeto ou à

atividade de trabalho (Tipo V).

A classificação proposta pelo Cal/OSHA (1995) tem crescente aceitação entre os estudiosos da violência no trabalho. De fato, a partir dela pode-se deslocar o enfoque das características formais do incidente para sua relação com o trabalho. Possibilita a visão do evento, não como um incidente isolado ou como um evento ligado às características da população, da criminalidade, da violência social ou dos indivíduos envolvidos, mas, principalmente, como um fato que se articula ao processo de trabalho.

Benzer Belgeler