sendo de valia principalmente para o leitor que não conhece as películas. Nos próximos itens do capítulo, trechos dos filmes serão resgatados e comparados sem muitas vezes a explanação de seu contexto específico, de modo que a descrição de cada fábula se faz pertinente para uma visão da narrativa toda.
2.2.1 Menino maluquinho – o filme
Menino maluquinho – o filme se passa em período não muito demarcado,
provavelmente em meados da década de 1960. Maluquinho, um menino de aproximadamente 8 anos, bate a cabeça na escola, ficando um momento desacordado. Seus pais recebem um telefonema. Preocupados, cada um sai de seu trabalho apressadamente para verificar o que aconteceu com o filho. Chegam à enfermaria e asseguram-se de que o menino está bem. A mãe volta para casa com o garoto e o pai volta ao trabalho.
Ao chegar em casa, Maluquinho procura algo para comer na cozinha. Faz um truque de mágica para Irene, a empregada doméstica da casa, transformando um ovo em pintinho. Seu amigo Bocão vai à sua casa, eles brincam e conversam no quarto. A mãe de Maluquinho chama-os para almoçar.
À tarde, Maluquinho e seus amigos descem uma ladeira de carrinho de rolimã, brincam de bente-altas, pique-bandeira e outras brincadeiras na rua. Ao chegar em casa, Irene faz melado. Maluquinho, lembrando-se vagamente de um truque, liga para seu avô Hortêncio (cujo apelido é Passarinho) para consultá-lo. Ele e seus amigos vão à rua implementá-lo: fingem que estão brigando com um cabo de vassoura, quando aparece um rapaz (Quincas), que incita a briga. Bocão pede que ele segure o cabo, que foi previamente sujo de melado e cocô. Quincas começa a persegui-los.
Irene procura Maluquinho para tomar banho. Ela agarra-o e leva-o para dentro de casa. O menino toma banho numa banheira, onde simula uma guerra naval com brinquedos.
À noite, o menino janta com seus pais, momento em que conversam sobre o dia do garoto. Ele vai para a cama e sonha que viaja para o universo com o pêndulo de um relógio, chegando a um relógio gigante, onde dança e canta com uma fada.
Maluquinho é acordado por Irene. Faz sua toalete matinal, toma o café da manhã. O ônibus escolar chega, mas Maluquinho não sai antes de encontrar seu chiclete mastigado,
loira considerada a mais bonita da turma pelos meninos. Todas as crianças conversam e bagunçam, mas Maluquinho permanece sentado, mascando seu chiclete.
Na escola, o caderno de Maluquinho é passado de mão em mão entre os alunos, do qual leem trechos em voz alta. A professora começa a passar lição de matemática, mas assim que vira as costas, todos bagunçam. Acaba por dar uma prova para a turma.
Na casa de Bocão, após a escola, os garotos fazem guerra de almofada e um campeonato de pum.
À noite, Maluquinho lê As aventuras de Tom Sawyer em seu quarto, enquanto escuta uma briga de seus pais. Depois de vê-los discutindo, encontra consolo em seu amigo Bocão, sentados ambos na calçada em frente à casa.
No dia seguinte, o menino faz um passeio de barco com o pai num lago, onde conversam sobre a separação. Ao retornar para casa, seu pai faz as malas e sai de casa.
Maluquinho acorda sua mãe com um café da manhã na cama. Depois, passa a tarde com o pai em brincadeiras.
Na escola, a professora pergunta o que as crianças apresentarão na festa de encerramento do semestre. Nessa manhã, Julieta, uma aluna da turma, recebe um versinho de Maluquinho, mas descobre em seguida que várias meninas da sala já tinham ganhado também.
Maluquinho passa algumas refeições comendo pouco e trancando-se no quarto: está triste.
Quando da apresentação na escola, o protagonista declama um poema de sua autoria. Seu avô Passarinho surge batendo palmas. No dia seguinte, ele e o menino percorrem confeitarias e farmácias. Nessa mesma tarde, vô Passarinho decide levar o neto e os amigos da escola dele para sua casa no interior.
Passarinho, que foi piloto de avião na II Guerra Mundial, leva Maluquinho, Bocão e Nina em seu avião. A avó de Maluquinho os aguarda, preocupada, pois o campo de pouso próximo de sua casa não está bem cuidado. Para seu alívio, Hortêncio acaba pousando no aeroporto local. A avó recebe-os em sua casa com uma farta mesa de doces.
Nessa pequena cidade, Maluquinho e seus amigos conhecem alguns garotos, com quem se desentendem. Uma perseguição começa. Vô Passarinho pega Maluquinho e Tonico, um garoto local, pela orelha. Sua avó revela que são primos distantes. Fazendo as pazes,
time dos amigos do visitante. Maluquinho e Bocão enviam uma carta pelo correio convocando toda a turma.
Numa tarde, Maluquinho, seu primo e Bocão vão roubar mangas. Bocão impede sua irmã Nina de ir junto. Ela, em troca, negocia uma quantidade das mangas roubadas. Quando está para pular o muro, Bocão acaba encontrando Quincas, o rapaz em quem pregaram a peça do melado. Descobre que ele é sobrinho do dono da propriedade que vão “assaltar”. Quincas solta os cachorros atrás dos meninos e os três tentam se refugiar, subindo na mangueira. O cachorro, instigado pelo rapaz, sobe também e consegue morder o tênis de Bocão, retirando- o. Quando não há mais saída, aparece Passarinho num balão estratosférico para resgatá-los.
No jantar, quase toda a turma da escola de Maluquinho está presente. Vô Passarinho anima a todos com o campeonato de futebol, exibindo o troféu. A avó manda as crianças para cama, mas Maluquinho fica mais um pouco para conversar. Quando dá boa-noite ao avô, que está deitado na rede, percebe que ele está frio.
No enterro de Hortêncio, estão presentes as crianças, os pais de Maluquinho, sua avó, Irene e outras pessoas da cidade. O padre discursa. O rapaz da mangueira aparece e dá para Bocão uma sacola com mangas e com seus tênis.
Para homenagear o avô, o jogo de futebol é realizado. Maluquinho fica no gol, onde agarra muitas bolas. As meninas ficam de fora, torcendo por ele. Junin narra a partida entusiasticamente.
Somos informados de que, quando cresce, Maluquinho vira um “cara legal”. E todos descobrem, de acordo com o narrador, que ele não era maluquinho, era apenas um menino feliz.
2.2.2 Menino maluquinho 2 – a aventura
Menino maluquinho 2 – a aventura também se passa em período indeterminado, em
algum momento das décadas de 1960 e 1970. Maluquinho, com cerca de 11 anos, está na casa de seu avô Tonico, um inventor de traquitanas, em uma pequena cidade interiorana. Maluquinho pratica truques de mágica para a festa do centenário da cidade, que seu avô quer organizar. Eles vão à estação de trem recepcionar seus amigos, que vêm da cidade para a festa: Junin, Bocão, Nina e Lúcio.
Mirim é um ser feito de fogo que vive no centro da terra e sobe de vez em quando para comer pão de queijo. Quando todos dormem, Maluquinho vê uma estranha luz no quarto.
No dia seguinte, as crianças vão ver os preparativos da armação do circo para o festejo do centenário. Ninguém sabe onde está Maluquinho. Pedro Fogueteiro (o responsável pelos fogos de artifício do festejo), vô Tonico e as crianças começam a procurá-lo. Nina encontra um tênis do menino próximo à gruta. Vô Tonico vai buscar reforços dos bombeiros e vai até o local. As crianças, às escondidas, partem também em busca do amigo e chegam lá antes.
Na caverna, os infantes passam por leves perigos até encontrar Maluquinho, que está junto de Tatá Mirim. No começo têm medo, achando que é o “capeta”, mas Maluquinho diz que é seu novo amigo. Junin acha-o bonitinho. Vô Tonico, que toma a frente dos bombeiros, encontra-os logo em seguida.
De volta à casa, à noite, vô Tonico passa mal, sofrendo de hipotermia. Tatá Mirim esquenta-o. O ser de fogo solta uns grunhidos, e as crianças o encontram embaixo de uma das camas do quarto. Maluquinho e Juninho vão à cozinha preparar pão de queijo, mas se atrapalham. Acabam levando ao quarto milho, que Tatá Mirim transforma em pipoca.
Seu Zé, empregado que trabalha para os avós de Maluquinho, varre as pipocas no dia seguinte, que chegaram até o jardim externo da casa. Fica encarregado pela avó do menino de observá-los atentamente. Ele vai até o banheiro, onde os quatro garotos fazem concurso de xixi enquanto Tatá Mirim está dentro do vaso sanitário. Vapor de xixi começa a sair, e seu Zé invade o banheiro para ver o que está acontecendo. Ele vê cinco pessoas em vez de quatro, e fica desconfiado.
Enquanto isso, Tonico procura o prefeito, seu Costa, para pedir apoio da prefeitura à festa. O apoio é negado, já que Costa alimenta antigas rixas pessoais com Tonico.
Tatá Miguel, um senhor de roupas e cabelos alaranjados, bate à casa de vô Tonico em busca das crianças. Elas evitam o contato, achando-o muito estranho, e Tatá Miguel, contrariado, vai embora.
Seu Zé comenta o caso com duas vizinhas, que estranham o vigor dos girassóis em pleno inverno. Concluem que o demônio está agindo com os meninos, e vão contar o caso ao monsenhor da paróquia, que não lhes dá crédito.
As crianças percebem que Tatá Mirim está ficando fraco e levam-no ao fogão, numa panela, para recuperar as energias. Depois de conversarem com os avós e saberem das
solicitar seu apoio.
No dia seguinte, ao receber um panfleto da festa, o prefeito fica revoltado com a possibilidade de ela ocorrer mesmo sem seu apoio. Ele então vai ao paiol de fogos de artifício para interditá-lo. Acende um cigarro, mas o fósforo acaba ocasionando um incêndio. Pedro Fogueteiro sai do paiol, e Costa é resgatado por Tonico, que arrisca sua vida para salvá-lo. Os fogos comprados para a festa se perderam.
As duas vizinhas beatas, juntando uma pequena multidão de devotos, vão com tochas à casa de vô Tonico para purgar o que consideram a ação demoníaca em curso na cidade. As crianças saem correndo, e os manifestantes atrás delas. Elas se escondem e vão parar na linha do trem, onde quase são encurraladas pelos manifestantes e atropelados pela chegada do veículo. Tatá Mirim salva-os, voando e levando-os para perto do circo.
Tatá Miguel aparece para levar Tatá Mirim embora, pois, segundo ele, se Mirim permanecer na superfície da terra, poderá se extinguir. As crianças se despedem com tristeza de Tatá Mirim, que vai embora com Miguel.
Seu Costa, no dia seguinte, afirma a Tonico que a prefeitura cobrirá os gastos da festa. O monsenhor dá abertura às festividades. Crianças e adultos dançam na rua, fantasiados, ao som da fanfarra. Maluquinho vê Tatá Miguel no meio da multidão e começa a segui-lo. Eles entram no circo.
À noite, quem apresenta as atrações circenses são as crianças. Maluquinho, no final de seu truque de mágica, tira foguinhos da cartola, para espanto da plateia.
Na saída do circo, Tonico recebe cumprimentos, mas continua triste por ter perdido os fogos de artifício. Maluquinho dá ao avô um foguete, e pede para que ele o solte. Então, fogos de Tatás Mirins enchem o céu, comandados por Maluquinho, que se encontra em uma varanda.
A última cena mostra Maluquinho na escola, durante o dia, rodeado de amigos, terminando de contar a história que acompanhamos. Tudo pode não ter passado de uma fabulação do menino.