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Como forma de agilizar o processo licitatório e coroando uma série de medidas visando a racionalização das licitações, o Governo Federal criou uma nova modalidade de licitação denomi nada pregão, que pretende ser um aperfeiçoamento do processo licitatório na administração pública federal , autarquias e fundações, alterando os proced imentos para compras de bens e contratações de serviços. Essas modificações valem apenas para os órgãos federais da União, não atingindo, portanto, estados e municípios. O aperfeiçoamento da legislação sobre licitações é ação prevista no âmbito do Prog rama de Redução de Custos na Aq uisição de Bens, Obras e Serviços, um dos programas do Projeto do Governo Fede ral denomi nado Avança Brasil 2000-2003.

A Medida Provisória criadora do pregão , de nú mero 2.026, editada em 04/05/2000, foi , em 27 de dezem bro do mesmo ano, renumerada como MP 2. 1 08 e, mais uma vez, alterada para 2 . 1 82, em sua reedição de nú mero 1 6 , em ju nho de 200 1 . O texto vem sendo reeditado até a presente data, com peq uenas alterações e seu conteúdo está, na prática, servindo como parâmetro para uma nova possibilidade de simpl ificação do ritual da licitação.

Para Motta (200 1 , p. 42), o pregão é "basicamente um instru mento de comparação e seleção de propostas de fornecedores de bens e serviços para o setor público , em que as ofertas são 'apregoadas' em uma reunião com a presença de todos e podem ser, sucessivamente, melhoradas por intervenções de viva voz". No entanto , o pregão não é prática inovadora como possa inicialmente se supor. Seu histórico no Brasil data das Ordenações Filipinas (ano de 1 592) , texto que incorporou as primeiras práticas de licitação pública, assumindo precisamente a forma de pregão.

Seg undo Dromi ( 1 995) , o pregão tem sido uti lizado em outros países da América Latina, a exemplo do U ruguai e da Argenti na, sendo a idéia geral do procedimento

bastante sim ilar ao pregão adotado no Bras i l , i .e. : para que haja oferta oral em ato públ ico , é preciso que a Administração defina, com absoluta precisão , as mercadorias ou bens a serem adq uiridos ; proceda à estimativa de preços de mercado; desti ne recursos para a aq uisição ; e torne público o ato . Os ofertantes então se inscrevem no pregão e , na sessão pública, são abertas as propostas, que ao longo do processo vão sendo red uzidas em seu valor, durante tempo determi nado, por meio de lances sucessivos proferidos pelos licitantes .

No caso brasileiro, as propostas de preços são, inicialmente, apresentadas de forma escrita, sendo depois reduzidas através de lances verbais. É permitida a participação, nos lances verbais, apenas do ofertante que tenha apresentado o menor preço e daqueles cujo preço esteja em até 1 0% superior ao menor preço. Esta restrição inibe a apresentação de propostas com valores excessivos, porque o ofertante incorrerá no risco de ficar fora da disputa. Poré m , não ocorrendo mais do que três ofertas após a abertura dos lances escritos, é facu ltada a participação dos autores das três mel hores propostas, quaisq uer que tenham sido os preços oferecidos, desde que compatíveis com os praticados no mercado.

A habilitação para participação no preg ão é menos burocrática que nas outras modalidades de licitação, sendo dispensada a apresentação das certidões de reg ularidade, definidas pela Lei n.º 8. 666/93, podendo ser substitu ídas por declaração fi rmada pelo licitante de que está em dia com suas obrigações fiscais. Dessa forma, os custos, protelações e outras dificu ldades na obtenção dessas certidões não serão impedimento à participação no pregão. Por ocasião da celebração do contrato, o fornecedor que tenha vencido o pregão fica obrigado a apresentar as devidas certidões de reg ularidade fiscal .

São apl icadas sanções no caso de apresentação de declaração falsa ou de omissão na apresentação da documentação exigida, por ocasião do contrato. Estas

sanções incluem, dentre outras previstas na Lei n.º 8.666/93, o impedimento de contratar com a administração pública e a apl icação de multas .

Ocorre, no pregão, a inversão das fases da licitação, pois primeiramente há a class ificação dos licitantes em função do preço e depois a habil itação. Dessa forma, o exame da docu mentação de habilitação é realizado somente para o licitante que tiver apresentado a melhor proposta. Caso este não atenda aos requisitos de habilitação , é automaticamente convocado o l icitante responsável pela segunda melhor proposta, e assim sucessivamente. Esse é um aspecto bastante importante do pregão, pois o proced imento atualmente adotado para as outras modalidades de licitação obriga ao prévio exame de extensa documentação de habilitação apresentada por todos os licitantes , acarretando a desnecessária demora do processo licitatório e a mobilização de pessoal técnico para análise da documentação , que fica ainda sujeita a recu rsos e impug nações.

Além de não se aplicar às contratações de obras e serviços de engenharia, locações imobiliárias e alienações em geral , o pregão só pode ser uti lizado para a contratação de bens e serviços comuns, ou seja, aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser defin idos no edital, em perfeita conform idade com as especificações usuais praticadas no mercado. O Decreto Federal nú mero 3.555 define os bens e serviços comuns.

Bens comuns, segundo o referido decreto , são : água mineral ; combustíveis e lubrificantes; gás; gêneros alimentícios ; material de expediente ; material hospitalar, médico e de laboratório; medicamentos, d rogas e insu mos farmacêuticos ; material de li mpeza e conservação; oxig ênio ; uniforme; bens permanentes ; mobiliário; equipamentos em geral (exceto bens de informática) ; utensílios de uso geral; veículos auto motivos em geral ; microcomputador de mesa ou portátil ( "notebook'j , monitor de vídeo e impressora.

Por sua vez, serviços comuns são, segundo o Decreto 3. 555: serviços de apoio ad ministrativo ; serviços de apoio à atividade de informática ; dig itação ; manutenção ; serviços de assinaturas de jornais, revistas, televisão via satélite e a cabo ; serviços de assistência hospitalar, médica e odontológ ica; serviços de atividades auxil iares (ascensorista, auxiliar de escritório ; copeiro ; garçom ; jardineiro; mensageiro ; motorista; secretária e telefonista) ; serviços de confecção de uniformes ; serviços de copeiragem ; serviços de eventos ; serviços de filmagem; serviços de fotog rafia; serviços de gás natural ; serviços de gás liqüefeito de petróleo ; serviços gráficos ; serviços de hotelaria; serviços de jardinagem ; serviços de lavanderia; serviços de limpeza e conservação ; serviços de locação de bens móveis; serviços de manutenção de bens imóveis; serviços de manutenção de bens móveis; serviços de remoção de bens móveis; serviços de microfilmagem ; serviços de reprografia; serviços de seg uro saúde ; serviços de deg ravação ; serviços de tradução ; serviços de telecomunicações de dados; serviços de telecomunicações de imagem ; serviços de telecomunicações de voz ; serviços de telefonia fixa; serviços de telefonia móvel ; serviços de transporte ; serviços de vale refeição ; serviços de vig ilância e seg urança ostensiva; serviços de fornecimento de energia elétrica; serviços de apoio marítimo; serviço de aperfeiçoamento, capacitação e treinamento.

No pregão , a convocação dos interessados é realizada por meio de edital, com aviso publicado no Diário Oficial da Un ião, na Internet e em jornais de grande circu lação. Para habilitação dos licitantes é exigida apenas a documentação relativa à habil itação ju rídica, q ualificação técnica, qualificação econômico-financeira e de regu laridade fiscal . Vence quem oferecer o menor preço, observados os prazos, especificações técn icas e parâmetros m íni mos de desempenho e qualidade definidos no edital de licitação .

Para o Mi nistério do Planejamento (2000 ) , algu mas vantagens significativas para a Admin istração Pública podem advir da util ização do pregão como modalidade de licitação, tais como:

incremento da com petitividade: dá oportu nidade à competição aberta, perm itindo o ajuste das propostas com base no conhecimento mútuo das mesmas entre os participantes ;

maior ag ilidade para a aquisição de bens e serviços : porque desburocratiza os proced imentos para habilitação e condução do processo de licitação ;

• garantia de transparência: o pregão é evento público no qual a escolha da proposta vencedora obedece ao critério de menor preço e se dá após a apresentação de lances verbais pelos participantes ;

• ampliação de oportunidades d e participação : o edital é divulgado na imprensa e a participação é aberta a qualquer interessado;

• realização por meio el etrônico: por exemplo, através da Internet para o pregão eletrônico.

• redução de custos : ao permitir negociação entre fornecedor e governo .

No Brasil, as despesas com compras e contratações da administração pública federal direta, autarq uias e fu ndações são da ordem de R$ 8,5 bi lhões por ano, sendo que cerca de R$ 3,8 bilhões são contratações realizadas por meio das modalidades Concorrência, Tomada de Preços e Convite (modalidades para as qu ais o Pregão pode ser adotado) . Deste total , conforme estimativa preliminar, os "bens ou serviços comu ns" devem corresponder a despesas de cerca de R$ 2 , 2 bilhões, anualmente (Ministério do Pl anejamento , Orçamento e G estão, 200 1 ) .

Segundo Braga (200 1 ) , na Administração Federal os pregões já realizados sinal izam para uma red ução de tempo necessário ao processo l icitatório de 60 ou mais dias para, no máximo, 20 dias, contados do início ao término do pregão, além da redução de preços, em alguns casos , de cerca de 20% .

Segundo Vilhena (2001 ) , estima-se que apenas os pregões presenciais (já que há a possibil idade de realização de pregões eletrôn icos) alcancem cerca de 40% das licitações atualmente real izadas na Administração Pública Federal , ou 1 8% do total de despesas licitadas, o que eq uivale a R$ 1 , 54 bilhão por ano . Com base nas experiências práticas do pregão presencial , espera-se uma economia de 20% (ou seja, R$ 308 milhões) anualmente , pelo aumento da competitividade entre os participantes (Vilhena, 2001 ).

Benzer Belgeler