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SİLVAN YABANCI OT TÜRLERİ Yoğunluk

5. TARTIŞMA VE SONUÇ

A popularidade e a diversidade de sentidos e usos atribuídos ao termo ‘participação’ fazem com que Pateman (1992) indague sobre o lugar da ‘participação’ numa teoria da

democracia moderna e viável. Para a autora, o uso generalizado do termo ‘participação’, em muitos casos, tem provocado o esvaziamento do seu conteúdo “(...) por diferentes pessoas

para se referirem a uma grande variedade de situações” (PATEMAN, 1992, p. 9).

A ‘participação’, segundo Gohn (2001, p. 14), tem uma longa tradição de estudos e

análises, particularmente nas Ciências Políticas, assumindo sentidos e significados ao longo da história: “(...) dependendo da época e da conjuntura histórica, [a participação] aparece associada a outros termos, como democracia, representação, organização, conscientização, cidadania, solidariedade, exclusão etc.” e pode ser compreendida de formas variadas também em virtude dos paradigmas que a alicerçam.

De acordo com Gohn (2001), a participação pode ser analisada em três níveis: o conceitual, o político e o da prática social. No primeiro, ela seria conceituada a partir do paradigma teórico em que se fundamenta. No segundo, seria associada a processos de democratização em curso ou ao processo para a sua obtenção. O terceiro está relacionado

“(...) ao processo social propriamente dito; tratam-se das ações concretas engendradas nas lutas, movimentos e organizações para realizar algum intento” (GOHN, 2001, p. 14).

No nível conceitual, desenvolvido e analisado pela autora, existem algumas formas

‘clássicas’ de abordagem da participação, a saber: “(...) a liberal, a autoritária, a revolucionária e a democrática” (GOHN, 2001, p. 15). Por sua vez, ao longo dos anos, essas

formas geraram outras abordagens: liberal/comunitária, liberal/corporativa; autoritária (de direita e da esquerda); revolucionária (gradual ou por ato de força); e democracia/radical. Na concepção liberal, segundo Gohn (2001, p. 15), a participação objetiva o fortalecimento da

sociedade civil frente ao Estado, “(...) não para que esta participe da vida do Estado, mas para

fortalecê-la e evitar as ingerências do Estado”, pois

A interpretação liberal objetiva sempre reformar a estrutura da democracia representativa e melhorar a qualidade da democracia nos marcos das relações capitalistas. Neste paradigma, as principais ações devem se dirigir para evitar os obstáculos burocráticos a participação, desestimular a intervenção governamental e ampliar os canais de informações aos cidadãos de forma que eles possam manifestar suas preferências antes que as decisões sejam tomadas.

Por seu turno, a “(...) forma autoritária da participação é aquela orientada para a

integração e o controle social da sociedade e da política” (GOHN, 2001, p. 17), em que fundamentalmente a participação é incentivada de cima para baixo, como pode ser observado em muitos regimes autoritários de direita (Fascismo) e de esquerda (Socialismo). Ademais, essa forma autoritária de participação, ainda conforme a autora, pode ocorrer “(...) em regimes

democráticos representativos como um derivativo, que é participação de natureza cooptativa”

(GOHN, 2001, p. 17), quando se estimula de cima para baixo e visa diluir conflitos sociais. Nas formas revolucionárias, a participação “(...) estrutura-se em coletivos organizados

para lutar contra as relações de dominação e pela divisão do poder político” (GOHN, 2001, p.

18). Finalmente, nas formas democráticas a soberania popular é o princípio regulador e a participação é concebida como um fenômeno que se desenvolve (ou deveria se desenvolver) tanto na sociedade civil quanto em instituições políticas formais. Pode-se dizer que a participação é ensejada para toda a sociedade. Numa perspectiva mais radical, “(...) a participação objetiva fortalecer a sociedade civil para a construção de caminhos que apontem para uma nova realidade social, sem injustiças, exclusões, desigualdades, discriminações etc.” (GOHN, 2001, p. 19). A partir desses estudos, Gohn (2001, p. 26) constrói uma tipificação da participação política que apresenta três formas distintas:

(...) a presencial – forma menos intensa e marginal, com comportamentos receptivos ou passivos; a ativação – na qual um indivíduo desenvolve uma série de atividades a ele delegadas de forma permanente; participação (propriamente dita) – termo reservado para situações em que o indivíduo contribui direta ou indiretamente para uma decisão política.

Outras tipificações de participação foram formuladas ao longo do tempo. Por exemplo,

Sani (1977, p. 888) considera que o cidadão “(...) pode participar, ou tomar parte nalguma

coisa, de modo bem diferente, desde a condição de simples espectador mais ou menos marginal à de protagonista de destaque”.

Por sua vez, Demo (1988) defende que participação deveria ser conquista para significar que se trata de um processo, no sentido legítimo do termo: infindável, em constante vir-a-ser, sempre se fazendo. Assim a participação não pode ser considerada como dádiva e nem como concessão. Ao contrário, a participação somente se dá verdadeiramente se se constitui em uma conquista processual, pois

Não pode ser entendida como dádiva, porque não seria produto de conquista, nem realizaria o fenômeno fundamental da autopromoção; seria de todos os modos uma participação tutelada e vigente na medida das boas graças do doador, que delimita o espaço permitido. Não pode ser entendida como concessão, porque não é fenômeno residual ou secundário da política social, mas um dos seus eixos fundamentais; seria apenas um expediente para obnubilar o caráter de conquista, ou de esconder, no lado dos dominantes, a necessidade de ceder. Não pode ser entendida como algo preexistente, porque o espaço de participação não cai do céu por descuido, nem é o passo primeiro (DEMO, 1988, p. 18).

Embora o termo ‘participação’ seja muito usado, Pateman (1992, p. 94-95) nos adverte que o mesmo está carregado de imprecisões, “(...) abrangendo quase qualquer situação onde

ocorra um mínimo de interação, a qual muitas vezes implica apenas o fato de um indivíduo

particular estar presente numa atividade de grupo”. Muitas vezes, continua a autora, “(...)

trata-se apenas de uma técnica a mais entre outras” (PATEMAN, 1992, p. 95) para persuadir as pessoas a aceitarem decisões já tomadas.

Nesse sentido, Kliksberg (1999, p. 25-26) ressalta que a participação tem triunfado

mais no campo do discurso, visto que “(...) As pesquisas que se aprofundaram na prática da

participação encontraram com frequência chamados a participar que não se configuram em abertura efetiva de portas, experiências iniciadas com amplas promessas, mas que ficam no

‘título’ inicial, frustrações pronunciadas de numerosas comunidades”. Essa distância entre o

dito e o realizado, segundo o autor, tem algumas explicações, a saber: o eficientismo curto- prazista; o reducionismo economicista; o predomínio da cultura organizacional formal; a subestima dos pobres; a tendência à manipulação da comunidade; e, por fim, o problema do poder. No primeiro aspecto, o eficientismo curto-prazista questiona a participação em termos de custos e tempo. No segundo, as relações que mais importam são a de custo/benefício medido em termos econômicos; não considera outros aspectos como coesão social, clima de confiança, grau de organização e não leva em conta que os seres humanos agem motivados também por outros tipos de comportamentos que os fazem comprometer-se com causas, regras de conduta, entre outros. A visão hierárquica e autoritária de gestão, com prevalência

da ‘ordem’, da ‘hierarquia’ e do ‘mando’, é outra forma de resistência à participação. Esse

comportamento pode ser traduzido pela expressão popular brasileira: ‘manda quem pode,

obedece quem tem juízo’. Assim,

Quando se encomenda a organizações de tradição burocrática que ponham em ação projetos participativos, as resistências serão inúmeras e se expressarão por múltiplas vias. Essas organizações porão infinitos obstáculos, asfixiarão, à força de rotinas, as tentativas, fecharão as portas às iniciativas, desmotivarão continuamente os atores comunitários. Estarão definitivamente esperando o fracasso da experiência participativa para confirmar seu próprio modelo burocrático formal (KLIKSBERG, 1999, p. 28).

A subestima dos pobres é, em outras palavras, a aposta na incapacidade deles

participarem e contribuírem em virtude da suposta ‘debilidade’ educativa e cultural, isto é, “(...) setores diretivos e profissionais das organizações que devem levar a cabo projetos por

vias participativas têm uma concepção desvalorizadora das capacidades das comunidades

pobres” (KLIKSBERG, 1999, p. 28), argumentando

Que necessitarão de períodos muito longos para sair de sua pobreza. Que suas lideranças são primitivas, que suas tradições são atrasadas, que seu saber acumulado é um fardo. Quando se parte de uma concepção desta ordem, está-se acionando a conhecida lei sociológica da previsão que se realiza por si só. Desconfiar-se-á das comunidades em todas as etapas do processo, limitar-se-ão suas opções reais de participar, ter-se-á uma tendência pronunciada a substituir sua participação por ordens de ‘cima para baixo’ para fazer as coisas funcionarem (KLIKSBERG, 1999, p. 28-29).

Este raciocínio tende a criar uma distância enorme entre a comunidade e os encarregados de promover a participação. Ao argumentarem que a comunidade é que não tem interesse em participar, condenam, assim, a participação ao fracasso. Não levam em conta que

uma comunidade qualquer, apesar de carecer de recursos econômicos, “(...) sempre tem

capital social. As comunidades pobres têm normalmente todos os elementos constituintes do capital social: valores partilhados, cultura, tradições, saber acumulado, redes de solidariedade, expectativas de comportamento recíproco” (KLIKSBERG, 1999, p. 29).

Além de apostarem nos argumentos acima, os responsáveis pela promoção da participação, em muitos casos, tendem a manipular a comunidade por meio de promessas de ampliação da participação que duram por pouco tempo, produzindo “(...) um enorme efeito de frustração. Os efeitos são graves. Não só a comunidade, resistindo, deixará de participar - e a experiência fracassará -, mas terá ficado altamente predisposta contra qualquer tentativa

à participação também se dá pela dificuldade em compartilhar o poder, perpetuando as relações de dependência e controle entre aqueles que efetivamente deveriam incentivar a participação da comunidade ao invés de mantê-la subalterna, sob controle e passiva.

Na análise de Pateman (1992, p. 48-49), “(...) a participação dos indivíduos nos processos decisórios auxilia-o tanto no acolhimento das decisões efetivamente tomadas quanto o coloca psicologicamente mais ‘abertos’ a seus efeitos”. Essa autora argumenta que a própria experiência da participação desenvolve e forja a personalidade ‘democrática’, ou seja,

“(...) as qualidades necessárias para o bom funcionamento do sistema democrático, e isso ocorrerá com todos os indivíduos” (PATEMAN, 1992, p. 88). Em outras palavras, a ‘participação’ tem um efeito psicológico sobre os que participam. Mesmo em situações de aparente participação, de mero sentimento de estar participando, a ‘participação’ tem impacto

psicológico positivo sobre os indivíduos, tem efeitos benéficos em relação às decisões tomadas, ameniza conflitos e provoca certa satisfação para o indivíduo (PATEMAN, 1992). Assim, quanto maior for o número de áreas de participação do indivíduo, maiores chances ele terá de continuar participando por conta do seu efeito cumulativo produzido.

Nessa perspectiva, para Pateman (1992), a participação tem funções bem mais abrangentes e é fundamental para o estabelecimento e a manutenção do Estado democrático, entendido não apenas como o conjunto de instituições representativas nacionais, mas como a sociedade participativa. Destaca essa autora que a participação no nível local e em associações locais é crucial para que o indivíduo aprenda democracia. Portanto,

(...) a participação no local de trabalho atua como um ‘campo de provas’ para a participação na esfera política mais abrangente, da mesma forma a experiência da tomada de decisão no nível mais baixo da administração pode funcionar como um treinamento inestimável para a participação na tomada de decisões nos níveis mais altos (PATEMAN, 1992, p. 130).

E, conclui a autora, se o indivíduo ainda não tem controle sobre o mecanismo da política moderna, isto se dá menos pelo tamanho do Estado e muito mais pela falta de oportunidades de aprender os rudimentos do autogoverno em uma unidade pequena. Pois,

“(...) Não aprendemos a ler ou escrever, a guiar ou nadar apenas porque alguém nos diz como

fazê-lo, mas porque o fazemos, de modo que será somente praticando o governo popular em pequena escala que o povo terá alguma possibilidade de aprender a exercitá-lo em maior

Por isso, é importante fomentar a participação de tal forma que a

A sociedade pode ser vista enquanto um conjunto de vários sistemas políticos, cujas estruturas de autoridade têm um efeito importante sobre as qualidades e atitudes psicológicas dos indivíduos que interagem dentro deles; assim, para o funcionamento de uma política democrática a nível nacional, as qualidades necessárias aos indivíduos somente podem se desenvolver por meio de democratização das estruturas de autoridade em todos os sistemas políticos (PATEMAN, 1992, p. 51).

Assim, ao participar na tomada de decisões, simultaneamente, “(...) o indivíduo é

ensinado a distinguir entre seus próprios impulsos e desejos, aprendendo a ser tanto um

cidadão público quanto privado” (PATEMAN, 1992, p. 39). Portanto, a principal função da participação “(...) é educativa, considerando-se o termo ‘educação’ em seu sentido mais amplo” (PATEMAN, 1992, p. 38), “(...) tanto no aspecto psicológico quanto na aquisição de prática de habilidades e procedimentos democráticos” (PATEMAN, 1992, p. 61).

A função educativa da ‘participação’ tem suas origens em Rousseau e John Stuart Mill

(PATEMAN, 1992). Para Rousseau, a participação política possui um caráter eminentemente educativo, pelo que o cidadão se aprimora na arte de identificá-la ao participar da busca pela

vontade geral e, ao mesmo tempo, “(...) ele amplia o campo de interesse e perspectivas e

desenvolve capacidades mais práticas para a participação política” (PATEMAN, 1992, p. 128) – seu efeito mais abrangente. O sistema ideal de Rousseau

(...) é concebido para desenvolver uma ação responsável, individual, social e política como resultado do processo participativo. Durante esse processo o indivíduo aprende que a palavra ‘cada’ aplica-se a ele mesmo; o que vale dizer que ele tem que levar em consideração assuntos bem mais abrangentes do que os seus próprios e imediatos interesses privados, caso queira a cooperação dos outros; e ele aprende que o interesse público e o privado encontram-se ligados (PATEMAN, 1992, p. 38).

Para Stuart Mill, o cidadão comum ampliaria seus horizontes ao participar da política porque, ao ser

(...) chamado a tomar parte no processo decisório, graças a seu direito de voto, o cidadão ou cidadã comuns teriam incentivos para ampliar seu conhecimento do mundo social, escapando dos estreitos limites de sua vida pessoal e de seu trabalho específico. O resultado se faria sentir não apenas na política, mas em todas as esferas da sociedade: pessoas com horizontes mais amplos seriam melhores profissionais (MIGUEL, 2005, p. 25).

Outras duas funções subsidiárias da participação são destacadas por Pateman (1992, p. 61): permitir que as decisões coletivas sejam aceitas mais facilmente pelo indivíduo e integrar o indivíduo a sua comunidade. Assim, conclui a autora, a participação promove e desenvolve

as próprias qualidades que lhe são necessárias; quanto mais os indivíduos participam, melhor capacitados eles se tornam para fazê-lo. Desta forma, nenhum homem ou grupo tentaria se colocar como senhor de um ou de outro. Todos seriam igualmente dependentes entre si e igualmente sujeitos à lei que eles mesmos criaram. Participando, o cidadão aumentaria o valor da sua liberdade, capacitando-se, cada vez mais, a ser seu próprio senhor. Participando, os cidadãos teriam mais controle sobre si e sobre as leis que criam porque

Tanto a sensação de liberdade do indivíduo quanto sua liberdade efetiva aumentam por sua participação na tomada de decisões, porque tal participação dá a ele um grau bem real de controle sobre o curso de sua vida e sobre a estrutura do meio em que vive. Caso seja necessário um sistema indireto, argumenta também Rousseau, a liberdade exigiria que o indivíduo exercesse uma boa dose de controle sobre os que executam as leis e sobre os representantes (PATEMAN, 1992, p. 40).

Não obstante, para que exista uma forma de governo democrática “(...) é necessário a

existência de uma sociedade participativa, isto é, uma sociedade onde todos os sistemas políticos tenham sido democratizados e onde a socialização por meio da participação pode

ocorrer em todas as áreas” (PATEMAN, 1992, p. 61). Para que exista uma sociedade

participativa, democrática, onde a participação se efetivasse verdadeiramente, certas condições são necessárias, como as destacadas por Rousseau (2008, p. 76):

(...) a respeito da igualdade, não se deve entender por essa palavra que os graus de poder e riqueza sejam absolutamente os mesmos, mas que, quanto ao poder, esteja acima de toda violência e não se exerça jamais senão em virtude da classe e das leis; e, quanto à riqueza, que nenhum cidadão seja assaz opulento para poder comprar um outro, e nem tão pobre para ser constrangido a vender-se: o que supõe, por parte dos grandes, moderação de bens e de crédito, e, do lado dos pequenos, moderação de avareza e ambição.

Apesar da teoria de Rousseau não exigir igualdade absoluta, o autor defendia que as

diferenças existentes não deveriam conduzir à desigualdade política, pois “(...) Se as

desigualdades no poder de decisão forem abolidas, haverá o enfraquecimento correspondente

da justificativa para outras formas de desigualdade econômica” (PATEMAN, 1992, p. 143).

Assim, Rousseau postulava que houvesse uma interdependência entre os indivíduos

como algo necessário para preservar a igualdade e a independência, pois “(...) a única política

a ser aceita por todos é aquela em que os benefícios e encargos são igualmente compartilhados; o processo de participação assegura que a igualdade política seja efetivada

forma, pode-se afirmar que ninguém em sã consciência iria dar o melhor de si sob um sistema que, de qualquer perspectiva moral, é absolutamente indefensável. Nesse sentido,

(...) grandes desigualdades de riquezas e de posição social, que resultavam em grandes desigualdades de educação, poder e controle do ambiente, são necessariamente fatais para qualquer democracia verdadeira, seja em política ou em outra qualquer esfera (PATEMAN, 1992, p. 56).

Para que a efetiva ‘participação’ aconteça, destaca a autora, as pessoas precisam estar

de posse das devidas informações sobre as quais possam basear suas decisões.

A partir dos textos de Jean-Jacques Rousseau, John Stuart Mill e G. H. Cole (considerados os principais precursores da vertente participativa) e de várias pesquisas sobre a

temática da ‘participação’ em áreas alternativas da sociedade – isto é, para além da esfera

governamental –, Pateman (1992) identifica três tipos de participação: o primeiro, refere-se à pseudoparticipação – situação em que só há apenas consulta por parte de uma autoridade; segundo, refere-se à participação parcial, quando muitos tomam parte no processo, mas só uma parte decide de fato; o terceiro e último, a participação total (plena), aquela em que cada grupo de indivíduos tem igual influência na decisão final, isto é, “(...) tem igual poder de

determinar o resultado final das decisões” (PATEMAN, 1992, p. 98).

De modo oposto à participação plena e à parcial, na ‘pseudoparticipação’ o indivíduo não tem nem o poder de influenciar na decisão e menos ainda o poder de decidir. Nesse tipo, o indivíduo tem a sensação de participar porque quem tem a autoridade permite que ele discuta e até questione as decisões tomadas, mas sem alterá-las. Fazer com que o indivíduo tenha a sensação de participar é uma estratégia usada para persuadi-lo na aceitação das decisões já tomadas e na sua manutenção dentro do grupo, da comunidade. Exemplificando,

(...) seria a situação na qual o supervisor, em vez de meramente informar os empregados sobre uma decisão, permite que eles a discutam e questionem o próprio supervisor, porém o objetivo dessa participação (...) não era o de estabelecer uma situação onde a participação (na tomada de decisões) ocorresse, mas o de criar um sentimento de participação por meio da adoção por parte do líder (supervisor) de uma certa abordagem ou de certo estilo; a ‘participação’, assim, ‘limitava-se a que os membros endossassem as decisões tomadas pelo líder, o qual... não é nem selecionado pelo grupo nem deve responder ao grupo por suas ações... o líder do grupo tem em mente um objetivo particular, e utiliza a discussão de grupo como um meio de induzir à aceitação desse objetivo’ (PATEMAN, 1992, p. 95).

Desta feita, a ‘participação’ ensejada no exemplo acima seria uma técnica de persuasão. Para Pateman (1992, p. 97), a “(...) ‘democracia’ muitas vezes é utilizada para

de uma atmosfera amistosa”. Apesar da ‘pseudoparticipação’ em nada afetar a estrutura geral

em que o indivíduo se encontra, porque não há democratização de fato, essa atmosfera amistosa contribui para a integração dos indivíduos e para o acatamento das decisões já tomadas em outras instâncias.

Na participação parcial, o indivíduo estaria numa posição de influenciar uma decisão, mas não o poder efetivo de tomá-la, pois estar em posição de influenciar uma decisão não é o mesmo que estar em posição de (ter o poder para) determinar o resultado ou tomar essa

decisão, isto é, “(...) a participação parcial é um processo no qual duas ou mais partes

influenciam-se reciprocamente na tomada de decisões, mas onde o poder final de decidir

pertence apenas a uma das partes” (PATEMAN, 1992, p. 97). Mesmo esse tipo de

participação, para a teoria da democracia participativa, é favorável ao desenvolvimento de sentimentos de eficácia política, porque

As pessoas com o senso de eficácia política têm mais probabilidade de participar de

Benzer Belgeler