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É importante atentar para outro aspecto do programa Alegra Centro: sua vinculação a aspectos culturais locais, como a memória, o patrimônio arquitetônico, a identidade e a história de Santos. As narrativas fazem constantes menções ao que entendem como a história oficial da cidade, o que justifica uma intervenção de resgate desse passado, tido como sob o risco do esquecimento. O vídeo apresentado por Omar Laino, no momento da realização da entrevista, que conta sobre o restauro do prédio no qual passou a se instalar a sede de sua construtora, Phoenix, pode ser visto como um exemplo:

Situada a apenas 70km de São Paulo e com o maior porto da América Latina, Santos é responsável por grande parte das importações e exportações brasileiras. É uma cidade que guarda a própria história do país. De uma pequena vila litorânea fundada na metade do século XVI, transformou-se numa cidade que viveu seu apogeu a partir do final do século XIX devido à modernização do seu porto e, principalmente, à exportação do café. Hoje, Santos, com uma população de 400 mil habitantes, continua sendo o principal porto do país. Com uma ótima estrutura de hotéis, bares e restaurantes é visitada anualmente por milhares de turistas brasileiros e estrangeiros que desfrutam suas praias, os belos jardins com espaços esportivos e de lazer. Seu centro histórico é um dos mais antigos da América Latina, com uma arquitetura colonial, no estilo Barroco, como as Igrejas do Valongo e do Carmo, construídas no século XVII. A arquitetura começou a tomar forma definitiva na cidade quando se estabeleceram importantes empresas e instituições ligadas ao movimento do porto e da exportação do café. Prédios de bancos, seguradoras, escritórios de empresas exportadoras e o comércio geral foram erguidos, destacando-se na década de 1920 os prédios da Bolsa Oficial do Café, da Associação Comercial de Santos e da Banca Italiana de Sconto. Na memória dos santistas, esse período foi sua belle époque. Gradativamente, a cidade expandiu-se em direção às praias, levando para lá moradores e

profissionais. Dessa forma, o velho centro foi sendo abandonado. Com o passar do tempo, importantes e belos edifícios foram se deteriorando. Foi em 15 de junho de 1920 que a revista Brasil Ilustrado anunciou o novo prédio da Bolsa Italiana de Sconto em Santos, que ficaria concluído em agosto do ano corrente, época em que o importante núcleo monetário estaria instalado naquela importante praça. O prédio abrigou uma filial da terceira instituição financeira italiana, misturando estilos florentinos e bitti, com grandiosidade. Porém, em conseqüência dos efeitos da Primeira Guerra Mundial, a Banca Italiana de Sconto faliu um ano após a inauguração de sua filial santista. Desde então, a construção de suntuosidade palaciana abrigou diversas empresas até ser definitivamente abandonada no final da década de 1980, em péssimo estado de conservação. Os anos se passaram e em 1994 o prédio foi a leilão, sendo arrematado pela Construtora Phoenix, que precisava de uma nova sede. Na ocasião, entre construir um prédio moderno numa região nobre de Santos, a Phoenix preferiu enfrentar o grande desafio de comprar e restaurar o velho prédio da Banca Italiana de Sconto. O prédio estava tão deteriorado que uma plataforma no primeiro andar fora construída para evitar riscos de desabamento parciais dos ornamentos de sua fachada. Realizar a obra passou a ser o objetivo central da direção e do corpo técnico da Phoenix. A restauração foi executada em cerca de três anos: primeiro, concluiu-se a restauração completa da fachada, recompondo cada detalhe na forma original (...) Dessa maneira, a Construtora Phoenix conseguiu sua nova sede, resgatando o patrimônio histórico de Santos, e contribuindo, assim, para a revitalização do centro da cidade, trazendo de volta a beleza e todo o esplendor dos áureos tempos. (CONSTRUTORA PHOENIX, 1999 – grifo nosso)

Essa narrativa, presente no vídeo, insere claramente o imóvel dentro do contexto do que seria a história da cidade: fundada a vila no início do século XVI, havia nela nada mais que um pequeno porto; já no final do século XIX esse porto cresce, moderniza-se, muito em razão do movimento trazido pelo comércio do café, principal produto de exportação da economia brasileira, colocando a cidade de Santos em papel de destaque para o país. Seu impacto na paisagem urbana, conforme revela a passagem, é evidente, traduzindo-se nos edifícios que então foram erguidos – entre eles, o que passa a ser restaurado pela Construtora Phoenix em 1994.

Essa narrativa é bastante aceita pelos atores, além de ser constantemente evocada para explicar o processo que levou a elaboração de uma política pública com o objetivo de “revitalizar” o centro. Eduardo Carvalhaes Junior, por exemplo, em sua narrativa, busca recuperar toda a história da cidade, contando sobre o que identifica como momentos chaves: (a) sua fundação em função de condições geográficas que propiciavam um porto natural; (b) a construção da ferrovia por meio da São Paulo Railway Company, ligação do porto de Santos com área de produção de café, situada no planalto; (c) o acentuado crescimento populacional e econômico, fruto do comércio do café, entre o final

do século XIX e início do século XX; (d) a mudança de vocação da região com a consolidação do pólo petroquímico em Cubatão através da COSIPA; (e) a intervenção militar na cidade que causa a queda de suas atividades econômicas, levando-a de segundo para oitavo lugar entre as economias do Estado.

É possível perceber, nas narrativas, o surgimento de um símbolo, que percorre diferentes momentos dessa história da cidade, ou ainda, que conecta o presente ao passado: o bonde. Nesse sentido, nota-se a construção de uma narrativa específica sobre sua relação com a cidade. Carvalhaes e Kauffmann contam de quando, ainda adolescentes, usavam o bonde como meio de transporte pela cidade, que os levava ao centro, seja para estudar ou para consumir – ressaltando a oferta de serviços que antes se encontrava concentrada naquela região da cidade. Mesmo Samara destaca em parte de sua narrativa que ela também andava de bonde, quando conta sobre como era morar no centro também nos tempos de sua adolescência, trazendo a impressão, comum a todas essas narrativas, de que a lembrança do bonde transporta-os automaticamente aos “velhos bons tempos”. O evento que decidiria, contudo, pela extinção do uso do bonde como meio de transporte local teria partido do governo militar: Beto Mansur e Eduardo Carvalhaes mencionam que quase todos os bondes da cidade foram “destruídos a marretadas pelos militares”, com o fim de que “nunca mais voltassem a circular” por Santos, sendo substituídos pelos ônibus e deixando maior espaço para o transporte individual por meio dos carros.

A volta do bonde às ruas de Santos é reconhecida como mérito das recentes intervenções no centro, que culminaram no programa Alegra Centro, a partir do duplo governo Beto Mansur, chegando a ser identificado por diversos atores como o símbolo da revitalização da região. Nesse mesmo sentido, há conflitos quanto à origem da iniciativa desse seu retorno: para alguns, a idéia partiu de Beto Mansur, assim como ele mesmo menciona em sua entrevista. Porém, é a narrativa de Luiz Guimarães que traz a seqüência de eventos mais clara sobre esse processo:

Nós tivemos uma experiência que foi, assim, meio revigorista; foi um insight, na verdade. Eu e alguns outros pensávamos tanto nessa questão do centro que eu acho que isso favoreceu o surgimento de uma idéia. Nós tínhamos aqui, como temos até hoje, no Gonzaga, Praça das Bandeiras, um antigo bonde- camarão que era só a carcaça, mal tratada, que servia de posto de informação turística. E, nessa ocasião, eu precisava reformar esse bonde, que tava com infiltração, uma série de problemas. Procurei o presidente da CET, engenheiro João Paulo Tavares Papa, hoje prefeito de Santos, coloquei pra ele a minha necessidade para ver se ele nas antigas garagens da CSTC [antiga companhia

municipal de transportes coletivos] se ele tinha condição de fazer essa reforma.

Ele era muito amigo meu, muito afinados nas nossas idéias, ele disse: “Olha, eu faço; mas eu não vou fazer meia-boca. Se quiser restaurar, eu topo. Porque lá na antiga garagem nós temos lá alguns personagens antigos ainda da época do bonde que domina esse assunto; dá pra fazer um trabalho...”. Fechamos isso e durante alguns meses, então, essa equipe da CET trabalhou aqui na questão... do que já não era mais uma reforma simplesmente. E o trabalho ficou tão bonito, tão bonito, que uma noite nós estávamos aí vistoriando o bonde prestes a ser reinaugurado e nos empolgamos com o sucesso da empreitada e aí eu propus ao presidente da CET: “Bom, se o pessoal é tão bom assim, como realmente é, você não acha que teria condição de fazer um bonde que andasse?” Ele parou, pensou, e falou: “Olha, eu acho que dá pra gente aceitar esse desafio. O pessoal lá manja, nós temos aí uns equipamentos... Eu acho que até daria pra fazer um bonde que andasse. E aonde que ele andaria?” – perguntou o presidente. E eu falei: “Ah! Pelo centro. Fazendo um anel em torno de todo esse setor que nós estamos querendo revitalizar. Então amarraria, e nós teríamos uma leitura do conjunto”. Ele adorou a idéia, comprou a idéia de imediato - ele era meu parceiro nesses assuntos - e aí procuramos o prefeito e o prefeito também incorporou de pronto, e colocou a volta do bonde como uma prioridade de governo. De forma que, no ano 2000, nós pudemos inaugurar o primeiro segmento da linha do bonde histórico. (LUIZ GUIMARÃES, Entrevista em 23.10.09)

Esta passagem é bastante interessante já que apresenta exatamente a forma de uma narrativa, na qual uma história é contada por meio de eventos críticos ordenados cronologicamente, passando de um estado de equilíbrio para outro: o bonde estava desativado das ruas de Santos enquanto meio de transporte e havia um exemplar que necessitava de reparos funcionando, parado, como posto de informações turísticas na região das praias. Luiz Guimarães sugere o reparo desse equipamento ao presidente da CET, João Paulo Tavares Papa que aceita o desafio, utilizando a mão-de-obra daquela organização, que ainda apresentava funcionários em seus quadros que haviam trabalhado com os bondes, décadas atrás. Após o sucesso desse reparo, Luiz Guimarães, tendo em vista seu projeto – e as ações que já estava empreendendo nesse sentido, descritas anteriormente neste trabalho – de revitalizar o centro, sugere que o bonde volte a circular pelas ruas daquele bairro, “amarrando” o “acervo” de patrimônio histórico que a cidade dispunha, construindo uma rota turística; Papa aprova a idéia e, juntos, levam ao prefeito, Beto Mansur, que passa a

colocar esse assunto como prioridade de governo, até que a rota é efetivamente inaugurada, no ano 2000. Mesmo em sua narrativa, Beto Mansur conta da importância desse evento, lamentando não poder ter participado – nem ele, nem sua esposa e nem Papa – devido ao ano eleitoral, no qual ele era mais uma vez candidato a prefeito com Papa como vice; na ocasião, quem inaugurou a rota turística foi justamente Luiz Guimarães.

Dessa maneira, observa-se que o bonde passa a ganhar outro sentido, para além de um meio de transporte: ele passa a conduzir seus visitantes por um roteiro turístico construído pelas ruas do centro, atribuindo uma idéia de conjunto ao patrimônio histórico-arquitetônico local. Mais que isso: ele mesmo passa a ser um personagem, que empreende ações, nesse processo. Conseqüentemente, a própria história da cidade também é (re)construída. Lenimar Rios também o reconhece como importante novidade trazida pelos recentes governos, apesar de a base normativa estabelecida e as ações em defesa do patrimônio local terem sido criadas na revisão do Plano Diretor de 1989, a seu ver. Mas o impacto do bonde nesses aspectos culturais locais está presente em detalhes mais uma vez na narrativa de Luiz Guimarães:

Eu acho que o bonde histórico ele foi um marco de todo esse processo. Ele é o ícone da revitalização do centro histórico e ele tem uma importância fenomenal. Eu costumo dizer que a volta do bonde foi o reencontro do elo perdido de uma cidade que havia se despersonalizado. Santos, uma vila, um porto, de trapiches; aí esse porto foi modernizado, a cidade foi crescendo, com uma população estável até a década de 50 do século XX; e vivendo, aí, o apogeu do café. Na cidade, com algumas riquezas – havia o café, havia o jogo... Na década de 40, com o fim do jogo e também o desaquecimento econômico cafeeiro, começou a haver uma mudança de perfil da cidade, na economia da cidade: um empobrecimento, de um lado; de outro lado, novas frentes de trabalho. Foi nessa época, na década de 50, que surgiram a refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, surgiu a usina da antiga COSIPA, hoje USIMINAS, depois a fábrica da hoje FOSFERTIL, empresas estatais, o embrião do pólo petroquímico de Cubatão, que todos conhecem, e isso daí trouxe um novo perfil para a economia de Santos. E um novo perfil para a mão-de-obra, ou seja, para construir essas unidades fabris e também a ampliação do porto de Santos, começaram a vir levas e levas de contingentes, de trabalhadores, especialmente de Sergipe, do Nordeste como um todo, e foi aí que a cidade foi perdendo a sua identidade. De lá pra cá, Santos tinha os santistas, autênticos, da gema, e tinha os novos santistas, pessoas que vieram pra essas frentes de trabalho, acabaram ficando, fizeram família, filhos, e viraram santistas também. Então eu diria que, a grosso modo, metade da população não tinha raízes históricas com a cidade; eram santistas novos, novos santistas. Que, como natural, não conheciam aquela Santos do café, aquela Santos esplendorosa da primeira metade do século, desde que Saturnino Brito canalizou, drenou a cidade toda com esses canais, fez esse traçado que nós conhecemos hoje. Então, eram pessoas que não conheciam isso, não tinham vínculos com a

cidade antiga, com a Santos antiga, por conta disso. Bom. Esse era um desafio que o bonde concluiu, porque na medida em que nós pusemos o bonde para circular, com um guia a bordo, sistema de som, e ele mostrando e contando sobre todas as edificações pelas quais esse bonde passava, os santistas antigos se emocionaram e se reencontraram com a identidade de Santos. E os novos santistas, passaram a conhecer essa Santos adormecida, e a criar carinho por ela. Então é muito curioso porque é um equipamento antigo, antiquado, mas que ele encanta muito as crianças, encanta muito os idosos, de todas as faixas etárias. Quer dizer, as pessoas têm prazer de andar de bonde. E ao andar de bonde, ficam conhecendo todo aquele universo de edificações por onde antes passavam eventualmente e nem olhavam, não olhavam para aqueles prédios; passavam de cabeça baixa, apressados, até com certo receio. Então eu acho que o bonde ele teve essa função cultural, antropológica, que foi realmente o resgate da identidade de Santos. De lá pra cá se tornou o grande garoto-propaganda da cidade e o ícone, realmente, do processo de revitalização do centro histórico. (LUIZ GUIMARÃES, Entrevista em 23.10.09, grifo nosso)

Essa clara associação entre o bonde e a identidade local, colocando-o como símbolo consensual entre os diferentes grupos sociais que compõem a cidade implica mais um aspecto interessante para se levar em conta neste trabalho, já que se trata de um forte indicativo de que o processo de elaboração da política de revitalização do centro envolve também a mobilização e valorização de pontos específicos da cultura local. Sejam eles o patrimônio arquitetônico, a história, a memória ou a identidade. E, nesse sentido, também desempenham papel relevante na discussão sobre o que há de público na política pública.

4 – À CAMINHO DE UM MISTÉRIO: O QUE HÁ DE PÚBLICO NA POLÍTICA PÚBLICA?

Estamos nesta questão, no campo-tema, porque pensamos que podemos ser úteis. Ser útil pode ser algo como o apoio ao debate ou, dado que nenhuma teoria ou argumento viaja por conta própria, ajudar os saberes e conhecimentos presentes a viajar para que outros possam conectá-los com outras idéias e possibilidades dentro do processo de coletivização. Pode ser também a contribuição de trazer outras vozes para o debate, de mostrar outras posições e outros argumentos. Peter Spink

No capítulo anterior, procurei estudar o que chamei de micro-narrativas, ou seja, as narrativas específicas de cada um dos atores entrevistados. Neste processo, foi possível perceber uma série de novos elementos que caracterizam o processo de elaboração do programa Alegra Centro, trazendo a possibilidade de problematização em relação ao que pôde ser percebido anteriormente como a macro-narrativa, ou seja, as linhas gerais da maneira que esse processo é contado pelos atores. Exemplo disso são as divergências quanto aos seus protagonistas, tanto dentro do grupo considerado sociedade civil, como entre os diversos membros de diferentes gestões do governo municipal. Além disso, observei, em detalhes, como se desenvolveu a aproximação entre esses dois grupos ao longo dos últimos vinte anos de acordo com suas perspectivas, e a maneira como foram evocados aspectos da cultura urbana local, tais como a identidade ou a memória, apresentados em posição de destaque para o desenvolvimento do processo. Todas essas observações podem ser entendidas como fissuras entre as narrativas, ou seja, elas não apresentam continuidade, linearidade comum ou, ainda, uniformidade.

Retomando Alvesson e Karreman (2007) - e, portanto, a abordagem metodológica desenvolvida para este trabalho -, pode-se dizer que a primeira etapa, de familiaridade com o material empírico tendo por base a busca pelo entendimento de um assunto de forma relativamente ampla – no caso o processo de elaboração de uma política pública de revitalização de centro histórico – está realizada. E, uma vez que o objetivo deste trabalho é propor um enredo de suspense – mystery – e não desenvolver teoria sobre o material

empírico, deve-se partir, agora, das inconsistências apontadas no capítulo anterior – breakdowns. Entretanto, os autores ressaltam que a contribuição por meio da construção de enredos de suspense só é válida se duas situações são atendidas: ou não há literatura suficiente sobre o objeto empírico em questão ou a literatura não consegue explicar as inconsistências, que podem ser entendidas como surpresas, encontradas (ALVESSON e KARREMAN, 2007). Desde já afasto duas possibilidades de compreensão dessa abordagem metodológica: não se trata de buscar teoria que emerge do material empírico coletado, tampouco de, a partir de um referencial teórico, comprovar ou não dada situação no material empírico. Trata-se, sim, de trazer de maneira conjunta, o material empírico e a literatura, estabelecendo um diálogo que facilite o encontro de inconsistências e a construção de um enredo de suspense. Os eventuais futuros desdobramentos desta pesquisa, de modo a trazer a resolução do mistério por meio de novas incursões empíricas e busca por novas bases teóricas, mediadas pela criatividade do pesquisador, caracterizando uma nova abordagem teórica para o problema, seguem em aberto.

Dessa maneira, entendo necessário trazer para o diálogo, nesse momento da pesquisa, a literatura, que permitirá indicar em que medida as narrativas levantadas sobre o processo estudado trazem novidades ou não. Para tanto, deve-se levar em consideração a pergunta básica adotada por essa pesquisa, “o que há de público no processo de elaboração do Programa de Revitalização e Desenvolvimento da Região Central Histórica de Santos?”, não como se ela pudesse ser respondida de maneira objetiva, sim ou não, em uma abordagem que seria considerada lógico-científica (CZARNIAWSKA, 2000), mas como uma provocação que traz como conseqüência a problematização das narrativas levantadas que retratam o processo de acordo com o ponto de vista das próprias pessoas que dele participaram.

Mais uma vez, apóio-me nas duas situações especificadas no capítulo anterior, quais sejam as interações entre governo local e sociedade civil e o papel dos aspectos culturais locais nas narrativas que contam o processo de elaboração da política pública, já que, para que esta pesquisa seja capaz de propor alguma

contribuição ao campo da Administração Pública, deve passar pelo encontro de inconsistências dentro de temas que lhe são caros.

Foi em Frederickson (1997) que busquei a referida pergunta de pesquisa, já

Benzer Belgeler