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A União tem competência comum com os demais entes federativos para proteger os bens culturais.

Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:

III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural;

Também possui competência concorrente aos Estados e ao Distrito Federal para legislar sobre a proteção do patrimônio cultural.

Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:

(...)

VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;

55 Art. 1º - Ficam instituídas as formas de registro de bens culturais de natureza imaterial que

constituem o patrimônio cultural de Minas Gerais.

§ 1º - O registro dos bens culturais de natureza imaterial que constituem patrimônio cultural mineiro

será efetuado em quatro livros, a saber:

I - Livro de Registro dos Saberes, onde serão inscritos conhecimentos e modos de fazer enraizados

no cotidiano das comunidades;

II - Livro de Registro das Celebrações, onde serão inscritos rituais e festas que marcam a vivência

coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social;

III - Livro de Registro das Formas de Expressão, onde serão inscritas manifestações literárias,

musicais, plásticas, cênicas e lúdicas;

IV - Livro de Registro dos Lugares, onde serão inscritos mercados, feiras, santuários, praças e

demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas.

§ 2º- Outros livros de registro poderão ser abertos para a inscrição de bens culturais de natureza

imaterial que constituam patrimônio cultural mineiro e não se enquadrem nos livros definidos no parágrafo anterior.

VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico;

(...)

§ 1.º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.

Além do que está estabelecido na Constituição Federal, há o Decreto 25, de 1937, que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.

Existem outras normas jurídicas, conforme descritas a seguir:

• Lei Federal 3924/61 que trata da proteção do patrimônio arqueológico. Ela utiliza muitos termos imprecisos ou incorretos, e são limitados até mesmo em função do que se conhecia sobre arqueologia no Brasil na década de 1960. Assim, há referências a “monumentos arqueológicos ou pré-históricos” e “jazidas arqueológicas ou pré-históricas”, considerando também todos os objetos neles contidos ou sob a guarda do Poder Público. O próprio termo “jazida” é mais utilizado para se referir a um depósito natural de substâncias como minerais ou combustíveis para exploração comercial. Mas a lei também exemplifica alguns tipos de sítios incluídos nos termos utilizados, onde foram contemplados cemitérios indígenas, sambaquis, abrigos sob rocha, sítios cerâmicos, líticos ou com pinturas rupestres e outros.56 Este é o principal instrumento jurídico para a proteção do patrimônio arqueológico.

56 Lei 3924/61. Art. 1º - “Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza

existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público, de acordo com o que estabelece o Art. 180 da Constituição Federal. (...) Art. 2º - Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos:

a) as jazidas de qualquer natureza, origem ou finalidade, que representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil, tais como sambaquis, montes artificiais ou tesos, poços sepulcrais, jazigos, aterrados, estearias e quaisquer outras não especificadas aqui, mas de significado idêntico, a juízo da autoridade competente;

b) os sítios nos quais se encontram vestígios positivos de ocupação pelos paleoameríndios, tais como grutas, lapas e abrigos sob rocha;

c) os sítios identificados como cemitérios, sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento “estações” e “cerâmicos”, nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológico ou paleoetnográfico;

d) as inscrições rupestres ou locais como sulcos de polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de paleoameríndios”.

Faz-se necessária uma revisão desta lei, principalmente dos termos e conceitos. Entretanto, tal revisão seria extremamente arriscada em termos políticos, uma vez que, aberta para discussão e alterações, a pressão de grupos econômicos ligados à construção civil, imóveis e meio-ambiente poderia resultar na perda de conquistas trazidas pela 3924.

• Portaria IPHAN 07/88 determina as normas e procedimentos para pesquisa e escavações arqueológicas, bem como a guarda de artefatos coletados. É através desta Portaria que se estabelece a relação arqueólogo – IPHAN, em termos de pesquisa. Embora importante, a Portaria ainda carrega uma carga de exigências burocráticas muito grande e desnecessária. Um processo para Diagnóstico ou pesquisa arqueológica numa área onde haverá um empreendimento, por exemplo, pode levar até 10 meses para ser concluído, incluindo-se apresentação do projeto, publicação da Portaria do IPHAN no Diário Oficial da União, pesquisa, aprovação do Relatório e emissão de Parecer Técnico. Isto considerando que não seja necessário salvamento arqueológico de um sítio identificado, ou monitoramento arqueológico das obras, o que dá origem a um novo processo.

O credenciamento de arqueólogos pelo IPHAN e o estabelecimento de um padrão mínimo necessário para os diferentes tipos de pesquisa, em substituição à análise prévia do projeto pelo IPHAN e publicação da Portaria no DOU, seriam fundamentais para tornar os processos mais rápidos, a área mais ágil e eficiente, deixando mais tempo aos técnicos do IPHAN para o gerenciamento do patrimônio do país. Nesse sentido, propostas similares, com inscrição On-Line dos projetos no IPHAN, já foram sinalizadas por técnicos do órgão no último encontro da Sociedade de Arqueologia Brasileira (2003).

• Portaria IPHAN 230/02 é a norma mais importante desde a Lei 3924 de 1961, que passou a proteger os sítios arqueológicos. A Portaria 230 compatibilizou a preservação do patrimônio arqueológico com os Licenciamentos Ambientais em empreendimentos potencialmente lesivos ao meio ambiente. Assim, obriga os responsáveis pelos empreendimentos à realização do levantamento arqueológico e ao resgate de eventuais sítios arqueológicos encontrados e que seriam destruídos pelas obras de empreendimentos potencialmente lesivos ao

Patrimônio Cultural e ao Meio Ambiente, tais como: hidrelétricas, oleodutos, estradas, alguns loteamentos, sistemas de água e esgotos, e outros casos estabelecidos na Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, de 1988.

A Portaria define os procedimentos do diagnóstico arqueológico em cada fase do licenciamento ambiental, bem como para o resgate de sítios encontrados. Inovou ao definir que a guarda destes vestígios arqueológicos “deverá ser garantida pelo empreendedor, seja na modernização, na ampliação, no fortalecimento de unidades existentes, ou mesmo na construção de unidades museológicas específicas para o caso”. Até então, a manutenção da maioria dos acervos gerados pelas pesquisas arqueológicas ficava sob a responsabilidade de instituições públicas, gerando gastos para sua conservação, seu acondicionamento, comunicação, etc. Outro importante aspecto foi a obrigatoriedade da realização de programas de Educação Patrimonial, “os quais deverão estar previstos nos contratos entre os empreendedores e os arqueólogos responsáveis pelos estudos, tanto em termos de orçamento quanto de cronograma”.

Esta Portaria revolucionou o meio arqueológico, seja em termos de proteção, pois trabalha com a idéia de medidas preventivas, como na sua adequação dos Estudos de Licenciamentos Ambientais. Mesmo em termos profissionais, ela propiciou uma enorme demanda por arqueólogos que, até então, pouco atuavam nesse setor.

• Portaria IPHAN 28/2003: Determina que os reservatórios de empreendimentos hidrelétricos de qualquer tamanho ou dimensão dentro do território nacional deverão doravante na solicitação da renovação da licença ambiental de operação prever a execução de projetos de levantamento, prospecção, resgate e salvamento arqueológico da faixa de depleção. O IPHAN considerou as enormes perdas do patrimônio arqueológico ocorridas com a implantação de Usinas Hidrelétricas no Brasil; que apenas recentemente os referidos empreendimentos estão sendo objeto de estudos de impacto ambiental, e mais recentemente ainda estão a incorporar a variável destinada à proteção do Patrimônio Cultural

Arqueológico. Também considerou a necessidade de reparar, minimizar e mitigar os impactos negativos potencialmente causados pela implantação dos referidos empreendimentos.

• Portaria 108/DPC – 2003: Esta norma é do Ministério da Defesa, da Diretoria- Geral de Navegação, Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha. Aprova as Normas da Autoridade Marítima para Pesquisa, Exploração, Remoção e Demolição de Coisas e Bens Afundados, Submersos, Encalhados e Perdidos - NORMAM-10/DPC. Estabelece normas e procedimentos para autorização de pesquisa, remoção, demolição ou exploração de bens naufragados pertencentes a terceiros ou à União, e do turismo subaquático em sítios arqueológicos incorporados ao domínio da União.

• Instrução Normativa Nº 1, de 25 /2003: Dispõe sobre a acessibilidade aos bens culturais imóveis acautelados em nível federal. Estabelece diretrizes, critérios e recomendações para a promoção das devidas condições de acessibilidade aos bens culturais imóveis, a fim de equiparar as oportunidades de fruição destes bens pelo conjunto da sociedade, em especial pelas pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.

P

ARTE

III

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ROJETOS DE

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UNICÍPIOS

Parte III

Benzer Belgeler