30.BLOK-MAYIS
5. TARTIŞMA ve SONUÇ
Blais & Dupuis-Déri (Op. cit.) observam, no texto Qu’est-ce que le
masculinisme?, que o discurso alarmista dos homens sobre uma crise masculina faz parte de
um movimento social chamado masculinista. Esse movimento aparece como força política que se opõe ao feminismo com o objetivo de conter a emancipação das mulheres, ou seja, trabalha para conter o feminismo e promover os privilégios e o poder dos homens. Para os autores, o masculinismo é, antes de tudo, uma forma de antifeminismo.
O movimento masculinista contemporâneo emergiu nos anos 1980 em alguns países do Ocidente (França, Canadá, Estados Unidos), em um contexto histórico marcado pela liberdade amorosa, pelo controle das mulheres sobre seu corpo, pelo surgimento de redes feministas e femininas e criação de centros de acolhimento para as mulheres violentadas ocorridos a partir das décadas de 1960 e 1970. Em germinação nos anos 1980, em emergência nos anos 1990 e constituído realmente como movimento nos anos 2000, o movimento masculinista se desenvolve de maneira organizada na vida política, nas redes de saúde, nas universidades, nas mídias, nos grupos de cura psicológica para os homens, nos grupos abertos de militantes e nos círculos de estudos da masculinidade onde circulam especialistas, psicólogos e sexólogos que se preocupam com a crise da masculinidade provocada pelos avanços do feminismo. Os homens se agrupam para se opor ao feminismo e para defender/reforçar os privilégios masculinos, reagindo a uma suposta crise. Para Blais & Dupuis-Déri:
« Or si les hommes sont en crise identitaire parce que les femmes ont le droit d’étudier, de travailler et de divorcer, cela signifie que « l’identité masculine » est incompatible avec le principe d’égalité entre les hommes et les femmes. Si des hommes se sentent en crise et en désarroi, alors que ce sont eux qui occupent encore et toujours les postes de pouvoir politiques, économiques, médiatiques, scientifiques et religieux, c’est qu’ils sont
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incapables d’accepter l’idée d’une éventuelle égalité avec les femmes » (2008, p. 245) 40.
Em seu estudo Postures viriles: ce qui dit la presse masculine, Lori Saint-Martin (2011) aponta para um outro tipo de antifeminismo, o antifeminismo ordinário, proposto pela socióloga Francine Descarries (2005). Seria um antifeminismo mais sutil, menos explícito e menos agressivo, mas “mais eficaz do que as declarações duras de alguns homens [...]” (DESCARRIES, 2005, p. 141, tradução nossa), pois leva em conta a ideia de natureza e de estereótipos sexuais e afirma que a ordem tradicional favoreceu os dois sexos. Melhor explicando, trata-se de um antifeminismo que não é legitimado pelos discursos oficiais, mas pela ideologia naturalista que carrega a ideia de que os homens são socialmente superiores às mulheres e, assim, têm direitos, poderes e privilégios baseados no sexo. O antifeminismo ordinário não está organizado em movimentos, mas se reproduz por meio de mensagens e representações veiculadas pela mídia sexista – como o humor e a pornografia –, o que o torna mais difícil de ser percebido (DESCARRIES, Ibid). Para Descarries,
« Dans la conjoncture actuelle, par l’expression « antiféminisme ordinaire», je désigne les discours et les pratiques qui, sans nécessairement recourir à des interprétations fallacieuses, extrémistes ou moralisantes, s’opposent, implicitement ou explicitement, aux projets portés par le féminisme et font obstacle aux avancées des femmes dans les différents domaines de la vie sociale, ces avancées vers l’égalité étant perçues comme menaçantes pour un ordre social dont l’équilibre est fondé sur la hiérarchie sexuelle et la domination masculine» (2005, p. 142-143)41.
Algumas correntes feministas francesas têm insistido na questão que a teoria feminista denunciou ao longo dos anos: se os homens constituem uma categoria social de sexo específica, é porque estão em uma posição de dominação em relação às mulheres. As relações sociais de sexo hierarquizam e opõem duas categorias sociais de sexo e são os homens que se beneficiam dessa hierarquização/subordinação.
40 “Ora, se os homens estão em crise identitária porque as mulheres tem o direito de estudar, trabalhar e se
divorciar, isto significa que ‘a identidade masculina’ é incompatível com o princípio de igualdade entre homens e mulheres. Se os homens estão em crise e confusos e, no entanto, são eles que ocupam sempre os postos de poder políticos, econômicos, midiáticos, científicos e religiosos, é porque eles são incapazes de aceitar a ideia de uma eventual igualdade com as mulheres” (tradução nossa).
41 “Na conjuntura atual, pela expressão ‘antifeminismo ordinário’ eu designo os discursos e as práticas que, sem
necessariamente recorrer a interpretações falaciosas, extremistas ou moralizantes, se opõem, implicitamente ou explicitamente, aos projetos do feminismo e são obstáculos aos avanços das mulheres nos diferentes domínios da vida social; avanços estes pela igualdade percebidos como ameaçadores para a ordem social, cujo equilíbrio é fundado sobre a hierarquia sexual e a dominação masculina” (tradução nossa).
55 Os estudos sobre homens e masculinidades realizados em países latino- americanos igualmente indicam resistência por parte dos homens às mudanças, principalmente com relação a dois temas importantes: a descriminalização do aborto e a concessão de direitos econômicos e outras garantias sociais aos casais do mesmo sexo, como observou Mara Viveros Vigoya (2007). Para a autora, essa resistência baseia-se no argumento da ordem natural do gênero, no direito à reprodução e na manipulação da equivalência dos sexos, que pode ser camuflagem de um posicionamento que vai contra os direitos dos homossexuais em prol da defesa dos direitos da família. Tal resistência se constituiria em uma nova forma de dominação masculina, que não está baseada no pressuposto da desigualdade entre os sexos ou na perpetuação da ordem patriarcal, mas na reação às exigências de liberdade e igualdade reivindicadas pelos movimentos feminista, gay e lésbico, com o objetivo de frear os ganhos adquiridos pelas mulheres – garantidos em alguns países através de leis, políticas e programas sociais. Neste sentido, é uma expressão da dominação masculina às mudanças e à perda de poder (Ibid).
Em relação a essa problemática, Viveros Vigoya conclui dizendo que muitos estudos têm documentado as lutas masculinas para manter e consolidar sua dominação sobre as mulheres, mas outros, ao contrário, podem estar ocultando a ausência da equidade de gênero nas práticas cotidianas ao enfatizar as mudanças que os homens experimentam com as transformações sociais das mulheres.