• Sonuç bulunamadı

Considera-se poluição industrial qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas do meio ambiente, causadas por qualquer forma de energia ou substância sólida, líquida ou gasosa, ou combinação de elementos despejados pela indústria, em níveis capazes direta ou indiretamente de: prejudicar a saúde, a segurança e o bem estar da população; criar condições adversas às atividades sociais e econômicas e ocasionar danos à flora, à fauna e outros recursos naturais (PAWLOWSKY, 1999).

Segundo BRAILE (1971), na indústria de laticínios, a quantidade e a carga poluente das águas residuárias (efluentes) variam bastante dependendo dos tipos de produtos e da quantidade de água utilizada, da tecnologia do processo e do controle exercido sobre estes processos.

Na fabricação de queijo, os efluentes líquidos são semelhantes aos demais das unidades de processamento da indústria de laticínio, acrescidos de coágulos de leite. Seu pH é mais baixo do que do processamento de leite e de creme por exemplo, devido à formação de ácido láctico pela ação microbiana, além do soro gerado nesta transformação (BRAILE 1971).

A avaliação de cargas poluidoras em efluentes líquidos deveria segundo PAWLOWSKY (1999), ser realizada pela detecção e quantificação de cada componente em separado, o que não é feito na prática, a não ser em casos de contaminantes específicos, como por exemplo, no caso de pesticidas, cianetos, metais pesados.

A matéria orgânica é avaliada de uma maneira global, indiretamente por meio de parâmetros como a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda Química de Oxigênio (DQO) ou Carbono Orgânico Total (COT). A DBO é o parâmetro mais usado mundialmente e determina a quantidade de oxigênio dissolvido, necessário para degradar biologicamente uma certa quantidade de matéria orgânica contida em uma amostra de efluente líquido (PAWLOWSKY, 1999).

Além do volume e da DBO existem outros parâmetros para avaliar um efluente líquido industrial podendo-se citar: sólidos totais, sólidos em suspensão, sólidos orgânicos, pH, temperatura, constituintes inorgânicos, detergentes, desinfetantes. Cada parâmetro possui sua importância no contexto da avaliação da qualidade do efluente para dimensionamento do sistema de tratamento (BRAILE, 1971).

Quanto a DBO, segundo BRAILE (1971), apresenta a contribuição em termos de sólidos orgânicos e a faixa de variação da DBO na produção de vários produtos lácteos.

A Quadro 7 apresenta, entre outros dados, a DBO para o soro fresco, valores estes que variam entre 25.000 e 120.000 mg/L de oxigênio com 60.000 mg/L de valor médio.

Conforme pode ser visualizado na mesma, é significativa a contribuição da produção de leite e derivados para a poluição dos rios, se tratamentos de redução da carga orgânica não forem realizados. Observa-se também que a produção de creme, leite concentrado e sorvete são os processos que proporcionam maiores faixas de variação da DBO.

Quadro 7 – Valores de DBO e sólidos orgânicos gerados no processamento de vários produtos de laticínios

Produtos Sólidos Orgânicos Porcentagem de DBO (mg/L) Faixa de Variação DBO Média (mg/L)

Leite desnatado 8,2 40.000-73.000 82.000 Leite integral 11,7 84.350-125.000 117.000 Creme – 40% 44,9 399.000 449.000 Leite concentrado (2:1) 26,2 208.000 262.000 Sorvete 34,0 292.000 340.000 Manteiga batida 6,8 55.000-72.000 68.000 Soro (fresco) 6,0 25.000-120.000 60.000

Fonte: adaptado de BRAILE (1971).

Há diversos tipos de tratamentos para redução da carga orgânica de efluentes industriais. Um sistema de tratamento de efluentes é constituído basicamente de duas etapas: pré-tratamento e tratamento biológico (PAPA, 1999).

O pré-tratamento constitui-se de um sistema de captação de todos os efluentes líquidos direcionados de tal forma a passar por grades simples para retenção de sólidos grosseiros, desarenadores para remoção de partículas pesadas, caixa de gordura para retenção da gordura do efluente, um medidor de vazão e dependendo da variedade de produtos produzidos um tanque de equalização se faz necessário para ajustes de pH e volume de lançamento. O pré- tratamento tem a função de preparar o efluente para o tratamento biológico (ABIQ, 1995).

O tratamento biológico tem como função a redução da carga orgânica solúvel aos parâmetros estipulados pela legislação ambiental e pode ser realizado por sistemas denominados: lodos ativados, filtros biológicos, valos de oxidação, filtro anaeróbico, reatores anaeróbicos de fluxo ascendente, lagoas aeradas, e/ou uma combinação destes (ABIQ, 1995).

Segundo MACHADO (2000), na escolha de um ou outro sistema biológico deve-se levar em consideração alguns parâmetros como: eficiência no atendimento aos ditames da

que deve refletir a política global de utilização dos recursos disponíveis e os efeitos adversos ao meio ambiente.

Para BRAILE (1971), é ponto fundamental minimizar o volume e a carga poluidora dos efluentes líquidos nos processos de fabricação no que diz respeito às dimensões finais de um sistema de tratamento de efluentes.

Porém conforme relata RICHARDS (1997), em muitas indústrias o soro é considerado ainda como um resíduo, e sendo um potente agente de poluição devido a sua composição química constitui-se em um dos maiores problemas de rejeito industrial em todas as nações e tem caráter especial por se tratar de um produto alimentício.

O grande inconveniente no tratamento do soro de leite enquanto despejo industrial relata BRAILE (1971), é a grande concentração em matéria orgânica e a deficiência em nitrogênio dificultando de maneira considerável a estabilização do soro de leite por meio de métodos convencionais de tratamento biológico.

Para VIEIRA (1999) e PAPA (1999), nenhuma fábrica de queijo ou caseína pode ser construída atualmente sem dispor de instalações para o tratamento ou utilização do soro resultante. A alta DBO resultante da degradação biológica das proteínas e lactose do soro torna inviável economicamente a instalação de uma planta de purificação biológica para seu tratamento, pois a presença de soro no efluente pode significar a duplicação do sistema.

Qualquer que seja, no entanto, a escolha do tipo de tratamento de efluentes em uma indústria de laticínios, consideram BRAILE (1971) e PAPA (2000), é sempre importante cuidar que o soro de leite tenha uma destinação à parte, o que viabiliza a avaliação de alternativas mais adequadas para o mesmo, tais como alimentação animal, utilização em agricultura, decomposição anaeróbia para geração de biogás, concentração ou secagem.

Segundo GONZÁLEZ SISO (1996), na Comunidade Econômica Européia, aproximadamente 45% do soro gerado tem sido utilizado na forma líquida, 30% na forma de soro de leite em pó e 15% como lactose e subprodutos desta. O restante é usado na produção de proteína concentrada de soro.

Segundo BRAILE (1971), a utilização econômica do valor nutritivo do soro é a melhor opção, devendo-se levar em conta os custos envolvidos e de acordo com PRIMO (2001), é necessário quantidade razoavelmente grande em volume, para possibilitar extrair do soro seus sub-produtos, necessitando-se investimentos consideráveis.

Benzer Belgeler