Familya: ORCHIDACEAE
5. TARTIŞMA ve SONUÇ
Segundo TUAN (1983), o espaço arquitetônico pode afetar as pessoas que vivem nele. De acordo com o autor:
(...) as pessoas são capazes de sentir a diferença entre interior e exterior, fechado e aberto, escuridão e luz, privado e público. (...) o meio ambiente construído define as funções sociais e as relações. As pessoas sabem melhor quem elas são e como devem se comportar quando o ambiente é planejado pelo homem e não quando o ambiente é a própria natureza (TUAN, 1983, P. 114).
Uma importante pesquisa sobre a influência do meio ambiente na vida diária das pessoas foi realizado por Roger Baker (1968) - considerado pioneiro nos estudos das atividades da vida diária através da abordagem ecológica (CANEIRO e BINDÉ, 1997).
O trabalho de Barker (1968) consistiu na sistematização de um método capaz de descrever determinados tipos de comportamento ou ações cotidianas em seu ambiente natural, os behavior settings, que podemos entender aqui como “cenários de conduta” (GUIMARÃES, 2009)
Behavior settings (BARKER, 1968) são unidades onde atividades recorrentes acontecem estruturadas por uma determinada ambientação física (leiaute), onde é estabelecida uma relação entre a pessoa e o ambiente durante um período específico de tempo. Porém, nem tudo aquilo que acontece na vida das pessoas é um behavior setting. Para que um acontecimento seja um behavior setting, ele precisa preencher uma série de requisitos descritos minuciosamente pelo método de Baker (1968).
A tarefa da psicologia ecológica é descobrir como as propriedades da pessoa e as propriedades do ambiente ecológico estão relacionadas,
in situ (BARKER, 1968 p. 158).
As descrições sistematizadas obtidas através do método de Barker permitem uma série de verificações sobre a forma como as pessoas usam os ambientes
no contexto social, considerando suas habilidades e cultura. Permitem também perceber como ambientes que possuem o mesmo tipo de uso, onde se espera determinado padrão de ação das pessoas, podem estimular ações e atitudes diferenciadas.
Segundo Moos (1976), uma das grandes vantagens do estudo das unidades de behavior settings é a sua multidimensionalidade: a possibilidade de se ter aspectos físicos e temporais do ambiente, padrões estáveis de comportamento e ação que se repetem no meio-ambiente e as relações produzidas entre estes aspectos.
Behavior settings são também uma importante ligação entre o comportamento individual e particular das pessoas e um contexto social maior, como escolas ou empresas (MOOS, 1976).
Para esta pesquisa não há tempo hábil para a aplicação do método de Barker nas três escolas em estudo, contudo, a teoria de behavior settings (BAKER, 1968) nos ajuda a compreender que o espaço arquitetônico deve dar suporte para uma série de atividades e relações sociais que acontecem dentro dele. Muitas vezes, as pessoas compartilham o mesmo espaço para desenvolver atividades diferentes. É o caso do tipo de ambiente que este trabalho investiga: na sala de aula, estão o professor e os estudantes, cada qual com seu objetivo. Na lanchonete, encontramos a atendente que serve os lanches e a pessoa que quer se alimentar.
Considerando a inclusão na escola de pessoas com diversas características e habilidades, entende-se que seja importante atentar para a necessidade de que a estrutura arquitetônica destas instituições precisa proporcionar condições de desempenho com equiparação de condições para todas as pessoas. Neste sentido, a teoria de behavior setting (BARKER, 1968) nos auxiliar no exame das diferentes formas de uso que a estrutura arquitetônica existente deve
proporcionar para o desempenho de diferentes pessoas, possibilitando a proposição de alternativas com chance de maior eficácia.
Em se tratando da influência do ambiente no cotidiano das pessoas que possuem mobilidade reduzida, verifica-se que o grande obstáculo é a ausência de acessibilidade dos lugares.
Importante destacar que acessibilidade ambiental não equivale somente à provisão de acesso físico para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Compreende também a solução de uma série de problemas vinculados às condições mínimas de usabilidade, satisfação e conforto no uso do meio ambiente (GUIMARÃES, 2001).
Além de influenciar o desempenho em atividades diárias, ambientes inacessíveis podem trazer consequências psico-sociais (STEINFELD, DUNCAN e CARDELL, 1977) para as pessoas que utilizam estes espaços.
A fim de aprofundar esta discussão, retomaremos o conceito de deficiência definido por Guimarães (2008) no capítulo introdutório desta dissertação:
Trata-se de uma relação de desajuste entre três aspectos: a
capacidade potencial do surgimento de uma habilidade, a experiência vivenciada desta habilidade em um determinado contexto e os recursos disponíveis no meio construído que possam permitir tal experiência (GUIMARÃES, 2008).
Pode-se dizer, então, que a deficiência não está somente nas características físicas de uma pessoa. Há também problemas no meio ambiente, que limitam o uso e o acesso das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, bem como no contexto sócio-cultural, onde barreiras atitudinais impedem que estas pessoas interajam socialmente, sentindo-se parte do contexto.
Segundo Guimarães (1991), existem ambientes que desafiam e ambientes que intimidam, sendo que a diferença entre eles está na capacidade do indivíduo em decidir se a oportunidade lhe é favorável para enfrentar ou não as barreiras
arquitetônicas e as consequências psico-sociais deste enfrentamento. Em um ambiente desafiador a pessoa se sente estimulada a utilizá-lo e adaptar-se às condicionantes e ao contexto do lugar. Em um ambiente intimidador, a presença de barreiras arquitetônicas eleva o nível de estresse da pessoa, fazendo com que ela se sinta inibida a desenvolver suas competências para utilização deste espaço (GUIMARÃES, 1991).
Blumer (1937) diz que a vida social se apresenta em forma de um conjunto de costumes, tradições e instituições, representadas por símbolos que são comuns a todas as pessoas de uma determinada sociedade e que guiam os padrões de ação, de comportamento e até mesmo o gosto das pessoas (cultura), que compartilham um entendimento comum sobre a vida social, de forma que há um comportamento cooperativo. Da mesma forma, segundo Blumer (1937), as relações sociais se dão através de atividades cooperativas onde as pessoas compartilham símbolos, entendimentos e expectativas.
Com base nas ideias de Blumer (1937), podemos dizer que a realização de atividades no ambiente social tem um peso grande em relação à interação e aceitação da pessoa no grupo, pois pode simbolizar a capacidade de interagir de forma cooperativa, fazendo as mesmas coisas que todos podem fazer. Isto tem impacto positivo na auto-estima e imagem pessoal da pessoa.
Ambientes que não oferecem igualdade de oportunidades pela equiparação de condições podem fazer com que pessoas com deficiência sintam-se estigmatizadas em função da sua habilidade no uso do ambiente não ser suficiente para a execução de atividades cotidianas em conjunto com outras pessoas, tendo como consequência disto, a segregação de grupos de pessoas com determinadas características (STEINFELD, 1979).
Estigma, segundo o dicionário da língua portuguesa, pode significar:
1 Marca indelével. 2 Cada uma das marcas das cinco chagas de
ferrete, com que antigamente se marcavam escravos, criminosos etc.
4 Sinal infamante; labéu, ferrete. 5 Sinal ou mancha naturais no
corpo; nevo. (MICHAELIS, 2007.)
Segundo Goffman (1978), a imagem corporal de pessoas com deficiência explícita, transmite uma informação social que normalmente é negativa, independente da vontade da pessoa, e de haver um contato social direto. O estigma, possivelmente, é uma das maiores barreiras atitudinais para a inclusão social de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Trata-se de um pré-julgamento que atribui o veredito de um rótulo, como o de “incapazes” de realizar as mesmas atividades que as demais pessoas fazem, antes mesmo de se verificar se estas pessoas conseguem (GOFFMAN, 1978).
Segundo Steinfeld (1979), quando o ambiente nivela as oportunidades, tira-se o foco da deficiência da pessoa, e a interação social acontece em uma atmosfera de normalidade, eliminando-se o estigma. Quando o design do ambiente permite que todos o utilizem normalmente, cada um a sua maneira, o ambiente valoriza a competência pessoal das pessoas, e as estimula a desenvolverem suas habilidades, eliminando o estigma atribuído às pessoas em função de dificuldades para determinadas ações no espaço (STEINFELD, DUNCAN e CARDELL, 1977).
Steinfeld, Duncan e Cardell (1977) dizem que a ausência de acessibilidade acarreta várias implicações psicossociais, pois o mundo físico afeta diretamente às pessoas. Isto acontece mais fortemente com pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, em função de possuírem uma experiência e uma percepção do lugar diferente das pessoas que não possuem problemas relacionados à mobilidade. Estas implicações estão vinculadas com diversos aspectos que agem em conjunto ao influenciar o comportamento dos indivíduos.
Baseada nas informações fornecidas pelo trabalho de Steinfeld, Duncan e Cardell (1977), o QUADRO 2 descreve a relação entre as características de ambientes inacessíveis e a implicação psico-social decorrente.
Quando o espaço construído permite igualar as oportunidades de uso entre todas as pessoas, ele influencia positivamente o cotidiano de todos, na medida em que aumenta a possibilidade da experiência de habilidades diversas dentro do contexto sócio-cultural, permitindo a inclusão, criando a possibilidade de um contexto social enriquecedor promovendo o convívio entre as pessoas, valorizando as diferenças.
Além disso, o acesso físico por si só não é garantia de inclusão social (ANDERSON, 2003). É necessário que o ambiente possibilite a interação social entre as pessoas e que a qualidade destas experiências no espaço satisfaça aos usuários de maneira que se sintam em condições equivalentes às demais pessoas e livres para fazerem suas escolhas.
QUADRO 2
Falta de acessibilidade ambiental e suas implicações psicossociais Ambientes inacessíveis Implicação psicossocial
A linguagem do ambiente não comunica claramente a forma como pode ser usado. Não considera a diversidade de percepções e culturas.
9 Comportamentos inadequados, confusos e sentimentos de mal-estar no ambiente.
9 Formação de mapas cognitivos do lugar confusos, que impossibilitam que a pessoa se oriente no espaço de forma efetiva, comprometendo a qualidade da experiência do lugar.
Exclusão através de barreiras ambientais
9 Forma de comportamento territorial, onde as pessoas sem deficiência aparente reclamam para si os melhores espaços, impondo às pessoas com deficiência uma posição social de inferioridade hierárquica, pois ocupam lugares estigmatizados e institucionalizados.
9 Grande discrepância entre as competências da pessoa para lidar com o ambiente e a necessidade de utilizá-lo, a pessoa pode sentir- se frustrada e inibida em desenvolver tal competência.
Para Guimarães (2008b), os espaços devem ser vistos através de uma abordagem holística onde a acessibilidade é traduzida em um espaço funcional, destinada não somente para pessoas específicas, mas para toda uma população, onde o espaço pessoal de cada um está contemplado dentro do todo.
Isto justifica não tratarmos o ambiente construído como um objeto isolado, ou ignorarmos o fato de que o meio ambiente influencia as ações e o comportamento das pessoas, sendo o contrário também verdadeiro: o comportamento e as ações das pessoas dentro do espaço possuem um peso muito grande, pois são o reflexo daquilo que as pessoas pensam e acreditam, ou seja, a parcela cultural do meio ambiente.