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5. TARTIŞMA VE SONUÇ

O primeiro caso apresentado foi do aluno C1, sexo masculino participante do Ensino Fundamental de uma escola municipal situada na periferia da cidade do interior do estado de São Paulo.

Os dados expostos pelo Quadro 5 revelaram as opiniões entre professor da sala de recursos multifuncional, da sala regular e o observador. Notou-se uma concordância entre as pontuações do observador e professor da sala de recurso, a comparação entre os escores foi em sua maioria semelhante ou até mesmo igual. Já entre professor da sala regular a diferença era sempre maior.

Quadro 5. Opiniões sobre as habilidades de C1 a partir da percepção dos professores do ensino regular, da sala de recurso e pesquisador aferidas na escala e 1 a 7 pontos.

Comparação entre os escores de desempenho da escala

de 1 a7

Igual Semelhante Diferente

Pessoas responsáveis por pontuar a escala.

SRg SRc Obs. SRg SRc Obs SRg SRc Obs

Comunicação 2 3 6 Coordenação Motora Fina 2 5 4 Coordenação Motora Global 2 5 5 Compreensão de Ordem Simples 2 6 5 Compreensão de Ordem Complexa 2 4 4 Locomoção 6 5 6

O professor da sala de recurso pontuou as habilidades do aluno com escores mais altos, já o professor da sala regular atribuiu ao aluno notas menores. Acredita-se que possa ter havido influência da área de formação da professora do ensino regular (em biomedicina, ou seja, voltada a área da saúde) e, portanto a visão dela sobre o aluno com mielomeningocele era sempre focada nas incapacidades e não nas habilidades.

Os escores atribuídos as habilidades do aluno retratou esse fato, pois a professora pontuou o aluno com nota 2 em várias áreas de desenvolvimento. Esse escore, segundo os parâmetros da escala, diz que o aluno não tem as habilidades desenvolvidas, mas tem potencial para desenvolver. Já o professor da sala de recurso observou a habilidade sendo desenvolvida na criança, pois em nenhum momento ele pontuou a escala com nota menor que três. E o observador também conseguiu pontuar a escala com nota maiores ou igual a 4, portanto ficou claro tanto para o professor da sala de recurso quanto ao observador que o aluno apresentou as habilidades pontuadas em questão.

Observou-se diferenças na visão dos professores do atendimento educacional especializado e ensino regular. Discute que tal fato pode acontecer porque na sala de recurso, o aluno recebe uma atenção mais individualizada, assim o professor consegue ter uma leitura aprimorada das habilidades. Já na sala de aula regular, essa realidade muda, pois o professor geralmente observa as habilidades dos alunos em um contexto formado por vários alunos, portanto essa ação é considerada complexa.

Assim os professores da sala regular e da classe de recursos tinham vivências diferenciadas a partir de cada contexto no qual o aluno com seqüela de mielomeningocele participava. Além disso, a representação que o professor tinha de seu aluno influenciava diretamente na pontuação da EPP-MIELO.

A única opinião classificada como semelhante, segundo os três observadores foi quanto à locomoção. Notou-se que quanto mais concreta e aparente era a falta de habilidade, mais semelhantes eram as opiniões entre observador e professores.

As próximas habilidades referentes ao desempenho apresentadas pelo Quadro 6 foram comparadas apenas entre o professor da sala regular e da classe de recursos Quando os professores respondiam sobre o desempenho de outros aspectos os quais não poderiam ser observados pelo pesquisador, visto que exige uma frequência maior no número de procedimentos, a opinião dos mesmos foi em sua maioria semelhante.

Quadro 6-Opiniões sobre as habilidades de C1 a partir da percepção dos professores do ensino regular e da sala de recurso aferidas na escala e 1 a 7 pontos.

Comparação entre os escores de desempenho da escala de 1 a7

Igual Semelhante Diferente

Pessoas responsáveis por pontuar a escala.

SRg SRc SRg SRc SRg SRc

Controle Vesico-Esfincteriano 1 3

Audição 6 6

Visão 4 5

Interação com os amigos 6 6

Interação com os professores 5 6

Interação com os funcionários da escola

5 6

Notou-se que nos aspectos observados com maior exatidão existiu uma concordância entre a opinião dos professores do ensino regular e da sala de recurso. Especificamente neste caso foi importante ressaltar uma boa relação entre o professor da rede regular e da sala de recurso. O estabelecimento dessa integração entre os profissionais contribuiu para formar as opiniões semelhantes sobre as habilidades do aluno.

Uma das únicas pontuações diferenciadas foi quanto ao controle vesico- esfincteriano, a professora do ensino regular afirmou que a criança não possuía essa habilidade, já a professora da sala de recurso dizia exatamente o contrário. Apenas uma das professoras conseguiu pontuar corretamente a escala, este fato pode estar relacionado à falta de conhecimento sobre a necessidade que o aluno apresentava.

Considerações sobre o desempenho escolar apresentado por C1.

O quadro abaixo compostos pelas 6 figuras mostrou as áreas de desenvolvimento mensuradas. Pretendeu-se discutir por meio do Quadro 7 o desempenho escolar do aluno com seqüela de mielomeningocele. As notas deste quadro foram pontuadas pelos professores da sala regular, de recursos e observador. Notou-se que o aluno não teve desempenho 100% em nenhuma das habilidades.

Quadro 7. Desempenho Escolar do Aluno C1 nas áreas de desenvolvimento: comunicação; locomoção; coordenação motora e compreensão.

Comunicação Locomoção SRg 1 SRc 1 Obs 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg 1 SRc 1 Obs 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Coordenação Motora Fina Coordenação Motora Global

SRg 1 SRc 1 Obs 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg 1 SRc 1 Obs 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Compreensão de Ordem Simples Compreensão de Ordem Complexa.

SRg 1 SRc 1 Obs 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg 1 SRc 1 Obs 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

A comunicação foi a habilidade que obteve um dos menores escores atribuído pelos professores, no entanto a mesma área de desenvolvimento recebeu uma boa pontuação segundo a percepção do observador. A dificuldade relatada pelos profissionais na comunicação, percebidas durante observação foi a demora ao responder as perguntas e também uma atitude repleta timidez. Outro fato verificado foi que o aluno não tinha iniciativa para interação, mas respondia a todas as tentativas de verbalização realizadas pela professora.

Na cognição, no que se diz respeito a compreensão de ordem complexa e a capacidade de solucionar problemas, C1 apresentou dificuldades relacionadas a lentidão no entendimento e processamento das informações. Já quanto a compreensão de ordens simples o aluno obteve pontuações medianas para o professor da sala de recurso e observador. Percebeu-se um atraso no desenvolvimento cognitivo durante o observação realizada em sala de aula. O aluno tinha dificuldades relacionadas a compreensão dessa forma a professora precisava utilizar uma linguagem simples e em alguns momentos oferecer auxílio por meio de dicas verbais para realização das atividades.

Quanto aos aspectos motores o aluno possuía um comprometimento considerável nas habilidades que exigiam coordenação motora fina. Durante as observações notou-se que o aluno realizava paulatinamente as atividades solicitadas e não tinha precisão nos movimentos. Já nas habilidades relacionadas à coordenação motora global C1 apresentou um melhor desempenho.

Na locomoção, C1 apresentou um desempenho relativamente bom, entretanto deve se considerar que a criança tem os membros inferiores comprometidos, portanto precisava de recursos de tecnologia assistiva para realizar o deslocamento.

O quadro 8 descreveu outras áreas de desenvolvimento mensuradas por meio de desempenho de C1 no contexto escolar. Estas habilidades foram atribuídas apenas pelos professores da sala regular e de recursos. Novamente C1 não apresentou desempenho de 100% em nenhuma das áreas de desenvolvimento.

Quadro 8- Desempenho Escolar do Aluno C1 nas áreas de desenvolvimento: audição, visão, controle vesico-esfincteriano e interação social.

C1 obteve seu menor desempenho nas habilidades relacionadas ao controle vesico- esfincteriano. A maioria das pessoas com mielomeningocele tem esse problema, pois esta é uma seqüela decorrente da própria patologia. Tal fato provavelmente corroborava para a timidez do aluno, pois ele além de não ter controle sobre o ato de urinar e defecar não vai ao banheiro como as outras crianças, isso o diferenciava dos seus colegas de sala, dificultando sua participação na escola.

Controle Vesico-Esfincteriano Audição

SRg SRc 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg SRc 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Visão Interação com os amigos

SRg SRc 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg SRc 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Interação com o professor Interação com os funcionários da escola

SRg SRc 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 SRg SRc 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

No que se diz respeito à visão, os professores notaram um comprometimento, porém ainda não identificado por especialistas, por isso o aluno foi encaminhado ao oftalmologista. Já sobre a capacidade auditiva, a opinião dos professores foi igual, pois eles acreditam que não existia nenhum comprometimento nesta área de desenvolvimento.

Na interação da criança com o ambiente escolar, os professores pontuaram a escala com escores medianos. Por meio das observações foi possível observar que C1 era um aluno tímido, não tinha iniciativa para desenvolver interações sociais e muitas vezes tal fato impedia a realização de comunicação entre os amigos, professor e os funcionários da escola.

Notou-se a partir do caso 1 que houve diferenças na pontuação realizada pelo observador, professor da sala regular e de recursos por meio do desempenho escolar de C1. Estas pontuações foram consideradas baixas diante do desempenho real do aluno. Ele apresentou dificuldades nas áreas de desenvolvimento relacionadas à comunicação, compreensão, coordenação motora, controle vesico esfincteriano e visão.

Benzer Belgeler