A organização do trabalho em rede é também uma característica dos grupos de pesquisa, em que cada grupo é um dos pontos da rede, que pode ser conectado com os demais, constituindo uma malha de relações ilimitada. E para a implantação, torna-se necessária a definição de áreas de competência e identificação de grupos de pesquisa para que possa viabilizar o estabelecimento de interações multidisciplinares entre as instituições participantes e a cooperação das ações (RYAN, 2010; CRAGG et al. 2012).
Para obtenção do número e informações sobre os pesquisadores, rede de pesquisa e grupos de pesquisa na área de Bioprospecção foram realizadas buscas nos bancos de dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq75, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES76 e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - MCTI77. Nas buscas foram utilizadas palavras-chave para estabelecer os grupos e pesquisadores com atuação em bioprospecção e na formação de Redes de Pesquisa em Bioprospecção. Contudo, muitos líderes de grupos de pesquisa atuam na área, mas não a denominam. Outros se inserem na área, mas não atuam efetivamente em Bioprospecção.
O levantamento realizado na base de dados do CNPq foi por meio da busca orientada textual que permite recuperar informações sobre os dados presentes no
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Plataforma Lattes – http://lattes.cnpq.br e Diretório de Grupos de Pesquisa - http://dgp.cnpq.br/buscagrupo.
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banco de teses e dissertações – www.capes.gov.br.
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diretório78. Vale ressaltar que o inventário da produção científica, tecnológica dos grupos foi construído a partir de informações existentes no currículo lattes dos pesquisadores. Em consequência, quase sempre foi presenciado duplas contagens de grupo com algumas informações diferenciadas como líderes de grupos.
Ao utilizar a palavra-chave “bioprospecção” na base de dados do CNPq, identificou-se de 1.802 grupos de pesquisa que atuam nesta área, onde 731 somente em 2010. Cabe esclarecer que, ao aplicar apenas um termo como palavra- chave objetivou, principalmente, em alcançar a multidisciplinaridade. Caso utilizasse mais palavras-chave pertinentes à área durante a busca, talvez ocorresse um refinamento e possivelmente muitos grupos poderiam ficar fora do escopo do resultado. Outro fator importante acrescentado foi o filtro de variáveis para a data de existência do grupo com menos de 1 ano e para grupos acima de 15 anos.
A partir dos dados coletados, observou-se que de 2000 até 2010 houve um aumento de 94,9%, um total de 37 grupos de pesquisa em 2000 para 731 grupos no ano de 2010 cadastrados no banco de dados do CNPq (Figura 2.2).
Figura 2.2 – Número de Grupos de Pesquisa cadastrados no diretório do CNPq como palavras-chave Bioprospecção.
Fonte: Elaboração própria a partir do banco de dados, CNPq.
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O Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq reúne informações sobre os grupos de pesquisa em atividade no Brasil abrangendo pesquisadores, estudantes, técnicos, linhas de pesquisa em andamento, produção científica, tecnológica e artística geradas pelos grupos.
Um trabalho realizado por Assad e Sampaio (2005), confirma tal estatística quando os autores realizaram buscas por pesquisadores na plataforma do CNPq com a palavra-chave bioprospecção e encontraram 233 resultados e constataram que muitos pesquisadores não identificam suas atividades nesta prática. Um pesquisador da área de química, por exemplo, usava o termo “drug discovery” e não “bioprospecção” (LIMA, 2007).
Uma das causas prováveis desse crescimento pode estar relacionado ao destaque que as atividades em bioprospecção vêm ganhando nos últimos anos, principalmente como resultado da implementação da CDB, conforme mencionado no capítulo I. Com isso, para implementar as atividades previstas na CDB houve um fluxo maior de investimentos em programas de pesquisa relacionados com a prospecção da biodiversidade.
No contexto das redes de pesquisa, um fato interessante é que, ao pesquisar na Busca Textual no banco de dados do CNPq79 é possível visualizar as redes formadas pelos Grupos de Pesquisa com palavra-chave Bioprospecção, este recurso de dados das redes são denominados LattesRedesGP. A partir do referido recurso pode-se resgatar as subredes de relacionamento do grupo de pesquisa por ano (período de 2000 a 2010), por unidade de análise da subrede (grande área do grupo, área do grupo e integrantes do grupo) e por critério de distribuição geográfica (por região ou unidade federativa).
Inicialmente, foram realizadas as buscas das subredes apenas para o Censo 2010 em que se obteve 731 grupos de pesquisa em bioprospecção. Para a configuração da rede foram gerados os dados utilizando a unidade de análise da subrede, o número de integrantes em comum no grupo de pesquisa selecionado e o critério de distribuição por unidade federativa. Como o número de grupos de pesquisa em bioprospecção para o Censo 2010 foi muito grande (731) foram selecionados, para conhecer a formação das subredes, os que apresentam no nome do grupo a palavra bioprospecção. Assim, foram identificados 26 grupos de pesquisa que apontaram o termo “bioprospecção” como palavra-chave no nome do grupo. Ao aplicar o filtro para distribuição geográfica do grupo foi possível conhecer os pormenores das redes de relações com o grupo de pesquisa selecionado. Cabe ressaltar, que no filtro “integrantes” estão incluídos os pesquisadores e estudantes
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Os dados disponíveis encontram-se a partir do Censo 2000 e disponibilizados de dois em dois anos sendo o último, até o momento, o Censo 2010.
do grupo de pesquisa em estudo. Os nodos (representados por círculos) são os grupos que estão nas unidades federativas, o círculo central representa o grupo de pesquisa principal e os números indicados nas ligações entre os nodos são as quantidades de subgrupos interligados.