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CATEGORIAS EVOCAÇÕES FREQÜÊNCIA

Velhice

Velhice

Que ta ficando velha De quando era mais jovem

A idade Fim da juventude Caminhar para a velhice

09 04 03 03 01 01 Doença Doença

Do tempo que tinha saúde Falta de saúde

Deixa a pessoa doente

04 02 01 01

TOTAL 29

Fonte: pesquisa de campo

No Quadro 3, estão arroladas as evocações que fazem referência à definição do objeto ( menopausa=fim da menstruação ), a aspectos fisiológicos do mesmo ( queda dos hormônios/menos hormônios) e outras evocações com freqüência bastante reduzida, mas, o mais importante, com menor poder de aglutinação, de atribuição “coletiva” de sentido - considerando-se os pressupostos que nos orientam na identificação dos elementos do núcleo central de uma representação.

37 A ordem média de evocação de cada palavra, segundo SÁ (1996, p. 116-117), é dada pela “média das ordens em que (cada uma) foi evocada pelos diversos sujeitos”. Citando o exemplo de uma pesquisa feita por Vergès (1992, apud SÁ, op. cit), assim explica o autor: “A pesquisa envolveu 367 sujeitos adultos, de ambos os sexos, habitantes da região de Marseille, aos quais foi feita por telefone a seguinte pergunta: ‘Quais são para você as palavras ou expressões que o dinheiro lhe faz pensar?’ As respostas eram registradas na ordem em que foram evocadas por cada um dos sujeitos. Das 236 palavras diferentes em um total de 877 evocações, Vergès propõe tomar-se em consideração inicialmente apenas aquelas 24 que apareceram mais de 10 vezes, as quais, embora constituindo somente 10% do inteiro conjunto de palavras, correspondiam a 54% do total de evocações. Calcula-se então a ordem média de evocação de cada palavra como a média das ordens em que ela fora evocada pelos diversos sujeitos, atribuindo-se peso ‘1’ a uma evocação em primeiro lugar, peso ‘2’ quando se tratava da segunda evocação do sujeito, e assim por diante”.

QUADRO 3

OUTRAS EVOCAÇÕES COM O TERMO INDUTOR MENOPAUSA E RESPECTIVAS FREQÜÊNCIAS

CATEGORIAS EVOCAÇÕES FREQÜÊNCIAS

Fim da menstruação Menstruação acabando Falta da menstruação Parar de menstruar Terminou a menstruação A menstruação tá terminando

Que não menstrua mais Final da menstruação Pausa - não pode mais ter filhos

Uma pausa

Quando termina a menstruação Sem menstruar Deixar de menstruar 05 05 02 02 01 01 01 01 01 01 01 01 Total 21 Aspectos

fisiológicos Queda dos hormônios Menos hormônio

01 01 Total 02 Outras Sei lá! Nada Não sei Coisa pequena Pausa pra tudo

O que a gente não tinha e chegou Fim do sexo

Também ( meia idade) Não to sabendo explicar

Não gosto dessa parte Só desgraça Só coisa ruim 04 02 02 01 01 01 01 01 01 01 01 01 TOTAL 17 Fonte: questionário

A categorização que mostramos acima apoia-se nas orientações de Vergès (1992, p.207). Segundo este autor, é importante que o pesquisador das representações sociais procure categorizar as evocações a partir da ligação que as palavras e expressões possuem entre si, ou seja, respeitando “o princípio do campo semântico organizado em torno de uma noção prototípica”. Dessa forma, as evocações

obtidas passam a se constituir numa importante base de dados que permite fazer diferentes tipos de leitura e interpretação. Todavia, essas leituras não são, de forma alguma, gratuitas posto que “os dados foram construídos através de um

procedimento apoiado sobre as relações entre prototipicalidade e palavras organizadoras de uma representação”.

Outra ressalva metodológica a fazer, desta vez de acordo com as orientações de Jean-Claude Abric (1998, p. 31), é que a centralidade de um elemento, numa determinada representação, não pode ser atribuída somente a critérios

quantitativos (freqüência e ordem média). Ao contrário, diz o autor, o núcleo central possui, antes de tudo, uma dimensão qualitativa.

Não é a presença maciça de um elemento que define sua centralidade, mas sim o fato que ele dá significado à representação. Pode-se, perfeitamente, identificar dois elementos, dos quais a importância

quantitativa é idêntica e muito forte, que aparecem, por exemplo, muito freqüentemente no discurso dos sujeitos, mas, um pode ser central e o outro não...

Partindo destas considerações, podemos inferir que a centralidade dos elementos da representação social do climatério/menopausa, construída pelas usuárias, é dada pelos campos semânticos velhice/doença, pois os mesmos explicitam o sentido que é atribuído ao objeto. Observando-se o Quadro 3 constatamos, no entanto, que há um outro elemento aglutinando vários outros, podendo também constituir-se em campo semântico. Trata-se da categoria “Fim da Menstruação”. Todavia, como já ressaltamos acima, as evocações aí relacionadas constituem-se em elementos descritores de uma das fases do climatério, a menopausa, não permitindo que se possa, a partir deles, identificar qual o sentido construído e compartilhado pelos sujeitos a respeito do objeto. Como diz Abric na citação feita acima, dois elementos podem ter a mesma importância quantitativa, mas apenas um deles estar ligado ao núcleo central. Consideramos, por conseguinte, que a face icônica da representação está organizada pelos campos semânticos já referidos, uma vez que os mesmos representam o resultado dos processos constitutivos da representação, quais sejam, a objetivação e a ancoragem. Temos assim, com relação às mulheres usuárias, uma primeira aproximação do conteúdo da representação social do climatério que é majoritariamente compartilhada pelas mesmas38. Aliás, conhecemos mais a organização desse conteúdo do que a riqueza psicossociocultural que o mesmo sintetiza – o que procuraremos fazer mais adiante.

Vimos até aqui que, do ponto de vista da estrutura da representação que predomina entre as usuárias, a “menopausa” é objetivada e ancorada, à semelhança das mulheres profissionais de saúde, no signo “velhice”. Este aparece como o lado icônico da representação, a materialização do sentido atribuído à mulher no climatério. De acordo com a esquematização de Moscovici (1978) temos:

Figura Velhice Significado Tristeza/doença

Isto evidencia que, no real, como diz o autor, a estrutura de uma representação aparece-nos desdobrada, apresentando “duas faces tão pouco dissociáveis quanto o são a frente e o verso de uma folha de papel: a face figurativa e a face simbólica”. Todavia, a complexidade da articulação dos elementos de uma representação exige que o pesquisador busque outras fontes de dados e informações, a fim de ir além de uma abordagem estrutural, como a proposta por Abric, e situe a representação como um fenômeno psicossocial e não essencialmente cognitivo. É o que tentaremos fazer a seguir, a partir da análise do conteúdo das entrevistas e das observações feitas sobre o terreno.

38 Mais adiante, falaremos a exemplo do que encontramos junto às profissionais da saúde, da existência de uma outra organização desse mesmo conteúdo que, seguramente, indica a existência de uma outra representação social, embora minoritoriamente compartilhada no universo estudado.

5.4 - As ressignificações do signo “velhice” e os processos

Benzer Belgeler