A pesquisa foi desenvolvida em uma escola da rede pública regular de ensino de Belo Horizonte. Essa escola é regida pelo município e está localizada na região leste da cidade, atendendo ao ensino fundamental e médio.
Ela foi inaugurada em maio de 1973 e ocupa uma área de 15.000 m2, possuindo uma grande área verde. São 24 salas de aula, biblioteca com aproximadamente 8 mil volumes, cantina, quadras esportivas, ginásio coberto, sala de vídeo e 3 laboratórios, sendo um de Informática e dois de Ciências. Atualmente, mais de 2.000 alunos freqüentam regularmente a escola (de crianças de seis anos de idade até o 3o ano do ensino médio), que funciona nos três turnos – manhã, tarde e noite.
Durante muitos anos, a clientela da escola era constituída por alunos da própria comunidade e de bairros vizinhos. A partir de 1995, com a implantação da Escola Plural22, ela passou a atender crianças e adolescentes de áreas periféricas como Cafezal, Taquaril e Fazendinha.
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A Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte hoje atua de acordo com a proposta político- pedagógica da Escola Plural. A proposta da Escola Plural foi implementada em 1995, pela Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED), e tem como princípio básico a garantia da educação para todos. Na perspectiva política da inclusão social e garantindo o direito à educação, o Programa Escola Plural aumentou o tempo de permanência do aluno de 8 para 9 anos no ensino fundamental, buscando a continuidade do processo de escolarização, eliminando a seriação e favorecendo a construção da identidade do aluno. Assim sendo, na lógica dessa proposta, a aprendizagem dos alunos passa a ser o centro do processo educativo, cujoobjetivo é a formação e a vivência sócio-cultural próprias de cada idade. Na Rede municipal de ensino, portanto, a escola Plural traz umanova organização baseada em 3 ciclos: a) 1o ciclo (infância) compreendendo alunos de 6 à 9 anos de idade; b) 2o ciclo (pré-adolescência) compreendendo alunos de 9 à 12 anos de idade; c) 3o ciclo (adolescência) compreendendo alunos de 12 à 14 anos de idade. Organizados por idade, os ciclos facilitam as trocas socializantes dos alunos e a construção de auto- imagens e identidades mais equilibradas. A permanência de alunos no ciclo de idade por mais um ano poderá ser reconsiderada quando um aluno não conseguir um desenvolvimento equilibrado em todas as dimensões da formação apropriadas aos ciclos de idade.Informações sobre a escola plural foram obtidas no site http://www.fae.ufmg.br/escplural/pagina2,3.htm
Todos os alunos do ensino fundamental recebem “kits” com material escolar, além de uma merenda de excelente qualidade. Os professores podem fazer excursões com seus alunos, pois há recursos disponíveis. Há, porém, pontos fundamentais que são negligenciados pela prefeitura e afetam a área pedagógica. O livro didático de Inglês, por exemplo, fornecido pelo MEC em 1997, é o mesmo até hoje, ao passo que isso não ocorre com as outras disciplinas. Não existem volumes para todos os alunos e o estado de conservação dos livros é precário. Existem verbas, mas não podem ser utilizadas para esse fim. Segundo a participante da pesquisa, a direção se esforça muito para fazer um bom trabalho. A parte física da escola é muito bem cuidada, os alunos recebem um tratamento digno e o ambiente escolar é agradável.
O quadro a seguir apresenta o contexto dessa pesquisa: QUADRO I: Contexto da pesquisa
ESCOLA TURMA OBSERVADA PERÍODO23
Escola Pública Municipal
35 alunos da 7º série do ensino fundamental
26/04/2006 a 03/08/2006
3.4 A participante
Esse estudo foi conduzido inicialmente com duas professoras voluntárias. Entretanto, alguns problemas pessoais impediram a participação de uma delas. Carolina24 foi quem participou de todo o período da pesquisa cujos dados são aqui analisados. A
23Houve férias de 30 dias no mês de julho. 24
Foi utilizado pseudônimo para a participante para resguardar sua identidade. A própria professora escolheu seu pseudônimo.
escolha da turma observada ficou sob a responsabilidade da participante. O pesquisador observou 10 aulas dessa professora durante aproximadamente três meses (ver quadro 01). Carolina graduou-se em Letras com licenciatura em Inglês em 1983 em uma Universidade Federal de grande porte do sudeste do Brasil. Em 1987 ela graduou-se em Português. Ela trabalhou com o ensino fundamental e médio como professora efetiva e lecionou há vinte e três (23) anos, nos turnos da manhã e tarde. Atualmente ela está aposentada.
Durante a coleta de dados, a professora Carolina participava também de um projeto de educação continuada desenvolvido pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Sua participação no projeto encerrou-se no segundo semestre de 2007. Esse projeto, denominado “Educação Continuada de Professores de Línguas Estrangeiras” (EDUCONLE)25, iniciado em 2002, atendeu a professores de inglês e espanhol da rede pública municipal e estadual até 2008, com carga horária total de 300 horas, distribuídas em dois anos. O projeto tem como objetivos gerais oferecer subsídios lingüísticos e pedagógicos, além de contribuir para um maior envolvimento dos graduandos em Letras e pós-graduandos em Estudos Lingüísticos com a realidade educacional fora dos muros da universidade, por meio de um projeto de ensino/pesquisa/extensão com professores da rede pública de ensino, sensibilizando os dois segmentos para a importância da educação continuada.
Além disso, os alunos da graduação recebem créditos de Prática de Ensino para as atividades que desenvolvem (módulos lingüísticos) e os alunos da pós-graduação têm a oportunidade de coletar dados para suas pesquisas e colaborar com os módulos
metodológicos lingüísticos. Até 2007, o curso de educação continuada tinha quatro eixos centrais:
tem foco no processo e no significado; lingüístico;
metodológico / reflexivo; sobre a vida escolar; pesquisa-ação.
A professora que fazia parte desse projeto de educação continuada, participou de forma voluntária desta pesquisa, como foi mencionado anteriormente.