A política governamental para as bibliotecas públicas entre 1985 e 1989 teve dois momentos: o primeiro, na gestão do escritor Fábio Lucas, que manteve a política do livro como política para bibliotecas públicas. Ainda assim, houve uma modificação perceptível na concepção das bibliotecas públicas como centros de convivência cultural dos municípios, saindo do modelo de biblioteca igual à sala com livros.
Com a indicação do embaixador16 Wladimir Murtinho para a direção do INL, desenvolveu-se, num breve momento, uma política de bibliotecas autônoma. A Lei 7.505 de 1986 (Lei Sarney), que incentivou doações ou patrocínios a instituições e eventos culturais e artísticos, favoreceu a busca de recursos e foi utilizada para desenvolver os acervos das bibliotecas públicas, mas sem enquadrar as aquisições na política editorial do INL. A aquisição de periódicos também foi uma novidade, após décadas do reinado do livro. A política de bibliotecas incorporou algumas novas tendências nos serviços das bibliotecas públicas, como informação utilitária e centros de cultura e convivência.
Em 1987, o INL e a Biblioteca Nacional passam a constituir a Fundação Nacional Pró-Leitura, através da Lei 7.624. O INL passa a definir, em seu regimento, a finalidade de incentivar a criação, o desenvolvimento e a difusão de bibliotecas no País, tendo como função, promover o uso dos acervos (promoção da leitura). A partir de então, o INL passou a equilibrar melhor as funções de armazenamento e disseminação das bibliotecas. Os SEBPs se fortaleceram, descentralizando-se o processo de seleção e incluindo periódicos entre as doações às bibliotecas.
Eliany Araújo, concluindo seu trabalho sobre o INL, identificou quatro fases do Instituto: primeira fase, entre 1937 e 1945, de criação e consolidação; segunda fase, entre 1945 e 1960, de incremento às atividades editoriais; terceira fase, entre 1961 e 1970, denominada de ação cultural e segurança nacional; e uma quarta fase, de
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Pela primeira vez a direção do INL esteve nas mãos de um administrador, pois até então todos os dirigentes eram escritores. Maria Alice Barroso, apesar de ser bibliotecária, foi indicada para a direção do INL por ser escritora (nota de Oliveira, 1994, p.166).
1971 a 1990, chamada “sob a ideologia do planejamento” (ARAÚJO17, 1991, p.173 apud OLIVEIRA, 1994). Zita Oliveira (1994, p.169-170) acrescenta uma quinta fase, entre 1987 e 1990, que a autora denomina “rumo à informação pública”, que trouxe “modificações significativas no conceito e nas atividades das bibliotecas públicas municipais, com o objetivo de transformá-las em reais prestadoras de serviço de interesse para as comunidades”.
Ao longo do percurso do Instituto Nacional do Livro, Oliveira (1994, p.170) enumera algumas dificuldades para se implementar uma política de bibliotecas no Brasil, pelo Instituto: falta de recursos do INL; dificuldades nas relações entre o Instituto, os estados e os municípios; políticos com limitada e/ou ultrapassada visão sobre o papel das bibliotecas públicas; uso político-eleitoreiro das doações e troca de funcionários e, como já foi afirmado antes, a descontinuidade do próprio Instituto, cujas visões e objetivos mudavam de acordo com seus dirigentes.
Segundo a mesma autora, os maiores vícios de concepção das políticas promovidas pelo INL foram: a vinculação da política de bibliotecas à de promoção do livro18; a falta de evolução na visão das bibliotecas públicas, mantendo-se como sua principal função a de preservadora dos livros19, e não de prestadora de serviços e disseminadora de informação; e o seu gigantismo, visando mais à quantidade que à qualidade das bibliotecas públicas, opção condenada pela escassez de recursos.
Quanto à implantação, Oliveira (1994) lista os problemas de que padeciam as políticas do INL: falta de dados estatísticos para análise; falta de um sistema formal de informação gerencial; falta de avaliação; centralização20 do planejamento; e a falta de reconhecimento do município como o lugar de atuação das bibliotecas.
Apesar disso, o INL trouxe algumas inestimáveis contribuições ao desenvolvimento das bibliotecas públicas no Brasil. A primeira delas foi a incorporação das bibliotecas
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ARAÚJO, Eliany A. de. O discurso do livro como discurso do Estado: estudo de caso do Instituto Nacional do Livro, INL. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 1991.
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Vício que só foi interrompido por falta de verbas, a partir de 1987, para dar continuidade ao programa editorial do Instituto.
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Gerenciado por escritores, o INL, como inscrito no seu próprio nome, manteve seu foco nos livros e na biblioteca pública eminentemente literária, mesmo quando outras fontes de informação já se disseminavam numa sociedade crescentemente urbana e alfabetizada.
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à agenda governamental, levando o Estado a assumir, dentro de sua estrutura, responsabilidade pela leitura e biblioteca como serviços públicos básicos. Através do INL, houve real expansão das bibliotecas públicas no País, em termos geográficos e numéricos. Outra contribuição inegável foi o incremento dos acervos das bibliotecas, mesmo com todos os problemas levantados anteriormente, através da distribuição de obras. A doação de veículos para bibliotecas móveis, com seus respectivos acervos, também deve ser lembrada. Uma terceira contribuição foi o apoio, nem sempre explícito, mas real, ao desenvolvimento da Biblioteconomia no País, já que a carência de pessoal especializado sempre foi uma preocupação do Instituto. Algumas vezes esse apoio foi concretizado através de cursos intensivos, onde não existiam Escolas de Biblioteconomia e de estímulo à criação desses cursos.
Como visto, através do INL as bibliotecas públicas ocuparam a arena política brasileira pela primeira vez. No capítulo seguinte, será aprofundada a questão das políticas públicas do ponto de vista da Ciência da Informação para em seguida, definida a metodologia, descrever e analisar as políticas para bibliotecas públicas desde o governo Collor, no início da década de 1990, até o final do primeiro governo Lula, em 2006.
4 Políticas Públicas
“O discurso é uma simples promessa de verdade nos contextos da esperança; já a ação, é um atuar com vigor dinâmico”
Aldo Barreto, 2004
Para conhecer as políticas para bibliotecas públicas no Brasil, parte-se da discussão teórica sobre o que são as políticas públicas e como é possível avaliá-las.