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Os processos de deposição eletroquímica de Au metálico podem dar origem a dois tipos diferentes de filme: ouro macio e ouro duro. Au macio (tipicamente 50 kgf mm-2 a 85 kgf mm-2

em dureza Knoop1) é usado para a metalização de contatos de solda e na fabricação de

1 O método Knoop é utilizado para a medição de microdureza, na qual um penetrador de diamante, com

microbombas sobre lâminas silício, enquanto que Au duro (tipicamente 100 kgf mm-2 a

300 kgf mm-2 em dureza Knoop) é usado como material de contato em conectores elétricos,

placas de circuito impresso e chaves mecânicas [13, 30].

A eletrodeposição de Au macio em dispositivos e componentes eletrônicos é geralmente feita utilizando um banho contendo íons dicianourato(I), porque complexos de Au e cianeto [dicianourato(I) de potássio e tetracianourato(III) de potássio] têm as maiores constantes de estabilidade [as constantes de estabilidade2 dos complexos Au(CN)

2- e Au(CN)4- são 2 × 1038 e

≈ 1 × 1056, respectivamente]. A dificuldade enfrentada com esse tipo de banho é que os íons

livres de cianeto gerados pelo processo de deposição do Au costumam atacar a interface entre filmes de fotorresiste, comuns na fabricação de componentes eletrônicos, e substratos, levantando o fotorresiste e depositando espontaneamente Au sob o mesmo [5, 13].

Devido à incompatibilidade citada, esforços têm sido feitos para o desenvolvimento de banhos sem cianeto [6]. Complexos de SO32- com Au(I) [as constantes de estabilidade3 dos

complexos Au(SO3)- e Au(SO3)23- são 2·× 1012 e ≈ θ × 1026, respectivamente] apresentam

melhor compatibilidade para fotorresiste positivo e seu uso inclui o benefício de melhorar a uniformidade na espessura dos depósitos, em comparação com o uso dos banhos contendo íons cianeto. Além disso, depósitos obtidos a partir de soluções contendo íons SO32- com Au(I)

são brilhantes, duros e dúcteis [5]. Por outro lado, o complexo do íon SO32- com Au(I) está

sujeito a uma reação de desproporção formando Au(III) e Au metálico, como mostrado na eq.(2), o que pode causar a decomposição espontânea do banho em repouso e pH abaixo de 8,5. Para prevenir a decomposição, é necessário o uso de aditivos estabilizadores, como o dióxido de enxofre (SO2), utilizado nas primeiras soluções contendo íons SO32- e Au(I)

comerciais [5, 13, 31].

3 Au+ 2 Au + Au3+ (2)

2 As constantes de estabilidade ou de equilíbrio dos complexos [Au(CN)

2]- e [Au(CN)4]- são definidas como:

 

   

2 2      CN Au CN Au K e

 

   

3 4 4      CN Au CN Au K

3 As constantes de estabilidade ou de equilíbrio dos complexos [Au(SO

3)]- e [Au(SO3)2]3- são definidas como:

 

   2 3 3 SO Au SO Au K e

 

2

2 3 3 2 3      SO Au SO Au K

As soluções contendo SO32- e Au(I) normalmente têm pH ajustado em torno de 9,5. Por

outro lado, quando Au metálico é depositado a partir de um banho de pH alcalino, o excesso de íons SO32- pode ser oxidado, resultando em íons SO42- no anodo, desestabilizando o banho.

Para aplicações envolvendo fotorresistes reveláveis em solução alcalina, buscou-se diminuir o pH de operação para abaixo de 7,0. A adição de polímeros orgânicos, como etilenodiamina, permite abaixar o pH para valores ácidos, possibilitando o controle da evolução do SO2 para

remover a porção excedente de íons SO32- [5].

Espécies como fosfatos, carbonatos, acetatos e citratos são normalmente usados tanto como agente tampão como para aumentar a condutividade em banhos de deposição de Au. Em banhos alcalinos de íons SO32- com Au(I), íons metálicos de Cd, Ti, Mo, W, Pb, Zn, Fe, In, Ni,

Co, Sn, Cu, Mn e V, em diversas concentrações, e íons semimetálicos como de Sb, As, Se, e Te são usados como aditivos para promover o brilho (abrilhantadores4[32]) [5].

Banhos contendo íons Au(I)- S2O32- - SO32- já foram estudados [13, 29, 31-38] e

mostraram-se mais estáveis que soluções contendo somente íons SO32-, sem a adição de

estabilizantes. A estabilidade dos banhos com íons S2O32- pode ser prejudicada pela formação

de Au coloidal, que ocorre durante a eletrodeposição [39], e pode ser evitada pela presença dos íons SO32-, que impede a decomposição dos íons S2O32- [40]. Estudos demonstraram que a

dureza dos depósitos de Au obtidos depende inversamente da concentração de íons S2O32-.

Isso ocorre devido à incorporação de enxofre nos depósitos [41]. O uso de baixas concentrações de íons S2O32- é importante para promover a nucleação e contribuir para a

formação de cristais de Au metálico densamente empacotados, resultando em depósitos de baixa porosidade [13].

A eletrodeposição de Au a partir de complexos de Au(I)- S2O32- é conhecida desde 1913,

porém não se utiliza somente esse complexo, devido à própria instabilidade dos íons S2O32- em

soluções ácidas, mostrada na eq.(3); nessa reação há liberação de enxofre elementar que é adsorvido na superfície de Au [31, 40]:

S2O32- S +SO32- (3)

Outros agentes redutores de Au também já foram utilizados, como sais de hipofosfito (H2PO2-) e o metanal (HCHO). Banhos contendo íons de Au e H2PO2- para deposição química

foi primeiramente descrito em 1961, e modificações nesse banho tem sido publicadas desde

4 Aditivos abrilhantadores, ou refinadores de grãos, são substâncias adicionadas aos banhos, que diminuem o tamanho do cristal, diminuindo a rugosidade em escala microscópica ou atômica [32].

então. O banho, conhecido como banho de Swan-Gostin, não é autocatalítico [14]. O mecanismo de reação da espécie H2PO2- foi posteriormente investigado e demonstrou-se, para

deposições de Au em superfície de Ni, que os primeiros estágios de deposição ocorrem por troca galvânica, sendo que as áreas remanescentes posteriormente funcionam como superfície catalítica para a deposição de Au. Depósitos obtidos dessa maneira são porosos, ocorrendo difusão do substrato de Ni no filme de Au [14, 24].

O comportamento eletrocatalítico do HCHO em relação a vários metais tem sido bastante estudado nas últimas décadas [42-45]. A maioria desses trabalhos é focada em banhos alcalinos, sobre Pt ou ligas de Pt. Poucos trabalhos sugerem o uso de banhos contendo íons Au(I) e SO32- com HCHO, não tratando, porém, com maiores detalhes do comportamento

desses banhos [46-48].

Em relação à deposição química de Au, três processos diferentes de deposição são conhecidos: o de troca galvânica, o autocatalítico e o catalisado pelo substrato (SCEL). O processo SCEL é mais vantajoso que o de troca galvânica por gerar depósitos menos porosos [36, 38]. Comparado com o banho autocatalítico, o banho SCEL é mais estável e menos suscetível a decomposição espontânea, apesar de ter um limite de espessura máxima de Au (50 nm) [13]. Verificou-se também que a uniformidade e a aderência dos depósitos de Au estão relacionadas com a densidade dos núcleos5[49] de Au produzidos nos estágios iniciais de sua

deposição [13].

Benzer Belgeler