• Sonuç bulunamadı

Além da importância da atuação do Ministério para a indução da participação social nos demais entes federativos, conforme explicitado no item 1 deste capítulo, há especificida- des no arranjo participativo federal que foram capazes de potencializar a relação de comple- mentariedade entre participação social e representação política, aumentando a responsividade dos representantes às demandas dos grupos socioculturais representados e propiciando a in- clusão de grupos e setores culturais minoritários.

Em primeiro lugar, nota-se pelas falas dos entrevistados, que havia um forte embate dentro do Ministério entre grupos de dirigentes ligados ao PT e outros ligados ao PV e PC do B, havendo entre eles acusações mútuas de instrumentalização do processo participativo. No entanto, divergências à parte, acabaram prevalecendo no nível federal, arranjos participativos que possibilitaram, além da inserção de lideranças ligadas aos movimentos sociais organiza- dos e à atuação político-partidária, que fossem ouvidos especialistas ligados a Universidades, representantes dos setores artísticos (tanto pessoas influentes, pertencentes a elite ou ligadas à atuação mais comercial, quanto representantes de grupos independentes). Isso porque, foram realizados, além de conferências e seminários com maior número de pessoas, reuniões de gru- pos de trabalho e pequenos comitês, para que fossem ouvidos representantes das diversas classes e segmentos artístico-culturais:

Você teve primeiro uma oficina convocada pelo MINC onde tem pessoas identificadas em cada setor, que são convidadas pelo Ministério para discutir um diagnóstico. Etapa um, especialistas das universidades para redigir tex-

tos. Essa etapa chama de qualificação da proposta. Etapa dois, apresentação da proposta para a sociedade, então são seminários estaduais. O MINC leva o caderno, produto dessa primeira rodada, para uma participação aberta. Os seminários eram abertos para os convidados do MINC e mais quem quisesse participar. Mas os convidados do MINC não topavam ir nessa segunda etapa, frequentemente só compareciam na primeira, que é uma etapa mais de comi- tê onde eles vão ser ouvidos, vão estar num clima mais deles, é outro espaço de conversa. Mas a gente dizia para eles que essa era uma etapa, a gente que- ria muito ouvi-los, a gente considera importante as contribuições que vo- cês , agentes econômicos da atividade tem a dar, mas é importante dizer que o plano vai ser produto de um processo muito mais amplo de participação, [...] criando uma curva de aproximação do Estado também com esses agen- tes que são mais céticos em relação a essa participação (gestor/a federal do MINC).

Por exemplo, foram abertos canais especiais para ouvir pessoas e grupos que não seri- am atraídos pela participação nos espaços com maior número de pessoas e populares como conferências:

Na conferência de cultura não vão os grandes distribuidores de cinema, os grandes artistas não vão também. Fernanda Monte Negro não vai aparecer, o maior empresário exibidor brasileiro Ademar Oliveira do espaço Unibanco não vai, ele acha chato, não tem paciência para aquilo e tal. Agora, eu não posso deixar de tê-lo no processo, senão eu vou querer ter uma mística da participação basista . Quer dizer, ah não, só os excluídos é que tem a verda- de. Isso é mentira, isso é outra mística que às vezes o PT cai. [...] A gente tem que ter na mesma mesa de formulação todos os elos interessados para ter um diagnostico sério da atividade. [...] A primeira etapa também foi partici- pativa, nós montamos várias oficinas com a indústria cultural. Então a gente chamava os exibidores, os distribuidores. A gente sabia que eles só se senti- am confortáveis em rodadas mais fechadas, não adianta botar numa confe- rência, porque eles não vão. Então a gente os chamou em situações mais confortáveis, passamos o dia com eles debatendo diagnostico de cada setor. Chamamos os grandes nomes da moda: quais são as questões da moda no Brasil na visão de vocês? Ah, falta isso . Queremos exportação, a China é uma ameaça . É outro discurso, mas é importante eu ter essa informação (gestor/a federal do MINC).

Embora esse tipo de aproximação, com os setores que dispõem de maior capital social, possa, do ponto de vista apenas da igualdade formal, ser considerado não democrático, o fato dessas reuniões terem sido convocadas através de agenda aberta ao conhecimento público é aspecto positivo. Os encontros foram registrados no site do MINC, o que constitui um avanço em relação à transparência, pois permite que se tornem visíveis tais influências e lobbies.

De outro lado, foram convidados especialistas, acadêmicos, representantes de cadeias produtivas e instituições com conhecimento acumulado sobre os diversos segmentos como, por exemplo, o de culturas tradicionais:

A questão da representação para comunidade tradicional é um problema muito delicado. [...] Porque às vezes tem aquela ONG que diz representar... Nesses casos é melhor você ter cinco ou seis experts orgânicos, pessoas de peso, respeitadas e tal, produzindo uma narrativa em torno da questão do que você criar uma mística participativa que não é respeitada pelas própria co- munidades [...]. Na fase de especialistas a gente buscava trazer, identificar grandes nomes da universidade ou intelectuais orgânicos das comunidades, a partir de um juízo do próprio Ministério. [...] A gente tentava, combinar en- tão a participação horizontal com alguns casos de contribuição de acúmulos. Não está todo mundo no mesmo nível, você tem pessoas que acumularam mais e às vezes acumularam mais do que alguém que é eleito para ser dele- gado. Então você não pode jogar fora essa outra parte. Esse é outro erro de algumas dinâmicas participativas, você joga essa parte da sociedade fora e cai numa dinâmica horizontal onde todo mundo está igual, na estaca zero, onde todos os delegados são iguais. Pera aí, calma, o Brasil quer acúmulo, tem gente estudando, tem gente trabalhando há décadas. Você não pode ni- velar todo mundo de uma hora para outra porque o processo participativo é assim. Calma, aí vira uma distorção da realidade. A realidade não é assim. Tem gente que sabe mais, tem gente que sabe menos. O Ministério buscou perceber isso, combinar. Então a gente identificava também especialistas de peso que estavam dispostos a contribuir. [...] E em todo momento a gente di- zia: gente, nós não achamos que esse processo participativo é suficiente ou que ele é representativo da vida cultural brasileira . Dizíamos isso para as próprias lideranças que estavam lá, para elas mesmas fazerem essa reflexão. [...] Então esse é um problema da participação, ela é muito insuficiente, ela não é de fato representativa da totalidade das questões. Ela é indicativa, ela aponta para as questões, ela fortalece a legitimidade, porque lida com cabeça de rede, lideranças importantes. Mas ela não esgota o processo. E ela exclui muita gente, frequentemente. Nós também perdemos muita gente boa nesse processo, não tenho a menor dúvida [...] A minha hipótese é de que uma par- cela significativa que participou tem lastro social e cultural para ter partici- pado, ou seja, tem peso nas suas comunidades e tudo mais ( gestor/a federal do MINC).

O entrevistado criticou grupos do ministério que, segundo ele, procuravam restringir o processo participativo, visando ao uso eleitoral da construção da política, para que ela fosse atribuída como mérito exclusivo do Partido dos Trabalhadores. Na sua avaliação isso poderia prejudicar a aprovação e colocar em risco o resultado das articulações no Congresso e da mo- bilização social. O gestor ressaltou que buscou-se integrar no processo diversos atores e insti- tuições não alinhadas ao governo e de perfil, a princípio, mais conservador, mas que poderiam contribuir e facilitar a aprovação no Congresso:

Se tivesse feito um processo participativo só com os militantes de esquerda... Porque é tentador chamar a minha turma. Que é a maneira como eles traba- lham, chamam os grupos que têm a visão de esquerda que a gente tem etc. e tal. Só que a gente não, vamos chamar juiz, vamos chamar o Tribunal de Contas da União, vamos chamar as instituições de peso da República. É de direita? O que tem ser de direita companheiro? São instituições, vão vir. En- tão esse processo participativo não é uma coisa qualitativa da esquerda, é da população brasileira, das instituições de peso do país. Então a gente mandou o Plano também para a OAB, mandamos o Plano para instituições darem uma olhada, para a Academia Brasileira de Letras. Como é que sai um plano de cultura no Brasil e a Academia Brasileira não sabe disso? Pera aí meu amigo. Ah não, porque a participação, a ABL tem que se inscrever como de- legada. Não, não é assim. De novo, não é nivelando [...]. Por isso, a gente tomou muito cuidado. Especialmente com o Congresso Nacional e com os partidos políticos todos. Porque a gente sabia que era um projeto de lei do PT, do grupo do PT, três deputados do PT. Certo? Que eles iam encher a bo- ca na hora de falar que foi o PT que fez etc. e tal. Mas a gente não queria di- zer isso, a gente queria dizer que foi uma conquista do Brasil. E a gente sabia que o governo Lula ia faturar muito com isso. Mas assim, isso é secundário. Se isso fosse o nosso principal objetivo certamente o plano estaria tramitan- do até hoje. E certamente muito mais precário do que ele ficou no final. Só teve um veto que a Marisa Serrano pediu, só um veto (gestor/a federal do MINC).

Dessa forma, nota-se que há por um lado a visão que privilegia espaços como as con- ferências, porque seriam legitimadores pela eleição de delegados e de propostas prioritárias, pois a votação instituiria uma igualdade formal e, por outro lado, uma concepção de participa- ção que valoriza espaços como seminários, grupos de trabalho, cujos participantes podem ter perfil mais diversificado e menos politizado ou partidarizado , proporcionando um debate mais detalhado e qualificado pela participação de representantes de fato ligados aos grupos socioculturais. Neste último caso, a preocupação não é voltada aos procedimentos de eleição de representantes e legitimação formal de propostas:

[...] Então os seminários tinham outro perfil, necessariamente mais de pro- fundidade do que de votação por delegado. [...] Que nas conferências o re- sultado final normalmente é uma lista reivindicações, não é uma narrativa. E o plano deve ser uma narrativa, tem que ter um diagnóstico, tem que ter uma formulação, ter começo, meio e fim. Senão ele não é plano, ele é uma lista de compras: eu quero isso, quero isso e quero aquilo, o sul quer isso, o norte quer aquilo, então junta tudo, eu não atrapalho você, você não me atrapalha, cada um com sua demandinha. Esse é o lado ruim das conferências [...]. En- tão, a gente teve que mudar o método de participação para deixar claro que havia uma narrativa a ser construída e que a participação social tinha que se apropriar desse processo de narrativa, de planejamento [...] aí que a confe- rência se articula com o seminário (gestor/a federal do MINC).

Se por um lado a participação partidarizada parece ser importante para fortalecer o en- gajamento e a integração das propostas da sociedade civil com o sistema político tradicional, por outro lado, se for exclusivo, pode levar os espaços participativos a reproduzirem os pro- blemas de legitimidade, conexão e de objetivo estrito de manutenção no poder já encontrados na representação política eleitoral, ofuscando o potencial inclusivo da participação social.

A diversificação do processo participativo foi intensificada no nível federal a partir do segundo ciclo, pois no primeiro ainda predominaram no arranjo participativo o modelo de conferências, que acarretou a validação de propostas mais generalistas. Embora o resultado do primeiro ciclo participativo tenha sido importante para a articulação dos entes federativos, em função da construção de um Sistema Nacional de Cultura, trouxe à tona novamente diver- gências internas ao Ministério, havendo dúvidas se os resultados obtidos poderiam, por si só, constituir o Plano Nacional de Cultura.

A ideia inicial do coordenador da primeira conferência e do grupo todo era que realmente esse resultado da conferência já fosse o próprio Plano [...] De- pois, internamente, houve um grande debate e o que se ficou acertado dentro do Ministério é que o que sairia da Conferência não era Plano, mas sim, sub- sídio [...] A Conferência era uma instância que não tinha nem tempo para es- tar se aprofundando em todas as propostas [...] por melhor que fosse o resul- tado da Conferência, o Plano exigia uma elaboração maior. Isso foi um grande debate. Porque tinha alguém que achava que o plano devia ser feito na academia e, na outra ponta, alguém achava que devia ser feito completa- mente só com participação social [...] Não foi uma construção simples, nem tranquila e nem fácil dentro do Ministério (gestor/a federal do MINC). Devido à metodologia adotada nas conferências no primeiro ciclo participativo e pelo fato da sociedade civil ainda não estar suficientemente mobilizada, constatou-se que os dele- gados eleitos que chegaram à 1ª conferência nacional eram, na grande maioria, lideranças vinculadas à atuação político-partidária, sendo tímida a participação e contribuição direta dos grupos efetivamente ligados produção simbólica artístico-cultural e das minorias que se pre- tendia incluir, que não necessariamente estavam representadas pela militância.

Por essas razões, a partir do segundo ciclo o MINC reviu as metodologias aplicadas e os arranjos participativos no nível federal, para a diversificação do perfil dos atores, grupos e instituições a serem ouvidos, a fim de qualificar o debate e os resultados da participação soci- al. As modificações dos arranjos foram permeadas, então, por três objetivos principais: a di- versificação dos modelos de espaços abertos para evitar o predomínio de participantes pro-

fissionais ou ligados à atuação político-partidária; a elaboração de políticas setoriais (seto- res/linguagens artístico-culturais) ao lado das políticas culturais de cunho mais geral; e a in- clusão de segmentos marginalizados que ainda não haviam se integrado no processo.

Foram feitas as seguintes inovações em relação aos arranjos do primeiro ciclo: 1) a in- serção de pré-conferências setoriais (setores/linguagens e segmentos artístico-culturais), as quais se integraram à 2ª Conferência Nacional de Cultura; 2) o fortalecimento da discussão e elaboração de políticas setoriais que se iniciou com a implantação das câmaras setoriais; 3) reformulação e criação do Conselho Nacional de Políticas Culturais ao qual são ligados cole- giados dos setores artístico-culturais e demais segmentos 4) desenvolvimento de plataformas de transparência e participação na internet e 5) criação e fortalecimento das ações e políticas de editais da SID Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural e da Secretaria (responsá- vel pelo Programa Cultura Viva e Pontos de Cultura).

Em relação à eleição de delegados e validação das propostas, o MINC adotou, na 1ª Conferência Nacional de Cultura, a metodologia de representatividade comumente adotada nesta modalidade de espaço participativo, que determina que a aprovação de propostas e a eleição de representantes da sociedade civil partissem no sentido da base local para o topo, desde os Municípios, sendo tirados nas conferências municipais delegados e propostas para a discussão em Conferências Estaduais e, por fim, que destas saíssem os delegados e propostas que seriam votadas na Conferência Nacional, em Brasília. Assim, todas as propostas e grupos concorriam em pé de igualdade. Esse sistema foi modificado no segundo ciclo realizando-se diretamente no nível nacional pré-conferências setoriais, cujas áreas artísticas e segmentos foram ampliados para dança, circo, teatro, música, artes visuais, livro e leitura, culturas afro- brasileiras, culturas dos povos indígenas, culturas populares, audiovisual, arte digital, arqui- vos, museus, patrimônio material, patrimônio imaterial, arquitetura, moda, design e artesana- to67. Essas pré-conferências setoriais, realizadas em Brasília, diretamente no nível nacional, tiraram representantes das diversas regiões do país e propostas que não concorreram, na 2ª Conferência Nacional com as propostas gerais elaboradas desde a base municipal no sistema comum de conferências. Uma das responsáveis do MINC explica as mudança ocorridas no desenho:

O que mais saltava aos olhos na primeira Conferência era a ausência dos ar- tistas e das linguagens. E nós nos perguntamos por quê. Houve as conferên- cias estaduais, houve as conferências municipais, houve os Seminários seto- riais que foram uma espécie de Pré-Conferências que eram o momento deles chegarem, os segmentos pelas suas representações de classe. Ou seja, já era uma tentativa de incluir as linguagens artísticas. Que não foi bem sucedida, não atingiu os objetivos como o Ministério pretendia. [...] A gente pensou então na seguinte alternativa: criar pré-conferências setoriais. Porque as con- ferências estaduais e municipais iriam, em alguma medida, reproduzir o que tinha acontecido [...] iam tratar de tudo e não iriam focar em linguagens es- pecíficas, embora essas linguagens fossem aparecer. E nem iriam atrair a presença dos profissionais daquela área. Ao passo que se você fizesse a con- ferência para uma linguagem específica você ia conseguir reunir desde o es- tudante daquela linguagem, do artista ainda novinho ao consagrado, pelo menos alguns consagrados ou alguns com mais experiência. E aí nesse senti- do essa metodologia funcionou melhor do que a da primeira. [...] Como essa decisão foi tomada não lá no começo, mas já no meio do processo isso nos retirou as condições de fazer como nós queríamos que era começar no nível pelo menos estadual até chegar no nacional. Então houve alguns seminários setoriais realizados em alguns Estados. Então algumas áreas realizaram mais, como leitura, outras realizaram menos. Se pensava em fazer tudo pela inter-

net, aí resolveu-se que internet ainda não era um instrumento acessível para

todo mundo, [...] E se tentou dar uma regionalizada e uma estadualizada nes- sas Pré-Conferências da Pré-Conferência setorial nacional. E isso ajudou bastante.[...] Não só foram eleitos delegados nas Pré-Conferências setoriais para a Conferência nacional, como foram elencadas prioridades. Inclusive esse foi um grande debate: as prioridades das Pré-Conferências setoriais na votação elas vão concorrer com as prioridades eleitas nos grupos de trabalho da Conferência nacional, ou seja, da etapa nacional? No inicio a gente acre- ditava que sim, depois a gente compreendeu que não. Porque em geral como na Conferência nacional, os grupos de trabalho eram ecléticos, a tendência era que as prioridades fossem para um nível mais geral em detrimento do es- pecífico. E aí a gente iria reproduzir o erro do passado que era não ter priori- dade para os segmentos. Então nós decidimos que o que foi aprovado nas Pré-Conferências, as prioridades das Pré-Conferências setoriais integravam as prioridades das Conferências Nacionais. [...] Para o segmento é importan- te ter um plano nacional, é importante ter o sistema nacional, é importante ter recurso para a cultura, mas é igualmente importante para a área da músi- ca, por exemplo, ter música nas escolas. Ter música nas escolas não passaria na Conferência Nacional como importante, porque o pessoal da dança tam- bém ia querer ter dança nas escolas. E aí? Todos conciliaram tudo e não en- tra nada, porque às vezes quando você tenta conciliar muito você acaba per- dendo prioridades tentando abarcar o mundo (gestor/a federal do MINC). Praticamente todos os entrevistados observaram que apesar do primeiro ciclo ter sido importante para promover a articulação dos entes da federação, foi no segundo ciclo que hou- ve grande avanço tanto quantitativo como qualitativo na participação. No primeiro ciclo de participação que ainda não havia forte adesão dos entes federativos, muitos grupos sociocultu-

rais ainda não se encontravam suficientemente articulados e ligados ao processo participativo, desse modo predominavam nos espaços representantes ligados ao governo e militantes liga- dos a partidos:

[...] A segunda Conferência teve como diferencial o fato de que atores que não estavam articulados até então, no início do processo, conseguiram se ar- ticular e conseguiram trazer para a agenda política questões que o Plano Na- cional de Cultura não estava discutindo [...] essa segunda Conferência, ela tinha um cheiro de, assim de cultura popular, como eu não vi na primeira. A primeira era muito burocrática, eu senti que era uma coisa que tinha muito delegado representando o poder público e representando a sociedade, que ti- nham algum tipo de vínculo com o poder público. Eu vejo até por Santa Ca- tarina. Eu via muitos que foram eleitos como sociedade, que estavam traba- lhando em uma prefeitura ali, em uma prefeitura aqui...[...] Que tinham vín- culos. [...] e aí, você vê a cara da Conferência depois [...] era uma festa de cultura popular. Você via as pessoas trajando as vestimentas, você via que

Benzer Belgeler