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V. TABLO LİSTESİ

7. TARTIŞMA

O ensino de música destina-se a fazer com que os alunos encontrem mais alegria na música, e tem sua justificativa no fato de existirem obras muito mais bonitas do que as que ouvimos no dia-a-dia. A alegria musical atinge seu grau mais intenso e mais refutável na escuta elaborada de obras-primas. Existem obras resplandecentes, e é preciso que os alunos tenham acesso ao sentido dessas obras, tomando-se o termo

“sentido” em sua dupla acepção: significado e movimento em

direção a... (Snyders 1992, p. 20, grifos do autor)

6.1. Introdução

As informações fornecidas pelos educadores, objeto desta pesquisa, e a entrevista associadas à observação de suas práticas educativas foram muito importantes pois permitiram-nos conhecer as trajetórias de formação desses profissionais responsáveis por esse nível de ensino, e conhecer as condições concretas de suas práticas, muitas vezes, não perceptivas e expressas em seu cotidiano escolar.

Quanto à entrevistas, optamos por um roteiro calcado em três eixos: o sujeito e sua relação com a música, concepção do ensino de música na educação infantil e o sujeito e a organização da escola. Após a realização das observações e das entrevistas, que foram gravadas, transcrevemos e organizamos todo o material. Fizemos uma nova leitura dos dados obtidos com a intenção de detectar ideias, atividades, sentidos, problemas e iniciativas com relação às práticas cotidianas de música desses profissionais. Nesse sentido, consideramos as concepções sobre a prática de música no contexto da educação infantil, obtidas por meio das entrevistas semiestruturadas, de grande importância para a pesquisa pois nelas os profissionais puderam expressar ou revelar as razões, motivos, motivações ou intenções que os levavam a pensar e agir do modo como o faziam. Desses dados, extraímos trechos e frases dos próprios entrevistados considerados mais significativos para a compreensão da atual realidade da presença da música na escola para crianças de zero a cinco anos relativos à prática deles no contexto da sala de aula.

No caso das observações, a necessidade de focar o objeto de investigação levou- nos a privilegiar, dentro das próprias salas de aula, a prática musical como uma prática real e concreta, não apenas pela maneira como é entendida e direcionada pelas educadoras infantis e pelos professores de música, mas também como é vivida e experienciada pelas crianças no cotidiano escolar. De modo mais destacado, a observação possibilitou-nos, não só conhecer a prática pedagógica de cada educador em sala de aula, sua relação com as crianças e a participação delas mesmas no trabalho, mas também, por meio dela, captar atividades, conteúdos, repertório, tempos e espaços da música no contexto escola-sala de aula, a organização e as estratégias do seu ensino, materiais utilizados, entre outros. Procuramos, então, identificar como os educadores que trabalham com as crianças pequenas concretizam, em sala de aula, suas propostas e objetivos no que se refere à educação musical. Como todo processo educativo, esse também é marcado por eventuais problemas e dificuldades, conforme pudemos observar no desenvolvimento das práticas pedagógicas desses educadores.

Feita outra leitura dos dados coletados nas observações e nas entrevistas individuais, confrontamos os aspectos que emergiram das entrevistas com as especificidades dos dados observados, considerando aspectos biográficos, conhecimento de música e atuação dos profissionais. Estabelecemos, enfim, a relação da escola com a música, tendo o educador infantil e o professor de música como agentes dessa prática. Procuramos, ainda, ressaltar as influências e interferências do contexto educacional sobre o educador na construção de suas concepções sobre música e sua prática, como realça Kramer (2005b):

Assim, transitando entre o que a teoria informa e o que emerge dos corpora (conjunto de campos empíricos estudados), as categorias vão se constituindo enquanto o estudo teórico prossegue, e o pesquisador se deixa inquietar e surpreender pelos dados. (KRAMER, 2005b, p. 36, grifos do autor).

Por conseguinte, pesquisar como se desenvolve a prática musical sob a ótica dos educadores que trabalham na educação infantil pareceu-nos relevante para as áreas da Educação Infantil e Educação Musical pois nos possibilita perceber o que está além do visível, nas relações que se estabelecem entre o instituído e o pessoal, fazendo emergir capacidades de ver, ouvir, e sentir a música envolvendo-se com as crianças, percebendo realmente o que elas pensam, dizem e fazem.

Igualmente, conhecer a educadora infantil, o professor de música e a coordenadora desse nível escolar e identificar os modos pelos quais concebem e interpretam a música na educação infantil e como a traduzem e implementam-na no contexto escolar e, mais precisamente, no cotidiano da sala de aula, foi fundamental para o objetivo desta pesquisa.

Assim, da reflexão acerca desse conhecimento e a sua prática emergiram novos modos de ver e fazer música no cotidiano escolar com as crianças pequenas. Pudemos perceber, então, nas falas dos educadores associando a elas dados de nossa observação em salas de aula, aspectos centrais para criação de categorias e subcategorias para o desenvolvimento da presente pesquisa. Assim, ampliaram-se significativamente os dados possibilitando-nos analisar as principais ideias e concepções de educação musical no contexto escolar de educação infantil. Além disso, foi possível verificar como revelavam-se na proposta pedagógica da escola e no fazer pedagógico do educador.

Com efeito, na análise dos dados, focalizando a situação na qual se encontrava a prática musical no contexto das escolas de educação infantil em questão, buscamos detectar como as educadoras infantis e os professores de música se relacionavam com essa área de conhecimento, como interpretavam e vivenciavam o seu fazer pedagógico nas escolas em que atuavam, como (re)significavam seu conhecimento sobre música, dando forma e significado à suas ações, ancorados, ora em concepções, ideias e conteúdos advindos da sua formação inicial, e concretizados na sua prática educativa, ora orientados pela definição e concepções de música presentes no discurso institucional.

Ressaltamos, por fim, que a aproximação do objeto a ser investigado, através da observação em sala de aula e do diálogo com os profissionais que atuavam com as crianças pequenas, possibilitou-nos dimensionar o quadro em que se encontrava a música nas instituições de educação infantil, trazendo um novo (e necessário) olhar para as relações entre o discurso oficial e prática musical.

6.2. Perfil dos sujeitos participantes da pesquisa

Antes de iniciar a entrevista, pareceu-nos importante traçar o perfil dos sujeitos participantes da pesquisa, e é por esse perfil que iniciaremos este capítulo.

Assim sendo, no quadro 4 a seguir, apresentamos a escolaridade e formação das educadoras infantis entrevistadas.

ENSINO

MÉDIO ENSINO SUPERIOR

Magistério Pedagogia Normal

Superior Psicopedagogia Psicologia

EI 3- EI 4 - EI 6 - EI 7 EI 1 - EI 2 - EI 3 - EI 4 – EI 6 EI 5 - EI 6 EI 2 - EI 6 - EI 7 - EI 8 EI 7 - EI 9

Quadro 4 - Escolaridade e formação profissional da educadora infantil

Como podemos observar, todas as educadoras cursaram o ensino superior. Do total de nove entrevistadas, duas (EI 5 – EI 8) cursaram o Normal Superior e cinco (EI 1 – EI 2 – EI 3 – EI 4 – EI 6) têm formação em Pedagogia; a educadora EI 9, no momento da presente pesquisa, cursava Pedagogia. Podemos observar que quatro dessas educadoras ( EI 2 – EI 6 – EI 7 e EI 8) cursaram também pós-graduação em Psicopedagogia. O quadro nos mostra também que quatro educadoras (EI 3, EI 4, EI 6, EI 7) cursaram Magistério no Ensino Médio, antes de ingressarem na graduação e duas educadoras (EI 7 e EI 9) têm formação em Psicologia. A educadora EI 7 graduou-se primeiramente em Comunicação para, em seguida, cursar Psicologia e Psicopedagogia.

Em seguida, focalizamos no quadro 5, a escolaridade e a formação dos professores de música. Podemos observar que os professores de música apresentam formação musical em nível superior, porém, diferenciam quanto ao curso de origem e suas especializações. ENSINO SUPERIOR Pedago gia Psicopeda gogia Musicoterapia (sem formação específica) Piano Especializa ção em Artes Especialização em Educação Musical Direito PM 1 PM 1 PM 1 PM 2 PM 2 PM 3 PM 3

Quadro 5 - Escolaridade e formação profissional do professor de música

Das seis coordenadoras da educação infantil participantes, duas trabalhavam na Rede Pública e quatro na Rede Privada de Ensino. Como podemos observar no quadro 6 apresentado a seguir, das seis coordenadoras, apenas uma não possuía formação em Pedagogia; era formada em Psicologia e Psicopedagogia.

Benzer Belgeler