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na Governança Corporativa da empresa, e baseou-se nos cinco princípios básicos da Governança Corporativa.

A Governança Corporativa é o sistema por meio do qual se exerce e se monitora o controle nas corporações. Este sistema está intimamente vinculado à estrutura de propriedade, às características do sistema financeiro, à densidade e profundidade dos mercados de capitais e ao arcabouço legal de cada economia (JESEN, 1986; HART, 1995). Hamaker (2003, p.23), por sua vez, complementa o conceito de Governança Corporativa dizendo: o conjunto de responsabilidades e práticas exercidas pelo conselho e os gestores, com o objetivo de prover uma direção estratégica, garantindo que os objetivos serão alcançados, determinar que os riscos sejam geridos adequadamente e verificar que os recursos da organização serão utilizados de forma responsável.

Baseado, então, nestas diretrizes, as entrevistas levaram em consideração cinco variáveis importantes para que a Governança Corporativa seja efetiva, cruzando as mesmas com os benefícios que o COBIT traz para organizações. Em relação à Proteção dos Acionistas, que se entende como atração de capital para empresa e melhorias no ROI, o entrevistado C1 acredita que:

[...] diretamente eu não vejo a ligação do COBIT com o retorno do negócio. Indiretamente sim. Nós não somos uma empresa de TI, TI não é o negócio, é de suporte ao negócio, isso é claro para nós todos. Agora, quando tu usas diretamente a tecnologia como diferencial do negócio como eu te falei, claro que ela se torna uma ponta importante, ela tem maior peso do que em outras organizações. Diretamente no ROI não, mas indiretamente sim. Se o cliente final percebe o valor daquilo que tu estás fazendo, usando tecnologia dentro da tua organização, isso contribui para o negócio [...]

Já o entrevistado C2 discorda deste tema e diz: [...] “Ninguém vai colocar dinheiro só porque eu tenho o COBIT. Agora, se eu tenho uma auditoria externa que valida a minha atuação de TI, como a auditoria utiliza o COBIT para avaliação, vale muito mais a avaliação da auditoria do que o uso do framework” [...] e ainda [...] “Não associo, pois se tu tivesses qualquer outro método de cálculo de ROI, tu poderias preterir os controles do COBIT para justificar os projetos. Então, não acho que o COBIT ajude no retorno do investimento” [...].

Em complemento, o entrevistado C4 discorda da afirmação acima, pois:

[...] o uso de um Portfólio de TI, incluindo de Projetos, permite um melhor entendimento sobre os investimentos e gastos de TI, desta forma, permitindo aos tomadores de decisão, inclusive, externos à TI, que avaliem e aprovem iniciativas com o melhor Retorno Sobre o Investimento [...] já, as práticas de Gerenciamento de Projetos visam assegurar o desempenho na construção das soluções de TI, alinhadas com os objetivos e benefícios definidos na análise de ROI [...] por fim, o gerenciamento de nível de serviço visa assegurar e equilibrar a entrega dos serviços de TI, de acordo com estas mesmas

premissas de benefício, em sua condição de operação [...] isto ajuda na proteção dos acionistas aumentando o ROI da organização [...].

Quando se fala sobre a atração de investimentos para organização, o entrevistado E4 acredita que:

[...] este é um benefício mais distante, pois ele pode ser percebido apenas para organizações que possuem Governança Corporativa ou são reguladas por normas e legislação específicas, e que estas tenham relação direta com controles em TI. Quando esta relação existe, a contribuição para atração de investimento é em função do nível de conformidade às normas e controles da organização [...].

O entrevistado E3 acredita que [...] “uma TI estruturada e dentro de padrões internacionais estará mais apta à captação de recursos” [...].

Outro modo de proteger a empresa e seus acionistas é proporcionando Equidade entre os acionistas, e em relação a isto, o entrevistado C1 acredita que graças a:

[...] Transparência total, os processos do COBIT foram feito capacitação, todo mundo conhece COBIT aqui na empresa, nós temos os indicadores de TI publicados na intranet, da muito mais transparência, as pessoas acompanham a TI, tu consegues ver se o trabalho está sendo bem feito. Quando nós implementamos o COBIT aqui, as outras áreas começaram a buscar modelos para as áreas deles, RH foi um área que, como não existe modelos estruturados para RH, eles seguiram nossos exemplos, gestão de terceiros, gestão de contratos, e pegaram alguns processos do COBIT e adaptaram, gerenciar mudanças. Quando comprarmos uma empresa, o que devemos fazer? Alguns preceitos do COBIT saíram da área de TI e foram para área organizacional. Criaram um portal deles de indicadores de negócio, são áreas de suporte. Agora, com a onde da controladoria, contabilidade e financeiro também estão olhando isso aqui, pelo menos devem ter percebidos como uma boa coisa. Viram que melhorou, viram como é o método e começaram a transpor o COBIT para outras áreas de negócios. A transparência é o ponto mais importante. Eu vejo, não adianta fazer o COBIT na área de TI, ficar na TI, no mundinho da TI. O COBIT é transorganizacional. Muitas vezes passa além das fronteiras da própria organização. Muitas empresas adotam o COBIT na área de TI. Não, o COBIT é para implantar na organização e, muitas vezes, além da organização [...]

Já o entrevistado C2 acredita que [...] “Eu não consigo visualizar que o COBIT ajude a trazer igualdade entre os acionistas” [...]. O entrevistado C4 acredita que [...] “apesar de os critérios de informação serem vitais para gestão do negócio, a relação equidade entre acionistas é mais bem suportada quando existe a acuracidade das informações de negócio, às quais são custodiadas por TI” [...]

Estas diferenças de opiniões podem ser explicadas pelo uso e interpretação do modelo, pois como o mesmo é extremamente amplo e subjetivo, cada adoção pode qualificar os mesmos processos de formas diferentes e com resultados totalmente diferentes.

Outra importante variável para uma Governança Corporativa eficiente é o cumprimento das Normativas, e isto fica claro com a afirmação de Browning e Weill (2002), que dizem que a falta de controle sobre os gestores é um dos maiores problemas para obtenção de uma Governança Corporativa, o que ficou claro após os escândalos financeiros de grandes empresas americanas.

O COBIT pode auxiliar no cumprimento das normativas, como exemplifica o entrevistado C2 dizendo [...] “o COBIT ajuda totalmente no cumprimento das normativas estabelecidas, só que é o seguinte, o COBIT diz o que, mas não diz o como, ou seja, ele não é suficiente, tu tens que complementar isso com alguma outra coisa, outro framework” [...], e o entrevistado C2 complementa, dizendo: [...] “ele é um direcionador muito bom, ele é muito bem aceito por qualquer empresa de auditoria do mundo, eu vejo que ele é uma base para muitas atividades como regulamentações, compliance como SOX, Basileia etc.., depende do segmento que atua em cada organização, então, acho que ele facilita muito a aderência para cada normativa” [...], e o mesmo entrevistado acrescenta:

[...] primeiro que, se tu tens os processos organizados, tu buscaste o como fazer isso, e, o como fazer muitas vezes está aderindo às normas de

compliance . De outras normativas, ele facilita na hora de ligar as coisas. Tu

tens COBIT aqui, a Sarbanes Oxley. Nós não temos nenhuma normativa aqui, mas agora está surgindo uma, e eu vejo, que, quando vier para cá, algumas partes são os controles internos de TI, como tu já tens organizado facilita essa interligação [...]

O entrevistado C4 expôe que [...] “a contribuição existe quando da adoção da organização por modelos de Governança Corporativas, ou esta é regulada por normas e legislações específicas” [...]

As últimas duas variáveis importantes para obtenção da Governança Corporativa são a Transparência e o Controle e serão analisadas juntas, pois é através do controle que o COBIT traz a transparência, e isso fica claro com as palavras do entrevistado C1, que diz:

[...] o COBIT trouxe mais transparência. No momento que tu crias uma participação das áreas de negócio nas tomadas de decisões de Governança, praticamente todos os processos do domínio de planejar e organizar e monitorar e avaliar, há participação efetiva das áreas de negócio cliente. Com isso, traz muito mais entendimento, clareza, eles entendem as dificuldades, então, isso diminui a pressão e te traz uma percepção positiva da área de TI [...]

E o mesmo entrevistado mostra os benefícios que a transparência traz, dizendo que:

[...] quando tu tens transparência o cliente fica satisfeito por entender mais. Antes a TI era uma caixa preta, lá estão os caras da TI. Hoje eles entendem o que é isso. Se perguntar para qualquer gestor aqui dentro, ele entende o que

acontece, como os processos são feitos, quais são as dificuldades que se tem então isso gera uma atmosfera positiva dentro da organização [...]

A Transparência é um elemento vital da relação quando existem obrigações entre duas ou mais partes, desta forma, o COBIT auxilia na definição de objetivos de TI alinhados com os de negócio, e estes, demonstrados por métricas confiáveis e estruturadas. Também, a definição sobre a arquitetura de dados auxilia na identificação e definição das fontes de dados, relevantes para a organização.

O entrevistado E4 acredita que a adoção do COBIT aumenta o Controle da organização e ajuda a cumprir as normativas e regras exigidas pelos stakeholders, porém:

[...] estas regras podem ou não influenciar condutas em TI, entretanto, quando aplicáveis, estes devem ser considerados requisitos de negócio para a informação e, portanto, medidos e avaliados periodicamente. Neste caso, a contribuição do COBIT está em “o que” deve ser feito e não em “como” deve ser feito, de forma a assegurar regras específicas para Governança Corporativa [...].

O entrevistado C2 corrobora com isso dizendo que o COBIT:

[...] ajuda, porque ele normatiza, propõe, organiza e se tu segues isso, a parte do controle, indicadores, validação, certamente ajuda. Eu acho que o COBIT ajuda no cumprimento das regras estabelecidas pelos stakeholders dentro da organização devido à série de controles e recomendações que te ajuda a nortear as tuas execuções, então ele te ajuda, mas não garante [...]

A percepção dos CIO‟s entrevistados, à respeito dos benefícios que o COBIT traz para organização, apesar de terem visões diferentes em certos pontos, apoia o que a literatura fala sobre o modelo. Os resumos dessas percepções podem ser vistos no quadro 15.

CIO’s Proteção aos

Acionistas

O COBIT tem uma influência indireta no ROI e melhora a avaliação da auditoria, através dos seus controles que trazem melhorias no gerenciamento de recursos e na entrega dos serviços.

Equidade O COBIT ajuda a aumentar a transparência entre os acionistas devido à criação de comitês e a melhoria da mensuração da performance. Normas O COBIT ajuda muito o atendimento das normas, na organização de processos e no aumento dos controles internos de TI. Transparência O COBIT tem influencia direta no aumento da transparência, através da participação das áreas de negócio que ocorrem com a criação de Comitês. Controle O COBIT ajuda na criação de indicadores de desempenho, definição de responsáveis e no cumprimento das regras dos stakeholders, devido à sua forte característica de controle.

Quadro 15 – Resumo da dimensão Governança Corporativa do grupo dos CIO‟s

Na próxima seção serão vistas as percepções dos especialistas de mercado à respeito dos desafios, problemas e benefícios que o COBIT traz às organizações.

Benzer Belgeler