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Quanto ao aspectos de divergência entre a EAD, a Biblioteconomia e a CI, cabe destacar a questão da transmissão da informação e a construção do conhecimento por meio da EAD como elemento comprometedor para o desenvolvimento e a independência de uma identidade cultural.

disseminação de informações o foco de construção de identidade cultural se torna difuso e com pouco significado em termos de unidades nacionais já que as relações se fazem sob o prisma da noção de aldeias globais, comunidades virtuais – que de certa forma acaba por influenciar, comprometer e até emprobecer uma sociedade.

No entanto, é preciso destacar que os conhecimentos se constroem por intermédio do processo educativo, que, de tempos em tempos, é renovado com a evolução da própria sociedade e com o surgimento de novas tecnologias. Dentro deste prisma, a Educação absorve as novas tecnologias de informação e comunicação (TICs), como um dia absorveu o lápis, a lousa, a caneta esferográfica, as transparências, os slides e outros instrumentos, com o intuito de facilitar tanto o ensino como a aprendizagem.

Neste contexto de inovações tecnológicas e necessidades sociais, intensifica-se a utilização da Educação a Distância (EAD), pois esta é uma modalidade que “[...] apresenta maneiras próprias de execução, mas obedece à concepção geral da educação, que se transforma, à medida em que se modificam as visões humanas do mundo […]” (WICKERT, 1999).

Outro elemento de divergência entre as áreas é a questão da utilização da EAD na Biblioteconomia e na CI. Percebe-se que em ambas as áreas, a EAD tende a ser considerada de caráter complementar; isto é, emprega-se a modalidade a distância para uma disciplina ou curso apenas para complementar as aulas presenciais.

Contudo, cabe ressaltar que a Educação a Distância pode desempenhar papéis múltiplos, que vão desde a atualização de conhecimentos específicos até a formação profissional. Assim, ela pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento educacional de um país, e notadamente de uma sociedade com as características brasileiras (grande extensão territorial, concentração das atividades no sudeste do país, número limitado de vagas nas universidades públicas), em que o sistema educacional não consegue desenvolver as múltiplas ações que a cidadania requer (NUNES, 1993-1994). No âmbito da Biblioteconomia, por exemplo, um serviço de Comut vem complementar a dinâmica da busca de informações, sendo que a formação se efetivará conforme os interesses e afinidades do usuário.

Outro aspecto de divergência entre as áreas é a questão da qualidade das fontes de informação. Para a Biblioteconomia e para a Ciência da Informação, a avaliação e a estruturação de conteúdos são fatores de garantia da qualidade da informação haja vista que a credibilidade é um quesito para a segurança da produção e disseminação do conhecimento.

novas técnicas, a modalidade a distância acaba por transmitir informações de forma mais dinâmica, em menor tempo, sem a necessidade de esperar por um encontro presencial ou a publicação impressa de uma obra porque possuem como base a Internet e seus aplicativos e ferramentas. No entanto, é preciso uma avaliação cautelosa ao se “apropiar” do que está publicado em virtude de sua legitimidade e veracidade.

A tendência da minimização do convívio social entre professores e alunos, a proliferação de cursos com baixa qualidade, a formação voltada ao mercado de trabalho, a falta de credibilidade da realização do curso pelos alunos e o fortalecimento da visão econômica sobre a educacional são também aspectos de divergências entre a EAD, a Biblioteconomia e a CI.

Encontra-se disponível no ciberespaço um número cada vez maior de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA). Esses ambientes podem atuar concomitantemente à educação presencial, ou podem ser utilizados isoladamente. Muitas organizações produzem e disponibilizam estes sistemas, cada qual com seu custo e aplicabilidade, mas tendo em comum recursos interativos, além dos recursos de disponibilização de conteúdos, ferramentas de avaliação, testes e exercícios.

Os cursos oferecidos nestes ambientes, em geral, se destinam a estudantes universitários e profissionais que buscam concluir cursos de pós- graduação, como especialização, extensão ou mestrado, e cursos de formação continuada, sem necessidade de locomover-se geograficamente (FUKS et al., 2003, p. 232). Nesse sistema de ensino e aprendizagem, o aluno passa a ser sujeito ativo em sua formação e faz com que o processo de aprendizagem se desenvolva no mesmo ambiente em que se trabalha.

Assim, consegue-se uma formação teórico-prática ligada à experiência e em contato direto com a atividade profissional que se deseja aperfeiçoar. Segundo Takahashi (2000), “o impacto de tecnologias de informação e comunicação coloca a necessidade de se pôr em marcha e manter, como situação de equilíbrio dinâmico, amplo processo de revisão curricular em todos os níveis e áreas” (TAKAHASHI, 2000, p. 49).

Identifica-se que o ensino da teoria e da prática se integra às novas ferramentas. O professor a elas recorre visando maior aproveitamento do conteúdo de suas disciplinas e à melhoria na formação dos profissionais. Por sua vez, os alunos necessitam possuir, mesmo que basicamente, conhecimento em informática. “Em particular a oferta não formal, sobretudo de estilo permanente, como é a necessidade constante de recapacitação profissional, será cada vez mais feita através da presença virtual” (DEMO, 2002, p. 217).

Diante disso, pode-se afirmar que há uma invasão crescente na sociedade de processos informatizados, e a educação pode e deve utilizar as tecnologias buscando maneiras que permitam ao indivíduo estudar a vida toda. Nesse contexto, a EAD surge com o intuito de estreitar relações entre os alunos e os professores, ampliar oportunidades educacionais, promover a auto-aprendizagem, a interatividade e a troca de experiências entre as pessoas que não precisam ocupar o mesmo espaço físico, nem estar conectadas em tempo real.

Destaca-se que aparece como complemento às modalidades educacionais existentes, e está amplamente difundida nos meios educacionais para jovens e adultos, “[…] onde vem sendo apontada como um dos caminhos para a democratização da educação e para suprir a demanda emergente de educação continuada” (PICANÇO, 2001, p.1).

Porém, a EAD não pode ser aplicada visando apenas formar um número maior de profissionais. Mesmo considerando as vantagens ditas acima, alguns pesquisadores defendem a ideia de que a EAD pode acarretar na minimização do convívio social entre professores e alunos, a proliferação de cursos com baixa qualidade, a formação voltada ao mercado de trabalho, a falta de credibilidade da realização do curso pelos alunos e o fortalecimento da visão econômica sobre a educacional. No entanto, tudo depende da forma de utilização da EAD e das ferramentas nas quais é aplicada, e principalmente, da adaptação dos alunos ao ensino e à aprendizagem à distância.

Face aos estudos que abarcam a EAD, a Biblioteconomia e a CI, os elementos de convergências e divergências que se fazem presente nessa interlocução é possível identificar em determinados elementos do processo de se “fazer” ou “executar” a EAD, especificamente, no âmbito da pesquisa, “o contexto das práticas das equipes de produção de materiais didáticos”, a necessidade do papel do profissional da informação enquanto intermediador do acesso, gestor e facilitador da interpretação do conteúdo ou informação na modalidade em questão.

Em razão das especificidades das atividades que são realizadas por tais profissionais, em termos de seleção, organização, tratamento e disseminação da informação, parece-nos pertinente descrever e analisar as etapas e fases do processo de produção das atividades no intuito de identificar as dimensões informacionais que se fazem presentes no contexto das equipes de produção para EAD, funções que acreditamos, lhes permitem contribuir no processo educativo.

Diante disso, destaca-se nesse cenário a Biblioteconomia e a Ciência da Informação como fios condutores por proporcionar embasamento teórico-prático para gestar o conteúdo informacional, sendo estas áreas do saber consideradas

importantes na presente pesquisa por favorecer o aporte de seus conceitos, normas, princípios e técnicas a várias outras áreas do conhecimento, e de forma destacada na EAD para a construção e produção de materiais didáticos.

Em continuidade torna-se oportuno discutir os modelos e componentes do sistema de EAD, fato que nos revela a necessidade de apreensão dos modelos de planejamento instrucional para EAD - o sistema e seus elementos - fundamentais para a compreensão de sua prática, tema de discussão no capítulo III.

“O conhecimento sobre os terremotos desenvolveu toda uma engenharia que nos ajuda a sobreviver a eles. Não podemos eliminá-los mas podemos diminuir os danos que nos causam. Constatando, nos tornamos capazes de intervir na realidade, tarefa incomparavelmente mais complexa e geradora de novos saberes do que simplesmente a de nos adaptar a ela. É por isso também que não me parece possível nem aceitável a posição ingênua ou, pior, astutamente neutra de quem estuda, seja o físico, o biólogo, o sociólogo, o matemático, ou o pensador da educação. Ninguém pode estar no mundo, com o mundo e com os outros de forma neutra”.

FREIRE, 1996, p. 77

Benzer Belgeler