1. BÖLÜM
5.2. TARTIŞMA VE DEĞERLENDİRME
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A minha ligação com assuntos relacionados com a cultura tem a ver, um pouco, com o relacionamento que consegui estabelecer com a D.ª Alda Espírito Santo. Eu fui funcionário da Rádio Nacional, salvo erro, em 1977/78, eu penso que é mais ou menos nessa altura que eu me comecei a relacionar com a D.ª Alda Espírito Santo. E eu lembro-me que ia, algumas vezes, para o gabinete dela, quanto mais não fosse para mostrar um poema e conhecer a sua opinião. Depois, em 78, fui-me embora para a Alemanha democrática, foi lá onde estudei, sou germanista de formação, e digo isso, embora não trabalhe nesse domínio e cheguei em 84 e nunca mais tive qualquer coisa a ver com as germânicas e fui fazendo o que é possível. Primeiro fui integrado como técnico da Direcção da Cultura, depois, em 86, estive envolvido num pequeno gabinete aquilo a que se chamava Grupo de trabalho para a criação de um centro de estudos e pesquisas para o desenvolvimento. Estive naquele grupo até que veio a mudança em 90/91 e, de repente, convidaram-me para director da Rádio Nacional. Vi-me director da Rádio Nacional durante algum tempo e depois fui Director- Geral da Comunicação Social e depois Secretário de Estado da Comunicação Social e Cultura. Sabe, normalmente a gente quer fazer muito, mas muito significa ter meios para fazer, e não estou a falar só de recursos financeiros mas também competência técnica e, no domínio da cultura, até aquela altura, nós tínhamos formado muito pouca gente.
Deixo a Secretaria de Estado em 94 e, em 2004, havia um programa de apoio a iniciativas culturais, um projecto com financiamento da União Europeia, estavam a 6 meses do fim do projecto e chamaram-me para finalizar o projecto. No quadro daquele projecto eu deveria gerir a Casa da Cultura e fazer uma proposta de funcionamento da Casa da Cultura. O projecto terminou, eu tive uma conversa com a entidade competente, que na altura era o Sr. Ministro da Educação e Cultura e eu disse-lhe: “Bom, o projecto terminou, agora o senhor envia um gestor da Cultura, a minha missão está no fim”. A resposta foi: “O senhor já está lá e fica até nós resolvermos”. E foi assim que eu me vi na Casa da Cultura até ao fim do ano passado (2010), com contratos anuais de prestação de serviços.
Eu tenho uma perspectiva, provavelmente muito minha... isto é um pequeno país e que, se muito não pode fazer, deveria, pelo menos no domínio da cultura, afirmar-se como entidade com características próprias. E isso significa, sobretudo, saber respeitar os valores dos outros, para que os outros saibam reconhecer-nos naquilo que significa a nossa especificidade e as possibilidades que nós temos de, conjuntamente com os outros, encontrarmos um espaço de sobrevivência num universo que é de todos nós. Esta é a filosofia. E então eu apercebi-me, já naquela altura, que os valores culturais se estavam a degradar; e quando digo culturais estou a falar num sentido muito amplo, não apenas na cultura num sentido restrito que pressupõe um entendimento da literatura, artes plásticas, teatro, artes do espectáculo, enfim... Mas também percebi que não poderia ser tudo feito e que era preciso definir prioridades e estabeleci algumas linhas para o funcionamento da Casa da Cultura. Naquele quadro entendi que, desde a independência até hoje, as artes plásticas provavelmente foram o domínio artístico que mais evoluiu, refiro-me a pintura, escultura, tudo! A música, fez uma evolução com características muito específicas, com muita influência de fora, que faz com que hoje, o que nós chamamos música nacional precise de ser repensado num quadro em que temos que ter em conta a juventude, as novas aspirações, as novas formas de estar, mas tudo isso só se viabiliza se nós tivermos a noção da preservação e promoção de valores. Eu acho que mesmo essa evolução que nós constatamos hoje, se podemos falar do país com cultura específica, com características específicas, eu acho que qualquer evolução se faz a partir de uma raiz própria. Eu quero dizer com isto que temos uma base, temos manifestações próprias, mesmo ao nível da música podemos falar hoje da rumba, do socopé ou de outras manifestações que a evolução que agente possa constatar hoje se faça a partir dessa raiz. Se não, nós
temos corpos estranhos, com os quais a gente não se identifica necessariamente. A gente convive, no espaço, com manifestações de hoje, não querendo dizer que a gente se identifica com essas manifestações necessariamente. A literatura também fez um percurso bastante interessante, contrariamente ao que se possa pensar, produziu-se muito mais da independência até aos nossos dias, do que se produziu na época colonial, se quisermos falar da literatura santomense. O que se pode questionar hoje é a consistência dessa produção, mas em termos de volume produziu-se muito mais. E, se nos constatamos que ao nível da educação, do ensino/aprendizagem, passou-se por um processo de degradação sistemática até aos nossos dias, vamos ver que, muito provavelmente, esses fenómenos irão repercutir-se também na qualidade daquilo que se produziu ao longo dos últimos anos. Mas a verdade é que há um processo de produção literária, surgiram mais nomes, e um fenómeno que se constata hoje é que se a literatura doutros tempos era fundamentalmente poesia (não estou a falar das suas características panfletárias, mais ligadas à política, porque são coisas de contexto) mas há prosa, que não havia noutros tempos, e também drama como é o caso particular de Ângelo de Jesus Bonfim, mais conhecido por Ayto. Bom, depois tudo isto, eu fiquei com a sensação que o teatro é o domínio que ficou mais prejudicado, então entendi que deveria assumir o teatro como prioridade na Casa da Cultura. Não tinha condições para dar grandes apoios aos grupos culturais, mas abri-lhes o espaço para ensaios. Nós ainda conseguimos, durante um ano, ter aqui uma colaboradora francesa que trabalhou com os jovens durante algum tempo, ensaiou e introduziu o teatro de marionetas, mas depois foi-se embora e não pudemos recrutar mais ninguém. E também organizamos espectáculos e concursos teatrais anuais que no último ano não se fez, não sei por que razão...
Bom, esta é a percepção global. De qualquer modo, a questão que se coloca em termos de uma política cultura... eu acho que nós pecamos aqui precisamente porque não temos uma política cultural, São Tomé e Príncipe não teve uma política cultural, desde a independência até hoje. Uma política desenhada para a cultura. O que aconteceu foi que, nos sucessivos programas de governo, havia um programa para a cultura, mas isso não se subordinou ou não foi uma consequência de uma reflexão ou uma sistematização, foram ideias que uns e outros tinham acerca dos problemas da cultura e o que se devia fazer. É verdade que havia uma política subjacente mas não foi uma política desenhada para responder às preocupações culturais que se tem. Daí que, na minha perspectiva, o que acontece na cultura hoje é um problema de, por um lado, desconhecimento. Andamos todos a dizer cultura, nós decoramos essa frase bonita de Alda do Espírito Santo que diz que a cultura é o bilhete de identidade de um povo, mas o que é que isso é, o que faz o bilhete de identidade? Que elementos devem contar no bilhete de identidade para que a gente possa dizer: este é o meu bilhete de identidade? Então nós dizemos que a cultura é o bilhete de identidade de um povo e tudo cabe lá. Se perguntarmos a um jovem, porque é que é importante nelsopromover o Tchiloli, ele responde: porque é a nossa cultura e cultura é o bilhete de identidade de um povo. Eu pessoalmente acho que isso não chega, é preciso saber o que é o Tchiloli, conhecer as suas origens, como evoluiu, como nos relacionamos hoje com o
Tchiloli, o que é que ele significa hoje para nós e o que pode significar para as gerações futuras. Só assim
estaremos a falar da cultura.
Tendo estado sempre de perto e ligado a algumas decisões ligadas à cultura, consegue indicar-me estratégias encetadas de defesa do património, isto é alguma política patrimonial ou legislação que defendesse e resguardasse o património?
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Bom, é verdade que eu não tenho todas as informações, mas eu não conheço nenhuma iniciativa interna que tenho ido nesse sentido. Eu sei sim que houve algumas, vou citar duas. Uma é muito recente e resultou do esforço da D.ª Alda, em conversa connosco, conseguiu-se que, ao nível da Assembleia Nacional, fosse aprovada a Convenção da UNESCO sobre a defesa do património material e imaterial e foram adoptadas pela Assembleia Nacional. Depois, eu sei de uma iniciativa, distante desta, muito antes, de uma reunião que
houve no Hotel Miramar. As pessoas estavam preocupadas (estou a falar da minha amiga Alda do Espírito Santo) com o rumo que a música estava a levar, em termos de texto, a composição dos textos utilizada nas diferentes músicas. E então estavam preocupados que os nossos textos só maltratavam as mulheres, as mulheres tinham todo o tipo de defeitos. Então fizeram uma reunião com os cantores, os músicos, a ver se era possível contornar isso porque a mulher não é sempre essa figura má, com defeitos, que a gente apresenta; os homens também têm defeitos e é preciso mudar isso. E, provavelmente, aquilo resultou. Mas porque é que eu digo que não estou de acordo com estas coisas, porque os textos de música, em todo o lado, são uma consequência da vivência, consequência da experiência, isso não se faz por decreto ou porque alguém não quer que se cante sobre mulheres ou homens. Bom, alguns interiorizaram esse problema e, efectivamente, tentaram fazer textos com outras características, mas eu, confesso que não sou apologista dessas tomadas de posição. Estas são as duas iniciativas que eu me lembro. Se não, por exemplo, no quadro daquele projecto de apoio a iniciativas culturais para além de se terem compilado documentos sobre história e literatura que havia, conseguiu-se fazer uma recolha de músicas ou tradição oral, na Rádio Nacional, porque constatou-se, naquela altura, que haviam sido utilizadas cassetes de arquivo para gravar material novo, perdendo-se muito do arquivo. Então, naquele projecto, tentou-se coligir o que havia na Rádio Nacional para não se perder tudo. Ainda se conseguiu gravar cerca de 80/84 CD’s, mas eu não sei depois que destino tiveram. Outra iniciativa, que eu penso que deveria ser tida em conta é em relação ao jardim botânico da empresa Agostinho Neto (antiga Rio do Ouro). A ideia era tentar recuperar o jardim, na altura estava entregue ao Presidente Fradique Menezes porque era ele quem geria a empresa na altura, mas depois eu já não sei o que aconteceu com o jardim. Consta que hoje estaria entregue à Câmara distrital de Lobata mas julgo que eles não têm conhecimentos para, efectivamente, se manter o jardim.
E de quando é este jardim? Ele foi mesmo pensado como um jardim que reunisse e preservasse várias espécies?
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Já tem muito tempo, não sei precisar. Sei que é da época colonial. Ele foi mesmo pensado como um jardim botânico, porque os administradores de outros tempos tinham essas preocupações. Não só espécies endémicas necessariamente, algumas até foram introduzidas. Eu lembro-me que este jardim existe mas não sei em que estado está.
E este jardim tem alguma relação com o Jardim Botânico Bom Sucesso22? |0:19:21|
Deveriam ser geridos no mesmo quadro de protecção do património natural, mas que ligação hoje existe eu não sei. Só sei que se contratou um senhor na altura, ele tinha formação para isso, ainda fez uma catalogação e tudo mas que seguimento se deu, eu já não lhe sei dizer.
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Mas hoje, quando nós falamos da cultura, fundamentalmente quando queremos falar do folclore, dessas manifestações que ainda estiveram muito próximas do quotidiano dos cidadãos, e estou a falar do Danço Congo (na altura não havia bulawé), Auto de Floripes, socopé, a ússua. Na altura passou por cá um governador que muito fez por isso e hoje, quando falamos de cultura, todos nos lembramos daquela época. Estou a falar do governador Silva Sebastião e foi com ele que se reabilitou o que é hoje o Parque Popular, e
22 O Jardim Botânico é a porta de entrada para o Parque Natural d'Ôbo. Está localizado em Bom Sucesso, que fazia parte da antiga Roça Monte Café. Com mais de 400 espécies da flora endémica e mais de mil amostras de plantas, o jardim Botânico e Herbário foram criados para educar especialmente as gerações mais jovens sobre questões de biologia e botânica sistemática. Pretende ainda preservar espécies ameaçadas de extinção, colectar espécimes vivos e dados para a investigação científica e, finalmente, para fins turísticos e de lazer.
então todos anos havia manifestações de todo o tipo, no Parque Popular, com concursos, entrega de prémios, tudo. E assim ele conseguiu ainda incentivar os diferentes grupos. Mas depois disso, até hoje, não se fez grande coisa. E muita gente ainda tem saudades daqueles tempos porque verifica-se que alguma coisa foi feita naquele tempo. Estou a falar de 70/72, antes do último governador que foi Cecílio Gonçalves.
Uma coisa é a gente ter consciência que a cultura não é estática, em todo o lado ela é dinâmica, algumas alterações fazem-se paulatinamente. Mas é preciso que a gente se identifique com o que está a acontecer. Mas nós não nos identificamos, eu pelo menos não. A juventude está sempre muito entusiasmada com os seus kuduro... tudo isso é bom, tudo isso faz parte, mas só é bom se não me dissocia daquilo que é verdadeiramente meu. Vou dizer-lhe uma coisa que qualquer cidadão santomense, qualquer dirigente não lhe vai dizer. E o que eu vou dizer é muito chato, é assim: muita gente diz que São Tomé e Príncipe, nós somos um manto de retalhos e isso só é verdade em parte. Nós já fomos esse manto de retalhos na composição daquilo que é o santomense, mas a partir de um determinado momento nós não podemos continuar a ser um manto de retalhos, nós podemos ser um manto que se fez de retalhos. E então há algumas presunções. Quando falo disso, eu digo, eu sou neto de português, neto de forro, neto de angolar, portanto, se sou suspeito, o problema é vosso! Eu só estou a falar de São Tomé e Príncipe e do país que me interessa defender quando nós falamos da cultura. Então eu pergunto-me se o funaná é santomense. Para um dirigente, eventualmente, numa sessão pública, diz que já faz parte do património. Mas, a partir de que momento? O
funaná é uma manifestação cultural cabo-verdiana que é tocada da mesma forma em Portugal, em São Tomé,
na Holanda ou nos Estados Unidos. Então, quando eu me refiro ao funaná, eu digo que é uma manifestação cultural cabo-verdiana aqui. Mas eu não digo que é património santomense, porque isso tem outras implicações. Poderia ser uma variante nascida aqui, mas não é. O critério é sempre como assumimos e que relação estabelecemos com cada fenómeno.
Por exemplo, neste momento há uma grande polémica entre quem é santomense e cabo-verdiano aqui. Se não geram promiscuidades e depois não sabemos quem é quem. Eu estou convencido que mesmo a nossa convivência política se ressente disso, porque cada um tem um posicionamento diferente relativamente ao que é trabalhar para esse país e trabalhar para desenvolver este país. Uma coisa é eu querer trabalhar, garantir a sobrevivência da minha família e ter saudades, porque eu sou português, e no primeiro momento eu quero ir-me embora para Portugal. Outra coisa é eu identificar-me com isto, tenha vantagens ou tenha prejuízos, que sacrifícios eu estou disposto a fazer, e eu estou a falar de uma ilha de 1001 Km2, que ou a gente faz este
serviço ou não vale a pena termos hino e bandeira. Enquanto nós continuarmos a dizer que somos São Tomé e Príncipe, somos um país, temos um hino, temos uma bandeira, temos uma estrutura própria, somos independentes, isso tem que se repercutir em algum lado. Ainda que eu não descure nunca, que eu sou cidadão do mundo e eu preciso de estabelecer relacionamentos com todo o universo. Se não, eu desapareço nesse universo, enquanto cada um ainda está a construir identidade, embora falemos de globalização. Vou dar-lhe um exemplo, quando o Bush invadiu o Iraque, um dos argumentos que ele utilizou foi a defesa do “American way of life”. E eu pergunto, qual é o meu way of life, eu não tenho direito de defender também? Globalização, sim, já não é um fenómeno novo, entramos todos nele, cada um dá a sua quota-parte, mas cada um com as suas especificidades, com o seu rosto, e a minha grande mágoa é que o santomense está a perder a fisionomia própria. Daí que, essa noção de política cultural, eu continuo a defender que, em pequenos países como o nosso, devemos ter uma política cultural devidamente sólida, com objectivos.
Como caracterizaria, então, a cultura Santomense? [uma identidade cultural ou várias] |0:29:10|
O que faz a diferença é o simples facto de eu reconhecer que sou diferente. Coisas simples como cozer banana com peixe é um prato típico de São Tomé, pode haver variantes de calulú em todo o lado mas ele é de São Tomé. O Tchiloli é uma manifestação cultural típica de São Tomé que não se encontra em mais lado
nenhum, apesar de poder haver representações várias da Tragédia do Marquês de Mântua. Sabemos que no Príncipe existe o São Lourenço que é a representação do Auto de Floripes que também não encontramos em mais lado nenhum, e outras.... Faz a diferença saber que nós fizemos a mudança em 1990 e desde lá para cá já tivemos já mudamos muitas vezes de governo. Portanto, há especificidades que é preciso ter em conta quando equacionamos essas políticas culturais, fazêmo-las em função da nossa vivência, daí que só podemos aparecer no Conserto das Nações com fisionomia própria, se não desaparecemos.
Depois ainda há mais... a língua. Dizer que o forro é muito próximo do português ou o angolar é mais próximo de... é verdade que não há muitos estudos mas o forro é uma língua bem específica, com características próprias, com morfologia e sintaxe próprias. É verdade que tem uma carga vocabular grande, pela forma como se formou a língua crioula (esse termo eu também não goto muito!). Mas, ao longo dos últimos anos, temos sofrido influências, temos recebido vocabulário, quando queremos exprimir uma coisa específica, espontaneamente utilizas expressões de outra língua... Deus do céu, mas isso acontece em todas as línguas no mundo! E depois, só ouvimos forro aqui e o comportamento discursivo que nós temos utilizando o forro também só encontramos aqui. Daí que, tenhamos especificidades, de facto!
Gostaria que me falasse de sítios e locais de interesse que lhe parece que os santomenses valorizam - associados a histórias de vida, à tradição oral ou à história da ilha.
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Bom, eu não conheço muitos sítios, tenho que ser franco! Mas é assim, há referências que nós temos em conta, se elas existiram antes ou só a partir de determinado momento, mas hoje já fazem parte do imaginário colectivo. Nós muitas vezes falamos em Batepá, onde houve o Massacre de 53, falamos de Fernão Dias, todos sabem o que é e o que representou. Se hoje vier um turista, todos lhe perguntam se já foi à Boca do Inferno ou se já foi ver a Cascata de São Nicolau. Há ainda duas referências, que vêm de outros tempos que é a fortaleza de São Sebastião, onde está o museu, que deveria merecer atenção particular, e a fortaleza de São Jerónimo que é de 1530, incomoda-me seriamente a forma como foi tratado porque ficou acantonado no Hotel Pestana e nunca poderia ter sido feito, se não sob determinadas condições, isto é, deveria ser um espaço aberto, visível e eventualmente deveriam ser tomadas iniciativas de preservação.
Tenho outra referência que deve também ser tida em conta e que, infelizmente, hoje estão muito degradados, que são os espaços das roças coloniais. Deveriam ser devidamente preservadas e ser-lhes dada utilidade. Muita gente fala delas como espaços que deveriam ser qualificados para o turismo, mas nada foi feito, antes pelo contrário, e estamos a assistir à degradação sistemática.
No seu ponto de vista, o que deveria ser feito para preservar a cultura em São Tomé? |0:39:17|
Quer dizer, há algumas iniciativas. Eu acho que, efectivamente, deveria haver momentos de diálogo, concertação, debate, para que se possa identificar, de facto, o que consideramos serem os pontos fracos... um