costumava não responder às perguntas feitas
pelos alunos, apenas resolvia os problemas e
fazia ressalvas quanto aos cuidados que eles
deveriam ter durante o manuseio do
equipamento, sobretudo na exploração de outros
programas.
Durante a exploração livre do CD, as atividades referentes à matemática não foram propositadamente acessadas, pois os alunos foram avisados que haveria um momento próprio para essa tarefa. O CD-Rom funcionou bem em todos os quatro computadores, no entanto, só num deles era possível ouvir a narração, os demais computadores estavam com problemas nas suas placas de som. Parecia que isto seria mais um obstáculo, porém, a ausência do som fez com que os alunos se tornassem mais concentrados, pois os grupos que tinham que ler as informações demonstravam mais atenção que aquele que podia ouvi- las.
As atividades de matemática despertaram curiosidade dos alunos. Alguns deles perguntavam que matemática eles aprenderiam com esse tipo de material. Então, percebi que, mesmo avisados que haveria um momento próprio para tal, não contiveram a curiosidade e deram uma olhada nas atividades referente à matemática, porém, não ouvi nenhum comentário a respeito.
Esse momento exploratório contribuiu para aproximarmos mais uns com os outros e, assim, as relações, ações, conversas ficaram mais à vontade a ponto de deixarem perceptíveis alguns pontos relevantes para o acompanhamento das atividades. De forma resumida, é possível dizer que:
x Tanto o computador, quanto as informações contidas no CD se configuraram como algo do interesse dos alunos, provocando comentários, questionamentos e pedidos para ficar mais tempo desenvolvendo esse tipo de atividade.
x As informações eram acessadas satisfatoriamente quando havia dois alunos por computador. Com três alunos, sempre um deles ficava disperso.
x Os alunos queixavam-se que não podiam usufruir do laboratório de informática, pois, além da burocracia para a entrada deles lá, os professores não incentivavam atividades desse tipo.
x Os alunos demonstravam surpresa ao tomar conhecimento de “tantas informações” sobre o barco, sobretudo sobre os barcos que fazem parte das suas próprias vidas;
x Houve quem dissesse que não sabia que o Brasil, na época do Descobrimento, mais especificamente na região que hoje é denominada de Estado do Pará, tinha sido invadido por outros povos senão os portugueses.
x Alguns se surpreenderam de ver o mapa do município de Abaetetuba recortado por tantos rios. Argumentavam que não imaginavam tamanha extensão de águas circunvizinhas.
x Os nomes científicos atribuídos às árvores informadas no Cd-Rom foram motivos de diversão entre os alunos por causa da dificuldade que sentiram ao tentar lê-los e pronunciá-los.
Após o período exploratório do conteúdo relacionado aos barcos, foi iniciada a etapa referente à atividade 8 de matemática - “Barcos e Ângulos”. A estratégia foi a mesma utilizada anteriormente, apenas foi acrescentado um
material escrito com as mesmas informações contidas no Cd-Rom a fim de dar lugar às anotações feitas pelos alunos, referentes a cada uma das questões descritas.
No primeiro encontro, os alunos demonstraram interesse no início, mas foram ficando dispersos à medida que não conseguiam êxito na leitura e entendimento das questões. Pedi que eles se detivessem na primeira questão.
Os alunos conseguiam fazer conexões entre as informações ali contidas e aquelas percebidas durante a visita ao estaleiro, retomando os relatos já colocados nas redações feitas naquele dia. Porém, a introdução de terminologias próprias da matemática tais como “perpendicular”, “ângulo” e “90 graus”, apesar de não soarem tão estranhamente a seus ouvidos, também não lhes eram nada familiar. Em suas colocações, era perceptível uma compreensão de ângulo como uma abertura formada entre as peças do barco, porém, quando solicitados a escrever esses relatos, os alunos ficavam inseguros e diziam que não podiam registrar algo sobre ângulos porque ainda não tinham compreendido bem o assunto. A novidade de ter que elaborar um conceito sem a aula expositiva prévia, como tradicionalmente acontecia, parecia intimidar os alunos. Pedi, então, que passassem para a próxima questão.
Como era de se esperar, a dúvida permaneceu na questão 2, pois, se os alunos ainda não identificavam o que seria um ângulo, como falar de medidas de ângulos? Porém, alguns mencionaram conhecer o transferidor, mas não sabiam quais eram a finalidade dele. Outros fizeram a diferenciação entre grau de medida de temperatura e grau de medida de ângulo, mas sem expressar como eram feitas essas medidas, apenas citavam os instrumentos de medição (termômetro e transferidor, respectivamente).
Mais uma vez, da identificação dos ângulos como abertura entre peças do barco, tentei provocar um pouco mais o pensamento dos alunos com relação a como medir essas aberturas. Muitos deles apontaram a medida linear (palmos e centímetros, por exemplo) como adequado a esse tipo de tarefa. Outros discordaram, mas não deram nenhuma alternativa de contraposição. Diante das dúvidas e da falta de respostas ao longo das outras questões do CD, os alunos pediram que não continuássemos as outras questões sem esclarecer esses pormenores primeiro. Pediram-me que eu lhes fizesse uma aula expositiva. Sugeri então que passássemos para a questão 6, a qual se referia à consulta aos livros didáticos. A intenção era insistir na busca de uma compreensão mais pela construção autônoma do aluno e menos pela dependência informativa do professor. Nos próximos encontros daríamos ênfase a essa tarefa. Foram solicitados os livros didáticos de uso da escola e outros que estivessem ao nosso alcance.
A expectativa para a consulta aos livros não era das melhores tendo em vista a experiência não produtiva que foi realizada anteriormente na turma A, e ainda, a não utilização dos computadores nesse tipo de atividade. No entanto, os alunos chegaram interessados em desenvolver tal atividade, demonstraram curiosidade em saber o que afinal significava ângulo. Então, dividi os livros entre os alunos orientado-os que teríamos os primeiros quarenta minutos dedicados somente a leitura e que os comentários deveriam ser feitos no momento seguinte. Após os livros consultados10, os alunos ficaram eufóricos em fazer perguntas e
colocar suas opiniões. A seguir, o quadro-síntese referente a esse momento: