Após a criação e respetiva validação do sistema de inspeção e diagnóstico de anomalias em coberturas em terraço, obtive-se as conclusões expostas seguidamente.
As coberturas em terraço podem classificar-se segundo várias óticas: quanto à acessibilidade; quanto à ca- mada de proteção; segundo o tipo de revestimentos de impermeabilização; quanto à localização da camada de isolamento térmico; quanto à pendente e quanto à estrutura de suporte; na constituição do sistema de coberturas as camadas responsáveis por satisfazer as exigências funcionais são: a estrutura resistente, o suporte de impermeabilização, o revestimento da impermeabilização e a proteção desse revestimento. Além destas, podem ainda constituir a cobertura em terraço as seguintes camadas: a camada de regularização, a camada de forma, a barreira pára-vapor, a camada de isolamento térmico, a camada de difusão de vapor de água e a camada de dessolidarização. Existem exigências funcionais a que o sistema de cobertura deve atender, encontrando-se em cinco grupos principais: de segurança, de habitabilidade, de durabilidade, de
______________________________________________________________________________________________ Sistema de inspeção e diagnóstico de anomalias em coberturas em terraço 6-2 economia e outras exigências. Os materiais e sistemas de impermeabilização podem dividir-se em: materiais e sistemas de impermeabilização tradicionais (betumes, alcatrão e derivados, asfalto, produtos elaborados, sistemas de impermeabilização com base em asfalto ou emulsões betuminosas, telas e feltros betuminosos e sistemas de impermeabilização com base em telas ou feltros betuminosos), ou em materiais e sistemas de impermeabilização não-tradicionais (produtos líquidos ou pastosos, sistemas de impermeabilização não-tra- dicional aplicados in situ; sistema de impermeabilização e de isolamento térmico aplicado in situ). Os materiais podem ser classificados em: materiais tradicionais (materiais betuminosos, materiais auxiliares, produtos ela- borados e produtos prefabricados), ou em materiais não-tradicionais (produtos em pasta ou produtos prefa- bricados); quanto aos sistemas de impermeabilização podem ser classificados quanto à sua constituição (sis- tema tradicional ou não-tradicional), ou quanto ao modo de ligação (sistema aderente, sistema semi-aderente, sistema independente ou sistema fixado mecanicamente). Os isolamentos térmicos podem ser classificados segundo a natureza das matérias primas (isolantes minerais, isolantes vegetais, isolantes sintéticos e mistos) ou segundo ao modo de produção ou execução (prefabricados, em pasta ou em espuma e granulares). O sistema classificativo de anomalias em coberturas em terraço e das causas prováveis (diretas e indiretas) associadas compreende todos os casos de patologia já observados e registados. Não obstante, dependendo da experiência de utilização futura no referido sistema, é passível a existência de alterações pontuais. Após a validação, através da campanha de inspeções, a informação relativa ao sistema classificativo foi resumida em fichas de anomalias, de forma sintética e inequívoca; os campos das fichas incluem uma breve descrição da anomalia, as causas prováveis e consequências possíveis associadas, os métodos de diagnóstico aplicá- veis e os parâmetros de classificação necessários à definição do nível de gravidade / urgência de reparação; deste modo, as fichas, tal como era previsto, revelam-se de fácil interpretação e utilização, para o inspetor, no decorrer das atividades de inspeção que apresentem anomalias. A validação da matriz de correlação entre anomalias é de extrema importância, permitindo estabelecer a probabilidade de ocorrência simultânea de várias anomalias, tendo em conta que uma anomalia pode ocorrer isoladamente ou estar associada a outras anomalias; é de notar que este tipo de conhecimento se revela fundamental para a realização de ações pre- ventivas ao nível do desenvolvimento das anomalias.
Os métodos de diagnóstico de anomalias, passíveis de serem utilizados em coberturas em terraço, devem ter em consideração o método de funcionamento e o tipo de equipamento, tal como as respetivas limitações; tendo em conta que os métodos propostos são de caráter não-destrutivo e de realização in situ. A caracteri- zação completa das técnicas é apresentada em fichas individuais que, tal como as fichas de inspeção, têm a finalidade de facilitar o processo de inspeção. Após a validação, através da amostra de inspeções, a matriz de correlação anomalias - técnicas de diagnóstico permite ao inspetor verificar qual o método mais indicado para o diagnóstico de uma determinada anomalia e respetivas causas, de acordo com o tipo de equipamento necessário, o grau de complexidade, vantagens e limitações de cada método. Os métodos apresentados, de caráter elétrico ou nuclear, não têm muita tradição em Portugal, no entanto, é neste sentido que a tecnologia de inspeção, atualmente utilizada, deve evoluir, buscando métodos cada vez mais precisos, funcionais e com boa relação preço / qualidade.
Com a realização do trabalho de campo, foi possível obter a validação do sistema classificativo proposto, das matrizes de correlação e, consequentemente, com a análise estatística, foi igualmente possível obter algumas conclusões importantes. Com as 105 inspeções realizadas, foi possível a validação do sistema classificativo proposto e das várias matrizes de correlação apresentadas e ainda a alteração de alguns pressupostos que
______________________________________________________________________________________________ Sistema de inspeção e diagnóstico de anomalias em coberturas em terraço 6-3 melhoram a aplicação do sistema classificativo às situações reais; contudo, considera-se que a validação deverá ter continuidade futura de inspeções de modo a incrementar o número e a diversidade da amostra. As anomalias que apresentam maiores frequências absolutas, ou seja, que apresentam uma maior probabilidade de serem encontradas numa inspeção a uma cobertura em terraço, são: a A-G8 - acumulação de detritos, a A-G10 - colonização biológica, a A-G1 - desgaste superficial e a A-S2 - inexistência / conceção ina- dequada de tubos de queda; por outro lado, as anomalias A-S6 - fixações deficientes e A-S3 - conceção inadequada de tubos ladrão apresentam as probabilidades de ocorrência mais baixas. Numa análise às anomalias que se podem encontrar nos revestimentos de impermeabilização, o maior número de anomalias concentra-se, em média, nos revestimentos betuminosos, sendo que os revestimentos de PVC e membrana líquida apresentam um número de ocorrências inferior aos restantes.
Em 50,3% dos casos da amostra, o nível de gravidade / urgência de reparação 2 foi o mais registado, reve- lando que as anomalias com este nível de gravidade devem ser monitorizadas de modo a verificar a sua evolução; por sua vez, registou-se em 19.6% das anomalias observadas que era exigível uma intervenção imediata (nível de gravidade 0), uma vez que a sua ocorrência coloca em causa uma das principais exigências funcionais de uma cobertura - a estanqueidade; verifica-se assim que as anomalias mais gravosas são a A- G12 - manchas de humidade de condensação / infiltração, a A-S2 - conceção inadequada de tubos de queda, a A-S6 - fixações deficientes e a A-G2 - fratura / rotura. Os erros de execução são as principais causas de ocorrência de anomalias em coberturas em terraço, seguidos das ações ambientais, pelo que não só se reveste da maior importância a divulgação das técnicas adequadas de execução e utilização de pessoal especializado, como também são de extrema importância as ações regulares de limpeza e manutenção do sistema da cobertura; por sua vez, um maior rigor na seleção de materiais prescritos no projeto de coberturas em terraço poderá contribuir igualmente para a redução da ocorrência de grande parte das anomalias, nome- adamente ao nível dos erros de projeto / conceção.
O método D-A1 - inspeção visual é o indicado para um primeiro diagnóstico das anomalias, por ser de fácil utili- zação e não necessitar de equipamento especial, mas sim de um profissional especializado e com experiência, no entanto, sempre que possível, recomenda-se a utilização de meios auxiliares, a fim de se obter um diagnóstico mais completo; por outro lado, os métodos D-A2 - medição da inclinação e D-B2 - teste da capacidade elétrica ou capacitância são os menos utilizados devido ao facto de terem um campo de aplicação limitado.