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Na etapa seguinte do estudo, quando se efetivaram as observações em sala de aula e o trabalho de formação com a docente, a metodologia utilizada foi a pesquisa-ação, que é definida por Michel Thiollent (1994) como:

um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo e participativo (p. 14). São muitas as áreas de conhecimento em que a pesquisa-ação pode ser aplicada, como comunicação social, serviço social, organização, tecnologia, práticas políticas e também na educação.

Na área da educação a pesquisa-ação é utilizada em investigações que envolvam formação de adultos, educação popular e outros temas. Thiollent (1994) ressalta que nos 1° e 2° graus da educação é rara sua aplicação, mas nos últimos anos tem se notado uma maior abertura a este tipo de pesquisa.

A pesquisa-ação promove a participação dos usuários do sistema escolar na busca de soluções aos seus problemas. Este processo supõe que os pesquisadores adotem uma linguagem apropriada. Os objetivos teóricos da pesquisa são constantemente reafirmados e afinados no contato com as situações abertas ao diálogo com os interessados, na sua linguagem popular. (THIOLLENT, 1994, p. 75)

A pesquisa-ação se mostra ideal em estudos onde se tem algo a “dizer” ou a “fazer” no contexto investigado. Segundo Thiollent (1994), não “se trata de simples levantamento de dados ou de relatórios a serem arquivados. Com a pesquisa- ação os pesquisadores pretendem desempenhar um papel ativo na própria realidade dos fatos observados” (p. 16). Ou seja, nessa modalidade, é preciso que haja um trabalho coletivo envolvendo o pesquisador e os sujeitos da situação investigada, já que todos atuarão juntos na resolução dos problemas encontrados e na avaliação das ações desenvolvidas, de forma que ampliem seu “nível de consciência” diante da realidade.

Por fim, o objetivo maior da pesquisa-ação é promover a discussão com os pesquisados, para que se conscientizem da situação vivida e reflitam sobre ela para gerar novas práticas que possam transformar a realidade. Assim o pesquisador estabelece o diálogo constante, divulga e discute os resultados encontrados e cria condições para que os próprios envolvidos realizem transformações.

Na presente pesquisa, um dos objetivos era formar uma das docentes participante da pesquisa, ou seja, após a observação promovida no momento do chamado minicurso, tentamos mudar algumas práticas da docente para resolver problemas encontrados e minimizar possíveis equívocos, por meio da reflexão sobre sua prática.

3.4.1 Escolha da professora observada e as observações iniciais

No terceiro momento do estudo, após as entrevistas, convidamos uma das professoras de 5º ano para uma participação maior na pesquisa, tendo suas aulas de português observadas. Com a proposta pretendemos verificar o trabalho da docente com os contos de fadas, bem como analisar as versões das histórias utilizadas, os exercícios trabalhados e a proposta de produção textual. As observações das aulas de português tiveram duração de um mês e, naquele momento, foram apenas registrados os textos trabalhados e as explicações da professora.

É importante evidenciar que a docente observada foi a que aceitou a nossa presença em sua sala de aula durante o trabalho com uma unidade do livro didático adotado pela escola. Tendo como título “As histórias e seus mistérios”

(ANEXO, p. 163) a seção do livro apresentava como texto principal o conto de fadas A Bela e A Fera. Foi possível, assim, observar como a professora utilizou o material. Vale lembrar que as descrições e análises dessas observações estão contidas no capítulo quatro.

3.5 A formação: minicurso

No quarto momento da pesquisa, a professora observada recebeu uma formação sobre o conto de fadas, ocasião em que foram lidos e discutidos textos elaborados pela pesquisadora e pela orientadora, com o objetivo de serem mais didáticos, tratando especificamente dos temas que seriam discutidos e trabalhados em cada momento da formação: definição do conto de fadas, diferenciação entre conto de fadas, conto maravilhoso e texto fantástico, autores de contos de fadas – Charles Perrault, Irmãos Grimm e Hans C. Andersen –, estrutura do conto de fadas e, por último, gráficos organizadores e trabalho com reescrita dos contos.

Tal capacitação teve como objetivo principal formar a professora com relação ao trabalho com conto de fadas, definindo o gênero e diferenciando-o de outros tipos de textos, com base nas características estruturais, além de apresentar alguns autores e suas obras. Foram também entregues atividades práticas para que ela utilizasse em sala de aula. A cada encontro, a docente recebia um texto teórico escrito e copilado pela pesquisadora sobre o assunto a ser trabalhado, que era lido e discutido. Do mesmo modo, depois da leitura sempre havia uma atividade prática que pudesse auxiliar na compreensão da teoria.

Além dos textos teóricos, livros de contos de fadas, em boas versões, próximas das publicadas pelos três autores estudados, eram apresentados à professora, que os lia e comparava com outras versões, tão modificadas, que transformaram a história, comprometendo a narrativa. Neste momento, o objetivo principal era fazer com que a docente reconhecesse o valor de versões próximas das originais, já que são mais detalhadas e significativas para a criança. Em suma, o curso teve duração de cinco encontros, que ocorreram na escola, antes do horário de HTPC, com duração de

aproximadamente duas horas cada um. Os textos lidos com a professora encontram-se no apêndice da pesquisa.

Benzer Belgeler